2001 foi

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Mais um ciclo se encerra e os balanços,
mais uma vez, como no artigo de retrospectiva do último ano, são inevitáveis.
Apenas para lembrar, no final de 2000, comemorávamos o sucesso da ciência com o
fato de homem ter decifrado o genoma, acontecimento resultante do esforço de
cientistas provenientes de 18 países em valorosa cooperação. 2000 foi o ano da
queda de Slobodan Milosevic
e Alberto Fujimori. Foi ano de Olimpíadas e da desastrosa tragédia com o
submarino russo Kursk. Esperávamos um mundo melhor em
2001. Achávamos que com o fim da guerra fria, a discussão do momento era
econômica e não vislumbrávamos algum perigo eminente de guerra em maior escala.
Será que estávamos certos? Veremos agora, alguns fatos que marcaram este
polêmico ano do início do milênio.

2001 foi e será
para sempre lembrado, infelizmente, pelo massacre de 11 de setembro. O assassinato em massa idealizado por Osama
Bin Laden e promovido por
sua rede terrorista intitulada “Al Qaeda” ou “A
Base”, tirou a vida de mais de 4.000 pessoas de 28 nacionalidades diversas,
resultante do choque dos aviões das companhias United
e American Airlines nas
duas imponentes torres do World Trade
Center em Nova York, no Pentágono em Washington e na queda
de um quarto avião em Pittsburgh. Garçonetes, advogados, pilotos
dos aviões, aeromoças, economistas, programadores e os bravos bombeiros de Nova
York foram às vítimas entre os milhares de corpos que ainda estão sendo
removidos dos escombros.

2001 foi o ano do polêmico
Sharon, primeiro-ministro de Israel. Eleito com 62,5% dos votos, o líder
do Likud derrotou o moderado Ehud
Barak, na demonstração de que os judeus haviam
decidido mudar sua política em relação aos palestinos. Israel sofreu uma série
de brutais atentados terroristas, respondidos com enorme força militar. Sharon
tem se mostrado intransigente e tenta, segundo analistas, pelo meio militar,
minar o poder do líder palestino de Yasser Arafat,
para que assim possa enterrar os acordos de Oslo. O papel mediador do conflito
encontra-se na comunidade internacional, principalmente nos Estados Unidos, que
já defendeu publicamente a constituição do Estado Palestino. A paz nunca esteve
tão ameaçada no Oriente Médio.

2001 foi um ano de perdas irreparáveis.
Perdemos o professor Roberto Campos, um defensor da liberdade em sentido amplo.
Ele quebrou paradigmas e nos forneceu a matéria-prima necessária para mudar
nosso modo pensar e de ver o mundo. Um Estado grande, ao contrário do que se
pensa no Brasil, dizia ele, leva invariavelmente aos
“assistentes passarem melhor do que os assistidos”. A conclusão é clara: o
Estado deve ser mínimo. Nosso professor deixará saudades. Além dele perdemos o
grande empreendedor brasileiro dos últimos tempos, Comandante Rolim Amaro, o “bom” revolucionário, ou seja, o homem que
quebrou paradigmas, agitou o mercado, trouxe
modernidade, competição, ousadia e gerou milhares de empregos. Rolim fará muita falta, mas em sua breve passagem pela vida
deixou a marca do vencedor. Perdemos também o escritor Jorge Amado, o ator Jack
Lemmon, o beatle George Harrison, o músico Marcelo Frommer
e o saudoso governador Mário Covas.

2001 foi o ano que marcará a agonia do
nosso vizinho, a Argentina. O ex-presidente De La Rúa, que recebeu a economia debilitada
pelo antecessor, Carlos Menem, procurou o criador da paridade, Domingo Cavallo, para resolver a situação. Os problemas se
agravaram e a economia, presa a paridade peso-dólar, continuou com sua crise
estrutural. Toda esta conjuntura levou o Presidente à renúncia, enfraquecido
pela inoperância de sua política e pressionado pela população que tomou as ruas
das principais cidades do país durante o Estado de Sítio. O Congresso empossou
um Presidente que não tardou a adotar posições paternalistas e irresponsáveis
que podem levar nosso vizinho para uma grave crise institucional.

Mas apesar da crise de energia e da
perda da plataforma P-36, o Brasil se classificou para a Copa do Mundo, o
ditador Slobodan Milosevic
está preso em Haia, o presidente populista Hugo Chavéz perde poder na Venezuela, o IRA renunciou ao conflito
armado e tivemos um relativo sucesso na reunião da OMC em Doha. De
qualquer forma, foi um ano que nos trará aprendizado, principalmente para o
próximo, de período eleitoral. A experiência argentina nos mostra que não
podemos acreditar em soluções mágicas, políticas intervencionistas ou
populistas, pois esses políticos podem colocar a democracia em risco. Aprendemos
que devemos ser mais tolerantes, como no conflito entre judeus e palestinos no
Oriente Médio, mas devemos ser duros ao enfrentar os covardes atos de
terrorismo como faz os Estados Unidos para punir os responsáveis pelo
lamentável 11 de setembro. 2001 foi polêmico. Espero
que em 2002 a
democracia e a liberdade possam ser os valores que consolidarão a paz para o
mundo e para todos nós.

 


 

Informações Sobre o Autor

 

Márcio C. Coimbra

 

advogado, sócio da Governale – Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Mestrando em Relações Internacionais pela UnB.
Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE – Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese – IOB Thomson (www.sintese.com).

 


 

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