Novo Código de Processo Penal regulamentará provas digitais

Leis precisam se adequar ao uso maciço de tecnologia

O Brasil é um dos países com maior número de vítimas de ataques cibernéticos no mundo. No ano passado, a ameaça de golpes virtuais cresceu 400% segundo a Apura Cybersecurity Intelligence. Com 424 milhões de dispositivos digitais em uso, o brasileiro está cada vez mais conectado e é nesse cenário que legisladores devem pensar a reformulação do Código de Processo Penal (CPP) brasileiro, que está sendo discutida na Câmara dos Deputados.

advogado criminalista Rafael Maluf explica que o projeto do novo CPP deve contemplar o maior número de nuances de crimes cometidos por meios eletrônicos, como a regulamentação do uso das provas digitais que podem ser aceitas e do correto emprego do instituto da cadeia de custódia para armazenamento e manutenção da integralidade desse material. “Em um julgamento recente, histórico de buscas no Google feitas pela vítima sobre terror psicológico foram aceitas como prova em um caso de feminicídio. É preciso deixar claro que tipo de evidência pode ser aceita em um processo. E, mais que regulamentar o uso dessas provas digitais, é preciso garantir que a cadeia de custódia seja preservada, evitando a manipulação por agentes externos”, avalia.

3645ba9b5ec1b91eca6f70e4c08aa2df medium
Ameaça de golpes virtuais cresceu 400% no ano passado

O criminalista acrescenta que o investimento em inteligência, equipamentos modernos, treinamento de policiais e na criação de mais delegacias especializadas é vital para o combate a uma das modalidades de delitos que mais crescem no Brasil. “Nossos policiais precisam ser treinados para saber orientar as vítimas, obter provas e armazená-las de forma segura, sobretudo para que possam ter validade e ser utilizada em um processo penal. É preciso ampliar o conceito de inteligência para combater criminosos que dominam a tecnologia e fazem cada vez mais vítimas”, diz.

Segundo o Centro de Tecnologia de Informação Aplicada (FGVcia) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP), o Brasil tem 424 milhões de dispositivos como computador, notebook, tablet e smartphone em uso. “Boa parte das nossas atividades é desempenhada com o uso da tecnologia e os criminosos já perceberam isso. Por outro lado, nem todos os estados brasileiros possuem delegacias especializadas na investigação de crimes cibernéticos, fator que dificulta o combate à modalidade. Por isso, não basta apenas adequar a lei, é preciso ter mecanismos para implementá-la e combatê-la”, diz o advogado.

2442b3dddb2b028b9932acb87c2796cf medium
O advogado criminalista Rafael Maluf

Visto de trabalho americano dá direito ao Green Card

Modalidade denominada de EB-3 permite mudança sem grandes exigências, desde que o aplicante já tenha uma proposta de emprego vinda do país Muitas pessoas...
MariaEduarda
3 min read

Quais são os direitos de quem tem cartão de…

O cartão de crédito é uma excelente forma de pagamento. Quando utilizado de forma consciente é uma ferramenta muito útil para o orçamento doméstico....
MariaEduarda
3 min read

O uso da maconha medicinal na perspectiva dos Tribunais

Por Yuri Sahione * O ano de 2014 marcou a história do uso do canabidiol (CBD), no Brasil. Anny Fisher, criança brasileira que sofria...
MariaEduarda
3 min read

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *