A perícia particular deve ser considerada quando o segurado precisa provar melhor uma incapacidade, uma sequela, uma limitação funcional ou a relação entre a doença e o trabalho, especialmente depois de uma negativa do INSS ou antes de entrar com uma ação judicial. Ela não substitui automaticamente a perícia do INSS ou a perícia judicial, mas pode fortalecer muito o pedido quando é feita por profissional habilitado, com análise técnica detalhada, exames, histórico clínico e explicação clara sobre como a condição afeta a capacidade de trabalho.
O que é perícia particular
A perícia particular é uma avaliação técnica contratada pelo próprio segurado, geralmente realizada por médico especialista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, engenheiro de segurança, médico do trabalho ou outro profissional com conhecimento específico sobre o caso.
Conhecer a lei é obrigatório.
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Consultar jurimetria agora →No contexto previdenciário, ela costuma ser usada para demonstrar incapacidade, sequela permanente, redução da capacidade laboral, nexo causal, doença ocupacional, limitações funcionais ou necessidade de afastamento.
Diferente de um atestado simples, a perícia particular deve ter estrutura técnica. Ela precisa analisar documentos, examinar o segurado, descrever a doença ou lesão, indicar limitações, avaliar a profissão exercida e explicar a relação entre o quadro de saúde e o trabalho.
Perícia particular é a mesma coisa que laudo médico
Não exatamente.
Todo laudo médico pode ser uma prova importante, mas nem todo laudo tem profundidade de perícia particular.
Um laudo comum pode apenas informar diagnóstico e recomendar afastamento. Já uma perícia particular bem feita deve responder perguntas técnicas mais completas: qual é a doença, quando começou, quais exames confirmam o quadro, quais sequelas existem, se há incapacidade, se há redução da capacidade, se a condição é temporária ou permanente e como isso interfere na atividade profissional.
No auxílio-acidente, por exemplo, o ponto principal não é apenas provar que existe uma lesão. É provar que essa lesão deixou sequela permanente e reduziu a capacidade para o trabalho habitual.
Quando a perícia particular pode ser útil
A perícia particular pode ser útil antes do pedido no INSS, depois de uma negativa administrativa, antes de entrar com ação judicial ou durante o processo, como prova complementar.
Ela é especialmente importante quando o caso depende de explicação técnica mais detalhada.
| Situação | Por que a perícia particular pode ajudar |
|---|---|
| INSS negou por ausência de incapacidade | Pode demonstrar limitações que a perícia administrativa não considerou |
| INSS negou por falta de sequela | Pode comprovar redução funcional permanente |
| INSS negou por falta de nexo com o trabalho | Pode explicar a relação entre atividade laboral e doença |
| Doença é invisível ou de difícil comprovação | Pode organizar sintomas, exames e impacto funcional |
| Exames são antigos ou incompletos | Pode atualizar a análise técnica |
| Função profissional é pesada ou específica | Pode relacionar a limitação com a atividade real |
| Ação judicial depende de prova médica forte | Pode orientar quesitos e reforçar a tese do processo |
Quando pedir perícia particular antes do INSS
Pedir perícia particular antes do INSS pode ser interessante quando o segurado já sabe que o caso é complexo.
Isso ocorre, por exemplo, em doenças ocupacionais, dor crônica, transtornos mentais, lesões ortopédicas com limitação parcial, problemas neurológicos, perda auditiva, sequelas de acidente e doenças degenerativas agravadas pelo trabalho.
Nesses casos, entrar no INSS apenas com atestado simples pode ser arriscado. A perícia administrativa pode concluir que não há incapacidade ou que não há redução da capacidade.
A perícia particular ajuda a preparar melhor o pedido inicial. Ela permite apresentar um documento técnico mais completo, com histórico, exames e explicação funcional.
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Quando pedir perícia particular depois da negativa do INSS
Depois de uma negativa, a perícia particular pode ser ainda mais importante.
Isso porque a decisão do INSS já mostrou qual ponto foi considerado fraco. Se o benefício foi negado por ausência de incapacidade, a perícia particular deve focar na incapacidade. Se foi negado por ausência de sequela, deve focar na sequela. Se foi negado por falta de nexo, deve explicar a relação entre doença e trabalho.
O erro comum é recorrer usando os mesmos documentos que já foram rejeitados. Se nada novo for apresentado, a chance de nova negativa aumenta.
