Thomas Hobbes X Merleau Ponty: Antes do Estado, a Natureza

Resumo:Procura-se trabalhar neste pequeno artigo a idéia de Natureza Humana. Hobbes. no Leviatã antes de adentrar na figura do Estado discorreu sobre o assunto. Ponty é basilar para contextualizar e ao mesmo tempo contraditar Hobbes pela análise da subjetividade.[1]

A Natureza, vem do latim quod oritur ex nato. Nato, do grego νους: o que a mente aciona. O produto da νους é natureza. Natus: como a mente faz lugar, dá ato, como a intencionalidade psíquica se formaliza. "Natureza" é tudo o que nasce da ação davida. Seus significados possíveis são: a) O que surge por nascimento; b) Como o nascido, o fato, escorre ou age de per si; c) O que é e faz por nascimento de leis universais aplicadas a um contexto preciso.

Natusorioractio, a ação que dá origem ao que nasce. A natureza abrange tudo o que nasce, tudo que tem origem, se é mineral, vegetal, animal, sol, lua etc., a própria luz. Então, nós temos depois diversificações de natureza, dentre estas, a natureza humana. Quando dizemos humana, estamos restringindo a um modo de ser pensante. A natureza tem uma raiz grega: nous titemi reo actio, a mente se põe e escorre no tempo.

A diferença entre o homem e o animal na natureza não é absoluto, mas todo arcabouço científico e atomístico nos revela cada vez mais profundamente a vizinhança que há entre nosso comportamento e o deles, principalmente à análise doestudo do condicionamento humano.Descobrimos que igualmente dotados de vida, os seus comportamentos resultam também do corpo e de que são grandemente influenciados pelo habitat (natureza).Na Natureza essa concepção já prejudicou muito, não só a vida de outras espécies, como inibiu e violentou formas de expressão humana, consideradas equivocadamente animalescas, como nas incursões de conquista por povos ditos civilizados.Em Hobbes, para o professor Renato Janine Ribeiro na Obra os Clássicos da Política I (fls. 50/77), a chave para o entendimento do pensamentoé entender o que o filósofo quer dizer com estado de natureza. De acordo com Renato Janine Ribeiro, o homem para Hobbes não é um selvagem e sim o mesmo homem que vive em sociedade, pois para ele, os homens não mudam. Por não saber o que o outro deseja, é feita uma suposição de qual seria a atitude mais prudente aser tomada por ele. O outro em questão terá a mesma atitude. Dessas suposições, conclui-se que o mais racional é um atacar o outro para vencer ou apenas para evitar um possível ataque. No estado de natureza o homem tem direito a tudo, ou seja possuo o direito de usar o seu próprio poder na Natureza para a preservação de sua própria natureza (humana, individual). A superação do estado natural de guerra, somente é possível por meio de um reexame racional de tal condição que, realizado, denuncia que perdurando a situação de cada um ter direito a todas as coisas, não haverá segurança para ninguém viver o tempo que a Natureza nos reserva.

 Ora, um dos princípios para a formação do ser humano, ao considerarmos um contrato ou um ajuste da natureza animalesca do homem na Natureza, seria primariamente suspender alguns de seus interesses para ser capaz de se entregar seu corpo a outra “dimensão”.Em Hobbes, no livro Leviatã, a Natureza é o “estado de natureza dos homens”.Diferente é a definição pontiana. O filósofo pensa o corpo como objeto, sendo este objeto diferente da natureza do homem. Diz que é insatisfatório explicá-lo do ponto de vista fisiológico ou psicológico (logo não se pensa de fora) O corpo para ele não está dentro do espaço, mas habita-o. Não é a natureza instituída pelo homem. Não se é possível, creiamos que se possa aqui proceder a um ajuste para conformar a natureza humana à Natureza, partindo aqui do pressuposto que ela é dicotômica. Na verdade, a contrario sensu, pensemos que devamos identificar a natureza humana pela experiência vivida e adquirida de cada ser, pela sua difusão e repetição. A natureza humana e a Natureza se amálgama sem se fundir. Está tudo agregado, mas não misturado. Estando fora, podemos em Hobbes, sair do estado da natureza para o estado civil. É de imperativo lógico que só se sai estando dentro. Ressalte-se que dentro de um só corpo. De uma instituição.Vejamos:

