Infração 652-10: usar buzina em desacordo com os padrões e frequências estabelecidas pelo CONTRAN

A infração de código de enquadramento 652-10 ocorre quando o condutor utiliza ou circula com veículo equipado com buzina que não atende aos padrões e frequências sonoras estabelecidos pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN). Prevista no artigo 227, inciso V, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), essa conduta é considerada uma infração leve, sujeita à aplicação de multa e ao registro de 3 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

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Embora muitos motoristas enxerguem a buzina apenas como um equipamento simples de advertência, a legislação brasileira trata esse dispositivo como um importante item de segurança veicular. Seu funcionamento inadequado, seja por excesso de intensidade sonora, alteração das características originais ou utilização de equipamentos não homologados, pode gerar riscos ao trânsito, perturbação do sossego público e autuações pelos órgãos fiscalizadores.

O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) apresenta orientações específicas para a caracterização dessa infração, esclarecendo como os agentes devem proceder durante a fiscalização e quais situações configuram o enquadramento 652-10.

Índice do artigo

O que diz o Código de Trânsito Brasileiro sobre a infração

A infração está prevista no artigo 227 do CTB, que trata das irregularidades relacionadas ao uso da buzina.

O inciso V estabelece:

“Usar buzina em desacordo com os padrões e frequências estabelecidas pelo CONTRAN.”

A legislação não se limita à forma como a buzina é acionada. Ela também exige que o equipamento instalado no veículo possua características técnicas compatíveis com os regulamentos nacionais.

Isso significa que mesmo quando o motorista utiliza a buzina corretamente, poderá haver infração caso o dispositivo instalado não esteja de acordo com as especificações exigidas pelas normas brasileiras.

O objetivo da regra é garantir que a buzina cumpra sua função de advertência sem causar desconforto excessivo, sustos, distrações ou riscos aos demais usuários das vias.

Qual é a natureza da infração 652-10

O enquadramento 652-10 possui natureza leve.

As penalidades previstas são:

Penalidade Aplicação
Multa Sim
Pontuação na CNH 3 pontos
Medida administrativa Retenção do veículo para regularização
Suspensão da CNH Não
Cassação da CNH Não

Embora seja considerada uma infração leve, a medida administrativa pode trazer transtornos ao condutor, especialmente quando a irregularidade é identificada durante uma fiscalização em rodovias ou operações de trânsito.

A retenção ocorre para que a situação seja regularizada antes que o veículo continue circulando.

O que o MBFT determina sobre esse enquadramento

O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito estabelece que a infração ocorre quando for constatado que a buzina instalada no veículo não atende aos padrões definidos pelo CONTRAN.

A fiscalização pode ocorrer tanto durante abordagens rotineiras quanto em operações específicas de inspeção veicular.

O agente deve verificar se o equipamento apresenta características incompatíveis com as especificações regulamentares.

Entre os aspectos analisados estão:

  • Intensidade sonora;
  • Frequência emitida;
  • Características do equipamento;
  • Alterações realizadas pelo proprietário;
  • Instalação de dispositivos sonoros não permitidos.

A simples presença de uma buzina irregular já pode ser suficiente para caracterizar a infração.

Qual é a finalidade da buzina no trânsito

A buzina é um equipamento de segurança.

Sua finalidade principal é advertir outros usuários da via sobre uma situação de risco iminente.

Ela não foi criada para:

  • Demonstrar impaciência;
  • Expressar irritação;
  • Repreender outros motoristas;
  • Produzir sons recreativos;
  • Servir como instrumento de entretenimento.

Quando utilizada adequadamente, a buzina contribui para evitar acidentes.

Exemplos comuns incluem:

  • Advertir um pedestre distraído;
  • Alertar sobre risco de colisão;
  • Informar a presença do veículo em situações de visibilidade reduzida;
  • Comunicar uma situação emergencial.

Por essa razão, o legislador determinou padrões técnicos específicos para seu funcionamento.

O que são os padrões e frequências estabelecidos pelo CONTRAN

O CONTRAN define requisitos técnicos destinados a garantir uniformidade e segurança.

Essas especificações abrangem diversos aspectos da emissão sonora.

Entre eles:

  • Nível de intensidade sonora;
  • Frequência do som emitido;
  • Características acústicas;
  • Compatibilidade com a homologação do veículo;
  • Limites máximos permitidos.

Esses critérios são estabelecidos para evitar tanto sons excessivamente fracos quanto sons exageradamente altos.

Uma buzina muito baixa pode não cumprir sua função de advertência.

Por outro lado, uma buzina excessivamente potente pode provocar sustos, distrações e situações perigosas no trânsito.

Quais situações normalmente geram a autuação

Diversas modificações realizadas pelos proprietários podem resultar no enquadramento 652-10.