A perícia particular pode preencher essa lacuna e tornar o recurso ou a ação judicial mais forte.
Quando pedir perícia particular antes da ação judicial
Antes de entrar com ação judicial, a perícia particular pode ajudar a avaliar se o caso tem boa prova.
Ela também pode orientar a petição inicial, os pedidos, os quesitos para o perito judicial e a estratégia do processo.
Em muitos casos, o advogado precisa demonstrar ao juiz que existe fundamento técnico para a ação. Um laudo particular bem feito pode mostrar que a negativa do INSS foi equivocada e que há necessidade de perícia judicial.
Isso é comum em ações de auxílio-acidente, auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente, benefício assistencial à pessoa com deficiência e reconhecimento de doença ocupacional.
A perícia particular substitui a perícia judicial
Em regra, não.
A perícia particular é uma prova produzida pela parte. Ela pode ser muito relevante, mas o juiz normalmente determina perícia judicial quando a questão depende de conhecimento técnico.
A perícia judicial é feita por profissional nomeado pelo juiz, com possibilidade de apresentação de quesitos e manifestação das partes.
Mesmo assim, a perícia particular pode influenciar bastante o processo. Ela pode apontar falhas da perícia do INSS, orientar perguntas ao perito judicial, demonstrar inconsistências e reforçar a tese do segurado.
A perícia particular obriga o INSS a conceder benefício
Não. O INSS não é obrigado a conceder automaticamente o benefício apenas porque existe perícia particular.
Porém, uma prova técnica forte pode aumentar a chance de concessão administrativa ou judicial.
O INSS pode discordar do laudo particular, mas não deve ignorar documentos relevantes sem justificativa. Em ação judicial, o juiz pode considerar a perícia particular junto com as demais provas.
O valor da perícia particular está em fortalecer o conjunto probatório, não em substituir todas as etapas oficiais.
Perícia particular em auxílio-acidente
No auxílio-acidente, a perícia particular pode ser decisiva.
Esse benefício exige sequela permanente e redução da capacidade para o trabalho. Muitas negativas acontecem porque o INSS entende que a pessoa está apta, confundindo aptidão para trabalhar com ausência de redução da capacidade.
A perícia particular deve explicar que o segurado pode até continuar trabalhando, mas com limitação, dor, perda de força, redução de mobilidade, menor rendimento ou maior esforço.
Exemplo: um trabalhador com lesão no joelho pode continuar empregado, mas ter dificuldade para subir escadas, agachar, carregar peso ou permanecer em pé por longos períodos. Isso pode configurar redução da capacidade, ainda que não exista incapacidade total.
Perícia particular em auxílio por incapacidade temporária
No auxílio por incapacidade temporária, a perícia particular é útil quando o INSS nega o afastamento ou concede alta médica indevida.
O documento deve demonstrar que o segurado está temporariamente incapaz para sua atividade habitual.
A análise deve considerar a profissão real. Uma doença pode não impedir atividades leves, mas impedir completamente uma função pesada.
Exemplo: uma hérnia de disco pode não impedir tarefas simples, mas pode impedir trabalho na construção civil, carga e descarga, limpeza pesada ou atividades que exigem esforço físico intenso.
Perícia particular em aposentadoria por incapacidade permanente
Na aposentadoria por incapacidade permanente, a perícia particular deve demonstrar incapacidade total e sem perspectiva real de reabilitação para atividade compatível.
Não basta dizer que a pessoa está doente. É preciso mostrar que a doença impede o exercício de trabalho capaz de garantir subsistência, considerando idade, escolaridade, profissão, histórico laboral e gravidade do quadro.
A perícia particular pode ser especialmente útil quando o INSS insiste em dizer que o segurado pode ser reabilitado, mas a realidade mostra que essa reabilitação é inviável.
Perícia particular em doença ocupacional
Em doença ocupacional, a perícia particular pode ajudar a provar o nexo entre a doença e o trabalho.
Esse é um ponto muito discutido. O INSS frequentemente nega o nexo alegando doença degenerativa, idade, fatores pessoais ou ausência de CAT.
A perícia particular pode analisar a função exercida, movimentos repetitivos, esforço físico, postura, ruído, vibração, produtos químicos, jornada, ritmo de trabalho e documentos ocupacionais.
