Preencher a CAT corretamente é garantir, desde o primeiro momento, o enquadramento acidentário no INSS, o depósito de FGTS durante o afastamento, a estabilidade de 12 meses após a alta quando for o caso e a própria coerência técnica do processo de saúde e segurança no trabalho. Na prática, a CAT deve ser preenchida com precisão, no prazo correto (até o primeiro dia útil seguinte ao evento e imediatamente em caso de óbito) e pelos canais adequados: eSocial (evento S-2210) quando o emissor é o empregador, e CAT Web quando a comunicação é feita pelo trabalhador, seus dependentes, sindicato, médico ou autoridade. A seguir, você encontra um guia passo a passo, com exemplos reais de descrição, checklist e uma tabela prática para que nada fique de fora.
O que é a CAT e por que o preenchimento correto importa
A Comunicação de Acidente de Trabalho é o registro oficial de que ocorreu um acidente típico, de trajeto ou uma doença ocupacional com possível nexo com o trabalho. Não é só um formulário: ela aciona uma cadeia de efeitos previdenciários e trabalhistas. Um preenchimento inadequado pode atrasar ou até descaracterizar benefícios, enquanto uma CAT bem feita:
Conhecer a lei é obrigatório.
Conhecer o julgador é o que torna a estratégia mais precisa.
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subsidia o reconhecimento do benefício acidentário (B91) em vez do comum (B31)
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assegura depósito de FGTS durante o afastamento acidentário
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viabiliza a estabilidade provisória de 12 meses após a alta de benefício acidentário
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fortalece as medidas de prevenção e a investigação interna de segurança e saúde
Quando a CAT deve ser preenchida
A CAT é devida sempre que houver nexo possível com o trabalho, ainda que o caso pareça leve ou sem afastamento:
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acidente típico no exercício da atividade (queda, choque elétrico, corte, queimadura, esmagamento, agressão em atendimento)
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acidente de trajeto entre residência e local de trabalho, em qualquer meio de transporte
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doença ocupacional (profissional ou do trabalho), inclusive LER/DORT, perda auditiva por ruído, dermatites por agentes químicos, entre outros
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óbito imediato (comunicação no mesmo dia) ou posterior (CAT de óbito vinculada)
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teletrabalho/home office e trabalho externo: o local não altera a obrigatoriedade, desde que haja nexo com a atividade laboral
Quem deve preencher e por qual canal
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empregador: é o responsável primário e comunica pelo eSocial (evento S-2210). Se houver afastamento, também envia o S-2230 (Afastamento Temporário) com natureza acidentária
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legitimados supletivos quando a empresa se omite: trabalhador, dependentes, sindicato, médico e autoridade pública podem emitir pela CAT Web
A emissão por terceiros resguarda os direitos do trabalhador, sem afastar eventual multa administrativa pela omissão do empregador.