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“Uma multidão de homens se converte em uma só pessoa quando é representada por um homem, ou uma pessoa, de tal forma que possa atuar com o consentimento de cada um dos indivíduos que compõe essa multidão. Isso representa a unidade do representante, não a unidade dos representados, o que faz a pessoa uma. E é o representante quem sustenta a pessoa, mas apenas uma pessoa. A unidade não pode ser entendida de outro modo da multidão” (HOBBES, Leviatã, fls. 133/134)

A professora Marilena Chauí na obra de Introdução à História da Filosofia – Vol. 1, quando discorre sobre Aristóteles e a ação, já se é possível ver o diálogo entre textos, pois se é possível ver a possibilidade e voluntariedade da adesão do todo a uma só vontade. Cite-se:

“As ações humanas não são como as operações naturais, isto é, na natureza, cada ser segue necessariamente as exigências impostas por sua matéria e por sua forma e, como vimos, essas operações são necessárias, isto é, possuem sempre as mesmas causas, produzem sempre os mesmos efeitos e cada operação produz um único efeito (a água umedece e o fogo esquenta). Ao contrário, as ações humanas são possíveis e não necessárias, pois decorrem de uma deliberação e de uma escolha voluntária entre alternativas contrárias, de sorte que os efeitos são variáveis e múltiplos, dependendo da escolha feita (pode haver guerra, mas também pode não haver; pode haver amizade, mas também pode não haver; um bem pode ser alcançado, mas também pode não ser conseguido)(…)” (CHAUÍ, fls. 443)

Chauí, agora, na obra Experiência do Pensamento – Ensaios sobre a Obra de Merleau Ponty, ao discorrer sobre a independência da natureza, discorre às fls. 54/55 que para o filósofo o ponto de partida da realidade a oposição é não considerar a Natureza como absoluto em si ou como ominitudo realitatis, donde os seres são inferidos por gênero, espécie e diferença específica. Continua, em Merleau Ponty, dizendo que A Natureza não é coisa nem matéria inerte, não é substância alienada à espera de humanização operosa, sendo a natureza carne e matéria trabalhada ou inteiramente diferenciada, é o outro lado do homem, o entrelaço homem-animal.

Para Ponty (A Estrutura do Pensamento, fls.251/252):

“Falando de conhecimento e consequentemente de consciência, não construímos uma metafísica da natureza, limitamo-nos a nomear, como devem ser nomeadas, as relações entre o meio e o organismo tais como a própria ciência as define (…) Na realidade, portanto, já introduzimos a consciência e o que chamamos de vida já era a consciência da vida (…) Se a vida é o aparecimento de um “interior” no “exterior”, a consciência é apenas a projeção no mundo de um novo “meio”, irredutível aos precedentes, é verdade, e a humanidade apenas uma nova espécie animal. Particularmente a percepção deve, por sua vez, ser inserida numa dialética de ações e reações.” (grifos nossos)

Verifiquemos que o corpo, em Ponty, sendo expressivo e dotado de linguagem não pode ser unilateralmente compreendido, um corpo tem que se refletir, tem que se sentir, pois caso contrário não seria um corpo de homem e,portanto não haveria humanidade. Mas pensemos que Ponty acredite num ajuste entre os homens que passam “em estado de Natureza” a lerem-se reciprocamente e a refletirem-se uns aos outros, e assim fazendo, busquem não confundir realidade e ficção para construir um combinado não prévio, mas concomitante na Natureza, já que para o autor estamos dentro e fora da natureza, não sendo necessário sair já que estamos,segundo o autor, além da noção substância, meramente tangível da Natureza. Para Ponty, acreditemos que o homem ao sentir passa a ser, convolando um comportamento de vontade, escolhendo o que lhe aprouver. Se o homem existe e está dentro e fora da Natureza, não há que se falar em saída. Se o homem existe, necessariamente ele tem uma natureza, ele é alguma coisa.

