Infração 565-70: parar o veículo na contramão de direção

A infração de código 565-70 ocorre quando o condutor para o veículo na contramão de direção. Segundo o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, a tipificação resumida é “Parar na contramão de direção”, com amparo no art. 182, inciso IX, do Código de Trânsito Brasileiro. A infração é de natureza média, gera multa e 4 pontos na CNH do condutor.

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Em termos práticos, a conduta acontece quando o motorista imobiliza temporariamente o veículo em sentido oposto ao fluxo regulamentar da via. Isso pode ocorrer em uma rua de mão única, quando o veículo fica voltado contra o sentido permitido, ou em via de mão dupla, quando o condutor para no lado oposto, em posição incompatível com o fluxo daquele lado da via.

A infração trata de parada, não de estacionamento. Ou seja, o veículo é imobilizado pelo tempo estritamente necessário para embarque ou desembarque de passageiros. Se o veículo permanecer por tempo superior ou se o condutor se afastar, a situação poderá ser enquadrada como estacionamento na contramão, que possui código próprio.

Base legal da infração

O enquadramento 565-70 tem fundamento no art. 182, IX, do CTB, que considera infração parar o veículo na contramão de direção. O art. 182 reúne diversas condutas relacionadas à parada irregular do veículo, como parar em esquinas, afastado da guia, sobre faixa de pedestres, na pista de rolamento e em locais proibidos pela sinalização.

No caso específico da contramão, a irregularidade está na posição do veículo em relação ao sentido normal de circulação da via. O problema não é apenas a imobilização, mas a forma como o veículo chega, permanece e sai daquela posição.

Para parar na contramão, em muitos casos o condutor precisa invadir o sentido oposto, fazer manobra irregular, cruzar a via de maneira inadequada ou posicionar o veículo de modo que sua saída exija nova movimentação contra o fluxo. Isso cria riscos evidentes para o trânsito.

Dados principais da infração

Item Informação
Código de enquadramento 565-70
Tipificação resumida Parar na contramão de direção
Amparo legal Art. 182, IX, do CTB
Natureza Média
Penalidade Multa
Pontuação 4 pontos
Medida administrativa Não há
Infrator Condutor
Competência Órgão ou entidade de trânsito municipal e rodoviário
Pode configurar crime de trânsito Não
Constatação Possível sem abordagem

Diferença entre parada e estacionamento

A diferença entre parada e estacionamento é indispensável para aplicar corretamente o código 565-70. Parada é a imobilização do veículo pelo tempo estritamente necessário para embarque ou desembarque de passageiros. Estacionamento é a imobilização por tempo superior a esse necessário.

Se o motorista apenas encosta na contramão para um passageiro entrar ou sair, a conduta se relaciona ao enquadramento 565-70. Mas se o veículo fica ali aguardando, se o condutor desce, se permanece parado sem embarque ou desembarque imediato ou se o veículo fica abandonado por alguns minutos, a situação pode deixar de ser parada e passar a ser estacionamento.

Essa distinção é importante porque o CTB possui enquadramento específico para estacionar na contramão de direção, previsto no art. 181, XV. Portanto, o agente deve observar se a conduta foi uma parada breve ou um estacionamento.

O que significa contramão de direção

Contramão de direção é o sentido contrário ao fluxo permitido para a circulação dos veículos. Em uma rua de mão única, é mais fácil identificar: todo veículo deve circular em apenas um sentido. Se ele está parado apontado para o sentido oposto, está na contramão.

Em via de mão dupla, a análise exige mais atenção. Cada lado da via possui um sentido de circulação. O veículo deve estar posicionado no mesmo sentido do fluxo correspondente ao lado em que se encontra. Quando ele para no lado oposto, com a frente voltada contra o fluxo daquele lado, pode estar configurada a parada na contramão.

