Richard Labévière e o Antiamericanismo Primário

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Richard Labévière, editorialista da Rádio França Internacional é um escritor e jornalista conceituado, entretanto, deixa suas teses sempre serem permeadas de um antiamericanismo, vale ressaltar, similar ao tupiniquim, que possui características de primariedade. Entre seus escritos encontramos a obra “Behind the Scenes of Terror” de 2003 e o artigo, recentemente publicado no Le Figaro intitulado “Al Quaeda, The Mythic Enemy”.


O escritor defende a idéia de que a Al Quaeda é uma organização bem menos poderosa do que imaginamos. Para defender sua tese, diz que praticamente todos os atentados terroristas ocorridos recentemente são atribuídos aos colegas de Bin Laden. Assim, segundo ele, os Estados Unidos, para justificar seu poder imperial, encontraram na luta contra o grupo de Osama, o ente perfeito para substituir o antigo rival, o comunismo, com especial ênfase para a antiga e carcomida versão soviética.


A versão de Labévière parece palatável somente para parte do público, aquele já impregnado pelo vírus antiamericano, o que não é difícil de encontrar no Brasil, um dos maiores nichos antiamericanos do mundo, como foi recentemente publicado pela BBC. O problema de sua tese está na primariedade das análises. Qualquer leitor atento verificará que a atenção da imprensa em relação aos ataques terroristas que permeiam o mundo, cresceu demasiadamente depois do massacre de 11 de setembro. Além disto, erra o autor em dizer que a maioria dos ataques terroristas são atribuídos a Al Quaeda. Quem acompanha o noticiário percebe que periodicamente recebemos informações sobre ações de grupos como Brigada dos Mártires de Al Aqsa, Frente Popular de Libertação da Palestina, Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica, ETA, entre outros. A idéia dos homens bomba suicidas, por exemplo, não nasceu na Al Quaeda, mas no grupo do Sheik Ahmed Yassin, o Hamas.


Além disso, é ingênuo acreditar que a Al Quaeda não se constitua em uma grande rede de terror. Ainda em 2001, antes dos massacres em Washington e Nova York, já possuía uma estrutura singular para grupos terroristas. O grupo de Bin Laden sempre operou de forma descentralizada, em células independentes. Assim foram descobertos vestígios de integrantes deste grupo terrorista em países como Somália, Sudão, Quênia, Chechênia e Paquistão.


Percebe-se que análises primárias levam a conclusões equivocadas, como a estúpida versão de que o Pentágono teria sido atingido por uma bomba, ao invés de um avião, em 11 de setembro. Estes apenas esqueceram de comunicar tal fato aos parentes de vítimas do vôo 77 da American Airlines que colidiu na ala sudoeste do Departamento de Defesa dos EUA às 9:38, como os da jornalista Barbara Olson.


Assim, dentro de análises pouco profundas, fica fácil caracterizar terroristas como membros de uma suposta resistência, como defende a escola de Labévière. Não há dúvida de que os membros de grupos terroristas façam parte de uma suposta força de resistência, contudo, vale lembrar que estes resistem aos valores da liberdade, da democracia e da tolerância, tidos como  pacíficos e universais. Contudo, pessoas que perpetram o mal contra cidadãos inocentes com o objetivo da intimidação são e sempre serão terroristas. Seja ou não aquele praticado pela Al Quaeda, o terrorismo deve ser extirpado do mundo. Estamos frente a frente com esta oportunidade. Como já lembrava Einstein, “O mundo é um lugar perigoso de se viver, não tanto por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer”. Por isto apóio a luta contra o terrorismo conduzida pelo presidente Bush.


Artigo redigido em 23.01.2004



Informações Sobre o Autor

Márcio C. Coimbra

advogado, sócio da Governale – Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Mestrando em Relações Internacionais pela UnB.
Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE – Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese – IOB Thomson (www.sintese.com).


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