Para Hobbes, sendo a natureza histórica imutável, não adentramos e a modificamos, pois estamos fora. O homem natural é o mesmo que vive em sociedade. A Natureza os fez, “o pariu” o fazendo iguais em matéria de espírito e corpo. Se assim não o fosse não classificaria que ao homem é concedido o direito de natureza, sendo este a ausência de obstáculos externos que limitam o homem de aproximar-se do que lhe causa prazer, ou de afastar-se do que lhe é desprazer. Em suas demonstrações, Hobbes assevera que os homens criados pela Natureza, são iguais em seu estado natural. A natureza humana põe-se em estado de igualdade.

“A natureza criou os homens tão iguais nas faculdades do corpo e do espírito que, se um homem, às vezes, é visivelmente mais forte de corpo ou mais sagaz que outro, quando considerados em conjunto a diferença entre um homem e outro não é tão relevante que não possa aspirar tanto quanto ele. […]” (HOBBES, ob. citada, fls.102)

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Creiamos que para modificar a natureza dos homens, primeiro precisamos entender esta natureza. E não é missão fácil. A definição pontiana da percepção, não se limita a concepção da existência do corpo, mas também a percepção da sua essência. Procedendo a intertextualidade, pela alusão, podemos fazer a separação do corpo e da natureza humana, pela leitura do cinema surreal de David Lynch. Cada um de seus filmes é uma busca por uma razão lógica da essência do existir.Neste sentido, é de seu encanto a figura do monstro. Filmado em preto e branco e ambientado em 1890, o filme Elephant Man de 1980 é primoroso ao explicar a dificuldade de percepção do que é ser humano e o que se pode considerar da natureza humana. A história gira em torno da história real de John Merrick, um desafortunado da Inglaterra vitoriana portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado até então, tendo noventa por cento do corpo deformado. Exibido como monstro em circos e considerado débil mental pela sua dificuldade de falar, é salvo por um médico, Frederick Treves. No hospital Merrick se libera emocionalmente e intelectualmente, além de mostrar ser uma pessoa sensível ao extremo. A Sra. Kendal, uma grande atriz da época, torna-se sua amiga e até a coroa britânica sensibiliza-se com o caso. Vejamos o filme, de maneira segmentada:

3:21:00 – Começa o filme com a apresentação de uma manada de elefantes andando lado a ladoe uma mulher agonizante dando a luz a um filho;

5:58:00 – Nos é apresentado o circo com a exposição de tudo o que é tipo de bizarrice para o deleite de expectadores. (Vê-se o estranhamento do outro, o outro como aberração não humana – mulher barbada, fetos expostos em garrafa, anões, etc);

7:00:00 – Nos é apresentado o Dr. Frederick, cirurgião em procedimentos cirúrgicos;

12:31:00 – O dono do circo mostra o homem elefante ao médico. O ser é guardado em local úmido e fétido. O médico se compadece com a sua situação;

15:25:01 – O homemelefante é levado ao médico, coberto o corpo e o rosto. Sua presença é repugnante aos demais. (O seu cheiro e seu modo de andar causa repulsa);

20:38:05 -Apresentado a comunidade médica, tem tumores fibrosos que alcançam mais de 90% do corpo. É apresentado como Homem pela presença de seus genitais masculinos intactos ebraço direito intactos.

22:52:00 – Acreditam (os médicos) que ele é imbecil desde o nascimento e esta condição deve ser tida como ótima, já que dessa forma ele não sofre pela sua condição. (Aqui se equipara o Homem aos animais irracionais);

23:29:05 – O dono do circo (Sr. Bats) mostra que a criatura não tem direito algum, é um inumano, é uma coisa;

31:03:01 – O médico interna o Homem Elefante no hospital. Finalmente é mostrado seu rosto desfigurado. O médico insiste e ele finalmente fala e diz seu nome. Mostra-se uma pessoa letrada e sensível. (Demonstra a despeito de sua monstruosidade uma humanidade e sensibilidade extremada);

50.05.01- Ganha fama na Inglaterra. Veste-se como um cidadão. Mostra-se um cavalheiro. As pessoas da alta sociedade britânica começam a lhe visitar.