Tipos de CAT e o momento de cada uma
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CAT inicial: primeira comunicação do acidente/doença
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CAT de reabertura: quando há agravamento, novo afastamento ou reinício de tratamento relacionado ao evento original
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CAT de comunicação de óbito: quando o falecimento decorre do acidente/doença já comunicados; se a morte é imediata, essa condição pode constar na CAT inicial
Documentos e informações indispensáveis antes de preencher
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identificação do trabalhador: CPF, NIT/PIS (se houver), data de nascimento, endereço
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dados do vínculo: CBO da função, setor, jornada
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dados da empresa: CNPJ, endereço do estabelecimento, CNAE
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dados do evento: data, hora, local, município, descrição objetiva, agente causador, parte do corpo atingida, uso de EPI, testemunhas
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dados do trajeto (se for o caso): origem, destino, percurso habitual, meio de transporte, horário, eventual desvio justificado
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dados clínicos: nome do médico, CRM/UF, CID principal e secundário (se houver), dias de afastamento indicados no atestado
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evidências: atestado médico, boletim de ocorrência (trajeto ou violência), fotos, vídeos, relatórios da CIPA/SST, escalas e ponto, PPP, LTCAT, elementos do PGR/PCMSO
Passo a passo para o empregador no eSocial (S-2210)
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reúna os dados essenciais acima e confirme a coerência entre eles
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acesse o módulo adequado do eSocial e localize Saúde e Segurança do Trabalhador (SST) > Comunicação de Acidente de Trabalho
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selecione o tipo de CAT: inicial, reabertura ou óbito
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preencha a identificação da empresa e do trabalhador conforme os cadastros vigentes no eSocial
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descreva o evento com linguagem técnica e objetiva (veja o modelo de descrição mais adiante)
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informe agente causador e parte do corpo atingida a partir das listas do sistema
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inclua dados clínicos (médico, CRM/UF, CID e dias de afastamento) conforme o atestado
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transmita o S-2210 e salve o recibo. Se houver afastamento, envie o S-2230 com natureza acidentária
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acione a CIPA/SST para investigação, medidas corretivas e atualização do PGR/PCMSO
Passo a passo para trabalhador, sindicato, médico ou autoridade na CAT Web
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acesse a aplicação com conta gov.br
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escolha o tipo de CAT (inicial, reabertura, óbito)
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preencha dados do trabalhador e da empresa (CNPJ, estabelecimento)
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registre data, hora, local, município, descrição do evento, agente causador, parte do corpo atingida, EPI, testemunhas
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informe dados clínicos (médico, CRM/UF, CID, afastamento) já disponíveis; se não tiver o atestado no momento, emita a CAT e retifique depois
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transmita e guarde o número/recibo e o PDF do comprovante
Como descrever o acidente de modo técnico e convincente
A descrição é o coração da CAT. Deve ser objetiva, cronológica e sem adjetivos vagos. Evite “escorregou sem motivo”. Prefira: “Às 10h15, no setor de corte, ao alimentar a serra circular modelo X, o operador teve contato acidental com a lâmina, apesar do uso de luva Y, sofrendo laceração no 3º dedo da mão direita. Piso seco. Guarda da máquina em posição. Primeiro socorro no ambulatório às 10h25.”
Estrutura recomendada:
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contexto: setor, tarefa, equipamento, EPIs, condições do ambiente
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dinâmica: sequência dos fatos com horário
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consequência: lesão, parte do corpo, gravidade, atendimento
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medidas: primeiros socorros, encaminhamento, registros internos
No trajeto, inclua origem, destino, rota, horário, meio de transporte e eventual desvio justificável (“rotina de levar filho à escola às 7h10, com chegada habitual ao trabalho às 8h00”).
Escolha adequada do CID e coerência clínica
O CID informado precisa ser compatível com a lesão/diagnóstico descritos. Exemplos:
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laceração de dedo: CID do grupo S61
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contusão de punho: CID S60
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entorse de tornozelo: CID S93
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tendinopatia de ombro: CID M75.1
Em doença ocupacional, a coerência entre exposição ocupacional (PGR/PCMSO, PPP, medições) e o CID é decisiva. Quando houver CID secundário relevante (ex.: infecção decorrente de ferimento), registre-o.
Acidente de trajeto: o que não pode faltar
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identificação do percurso: residência para trabalho (ou vice-versa)
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descrição do local e via (ex.: “Avenida Alfa, quilômetro 3”)
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meio de transporte, horário, condições de trânsito ou da via
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BO de trânsito, quando houver, e relatos de testemunhas
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justificativa clara para desvios da rota habitual, se existirem
Doença ocupacional: quando e como preencher
Emita a CAT no diagnóstico ou na suspeita fundada de nexo. Indique:
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atividade desempenhada e tempo de exposição
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fatores de risco (repetitividade, força, postura, ruído, agentes químicos)
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referências do PGR/PCMSO que evidenciem a exposição
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resultado de exames e avaliação do médico assistente
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afastamentos anteriores relacionados ao mesmo agravo
Em caso de agravamento ou novo afastamento, faça a CAT de reabertura vinculando à inicial.
