A precariedade do ensino jurídico

0

Tema que tem sido objeto de grandes
discussões é a qualidade do ensino ministrado pelas faculdades de direito, que
se torna a cada dia mais preocupante devido à má formação dos bacharéis.

A precariedade de nosso ensino
demonstra-se sob vários aspectos, dentre eles:

– Notas baixas obtidas no exame nacional de
cursos (provão) realizado pelo MEC, notas essas que supostamente traduzem a
precariedade do nosso ensino classificando as instituições como sendo de boa
qualidade e de má qualidade em razão das notas e da avaliação das condições de
oferta das faculdades de direito;

– A não observância dos parâmetros estabelecidos
pela Lei da Educação do Ensino Superior;

– A contratação de professores sem nenhuma
especialização, ou mesmo de professores bem especializados, mas sem didática
profissional o que os levam a fingirem que estão
ensinando e aos alunos fingirem que estão aprendendo;

– A falta de estrutura física e a conseqüente
falta de bibliotecas adequadas, núcleos de prática jurídica capazes de atender
realmente aos anseios sociais, falta de incentivos à pesquisa e extensão;

– Estágios que não proporcionam aos alunos
conhecimento adequado da prática profissional;

– Avaliações contendo questões que podem ser
resolvidas usando um simples código, ou objeto de memorização: decora-se o
texto e o responde na avaliação, não permitindo que o futuro profissional crie,
raciocine.

A meu ver o que está acontecendo com
as faculdades de direito, principalmente com as instituições privadas é uma certa confusão entre ensinar e comercializar o ensino,
pois o curso de Direito é um curso de baixo custo de manutenção e de grande
demanda devido à gama de opções, entre elas concursos públicos, o que causa um
grande crescimento de vagas e respectivamente de bacharéis que muitas vezes não
obtêm sucesso profissional devido à falta de vagas no mercado de trabalho e à
dificuldade de ser aprovado em um concurso público, além de sua má formação
universitária.

Devemos ressaltar também que boa parte dos universitários não se preocupam com a
qualidade do seu curso o que os leva muitas vezes a permanecerem inertes, não
fazendo “jus” ao preço que pagam nas entidades privadas, e ao seu esforço
despendido para galgar uma vaga nas entidades federais, estaduais, e que também
não têm consciência da seriedade da profissão, pois irão lidar com conflitos de
interesses, acarretando às vezes injustiças, prejudicando a paz social o que
contribui com a crise do Poder Judiciário.

Precisamos reverter essa situação de
precariedade adotando algumas medidas as quais atrevo-me
a propor:

– Maior fiscalização na autorização e
reconhecimento dos cursos por parte dos órgãos responsáveis, dentre eles  a Ordem dos
Advogados do Brasil e o Ministério da Educação;

– Mudança nos meios de contratação de
professores, devendo realizar-se não só a prova de admissão como também
verificando melhor a didática profissional e a experiência que o mesmo possui;

– Dinamização do ensino, utilizando avançados
recursos tecnológicos como data-shows, internet,
aulas interativas;

– Elaboração de avaliações que realmente façam o
aluno atingir sua capacidade reflexiva e auto-crítica,
fazendo com que o mesmo desenvolva e crie suas idéias;

– Maior incentivo às pesquisas, pois estas
constituem o caminho para que os pesquisadores aprendam a descobrir e criar
novos estudos e atingirem seus objetivos, cabendo às instituições auxiliarem os
seus pesquisadores com bons orientadores e a incentivá-los com bolsas,
publicações;

– Mais dedicação e desempenho nos estudos por
parte dos nossos colegas universitários que muitas vezes deixam-se levar pelo
comodismo, pela falta de interesse, e pela despreocupação com sua formação;

– Métodos mais eficientes para a avaliação da
qualidade dos cursos  e
das respectivas faculdades, não sendo suficiente apenas provas, e sim uma maior
fiscalização periódica, estabelecendo sanções para o caso de descumprimento de
imposições feitas.

Esperamos que todos os responsáveis
pela qualidade de nosso ensino jurídico, incluindo órgãos fiscalizadores,
magníficos reitores, diretores, profissionais da área e futuros bacharéis, se
sensibilizem à realidade em que nos encontramos para
que assim possamos realmente ter um ensino de boa qualidade permitindo atingir
nosso ideal de justiça.

 


 

Informações Sobre o Autor

 

Marco Aurélio P. Tavares

 

Acadêmico do curso de Direito das Faculdades Objetivo.

 


 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você está ok com isso, mas você pode cancelar se desejar. Aceitar Leia Mais Aceitar Leia mais