Medo de falar na audiência?

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É comum se sentir ansioso antes de fazer uma audiência e, ainda mais, se for uma audiência oral. Todos ficamos um pouco nervosos, com as bochechas rosadas e com o coração batendo mais acelerado. Isso tudo é normal, mas o excesso desse medo pode estar camuflando uma doença pouco conhecida que se chama fobia social, timidez patológica ou transtorno de ansiedade social (TAS). Abaixo, descreverei situações de como essa doença pode ser prejudicial:

1) No trabalho, a pessoa evita falar sua opinião, participar de reuniões e tem receio de entrar em uma sala onde já haja pessoas sentadas, pois se sente muito incomodada ao ser o centro das atenções, etc. Portanto, pelas situações acima descritas já dá para imaginar o quanto o trabalho do advogado com fobia social fica prejudicado em seu dia-a-dia. Entrar na sala de audiência por si só já gera sofrimento;

2) No dia-a-dia, pode ter dificuldade para escrever e assinar cheques ou documentos na frente de outras pessoas (assinar uma ata de audiência pode ser uma situação que causa embaraço para o fóbico social). Também se sente constrangida ao estacionar o carro enquanto é observada ou quando come e bebe na presença de alguém (pelo seu nervosismo a pessoa não pega o copo, pois tem medo dos outros perceberem sua tremedeira e deixar cair o copo. O mesmo acontece com os talheres. Até tomar um simples cafezinho se torna um pesadelo), etc. Portanto, almoçar com clientes ou colegas do escritório pode ser uma tarefa simples para as pessoas em geral, mas para quem tem fobia social isso é angustiante;

3) Com os amigos e paqueras, a pessoa também evita contato. Convidar os amigos para comer uma pizza em sua casa ou fazer uma visita para eles, sair para tomar um chopp, marcar um encontro romântico com alguém ou ir a uma festa são situações que a pessoa se esquiva frequentemente em razão do alto grau de ansiedade que sente nestes momentos;

4) Na família, a pessoa não fala o que pensa e cada vez mais se isola de seus familiares, evita manter contato ocular e fica constrangida ao falar no telefone com alguém perto, etc.;

5) Na faculdade ou na pós-graduação, a pessoa tem pavor de exames orais ou apresentações para a classe, mesmo sabendo muito bem o assunto. Na maioria das vezes, não pergunta suas dúvidas, pois tem medo de ser ridicularizada. Também tem dificuldade para interromper uma conversa e impor suas idéias por medo de ser avaliada de uma forma negativa, etc. Isso tudo afeta muito o seu rendimento no estudo e o desenvolvimento de sua carreira.

Quais são os sintomas físicos do transtorno de ansiedade social? Rubor, taquicardia, suor, tremor das mãos, náuseas ou desejo urgente de urinar, sendo que a pessoa por vezes está convencida que uma ou outra destas manifestações secundárias constitui seu problema primário. Os sintomas podem evoluir para um ataque ou crise de pânico.

A fobia social pode se desenvolver em decorrência de outra doença? Sim. As doenças mais comuns são: depressão e transtorno do pânico.

Qual é o tratamento? Pode ser psicoterapia e/ou medicação. Dos tratamentos psicológicos, a terapia cognitivo-comportamental é a que vem recebendo maior atenção dos pesquisadores e clínicos no tratamento da fobia social, pois esta forma de psicoterapia mostrou-se eficaz e com efeitos terapêuticos duradouros.[1]

Notas:
[1] D’EL REY, Gustavo J. F.; PACINI, Carla A. “Treatment of the non-generalized social phobia by in vivo exposure and cognitive restructuring”. Revista Psiquiatria Clínica,  São Paulo,  v. 32,  n. 4, 2005.

 


 

Informações Sobre o Autor

 

Viviane Sampaio

 

Psicóloga Clínica, Mediadora de Conflitos e Advogada. Psicoterapeuta Cognitiva de adolescentes, adultos, casais e famílias. Estrangeiros (Psicoterapia em inglês) e Concursandos (Psicoterapia dirigida para Concursos Jurídicos).

 


 

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