Teletrabalho e trabalho externo: particularidades do preenchimento
No home office, detalhe:
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tarefa que estava sendo executada
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condições ergonômicas (cadeira, mesa, altura, pausas), equipamento utilizado
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dinâmica do evento (ex.: queda ao mover caixa de arquivos do trabalho)
No trabalho externo:
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ordem de serviço, roteiro, clientes visitados
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deslocamentos, meio de transporte, horários
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eventuais incidentes de segurança pública (roubo/violência)
Integração com o eSocial: S-2210 e S-2230
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S-2210: CAT propriamente dita, com número de recibo servindo de referência do registro
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S-2230: obrigatório quando houver afastamento do trabalhador, com natureza acidentária e datas exatas do atestado
A coerência entre as informações dos dois eventos é fundamental (datas, CID, natureza do afastamento).
Conhecer a lei é obrigatório.
Conhecer o julgador torna a estratégia precisa.
Faça uma consulta de jurimetria do seu caso e tome decisões baseadas em dados reais de decisões judiciais.
O que fazer se faltarem documentos no momento da emissão
Não adie a CAT por falta de um documento. Proceda assim:
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emita a CAT com as informações disponíveis
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guarde recibo e gere um dossiê com os documentos já existentes
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retifique a CAT assim que obtiver atestado, CID, BO, laudos ou complementos relevantes
O prazo de comunicação é prioridade. A qualidade melhora com retificações bem justificadas.
Retificação, reabertura e CAT de óbito
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retificação: para corrigir erros materiais ou acrescentar informações (datas, CID, descrição)
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reabertura: quando há agravamento, novo afastamento ou reinício de tratamento relacionados ao evento original
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óbito: se o falecimento ocorrer depois, emita CAT de óbito vinculada à inicial com a data e a circunstância do falecimento
Erros que mais prejudicam o reconhecimento do direito
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não emitir CAT por considerar “acidente leve” ou “sem afastamento”
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esperar a perícia do INSS para só então comunicar
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descrição genérica, sem elementos técnicos
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CID incompatível com a lesão descrita
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esquecer o S-2230 quando há afastamento
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não reabrir a CAT quando há agravamento
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perder prazos (especialmente em caso de óbito)
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desalinhamento entre CAT e PGR/PCMSO/PPP/relatórios internos
Boas práticas de compliance e prevenção
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adote procedimento interno padronizado para ocorrência, atendimento, emissão de CAT e investigação
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treine líderes de linha e RH sobre prazos, canais e conteúdo técnico da CAT
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integre as áreas de SST e jurídico, com revisão periódica de PGR, PCMSO e PPP
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preserve a confidencialidade dos dados de saúde (LGPD), limitando o acesso ao necessário
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use métodos estruturados de investigação (árvore de causas, 5 porquês) e acompanhe planos de ação
Tabela prática de preenchimento: campo por campo, erros comuns e como evitar
| Campo da CAT | Como preencher corretamente | Erros comuns | Dica prática |
|---|---|---|---|
| Data e hora do evento | Registre a data e hora exatas do acidente/do diagnóstico/suspeita | Datas invertidas (dia/mês), hora estimada sem indicar isso | Se não souber a hora exata, indique aproximada e explique na descrição |
| Local e município | Identifique setor, endereço e município do estabelecimento | “Empresa” sem setor, cidade errada | Seja específico: “Setor de corte – Unidade Beta, Rua X, Município Y” |
| Tipo de ocorrência | Selecione típico, trajeto ou doença | Marcar “típico” para caso de trajeto | Em trajeto, detalhe origem, destino e rota |
| Agente causador | Escolha nas listas do sistema (máquina/equipamento/condição) | “Objeto” genérico | Identifique modelo, tipo e condição (ex.: “serra circular, guarda ativa”) |