Mesmo que a doença tenha múltiplas causas, o trabalho pode ter contribuído para o agravamento. Nesses casos, a perícia pode explicar a concausa.
Perícia particular quando não há CAT
A ausência de CAT não impede o reconhecimento de acidente de trabalho ou doença ocupacional, mas dificulta a prova.
Nesses casos, a perícia particular pode ajudar a demonstrar que a lesão é compatível com a atividade exercida ou com o acidente relatado.
Ela pode relacionar prontuários, exames, histórico clínico, função profissional e evolução da doença.
Quando a empresa não emitiu CAT, o segurado não deve ficar sem alternativa. A perícia particular pode compor o conjunto de provas junto com documentos médicos, testemunhas, mensagens, registros de jornada e outros elementos.
Perícia particular em doenças invisíveis
Doenças invisíveis são aquelas que nem sempre aparecem claramente em exames ou que podem ser subestimadas em uma avaliação rápida.
Isso inclui dor crônica, fibromialgia, transtornos mentais, síndrome do pânico, depressão grave, ansiedade incapacitante, fadiga crônica, algumas doenças neurológicas e quadros funcionais complexos.
Nesses casos, a perícia particular pode organizar o histórico da doença, tratamentos realizados, medicações, crises, limitações e impacto na rotina profissional.
A prova deve ser cuidadosa, porque o INSS pode entender que não há incapacidade apenas pela ausência de exame objetivo evidente.
Perícia particular em problemas ortopédicos
Lesões ortopédicas são muito comuns em pedidos previdenciários.
A perícia particular pode avaliar coluna, joelho, ombro, punho, mão, quadril, tornozelo e outras regiões afetadas.
O documento deve indicar amplitude de movimento, força, dor, rigidez, limitação funcional, restrição para esforço, necessidade de cirurgia, risco de agravamento e compatibilidade com a profissão.
No auxílio-acidente, é importante demonstrar se a lesão deixou sequela permanente. Em benefício por incapacidade, é necessário demonstrar se o segurado está temporária ou permanentemente incapaz.
Perícia particular em transtornos mentais
Em transtornos mentais, a perícia particular pode ser relevante quando há negativa do INSS ou alta médica precoce.
Depressão, transtorno de ansiedade, transtorno bipolar, síndrome do pânico, estresse pós-traumático e burnout podem afetar a capacidade laboral de forma intensa.
O laudo deve ser feito preferencialmente por psiquiatra, com análise do histórico, medicações, internações, crises, risco, capacidade de concentração, interação social, tomada de decisão, regularidade e desempenho no trabalho.
Não basta mencionar o diagnóstico. É preciso explicar como o transtorno impede ou limita o exercício da atividade profissional.
Perícia particular em perda auditiva
A perda auditiva pode gerar direito a benefício, especialmente quando decorre de exposição ocupacional a ruído e causa limitação funcional.
A perícia particular pode analisar audiometrias, histórico de exposição, uso de equipamentos de proteção, ambiente de trabalho e impacto da perda auditiva na função.
Em alguns casos, mesmo que o trabalhador continue exercendo atividade, a perda auditiva pode representar redução permanente da capacidade.
Para isso, a prova precisa demonstrar que não se trata apenas de alteração mínima sem repercussão, mas de limitação real.
Perícia particular em acidente de trânsito
Acidentes de trânsito podem gerar sequelas que justificam auxílio-acidente ou benefícios por incapacidade.
A perícia particular pode ser útil quando há fraturas, lesões ligamentares, amputações, limitações de movimento, dor crônica, sequelas neurológicas ou redução funcional.
Ela deve relacionar o acidente, os atendimentos médicos, os exames, o tratamento e as limitações atuais.
Mesmo que o acidente não tenha ocorrido no trabalho, o segurado pode ter direito a benefício previdenciário se preencher os requisitos legais.
Qual profissional deve fazer a perícia particular
O profissional depende do tipo de problema.
Para lesões ortopédicas, um ortopedista pode ser adequado. Para transtornos mentais, psiquiatra. Para perda auditiva, otorrinolaringologista. Para doenças neurológicas, neurologista. Para doença ocupacional, médico do trabalho pode ser muito útil. Para avaliação funcional, fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional pode complementar.
Em alguns casos, uma avaliação multidisciplinar é mais forte.