O problema da contramão é que ela viola a previsibilidade da circulação. Os demais usuários da via esperam que os veículos estejam posicionados e se movimentem conforme o sentido regulamentado. Quando um veículo aparece ou permanece em sentido oposto, aumenta o risco de colisão, confusão e manobras bruscas.

Quando o agente deve autuar

O agente deve autuar quando constatar que o veículo está parado na contramão de direção. O MBFT indica que a constatação é possível sem abordagem, ou seja, não é necessário que o agente pare o condutor para confirmar a infração.

Um exemplo típico é o motorista que atravessa para o lado contrário da via e para com a frente do carro voltada contra o fluxo para deixar alguém desembarcar. Outro exemplo é o condutor que, em rua de mão única, para o veículo apontado no sentido inverso ao permitido.

A autuação pode ocorrer mesmo que a parada seja rápida. A própria ideia de parada já pressupõe uma imobilização breve. Portanto, alegar que foi “só um minuto” não afasta automaticamente a infração.

A infração depende de sinalização?

A infração de parar na contramão não depende, necessariamente, de uma placa específica proibindo a parada naquele local. O elemento principal é o sentido regulamentar da via e a posição do veículo em relação a esse sentido.

Naturalmente, a sinalização pode ajudar a demonstrar o sentido da via, especialmente em ruas de mão única. Placas de sentido de circulação, marcas viárias e organização do fluxo podem ser usadas para identificar que o veículo estava efetivamente na contramão.

Mas não se trata de infração baseada apenas em placa de “proibido parar”. O enquadramento decorre da posição irregular do veículo em relação ao sentido de direção.

A abordagem do condutor é obrigatória?

Não. A abordagem não é obrigatória. O MBFT informa que a constatação da infração é possível sem abordagem.

Isso é especialmente importante em infrações de parada, porque a conduta pode durar pouco tempo. Se o agente tivesse que abordar o condutor em todos os casos, muitas infrações deixariam de ser registradas.

Mesmo sem abordagem, o auto de infração precisa ser claro. Deve indicar o local, horário, placa do veículo, enquadramento correto e demais dados necessários. Sempre que possível, a descrição deve permitir compreender que o veículo estava parado em sentido contrário ao fluxo da via.

Competência para fiscalização

A competência indicada para o enquadramento 565-70 é do órgão ou entidade de trânsito municipal e rodoviário. Isso significa que a autuação deve ser feita pelo órgão com atribuição sobre a via onde a infração ocorreu.

Em vias urbanas municipais, normalmente a fiscalização é feita pelo órgão municipal de trânsito. Em rodovias, a competência será do órgão rodoviário responsável pela circunscrição.

A competência é um ponto relevante em eventual análise administrativa. Um auto lavrado por órgão sem atribuição sobre a via pode ser questionado.

Por que parar na contramão é perigoso

Parar na contramão compromete a lógica de circulação da via. O trânsito funciona com base em previsibilidade. Cada condutor espera que os demais veículos estejam no sentido correto, respeitando faixas, fluxos e posições.

Quando um veículo para na contramão, os demais motoristas podem se surpreender. A saída desse veículo também tende a ser perigosa, porque ele precisará se reposicionar no fluxo correto. Em muitos casos, isso exige manobra de conversão, cruzamento de faixa, marcha irregular ou deslocamento contra o sentido da via.

Além disso, a parada na contramão pode prejudicar pedestres, ciclistas, motociclistas e veículos maiores, como ônibus e caminhões, que precisam de espaço e previsibilidade para circular com segurança.

Exemplos práticos da infração

Um motorista está em uma rua de mão única, entra pelo sentido errado e para rapidamente para deixar um passageiro. Ainda que a parada dure poucos segundos, a conduta pode configurar o enquadramento 565-70.

Outro exemplo ocorre em uma via de mão dupla. O condutor cruza para o lado oposto e para junto ao meio-fio, mas com o veículo voltado contra o fluxo daquele lado. Mesmo que ele esteja apenas realizando desembarque, a posição do veículo caracteriza parada na contramão.

