A importância de Minas

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A eleição presidencial de 2002 passa
por Minas Gerais. As mais recentes articulações políticas em torno da sucessão
do presidente FHC  tem sempre uma escala certa:

Belo Horizonte. O número de candidatos
que visitaram a capital mineira recentemente (Lula, Ciro e Garotinho no mesmo
dia) é uma prova de que os partidos políticos descobriram Minas Gerais e seu
potencial eleitoral, pois desde a eleição de Fernando Collor em 1989, este
estado não exercia um papel tão fundamental em um pleito nacional.

A importância de Minas pode ser
traduzida por um nome, a do governador Itamar Franco. Desde que os adversários
políticos do governador mineiro perceberam seu potencial eleitoral, que decola
de Minas (o segundo maior colégio eleitoral do país), a revoada de presidenciáveis
pela capital mineira é uma constante. Logo, Itamar e sua força eleitoral vinda
da terra do ex-presidente Juscelino Kubitschek, foram o
estopim para que os outros candidatos tentassem dividir os votos da base
mineira.

A intenção dos adversários de Itamar é
clara: dividir os votos de Minas e enfraquecer a candidatura do governador.
Para tanto, o PT está tentando convencer o senador José Alencar a aceitar a
vaga de vice na chapa de Lula. Alencar, um empresário mineiro muito bem
sucedido, é extremamente bem visto na esquerda, pois apesar de pertencer ao
PMDB, não se dobrou aos encantos do poder, rejeitando um convite para o
Ministério da Integração Nacional e não retirando sua assinatura do pedido de
abertura da CPI da Corrupção. Além disso, o senador mineiro tem um grande
potencial eleitoral, visto que nas últimas eleições derrotou a então senadora Junia Marise e o ex-governador
Hélio Garcia, que abandonou a disputa algumas semanas antes do pleito. Vale
lembrar que na hipótese de Alencar não aceitar o convite do PT, existe ainda a
alternativa do prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro, para compor a chapa
com Lula. Toda esta articulação fortaleceria a candidatura do popularíssimo
ex-prefeito da capital mineira para o governo do estado, Patrus
Ananias.

Ciro Gomes é outro
candidato ao Planalto que não despreza a fundamental importância de Minas na
próxima eleição, visto que afirmou que estará no estado a cada 15 dias, ao
contrário de FHC, que deve ter acreditado no potencial do ex-governador Eduardo
Azeredo como cabo-eleitoral nas eleições de 94 e 98, pois na primeira esteve em
Minas somente uma vez e na segunda sequer visitou o estado. Ciro não descarta a possibilidade de
ter Alencar como seu vice. Além disso, o PPS de Ciro acaba de fechar uma
aliança com o PTB, que tem em Minas um grande puxador de votos, o ex-governador
Hélio Garcia. Soma-se a este fato a possibilidade de o PTB estar recebendo a
adesão de alguns tucanos mineiros desgarrados, como ex-governador Eduardo
Azeredo.

O estado do ex-governador pela UDN,
Milton Campos, e de outros políticos hábeis como Juscelino Kubitschek,
Magalhães Pinto, José Maria Alckmin e Tancredo Neves, está finalmente recebendo
a importância que merece no cenário nacional. Minas possui
cerca de 12 milhões de eleitores e 11,16% do eleitorado brasileiro e o
governador Itamar Franco e sua pré-candidatura ao Planalto colocaram o estado
no centro do cenário político nacional, gerando preocupações no Palácio da
Alvorada. Uma prova disto é a reivindicação do PSDB mineiro, capitaneado por
Pimenta da Veiga e Aécio Neves, pela titularidade da candidatura ao Planalto,
em contraponto ao PSDB paulista, que há anos comanda o partido. Se Itamar
conseguir a indicação do PMDB para a Presidência, ele já estará com grande
vantagem para chegar ao segundo turno. Ainda, se tudo conspirar a favor, é
possível acontecer uma possível adesão de Ciro Gomes como vice em sua chapa.
Tudo ainda são previsões, mas somente existe uma certeza, esta eleição passa
fundamentalmente pela importância das Minas Gerais.


Informações Sobre o Autor

Márcio C. Coimbra

advogado, sócio da Governale – Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Mestrando em Relações Internacionais pela UnB.
Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE – Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese – IOB Thomson (www.sintese.com).


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