O mais importante é que o profissional tenha qualificação, examine o segurado, analise os documentos e produza um relatório técnico claro.
O que uma boa perícia particular deve conter
Uma boa perícia particular deve ser completa.
Ela pode conter:
Identificação do segurado.
Histórico clínico.
Histórico profissional.
Descrição da atividade exercida.
Documentos analisados.
Exames considerados.
Diagnóstico.
Tratamentos realizados.
Evolução do quadro.
Limitações funcionais.
Análise da capacidade laboral.
Indicação de incapacidade ou sequela.
Avaliação da permanência ou temporariedade do quadro.
Conclusão técnica.
Relação entre doença, acidente e trabalho, quando aplicável.
Quanto mais específico for o documento, maior sua utilidade.
O que enfraquece uma perícia particular
Alguns erros reduzem a força da perícia particular.
Um documento genérico, sem exame físico, sem análise de documentos, sem descrição da profissão e sem conclusão objetiva pode ter pouco valor.
Também enfraquece o laudo quando o profissional apenas copia o relato do paciente sem avaliação técnica.
Outro problema é o exagero. Laudos que afirmam incapacidade total sem explicar por que podem ser questionados.
A perícia particular precisa ser técnica, equilibrada e coerente com os exames e a realidade do caso.
Perícia particular e assistente técnico
Em processo judicial, o segurado pode contar com assistente técnico.
O assistente técnico é um profissional contratado pela parte para acompanhar a perícia judicial, analisar o laudo do perito do juízo, apresentar parecer técnico e apontar falhas.
Ele não substitui o perito judicial, mas pode ser muito importante em casos complexos.
Quando a perícia judicial é desfavorável, o assistente técnico pode ajudar a identificar contradições, omissões ou pontos que precisam de esclarecimento.
Perícia particular antes ou depois da perícia judicial
Depende da estratégia.
Antes da perícia judicial, a perícia particular pode ajudar a formular quesitos e apresentar um histórico técnico consistente.
Depois da perícia judicial, pode servir para contestar conclusões desfavoráveis, especialmente se o laudo judicial for superficial ou ignorar documentos importantes.
Em alguns casos, o ideal é ter prova técnica antes mesmo da ação. Em outros, a necessidade surge apenas após uma perícia judicial negativa.
Quanto custa uma perícia particular
O custo varia conforme a especialidade, a complexidade do caso, a região, a quantidade de documentos analisados e o tipo de relatório solicitado.
Uma avaliação simples pode custar menos, enquanto uma perícia técnica completa, com análise documental extensa, pode ter valor maior.
O segurado deve avaliar custo e benefício. Nem todo caso exige perícia particular. Em situações simples, um bom laudo do médico assistente pode ser suficiente.
Por outro lado, em casos de alto impacto financeiro ou de negativa repetida, a perícia particular pode evitar perda de tempo e fortalecer bastante o processo.
Quando a perícia particular pode não valer a pena
A perícia particular pode não valer a pena quando o caso já tem prova suficiente ou quando a discussão não é médica.
Se a negativa ocorreu por erro no CNIS, falta de contribuição, ausência de documento de união estável ou cálculo incorreto, talvez o foco não seja perícia médica, mas prova documental.
Também pode não ser necessária quando o segurado já possui laudos completos, exames atuais e relatórios detalhados de especialistas.
O ideal é avaliar qual é o ponto fraco do caso antes de contratar qualquer prova.
Perícia particular acelera o processo
A perícia particular pode ajudar a acelerar a compreensão do caso, mas não garante decisão imediata.
Ela pode evitar pedidos mal instruídos, reduzir dúvidas, orientar a ação e fortalecer a prova. Porém, o tempo do processo depende do INSS, da Justiça, da necessidade de perícia judicial e de outros fatores.
O benefício principal é aumentar a qualidade da prova e reduzir o risco de negativa por falta de informação técnica.
Como usar a perícia particular no recurso administrativo
No recurso administrativo, a perícia particular deve ser apresentada junto com uma argumentação clara.
O recurso deve explicar por que a decisão do INSS está errada e apontar os trechos técnicos do laudo que comprovam o direito.
É importante não apenas anexar o documento, mas relacioná-lo com os requisitos do benefício.
No auxílio-acidente, por exemplo, o recurso deve destacar a sequela permanente, a redução da capacidade e a relação com o acidente ou doença.