| Parte do corpo atingida | Selecione a parte específica (mão direita, 3º dedo, punho, coluna lombar) | “Mão” sem lateralidade ou detalhamento | Quanto mais específico, melhor a correlação clínica |
| Descrição do evento | Relato técnico, cronológico, objetivo, com contexto, dinâmica e consequência | Adjetivos vagos; sem horário; sem tarefa | Use a estrutura: contexto → dinâmica → consequência → medidas |
| CID e dados do médico | Informe o CID compatível e o CRM/UF e nome do médico | CID incompatível com a lesão; omitir CRM | Confira o atestado e, se necessário, retifique após confirmação |
| Afastamento | Informe dias indicados e envie o S-2230, se empregador | CAT sem S-2230 quando há afastamento | Sincronize CAT (S-2210) e Afastamento (S-2230) |
| Testemunhas e evidências | Anexe/relacione BO, fotos, vídeos, relatórios internos | Nenhuma prova além do relato | Quanto mais coerência documental, maior a segurança jurídica |
| Trajeto | Origem, destino, rota habitual, horário, meio de transporte, BO | Sem rota, sem meio de transporte | Se houver desvio, explique a justificativa e a rotina |
Exemplos de descrições bem-feitas
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acidente típico: “Às 10h15, no setor de corte da Unidade Beta, ao alimentar serra circular modelo X, o operador João Silva teve contato acidental com a lâmina, usando luva Y, sofrendo laceração no 3º dedo da mão direita. Piso seco, guarda da máquina posicionada. Primeiro atendimento no ambulatório às 10h25, com três suturas. CID S61.0. Atestado com 7 dias de afastamento.”
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trajeto: “Às 7h40, no percurso residência–trabalho (rota habitual: Rua Alfa → Av. Beta → Rua Gama), o técnico Pedro Santos sofreu colisão traseira na Av. Beta, km 3, conduzindo veículo próprio. BO nº 12345. Lesão em punho direito (CID S60). Chegada ao trabalho prevista para 8h00.”
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doença ocupacional: “Analista de digitação, função CBO 4132, com 6 anos de atividade, desenvolveu tendinopatia do supraespinal direito (CID M75.1). Posto com alta repetitividade; avaliação ergonômica no PGR aponta necessidade de pausas e ajuste de apoio de antebraço. Atestado com 15 dias de afastamento.”
Efeitos previdenciários e trabalhistas de uma CAT correta
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benefício por incapacidade acidentário (B91): dispensa carência, conta como tempo de contribuição, obriga depósito de FGTS durante o afastamento e, após a alta, garante estabilidade de 12 meses
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benefício comum (B31): em regra, não há FGTS no período e não gera a mesma estabilidade
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reabilitação profissional: pode ser indicada conforme a incapacidade e o nexo
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gestão de SST: a CAT retroalimenta PGR/PCMSO, reduz recorrências e melhora indicadores
E se o INSS conceder B31 e você precisar do B91
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solicite alteração de espécie com base na CAT, no atestado e nas evidências do nexo
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se necessário, apresente recurso administrativo, pedindo perícia complementar
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em caso de agravamento, faça CAT de reabertura e apresente a documentação clínica atualizada
Como organizar seu dossiê de prova
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documento principal: CAT (recibo e PDF)
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médicos: atestados com CID, prontuários, exames
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ocorrência: BO, relatos, imagens, croquis, CFTV
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trabalho: ponto, escala, ordens de serviço, PCMSO, PGR, PPP, LTCAT, APR
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integração: relatórios da CIPA/SST, investigação de acidente e plano de ação
Guarde tudo de forma digital, em pastas com nomenclatura padronizada (por data e tipo de documento). Isso agiliza perícias e defesas.
Checklist rápido antes de transmitir a CAT
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a descrição está objetiva, cronológica e técnica?
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agente causador e parte do corpo batem com a narrativa e o CID?
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datas e horários estão coerentes com atestados e relatórios internos?
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em trajeto: origem, destino, rota e BO constam?
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em doença ocupacional: exposição, PGR/PCMSO e PPP foram referidos?
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se houver afastamento: o S-2230 será enviado com natureza acidentária?
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recibo e PDF serão arquivados no dossiê do trabalhador?