55:07:36: – Frase emblemática no filme: “As pessoas ficam assustadas com o que não conseguem compreender”;

60:09:11 – A enfermeira que cuida dele levanta uma questão: “Ele está sendo novamente exposto à curiosidade pública”;

65:27:16 – É capturado novamente pelo dono do circo (Sr. Bats);

70:29:48 – O médico ao interpelar o guarda do hospital que facilitou sua captura ao expô-lo para curiosos, e é dita uma segunda frase emblemática: “Você é que é o monstro” (Verifica-se que a monstruosidade se desloca da figura do monstro para a essência de uma pessoa até então “normal”);

75:35:03 – É colocado dentro de uma jaula ao lado de macacos babuínos. (Vê-se aqui a associação homem X animal);

78:36:33 – Com a ajuda das outras “criaturas” do circo é auxiliado a fugir. (Ele é liberto por outros considerados não humanos);

80:41:30 – No final do filme, acuado em uma estação do metro londrino, é dita a frase mais emblemática do filme, e ocorre a grita pela humanidade: “Eu não sou um animal!”, “Eu sou um ser humano!”, “Eu sou um homem!”;

82:43:11 – Diz: “Eu me encontrei” (Aqui, verifica-se que se encontrou estando fora. Se insere para dentro. Se insere na sociedade, mesmo não sendo aceito por esta);

88:44:43 – Vai ao teatro. Do camarote assiste a um espetáculo pela primeira vez e pela primeira vez “não é assistido”. (Aqui se vê a representação do mundo teatro – sem se preocupar em estar no mundo).

90:58:25 – Dorme Humano.

92:59:00 – Fim.

Aqui, MerleauPonty, quando trata do objeto- corpo percebido, no nosso caso o monstro não social e o sujeito que percebe o mundo – monstro tornado humano social. A coisa em si é desvelada quando o outro também a apreende.

“Quer se trate do corpo do outro ou de meu próprio corpo, não tenho outro meio de conhecer o corpo humano senão vive-lo, quer dizer, retornar por minha conta o drama que o transpassa e confundir-me com ele. Portanto, sou meu corpo.” (Merleau-Ponty, Maurice. Fenomenologia da Percepção. 1999, p.269) .

Segundo o filósofo é no nosso olhar para o outro que encontramos nossa humanidade.Assim, entendamos que somente podemos estar juntos se antes nos reconhecermos em nossa natureza humana, não bastando no contexto de Hobbes à delegação da liberdade. Não basta somente o consentimento, mas mister o reconhecimento. A percepção.

Ainda trabalhando com intertextualidade, podemos extrair de um dos muitos poemas de Fernando Pessoa em Alberto Caeiro, sobre a lógica possível do sair de dentro estando fora:

“Ser Real quer Dizer não Estar Dentro de Mim

Seja o que for que esteja no centro do Mundo,
Deu-me o mundo exterior por exemplo de Realidade,
E quando digo "isto é real", mesmo de um sentimento,
Vejo-o sem querer em um espaço qualquer exterior,
Vejo-o com uma visão qualquer fora e alheio a mim.

Ser real quer dizer não estar dentro de mim.
Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade.
Sei que o mundo existe, mas não sei se existo.
Estou mais certo da existência da minha casa branca
Do que da existência interior do dono da casa branca.
Creio mais no meu corpo do que na minha alma,
Porque o meu corpo apresenta-se no meio da realidade.
Podendo ser visto por outros,
Podendo tocar em outros,
Podendo sentar-se e estar de pé,
Mas a minha alma só pode ser definida por termos de fora.
Existe para mim — nos momentos em que julgo que efetivamente existe —

Por um empréstimo da realidade exterior do Mundo
Se a alma é mais real
Que o mundo exterior como tu, filósofos, dizes,
Para que é que o mundo exterior me foi dado como tipo da realidade"

Se é mais certo eu sentir
Do que existir a cousa que sinto —
Para que sinto
E para que surge essa cousa independentemente de mim
Sem precisar de mim para existir,
E eu sempre ligado a mim-próprio, sempre pessoal e intransmissível?
Para que me movo com os outros
Em um mundo em que nos entendemos e onde coincidimos
Se por acaso esse mundo é o erro e eu é que estou certo?
Se o Mundo é um erro, é um erro de toda a gente.
E cada um de nós é o erro de cada um de nós apenas.
Cousa por cousa, o Mundo é mais certo.

Mas por que me interrogo, senão porque estou doente?
Nos dias certos; nos dias exteriores da minha vida,
Nos meus dias de perfeita lucidez natural,
Sinto sem sentir que sinto,
Vejo sem saber que vejo,
E nunca o Universo é tão real como então,
Nunca o Universo está (não é perto ou longe de mim.
Mas) tão sublimemente não-meu.

Quando digo "é evidente", quero acaso dizer "só eu é que o vejo"?
Quando digo "é verdade", quero acaso dizer "é minha opinião"?
Quando digo "ali está", quero acaso dizer "não está ali"?
E se isto é assim na vida, por que será diferente na filosofia?
Vivemos antes de filosofar, existimos antes de o sabermos,
E o primeiro fato merece ao menos a precedência e o culto.

Sim, antes de sermos interior somos exterior.
Por isso somos exterior essencialmente.

Dizes, filósofo doente, filósofo enfim, que isto é materialismo.
Mas isto como pode ser materialismo, se materialismo é uma ilosofia,
Se uma filosofia seria, pelo menos sendo minha, uma filosofia minha,
E isto nem sequer é meu, nem sequer sou eu?”
(Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa ) (grifos nossos)

Entendamos que Caeiro se vale da língua de quem está no mundo real (mundo natural) e que busca integrar-se a ele. Mas ao mesmo tempo considera a natureza não algo inato (dado), mas algo a ser construído. Está dentro da Natureza e quer modifica-la. Esta natureza de Caeiro só é conhecida pela mão do homem.Que ao contrário de Hobbes, em que a natureza humana incidente é inconteste má, para Caieiro e Ponty esta pode ser boa, ou pelo menos reparável ao bom. Cite-se:

“(…) Em um mundo em que nos entendemos e onde coincidimos
Se por acaso esse mundo é o erro e eu é que estou certo?(…)”

Numa análise pontiana, eu sinto a natureza, a percebo. Esta é a realidade das coisas para Caeiro e para Ponty. Para Hobbes, este contato direto com as sensações é despiciendo, pois para ele se trata somente da entrega de cada um para o conjunto. Pouco importa a análise das percepções.É somente uma construção.

Conclusão:

Vimos que as ideias de Hobbes e Ponty podem ser entendidas em conjunto. O confronto entre o pensamento desses filósofos abre espaço para a discussão crítica objetivando nos situar dentro de nossa existência. Entretanto, não é fácil a consciência de ser e estar em termos de Natureza e de humanidade. Talvez, até não exista natureza humana e existindo talvez não seja Natureza.

Referências
– CHAUÍ, M. Experiência do Pensamento – Ensaios sobre a Obra de Merleau Ponty. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
– CHAUÍ, M. Introdução à História da Filosofia- Vol.1 – Dos Pré-Socráticos a Aristóteles. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
– HOBBES, Thomas. Leviatã, em matéria, forma e poder de um Estado Eclesiástico. Tradução: Rosina D’Ángina. 2ª ed. São Paulo: Martins Claret, 2012.
– MENEGHETTI, Antônio. Dicionário de Ontopsicologia. 2 ed. rev. Recanto Maestro: OntopsicologicaEditrice, 2008.
– MERLEAU PONTY, M. A Estrutura do Comportamento. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
– MERLEAU PONTY, M. Fenomenologia da Percepção. 1ª ed. São Paulo. Martins Fontes, 1999.
– RIBEIRO. Renato Janine. Hobbes: O medo e a esperança. Os Clássicos da Política I, org. Francisco Correia Weffort. São Paulo: Ática, 1989.
 
Notas:
[1]Optou-se por usar Natureza em maiúsculo quando se referir à Natureza (meio) e natureza em minúsculo quando nos referirmos à natureza humana.


Informações Sobre o Autor

Fausto Nunes dos Santos

Servidor Público Federal Analista Judiciário – Bacharel em Direito. Especialista em Direito Administrativo. Especialista em Direito Contratual. Pós-Graduando Lato Sensu em Filosofia


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