Como usar a perícia particular na ação judicial
Na ação judicial, a perícia particular pode ser anexada à petição inicial ou apresentada como prova técnica complementar.
Ela pode ajudar a demonstrar a plausibilidade do direito e justificar a realização de perícia judicial.
Também pode orientar os quesitos enviados ao perito do juízo.
Se a perícia judicial for desfavorável, o laudo particular pode ser usado para pedir esclarecimentos, nova perícia ou análise mais cuidadosa das contradições.
Exemplos de quando pedir perícia particular
Um trabalhador com lesão no ombro teve o auxílio-acidente negado porque o INSS afirmou que não havia redução da capacidade. A perícia particular pode medir a limitação de movimento, avaliar força, explicar as tarefas da profissão e demonstrar a sequela.
Uma auxiliar de produção com síndrome do túnel do carpo teve benefício negado por ausência de nexo ocupacional. A perícia particular pode relacionar movimentos repetitivos, jornada, função e exames.
Um motorista com problemas na coluna recebeu alta do INSS, mas ainda não consegue dirigir longas jornadas. A perícia particular pode demonstrar que a função habitual exige postura prolongada, atenção, reflexos e resistência física.
Uma professora com transtorno de ansiedade grave teve benefício negado. A perícia particular psiquiátrica pode explicar crises, limitações cognitivas, medicação e impacto na atividade profissional.
Perícia particular em caso de negativa repetida
Quando o segurado recebe negativas repetidas, a perícia particular pode ser uma forma de identificar o que está faltando.
Pode ser que os documentos apresentados sejam genéricos, que não haja prova da função, que os exames estejam desatualizados ou que a tese esteja mal formulada.
A perícia particular ajuda a reorganizar o caso tecnicamente.
Em vez de continuar repetindo pedidos iguais, o segurado passa a ter um documento mais robusto para enfrentar o motivo da negativa.
Diferença entre médico assistente e perito particular
O médico assistente acompanha o tratamento do paciente. Ele diagnostica, prescreve medicamentos, orienta condutas e emite atestados.
O perito particular analisa tecnicamente a condição do segurado com foco probatório. Ele avalia capacidade laboral, nexo causal, sequela e impacto funcional.
Um mesmo médico pode, em alguns casos, produzir um relatório detalhado. Mas a lógica de um laudo pericial costuma ser mais completa do que a de um atestado clínico comum.
O ideal é que o documento una conhecimento médico e finalidade previdenciária.
A importância de relacionar doença e profissão
Uma boa perícia particular não deve analisar a doença isoladamente.
Ela precisa considerar a profissão do segurado.
Uma lesão no punho pode ter impacto diferente em um digitador, um pedreiro, um músico, um cozinheiro ou uma pessoa que exerce atividade administrativa leve.
Uma doença na coluna pode ser menos limitante para quem trabalha sentado com pausas e mais grave para quem carrega peso ou trabalha em postura forçada.
O benefício previdenciário depende da capacidade para o trabalho, não apenas do nome da doença.
Perícia particular e prova da data de início
Além de provar a existência da doença ou sequela, a perícia particular pode ajudar a indicar desde quando o problema existe.
Isso é importante para valores atrasados.
Se o laudo demonstra que a sequela já estava consolidada desde uma data anterior, pode fortalecer o pedido de pagamento acumulado.
Para isso, o perito precisa analisar exames antigos, prontuários, atestados e histórico de tratamento.
Um laudo que apenas descreve a condição atual pode ser útil, mas talvez não seja suficiente para comprovar atrasados desde anos anteriores.
Perícia particular e quesitos
Quesitos são perguntas técnicas feitas ao perito.
A perícia particular pode ajudar a formular bons quesitos para a perícia judicial.
Em casos de auxílio-acidente, por exemplo, os quesitos podem perguntar se há sequela permanente, se há redução da capacidade, quais movimentos estão limitados, se a limitação afeta a função habitual e desde quando a sequela existe.
Em doença ocupacional, podem perguntar se há nexo ou concausa entre a atividade exercida e a doença.
Bons quesitos ajudam a direcionar a perícia para os pontos realmente importantes.
O risco de perícia particular mal feita
Uma perícia particular mal feita pode até prejudicar.
Se o documento for superficial, contraditório ou exagerado, pode reduzir a credibilidade da prova.