Estudos de caso resumidos
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acidente leve sem afastamento e CAT bem descrita
Operador sofre corte superficial em lâmina de reposição. CAT emitida no prazo, com descrição precisa, agente, parte do corpo e CID compatíveis. Meses depois, dor residual exige fisioterapia. A CAT inicial facilitou a comprovação do nexo e o custeio adequado. -
acidente de trajeto com desvio justificado
Empregada leva o filho à escola diariamente antes do trabalho (rotina conhecida), sofre colisão na rota. CAT descreve origem, destino, rota, desvio justificado e BO. Reconhecimento acidentário viabilizado. -
doença ocupacional com reabertura
Digitadora com tendinopatia. CAT inicial no diagnóstico. Dois meses depois, agravamento com novo afastamento. CAT de reabertura vinculada, atualização clínica e envio do S-2230. Linha do tempo consistente, sem lacunas. -
home office com lombalgia
Empregado movimenta caixa de arquivos do trabalho em casa e sente dor aguda. CAT descreve tarefa, ergonomia, local e horário; fotos do posto domiciliar anexadas. Nexo reconhecido.
Perguntas e respostas
É obrigatório preencher a CAT mesmo sem afastamento?
Sim. A obrigatoriedade decorre do evento com nexo possível, e não do número de dias de afastamento.
Quem deve preencher a CAT?
O empregador tem obrigação primária (eSocial S-2210). Se ele se omitir, trabalhador, dependentes, sindicato, médico ou autoridade podem emitir pela CAT Web.
Qual o prazo para preencher e enviar a CAT?
Até o primeiro dia útil seguinte ao evento; imediatamente em caso de óbito. Em doença ocupacional, no diagnóstico ou na suspeita fundada de nexo.
Como diferenciar B31 de B91 e por que isso importa no preenchimento?
B91 é acidentário: dispensa carência, FGTS durante afastamento e estabilidade após alta. B31 é comum. A CAT bem feita ajuda a reconhecer o B91.
O que é CAT de reabertura?
É a CAT emitida quando há agravamento, reinício de tratamento ou novo afastamento relacionado ao evento já comunicado.
Posso retificar a CAT depois de enviada?
Sim. Para corrigir erros (datas, CID) ou para incluir informações que surgiram após a emissão.
O que não pode faltar na descrição do acidente?
Contexto, tarefa, horário, dinâmica objetiva, agente causador, parte do corpo, EPIs, medidas adotadas e atendimento médico.
E no acidente de trajeto, o que devo registrar?
Origem, destino, rota habitual, horário, meio de transporte e BO se houver, além de justificar eventual desvio.
Como comprovar doença ocupacional?
Integre CID e achados clínicos com PGR/PCMSO, PPP, medições e descrição das atividades e exposições. A CAT deve refletir essa coerência.
E no home office?
Descreva ambiente, ergonomia, equipamento e a tarefa que estava sendo feita. O local não exclui o nexo, se a atividade era laboral.
Conclusão
Preencher a CAT corretamente é a diferença entre um direito reconhecido com rapidez e um percurso cheio de obstáculos. O passo a passo é claro: comunicar no prazo certo, pelo canal adequado, com uma descrição técnica coerente, CID compatível, agentes e partes do corpo corretamente selecionados e documentação de apoio organizada. Quando houver afastamento, sincronize a CAT (S-2210) com o Afastamento Temporário (S-2230), preserve recibos e alimente o dossiê do trabalhador. Se a empresa se omitir, a via supletiva pela CAT Web garante a formalização. Em caso de agravamento, use a reabertura; em óbito posterior, comunique com a CAT vinculada.
Acima de tudo, trate a CAT como um instrumento de proteção integral: ela assegura o caminho para o benefício acidentário quando devido, o FGTS durante o afastamento e a estabilidade no retorno, ao mesmo tempo em que retroalimenta a prevenção, amadurece processos de segurança e reduz a recorrência de eventos. Com precisão, coerência e tempestividade, a CAT cumpre seu propósito: transformar um incidente em aprendizado institucional e, principalmente, em proteção efetiva à saúde e aos direitos do trabalhador.