Também é comum em frente a escolas, comércios, condomínios e farmácias, quando o condutor para “do outro lado” para facilitar o desembarque, sem fazer o retorno adequado. A conveniência do passageiro não elimina a irregularidade.

Diferença entre parar na contramão e estacionar na contramão

Parar na contramão é infração do art. 182, IX, com código 565-70. Estacionar na contramão é infração do art. 181, XV, com enquadramento próprio. A diferença está no tempo e na finalidade da imobilização.

Se o veículo está apenas realizando embarque ou desembarque imediato, fala-se em parada. Se o veículo permanece por mais tempo, se o condutor se ausenta, se há espera prolongada ou se a imobilização não está ligada ao embarque ou desembarque imediato, fala-se em estacionamento.

Essa distinção deve ser observada pelo agente. O enquadramento incorreto pode gerar discussão no processo administrativo.

Relação com embarque e desembarque de passageiros

A parada é permitida em muitos locais quando realizada corretamente, pelo tempo necessário ao embarque ou desembarque. No entanto, isso não autoriza o condutor a parar na contramão.

Mesmo que o passageiro esteja do lado oposto da rua, o motorista deve buscar uma forma regular de aproximação. Isso pode significar fazer o retorno permitido, contornar o quarteirão ou escolher local seguro e compatível com o sentido da via.

O embarque e desembarque devem ser feitos sem colocar em risco os demais usuários. Parar em sentido contrário ao fluxo compromete essa segurança.

Relação com veículos de aplicativo e táxis

A infração 565-70 é comum em veículos de aplicativo e táxis, especialmente quando o passageiro chama o carro do outro lado da via ou solicita que o motorista pare “rapidinho” na frente de determinado local.

O condutor profissional deve ter atenção redobrada. A solicitação do passageiro não justifica uma parada irregular. O motorista é o responsável pela condução do veículo e pela escolha do local seguro de parada.

Em áreas de grande movimento, como bares, escolas, hospitais, eventos e centros comerciais, parar na contramão pode gerar risco imediato, além da autuação.

Situações que não configuram a infração

Nem toda imobilização em posição incomum configura necessariamente parada na contramão. É preciso avaliar o contexto.

Se o veículo foi obrigado a parar por determinação de agente de trânsito, bloqueio temporário, acidente, obra, emergência ou situação inevitável, a conduta pode não representar infração.

Da mesma forma, se o veículo estava em manobra autorizada, dentro de área controlada, orientado por agente ou em operação especial, o caso precisa ser analisado conforme as circunstâncias.

O ponto central é verificar se houve uma parada voluntária, em contramão, sem justificativa legal.

Pane mecânica e emergência

Se o veículo parou na contramão por pane mecânica, mal súbito, colisão ou outra emergência, a situação pode ser diferente. Nesses casos, a parada não decorre de uma escolha comum do condutor, mas de uma necessidade.

Ainda assim, o motorista deve adotar medidas de segurança. Deve sinalizar o local, acionar o pisca-alerta, evitar permanecer em situação de risco e providenciar a retirada do veículo quando possível.

Em uma defesa, a emergência precisa ser comprovada. Recibo de guincho, boletim de ocorrência, fotos, atendimento médico ou registro de pane podem ajudar a demonstrar que não houve parada voluntária irregular.

O que deve constar no auto de infração

O auto de infração deve conter os dados básicos exigidos pela legislação: identificação do veículo, local, data, horário, código de enquadramento, descrição da infração e identificação do órgão ou agente responsável.

No caso do código 565-70, é importante que o auto permita entender que o veículo estava na contramão de direção. O local precisa estar bem descrito. Em ruas de mão única, a indicação do logradouro pode ser suficiente, mas observações adicionais ajudam.

Quando o auto é muito genérico ou não deixa claro o sentido da via, pode haver dificuldade de comprovar a conduta. Por isso, a precisão do registro é relevante tanto para a fiscalização quanto para o direito de defesa.

