A importância dos Controles internos e contábeis

0

Posso dizer sem medo de errar que o controle contábil sempre foi uma ferramenta de controle interno nas organizações sem levar em conta nome ou ramo de atividade de cada uma, e um dos principais instrumentos administrativos de controle, identificação e gerenciamento de riscos de perdas é a contabilidade, porém, quando o assunto é por exemplo a utilização de instrumentos derivativos, é necessário que existam outros controles adicionais para o adequado gerenciamento desses instrumentos.

Afinal é parte das operações de grandes organizações a utilização de operações com derivativos, e vale salientar as perdas ocorridas nestes tipos de operações bem significativas em empresas, instituições financeiras e governamentais, devido principalmente ao fato de os gestores atuarem com esses instrumentos sem o devido embasamento teórico e conhecimentos técnicos, além da atuação de forma irresponsável, em alguns casos.

Alguns conceituados administradores até então eram financeiramente bem sucedidos. Ao começar a transacionar com instrumentos derivativos, e passaram a cometer erros primários, os quais geraram perdas de bilhões de reais para as empresas, chegando ao extremo de ocasionar a falência de algumas corporações.

Portanto os controles internos têm como forma melhorar o entendimento e especificar de forma mais objetiva e responsável todas as políticas que podem ser adotadas pelas organizações para proteger o patrimônio da empresa, proporcionar confiabilidade das informações financeiras e contábeis, e quando bem implementada promover a eficiência e a eficácia operacional da organização, e como não podemos deixar de lado, a importância da gestão de compliance para estimular a obediência e o respeito às políticas da administração e à legislação vigente.

Afinal, o controle contábil é quem efetua todos os registros e históricos das transações financeiras realizadas, em algum momento as atividades operacionais exercidas na organização vão se refletir em valor a ser registrado na contabilidade, e o controle interno é que esquematiza e avalia as ferramentas de checagem e processo de monitoramento operacional.

O controle interno tem como objetivo validar e evidenciar que as os processos, as legislações e os regulamentos para cada atividade operacional estejam sendo realizados com a segurança necessária e com os controles em conformidade com as políticas da organização e dos órgãos reguladores, conhecido como evidencia, facilitando que a efetividade do compliance seja reconhecida dentro da organização e fora quando avaliada pelas partes interessadas.

Então, podemos afirmar que um adequado sistema de informações e relatórios gerenciais devem prover à administração informações confiáveis, claras, precisas, objetivas, atualizadas e em prazos adequados, que possibilitem a tomada de decisão e sirvam para as o gerenciamento dos riscos estratégicos e dos riscos operacionais, que ficaram tão evidentes neste momento de pandemia.

Em nosso entendimento quando implementamos um processo de controles internos e contábeis com responsabilidade, em outras palavras, devidamente mapeado, registrado e monitorado, as informações contábeis serão apresentadas “sob medida”, de forma que os usuários possam tomar a decisão correta. Sempre que podemos, orientamos nossos clientes a estabelecer cada estratégia de negócio com base em Manuais Internos de Contabilidade, que em certos casos são elaborados com base nas NBC (Normas Brasileiras de Contabilidade) e no IFRS (Normas Internacionais de Contabilidade) e na legislação tributária.

Segundo uma visão no controle de gestão, os controles internos podem ser demonstrados na organização como sendo as principais ações a serem implementadas, e os controles estratégicos podem ser classificados como procedimentos administrativos, sistema de informações e sistema contábil.

Cada empresa deverá desenvolver seu próprio sistema de controles e, por melhor que seja, nenhum sistema de controles poderá compensar ou neutralizar a incompetência dos executivos da empresa. A complexidade dos sistemas de controles internos e contábeis não representa garantia de eficácia e eficiência.

Sem dúvida, na avaliação dos controles internos é fundamental estar atento aos riscos crédito, mercado e demais riscos, contudo, a gestão desses riscos começa pela gestão dos processos, pessoas, sistemas e fatores externos. Portanto, somente reduzindo esses riscos operacionais é possível reduzir os demais riscos e é nessa premissa que deve ser feita a avaliação dos sistemas de controles internos.

Ao Identificar essas necessidades, partimos para implementar procedimentos que assegurem as várias fases do processo decisório e do fluxo de informações para que se revistam da necessária confiabilidade na prevenção de perdas, na repressão aos crimes de fraude financeira, contábil e de lavagem de dinheiro, assuntos estes, tão evidenciados na   mídia ultimamente. Não podemos ser surpreendidos com alternativas criadas a todo o momento, pois a cada fraude ocorrida, inúmeros serão os riscos envolvidos.

Ainda, sobre o tema de controles, não podemos deixar de evidenciar as fraudes ocorridas nos últimos anos, que demonstram ausência de controle, negligência operacional, ausência de índole e despreparo das auditorias e dos órgãos reguladores.

* Marcos Assi, CCO, CRISC e é professor e consultor da MASSI Consultoria e Treinamento – professor de MBA na FECAP, IBMEC, Centro Paula Souza, UNIMAR, FADISMA, SUSTENTARE, entre outras, autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional”, “Gestão de Riscos com Controles Internos”, “Gestão de Compliance e seus desafios” e “Governança, riscos e compliance” pela Saint Paul Editora e “Compliance: Como Implementar” pela Trevisan Editora.

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você está ok com isso, mas você pode cancelar se desejar. Aceitar Leia Mais Aceitar Leia mais