Por exemplo, se o laudo afirma incapacidade total, mas os exames mostram quadro leve e não há explicação técnica, o documento pode ser questionado.
Outro risco é contratar profissional sem experiência no tipo de caso. Um relatório que não conversa com os requisitos previdenciários pode ter pouca utilidade.
Por isso, o foco deve ser qualidade, não apenas quantidade de documentos.
Como saber se chegou a hora de pedir perícia particular
A hora de pedir perícia particular geralmente chega quando existe dúvida técnica relevante ou quando a prova atual não está conseguindo demonstrar o direito.
Alguns sinais indicam essa necessidade:
O INSS negou por ausência de incapacidade.
O INSS negou por ausência de sequela.
O INSS negou por falta de nexo com o trabalho.
O caso envolve doença ocupacional.
A doença é invisível ou difícil de comprovar.
Os laudos atuais são genéricos.
A profissão exige esforço físico ou habilidade específica.
Há valores atrasados relevantes em discussão.
A perícia judicial foi desfavorável e parece incompleta.
Quando esses sinais aparecem, a perícia particular pode ser uma ferramenta importante.
Perguntas e respostas sobre quando pedir perícia particular
Quando devo pedir perícia particular
Você deve considerar a perícia particular quando precisa provar incapacidade, sequela, redução da capacidade, doença ocupacional ou nexo com o trabalho, especialmente após negativa do INSS ou antes de uma ação judicial.
Perícia particular substitui a perícia do INSS
Não. Ela não substitui automaticamente a perícia do INSS, mas pode fortalecer o pedido e servir como prova complementar.
Perícia particular substitui a perícia judicial
Normalmente não. O juiz pode determinar perícia judicial mesmo com laudo particular. Porém, a perícia particular pode influenciar a análise do processo.
Vale a pena pedir perícia particular para auxílio-acidente
Sim, principalmente quando o INSS nega por ausência de sequela ou redução da capacidade. A perícia pode demonstrar a limitação permanente e seu impacto no trabalho.
Quem deve fazer a perícia particular
Depende do caso. Pode ser ortopedista, psiquiatra, neurologista, médico do trabalho, otorrinolaringologista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional ou outro profissional especializado.
Um atestado médico simples basta
Nem sempre. Atestado simples pode ser insuficiente em casos complexos. O ideal é um relatório detalhado, com diagnóstico, exames, limitações e impacto na capacidade laboral.
A perícia particular ajuda em doença ocupacional
Sim. Ela pode demonstrar o nexo ou a concausa entre a atividade profissional e a doença.
Devo pedir perícia particular antes do recurso
Pode ser recomendável quando a negativa do INSS ocorreu por motivo médico ou técnico. O recurso fica mais forte com prova nova e detalhada.
Perícia particular garante vitória
Não. Ela aumenta a força da prova, mas não garante concessão automática. O resultado depende do conjunto probatório e da análise administrativa ou judicial.
Perícia particular pode ajudar a receber atrasados
Sim, especialmente se demonstrar desde quando a sequela ou incapacidade existe. Isso pode influenciar a data de início do benefício.
Conclusão
A perícia particular deve ser pedida quando o segurado precisa transformar um caso fraco, genérico ou mal documentado em um pedido tecnicamente consistente. Ela é especialmente útil em negativas do INSS baseadas em ausência de incapacidade, falta de sequela, inexistência de redução da capacidade ou ausência de nexo com o trabalho.
Em benefícios como auxílio-acidente, auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente e casos de doença ocupacional, a prova técnica pode fazer grande diferença. O INSS e a Justiça não analisam apenas o nome da doença, mas o impacto real sobre a capacidade de trabalho.
Uma boa perícia particular deve ser detalhada, coerente, técnica e ligada à profissão do segurado. Ela deve explicar a doença ou lesão, os exames, o tratamento, as limitações funcionais, a permanência da sequela e a relação com a atividade profissional quando houver.
No entanto, a perícia particular não deve ser contratada de forma automática. Antes, é preciso identificar qual é o ponto fraco do caso. Se o problema é documental, talvez a solução esteja em corrigir o CNIS ou apresentar outros documentos. Mas se o problema é médico, funcional ou ocupacional, a perícia particular pode ser uma das provas mais importantes para reverter a negativa e buscar o benefício devido.
