Infração 513-42: permitir posse e condução do veículo a pessoa com PPD de categoria diferente

A infração 513-42 ocorre quando o proprietário permite que uma pessoa com Permissão para Dirigir, a PPD, tome posse do veículo e passe a conduzi-lo na via, mesmo tendo categoria diferente da exigida para aquele tipo de veículo.

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Em termos simples, é o caso em que alguém ainda está no período de permissão e possui habilitação provisória para uma categoria, mas conduz veículo de outra categoria. A infração, porém, não recai diretamente sobre o condutor neste código. O enquadramento 513-42 é aplicado ao proprietário que permitiu a posse e condução do veículo.

Essa infração está ligada à responsabilidade do proprietário. A lei entende que quem permite que outra pessoa conduza seu veículo deve verificar se ela está legalmente habilitada para aquele tipo de veículo. Não basta a pessoa possuir PPD. Ela precisa possuir PPD na categoria correta.

Base legal da infração

A base legal do enquadramento 513-42 é o artigo 164 do Código de Trânsito Brasileiro, combinado com o artigo 162, inciso III.

O artigo 164 trata de permitir que pessoa nas condições indicadas no artigo 162 tome posse do veículo automotor e passe a conduzi-lo na via. Já o artigo 162, inciso III, trata da condução de veículo com CNH ou PPD de categoria diferente da do veículo conduzido.

No caso específico do 513-42, o MBFT individualiza a situação envolvendo a PPD, ou seja, a Permissão para Dirigir. Por isso, o código não deve ser confundido com o 513-41, que trata de permitir posse e condução a pessoa com CNH de categoria diferente.

A diferença é sutil, mas importante. O 513-42 envolve condutor permissionário. O 513-41 envolve condutor com CNH definitiva.

Natureza da infração e penalidade

A infração 513-42 é de natureza gravíssima. A penalidade é multa com fator multiplicador duas vezes, seguindo a mesma lógica do artigo 162, inciso III.

Além disso, a medida administrativa é a retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado. Isso acontece porque a pessoa que assumiu a direção não possui categoria compatível com o veículo que está conduzindo.

A pontuação é atribuída ao proprietário infrator, quando ele for pessoa física e possuir prontuário de habilitação. O ponto central é que a infração não pune apenas a direção irregular, mas a conduta de permitir que essa direção irregular aconteça.

Quem é o infrator

O infrator no enquadramento 513-42 é o proprietário do veículo.

Isso significa que a autuação não é direcionada ao permissionário que estava dirigindo, mas à pessoa que permitiu que ele tomasse posse do veículo e passasse a conduzi-lo. O condutor pode receber outro auto de infração específico por dirigir com PPD de categoria diferente, mas o 513-42 é voltado ao proprietário.

Essa distinção é essencial para entender o enquadramento. O Código de Trânsito Brasileiro separa a responsabilidade de quem dirige da responsabilidade de quem entrega ou permite a condução.

O proprietário tem o dever de cuidado sobre o uso do veículo. Se permite que alguém dirija, deve conferir se essa pessoa está habilitada na categoria adequada.

O que significa permitir posse e condução

Permitir posse e condução não é exatamente a mesma coisa que entregar a direção do veículo.

A entrega normalmente pressupõe que o proprietário está presente no momento em que passa a direção ao condutor. Já permitir posse e condução pode ocorrer mesmo quando o proprietário não está no local da abordagem. Ele autoriza, facilita ou consente que outra pessoa fique com o veículo e o conduza.

Imagine, por exemplo, que o proprietário empresta o carro para alguém que possui apenas PPD de categoria A, destinada à condução de motocicletas. Se essa pessoa passa a dirigir um automóvel, há incompatibilidade de categoria. O condutor poderá ser autuado por dirigir com categoria diferente, e o proprietário poderá ser autuado por permitir posse e condução.

A infração exige, portanto, que exista uma relação entre o proprietário e o uso irregular do veículo por pessoa não habilitada na categoria correta.

Diferença entre CNH e PPD

A CNH é o documento definitivo de habilitação. A PPD, por sua vez, é a Permissão para Dirigir, concedida ao candidato aprovado no processo de habilitação inicial.