Pontos possíveis para defesa

A defesa pode analisar se o veículo estava realmente parado na contramão, se o local indicado no auto corresponde ao ponto da suposta infração, se a via tinha sentido único ou duplo, se o sentido de circulação estava devidamente definido e se houve situação emergencial.

Também é possível verificar se a conduta descrita era parada ou estacionamento. Se o agente enquadrou como parada, mas a descrição indica veículo estacionado, pode haver discussão sobre o enquadramento adequado.

Outro ponto é conferir a competência do órgão autuador, a consistência dos dados do auto e eventual ausência de elementos mínimos para individualizar a infração.

Erros comuns dos condutores

Um erro frequente é pensar que, por ser uma parada rápida, não há infração. Isso não é verdade. A parada, por definição, pode ser breve. O que importa é que ela ocorreu na contramão.

Outro erro é acreditar que o pisca-alerta autoriza a conduta. O pisca-alerta não permite parar em local ou posição irregular. Ele apenas sinaliza uma situação, mas não transforma a parada na contramão em conduta permitida.

Também é comum o motorista justificar que “não atrapalhou ninguém”. Mesmo sem causar congestionamento ou acidente, a infração pode estar configurada, pois a norma busca prevenir riscos, não apenas punir consequências.

Valor preventivo da regra

A proibição de parar na contramão tem função preventiva. Ela evita que veículos se aproximem, parem e saiam de forma incompatível com o fluxo de circulação.

Muitas colisões e quase acidentes ocorrem justamente em manobras simples: parar, sair, cruzar a pista, fazer retorno indevido ou tentar se encaixar no fluxo. A regra reduz essas situações de conflito.

Por isso, respeitar o sentido da via é uma medida básica de segurança. O condutor deve sempre se posicionar no mesmo sentido do tráfego e realizar embarques ou desembarques de maneira previsível.

Perguntas e respostas

Qual é a infração 565-70?

É parar o veículo na contramão de direção, conduta prevista no art. 182, IX, do CTB.

A infração é leve, média ou grave?

A infração é de natureza média.

Quantos pontos gera na CNH?

A infração gera 4 pontos na CNH do condutor.

Existe remoção do veículo?

Não. O MBFT indica que não há medida administrativa para esse enquadramento.

O agente precisa abordar o motorista?

Não. A constatação da infração é possível sem abordagem.

Parar rapidamente na contramão também gera multa?

Sim. Se o veículo estiver parado na contramão, ainda que por pouco tempo, a infração pode ser configurada.

Pisca-alerta evita a multa?

Não. O pisca-alerta não autoriza parar na contramão.

Qual é a diferença para estacionar na contramão?

Parar é a imobilização pelo tempo necessário ao embarque ou desembarque. Estacionar é a imobilização por tempo superior. Estacionar na contramão possui enquadramento próprio.

Posso recorrer?

Sim. É possível apresentar defesa e recurso, especialmente se houver erro de local, dúvida sobre o sentido da via, enquadramento inadequado, emergência comprovada ou falhas no auto.

Conclusão

A infração 565-70 trata da parada do veículo na contramão de direção. Embora pareça uma conduta simples, ela compromete a previsibilidade do trânsito e pode gerar riscos relevantes, especialmente no momento em que o veículo chega ao local ou tenta retornar ao fluxo correto.

Segundo o MBFT, a infração tem amparo no art. 182, IX, do CTB, é de natureza média, gera multa, 4 pontos na CNH, não possui medida administrativa e pode ser constatada sem abordagem. O ponto central é verificar se o veículo estava efetivamente parado em sentido contrário ao fluxo regulamentar da via.

Para evitar a autuação, o condutor deve sempre respeitar o sentido de circulação e realizar embarques ou desembarques apenas em posição regular e segura. Mesmo que o passageiro esteja do outro lado da rua ou que a parada pareça rápida, a escolha correta é seguir o fluxo, fazer o retorno permitido e parar no lado adequado da via.

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