Erros de avaliação

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Subestimar.
Este pode ser um dos maiores defeitos do ser humano e de seus líderes, além de
ser a maior armadilha que um líder enfrenta durante um confronto. O resultado
do agravamento de inúmeros conflitos que vimos durante a história da humanidade
foi um resultado direto de um erro de avaliação, caracterizado
preponderantemente por um menosprezo e desdém pelo perfil de um determinado
grupo ou líder.

A segunda
guerra mundial é um exemplo claro do cometimento deste tipo de erro. Hitler, tornou-se chanceler da Alemanha em 1933. Mas 1938 foi o
ano do líder nazista. Anexou a Áustria e avançou contra a Tchecoslováquia, que
possuía pactos militares com a União Soviética e a França. Seus aliados, no
entanto, nada fizeram. Hitler garantiu aos líderes europeus que aquela era a
unificação dos povos germânicos em um único império, ou seja, não haveria mais
invasões ou anexações. Até este ponto, líderes como o
primeiro-ministro britânico Chamberlain, acreditaram
que a paz pudesse ser negociada com Hitler, entretanto, uma voz do parlamento
inglês já apresentava sua indignação contra os atos da Alemanha. Ele dizia que
não poderíamos confiar em Hitler e que seus atos eram um atentado contra a
liberdade dos povos europeus. Antevia o risco de tomada de toda a Europa pelos
exércitos nazistas. Este senhor atendia pelo nome de Winston
Churchill. Ele estava certo. Em 1939, seis meses
após, Hitler invadiu Praga e tomou a Tchecoslováquia em sua totalidade, além de
parte da Lituânia.

A opinião
inglesa em relação à entrada em guerra mudou neste momento. Mas Hitler não
parou. Invadiu a Polônia. Logo após, avançou sobre a Dinamarca e a Noruega. A
resposta inglesa em defesa destes países foi desastrosa. Já estamos em 1940 e a
Inglaterra percebendo o agravamento da situação forma um governo de coalizão
liderado por Churchill. Enquanto isto, Hitler tomou a
Holanda, invadiu a Bélgica e começou o avanço sobre a França. Os alemães e sua
máquina de guerra pareciam invencíveis. 

No início
Hitler foi subestimado, logo após, temido. Mas, no que diz respeito a este
artigo, o mais importante é observar o fascínio que o líder nazista exercia não
somente nos alemães, mas em outros líderes e outros povos. O próprio Lord Halifax -“The Holy Fox”,
ministro das relações exteriores da Inglaterra, muitas vezes insistiu para uma
composição com Hitler via Mussolini, com vistas a salvar a Inglaterra e
preservar a paz na Europa. Churchill se posicionava
contrariamente a esta atitude. Segundo o primeiro-ministro, este seria um ato
de rendição. Curiosamente, enquanto Hitler era visto com certo fascínio,
inclusive no Brasil, o presidente americano, Roosevelt, ainda via Churchill com restrições. A Inglaterra parecia estar
sozinha. Ainda assim Churchill não se deixou seduzir
pelo fascínio barato de Hitler e se mostrou firme em suas convicções de não
ceder um centímetro da Inglaterra e da liberdade de seu povo. O mundo demorou
em ouvir os avisos de Churchill. Felizmente, o
primeiro-ministro britânico, juntamente com os Estados Unidos e União
Soviética, conduziram a aliança que acabou com o nazismo e libertou a
Europa.   

Hoje recebo
textos de pessoas comparando Osama bin Laden a Hitler. O bilionário
saudita é um líder sedutor em seus domínios e até hoje, subestimado fora dele.
Sob seu manto reside uma política suja de terror. Estamos, perigosamente, sendo
espectadores do crescimento do medo. O terror é um câncer, assim como Hitler.
Se não for detido, crescerá até proporções inimagináveis. Devemos aprender com
quem não deixou que o mundo caísse nas mãos dos nazistas: Winston
Churchill.

O mundo subestimou Hitler. Não é possível subestimar, ser
conivente e tolerante com o terror. Não podemos cometer um erro de avaliação
novamente. A ação, ao contrário do que se especula, não será, necessariamente,
uma ação militar. Os líderes mundiais estão tomando as decisões corretas, pois
nenhuma ação precipitada foi realizada. Tudo está sendo estudado minuciosamente
para varrer o terror do mundo. Um combate ativo contra o terrorismo já está em curso. A cooperação
internacional, principalmente na área de inteligência, é a senha para acabar
com o terror.


Informações Sobre o Autor

Márcio C. Coimbra

advogado, sócio da Governale – Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Mestrando em Relações Internacionais pela UnB.
Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE – Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese – IOB Thomson (www.sintese.com).


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