Durante o período de permissão, o condutor ainda está em fase de avaliação. Se cometer infração grave, gravíssima ou reincidir em infração média, poderá não obter a CNH definitiva.

No enquadramento 513-42, o detalhe relevante é que o condutor ainda possui PPD e está conduzindo veículo de categoria diferente daquela para a qual foi permissionado.

Por exemplo, uma pessoa com PPD na categoria B pode dirigir automóveis, mas não pode conduzir motocicleta se não possuir categoria A. Da mesma forma, alguém com PPD na categoria A não pode dirigir automóvel sem a categoria B.

Categorias de habilitação e compatibilidade com o veículo

As categorias de habilitação definem quais veículos a pessoa pode conduzir.

A categoria A permite conduzir veículos motorizados de duas ou três rodas, como motocicletas, motonetas e triciclos. A categoria B permite conduzir automóveis e veículos de passeio dentro dos limites legais de peso e lotação. As categorias C, D e E autorizam veículos maiores, de carga, transporte de passageiros e combinações veiculares, conforme os requisitos legais.

A infração ocorre quando há incompatibilidade entre a categoria da PPD e o veículo conduzido. O fato de a pessoa saber dirigir não regulariza a situação. A autorização legal precisa estar no documento de habilitação.

Essa regra existe porque cada categoria exige conhecimentos, habilidades e responsabilidades diferentes. Conduzir motocicleta não é o mesmo que dirigir automóvel. Dirigir caminhão ou ônibus exige ainda mais preparo técnico.

Exemplos práticos da infração 513-42

Um exemplo comum ocorre quando o proprietário permite que uma pessoa com PPD apenas na categoria A dirija um automóvel. Nesse caso, a pessoa tem permissão para conduzir motocicleta, mas não para dirigir carro.

Outro exemplo ocorre quando o proprietário permite que uma pessoa com PPD categoria B conduza uma motocicleta. Ainda que essa pessoa saiba pilotar, ela não tem autorização legal para isso.

Também pode ocorrer quando o proprietário permite que alguém com PPD categoria B conduza veículo que exige categoria C, D ou E. Por exemplo, um caminhão, ônibus, micro-ônibus ou combinação veicular que ultrapasse os limites permitidos para a categoria B.

Em todos esses casos, o problema não é apenas a existência da PPD, mas a incompatibilidade entre a categoria registrada e o veículo efetivamente conduzido.

Diferença entre 513-41 e 513-42

O código 513-41 é usado quando o proprietário permite posse e condução do veículo a pessoa com CNH de categoria diferente da do veículo.

O código 513-42 é usado quando essa pessoa possui PPD de categoria diferente.

A conduta é parecida, mas o documento do condutor é diferente. No 513-41, o condutor já possui CNH definitiva. No 513-42, ele ainda está no período de permissão.

Essa diferença precisa aparecer corretamente no auto de infração. Se o condutor tinha PPD, o código adequado é o 513-42. Se tinha CNH definitiva, o código adequado é o 513-41.

Diferença entre dirigir, entregar e permitir

O CTB separa três condutas distintas: dirigir, entregar e permitir.

Dirigir é a conduta praticada por quem está no volante ou no comando do veículo. Se a pessoa com PPD de categoria diferente conduz o veículo, ela pratica infração própria.

Entregar é a conduta do proprietário que está presente e passa a direção do veículo a pessoa em condição irregular.

Permitir posse e condução é a conduta do proprietário que autoriza ou consente que a pessoa tenha acesso ao veículo e o conduza, ainda que o proprietário não esteja presente no momento da fiscalização.

O enquadramento 513-42 está no grupo de permitir. Por isso, ele é utilizado quando a situação demonstra que o proprietário possibilitou a posse e condução do veículo por pessoa com PPD de categoria incompatível.

Quando o agente deve autuar

O agente deve autuar pelo código 513-42 quando verificar que o veículo está sendo conduzido por pessoa com PPD de categoria diferente da exigida para o veículo e houver responsabilidade do proprietário por permitir essa posse e condução.

A fiscalização normalmente envolve a abordagem do veículo, a conferência do documento de habilitação do condutor e a verificação da categoria exigida para o veículo.

Depois, é necessário identificar o proprietário e analisar se há relação de permissão. Em muitos casos, a própria posse do veículo pelo condutor já indica que o proprietário autorizou seu uso, especialmente quando não há registro de furto, roubo, apropriação indevida ou outro elemento que afaste a autorização.

O auto deve ser claro ao indicar que o condutor era permissionário e que a categoria da PPD era incompatível com o veículo.

O que deve constar no auto de infração

O auto de infração deve conter os elementos obrigatórios previstos na legislação e, preferencialmente, observações que deixem clara a situação constatada.

No caso do 513-42, é importante indicar qual era a categoria da PPD do condutor e qual categoria era exigida para o veículo. Por exemplo: “condutor permissionário categoria A conduzindo veículo automotor de quatro rodas, categoria exigida B”.

Essa descrição ajuda a demonstrar a materialidade da infração. Também evita confusão com outros enquadramentos semelhantes, como dirigir com categoria diferente, entregar direção ou permitir posse e condução a pessoa com CNH definitiva.

Quanto mais preciso for o registro, maior será a segurança jurídica da autuação.

Medida administrativa de retenção do veículo

A medida administrativa prevista é a retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado.

Isso significa que o veículo não deve continuar sendo conduzido pela pessoa com PPD de categoria incompatível. Para que o veículo seja liberado, é necessário apresentar condutor regularmente habilitado na categoria correta.

Se o veículo exige categoria B, o novo condutor deve possuir categoria B ou superior compatível. Se exige categoria C, D ou E, deve-se observar a categoria correspondente. A simples apresentação de qualquer pessoa habilitada não basta. A habilitação precisa ser adequada ao veículo.

A retenção tem função preventiva, pois impede que a irregularidade continue após a abordagem.

Por que essa infração é gravíssima

A infração é gravíssima porque a condução de veículo sem categoria compatível representa risco elevado.

Cada categoria exige competências específicas. Uma pessoa habilitada apenas para motocicleta pode não ter treinamento formal para conduzir automóvel. Uma pessoa habilitada apenas para automóvel pode não ter preparo para conduzir caminhão, ônibus ou veículo articulado.

No caso da PPD, o cuidado é ainda maior, porque o condutor está em período inicial de habilitação. A legislação é mais rigorosa justamente para garantir que o novo condutor desenvolva experiência dentro dos limites da categoria para a qual foi aprovado.

Permitir que esse condutor assuma veículo de outra categoria demonstra negligência do proprietário e aumenta o risco para todos os usuários da via.

Relação com crime de trânsito

O MBFT pode indicar, nas infrações ligadas à entrega ou permissão de direção a pessoa sem condição legal adequada, a possibilidade de configuração de crime de trânsito previsto no artigo 310 do CTB.

Esse artigo trata de permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, com habilitação cassada, suspensa ou sem condições de dirigir com segurança.

No caso da categoria diferente, a discussão ocorre porque o condutor não está devidamente habilitado para aquele veículo específico. Assim, além da autuação administrativa, pode haver análise da autoridade competente quanto à eventual responsabilização penal, conforme as circunstâncias do caso.

A consequência administrativa, porém, independe da esfera penal. A multa pode ser aplicada mesmo que não haja processo criminal.

Impacto para o condutor permissionário

Embora o enquadramento 513-42 recaia sobre o proprietário, o condutor com PPD também pode sofrer consequências.

Se ele for autuado pelo enquadramento próprio de dirigir com PPD de categoria diferente, a infração será gravíssima. Como o permissionário não pode cometer infração grave, gravíssima ou reincidir em média durante o período de permissão, isso pode comprometer a obtenção da CNH definitiva.

Ou seja, para quem está com PPD, conduzir veículo de categoria diferente é extremamente arriscado. Além da multa e da retenção do veículo, pode significar a necessidade de reiniciar o processo de habilitação.

Por isso, permissionários devem ter atenção redobrada aos limites da categoria que possuem.

Responsabilidade do proprietário

O proprietário deve controlar o uso do veículo. Quando permite que outra pessoa conduza, assume o risco de responder por infrações relacionadas à entrega ou permissão irregular.

No caso do 513-42, a falha está em permitir que alguém com PPD incompatível utilize o veículo. Essa responsabilidade não desaparece pelo simples argumento de que o condutor “disse que sabia dirigir”.

Saber conduzir na prática não substitui a habilitação legal. O documento precisa autorizar aquela categoria de veículo.

Por isso, antes de emprestar o veículo, o proprietário deve verificar se a pessoa possui habilitação válida, se está dentro da categoria correta e se não há impedimentos administrativos.

Como evitar a infração

Para evitar a infração 513-42, o proprietário deve sempre conferir a habilitação da pessoa antes de permitir o uso do veículo.

Se a pessoa possui PPD, é necessário observar a categoria indicada no documento. Quem tem PPD categoria A não pode dirigir automóvel. Quem tem PPD categoria B não pode pilotar motocicleta sem a categoria A. Quem tem categoria B não pode conduzir veículo que exija categoria C, D ou E.

Também é importante que empresas, famílias e responsáveis por frotas tenham regras claras sobre quem pode conduzir cada veículo. Em ambiente empresarial, o controle documental dos motoristas é indispensável.

O cuidado preventivo evita multa, retenção do veículo e problemas mais sérios em caso de acidente.

Como recorrer de uma autuação 513-42

A autuação pode ser questionada administrativamente, desde que existam argumentos técnicos e provas.

A defesa pode verificar se o condutor realmente possuía PPD, se a categoria era de fato incompatível, se o veículo exigia categoria diferente, se o proprietário foi corretamente identificado e se havia elementos para caracterizar a permissão de posse e condução.

Também é possível analisar se o auto descreveu adequadamente a situação. Quando o enquadramento é genérico ou não demonstra a incompatibilidade de categoria, pode haver espaço para discussão.

No entanto, se a pessoa tinha PPD de categoria diferente e estava conduzindo veículo incompatível com autorização do proprietário, a autuação tende a estar bem caracterizada.

Perguntas e respostas

O que significa o código 513-42

Significa permitir que pessoa com PPD de categoria diferente da exigida para o veículo tome posse e passe a conduzi-lo na via.

Quem é o infrator no 513-42

O infrator é o proprietário do veículo, pois a conduta punida é permitir posse e condução.

A infração é gravíssima

Sim. A infração é gravíssima, com multa multiplicada por duas.

O veículo pode ser retido

Sim. A medida administrativa é a retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado na categoria correta.

Qual a diferença entre 513-41 e 513-42

O 513-41 envolve condutor com CNH definitiva de categoria diferente. O 513-42 envolve condutor com PPD de categoria diferente.

O condutor com PPD também pode ser autuado

Sim. O condutor pode receber autuação própria por dirigir veículo com PPD de categoria diferente.

Isso pode prejudicar a CNH definitiva

Sim. Como se trata de infração gravíssima, o permissionário pode ter problemas para obter a CNH definitiva.

Conclusão

A infração 513-42 é aplicada ao proprietário que permite que pessoa com PPD de categoria diferente tome posse do veículo e passe a conduzi-lo na via. Trata-se de infração gravíssima, com multa multiplicada por duas e retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado.

O objetivo da norma é impedir que veículos sejam conduzidos por pessoas sem autorização legal para aquela categoria. A PPD não permite dirigir qualquer veículo. Ela autoriza apenas a condução dentro da categoria para a qual o permissionário foi aprovado.

Para o proprietário, a principal orientação é simples: antes de permitir que alguém use o veículo, confira a habilitação, a validade, a categoria e as restrições. Para o permissionário, a recomendação é respeitar rigorosamente os limites da PPD, pois uma infração gravíssima pode comprometer a obtenção da CNH definitiva.

Essa regra protege o próprio condutor, o proprietário e todos os usuários da via, reforçando que a segurança no trânsito começa antes mesmo de o veículo sair do lugar.

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