Entre os exemplos mais comuns estão:

Instalação de buzinas pneumáticas

Muito utilizadas em caminhões e veículos pesados, algumas versões instaladas irregularmente em automóveis podem não atender às especificações regulamentares.

Utilização de buzinas musicais

Equipamentos capazes de reproduzir melodias geralmente não são compatíveis com os padrões previstos para advertência veicular.

Alteração da buzina original

A substituição da buzina de fábrica por equipamentos não homologados é uma das causas mais frequentes de autuação.

Sistemas sonoros adaptados

Alguns proprietários instalam dispositivos eletrônicos que modificam completamente o som original da buzina.

Dependendo das características apresentadas, a infração poderá ser configurada.

Por que a legislação controla a frequência sonora da buzina

A frequência sonora influencia diretamente a percepção humana.

Sons inadequados podem causar:

  • Sustos excessivos;
  • Perda momentânea da atenção;
  • Reações bruscas de motoristas;
  • Reações inesperadas de pedestres;
  • Aumento do risco de acidentes.

O objetivo das normas técnicas é garantir que o som produzido seja facilmente reconhecido como um alerta de trânsito, sem gerar efeitos colaterais perigosos.

A padronização também facilita a identificação imediata da advertência por qualquer usuário da via.

Diferença entre buzina irregular e uso irregular da buzina

Muitos motoristas confundem essas situações.

A infração 652-10 refere-se à buzina que não atende aos padrões e frequências regulamentares.

Já outros enquadramentos do artigo 227 tratam do uso inadequado da buzina.

Por exemplo:

  • Uso prolongado;
  • Utilização em locais proibidos;
  • Acionamento fora das hipóteses autorizadas.

Portanto, um motorista pode utilizar corretamente uma buzina irregular ou utilizar incorretamente uma buzina regular.

Cada situação possui enquadramento específico no CTB.

Como ocorre a fiscalização dessa infração

A fiscalização normalmente ocorre por meio de abordagem direta.

O agente pode identificar indícios de irregularidade auditivamente ou durante inspeções visuais.

Em algumas operações, especialmente aquelas voltadas para modificações veiculares, são realizadas verificações mais detalhadas.

Quando constatada a irregularidade, o agente registra o enquadramento correspondente e aplica a medida administrativa prevista.

Dependendo da situação, poderá ser exigida a substituição do equipamento para regularização do veículo.

A infração exige medição sonora?

Nem sempre.

Em muitos casos, as características da buzina irregular são facilmente identificáveis.

Por exemplo:

  • Buzinas musicais;
  • Sistemas pneumáticos incompatíveis;
  • Equipamentos visivelmente não homologados;
  • Sons completamente distintos do padrão regulamentar.

Entretanto, em situações específicas, podem ser utilizados critérios técnicos adicionais para confirmar a irregularidade.

O procedimento dependerá das circunstâncias da fiscalização e das normas vigentes.

A retenção do veículo pode ocorrer?

Sim.

O CTB prevê como medida administrativa a retenção do veículo para regularização.

Essa medida busca impedir que veículos equipados com dispositivos irregulares continuem circulando.

Quando a regularização puder ocorrer imediatamente, o veículo poderá ser liberado após a correção.

Caso contrário, poderão ser adotados os procedimentos previstos na legislação para a remoção da irregularidade.

Veículos de emergência possuem regras diferentes?

Sim.

Viaturas policiais, ambulâncias, veículos de bombeiros e outros veículos de emergência possuem regulamentação própria.

Além da buzina convencional, esses veículos utilizam dispositivos sonoros especiais, como sirenes.

Esses equipamentos são autorizados porque exercem função operacional específica prevista em lei.

A autorização, contudo, não se estende aos veículos particulares.

Por isso, a instalação de dispositivos semelhantes em automóveis comuns pode resultar em autuações e outras penalidades.

Modificações estéticas podem gerar infração?

Muitos proprietários realizam alterações com finalidade estética ou recreativa.

Exemplos incluem:

  • Sons personalizados;
  • Melodias famosas;
  • Efeitos eletrônicos;
  • Simulações de sirenes;
  • Buzinas com múltiplos tons especiais.

Embora essas modificações possam parecer inofensivas, elas frequentemente violam os padrões exigidos pelo CONTRAN.

Além da infração de trânsito, dependendo do caso, outras normas administrativas podem ser descumpridas.

Como evitar a infração 652-10

A prevenção é simples e depende basicamente da manutenção das características originais do veículo.

Algumas recomendações importantes são:

  • Utilizar somente equipamentos homologados;
  • Evitar modificações não autorizadas;
  • Realizar manutenção periódica;
  • Verificar componentes elétricos da buzina;
  • Consultar oficinas especializadas;
  • Observar as exigências do CONTRAN antes de substituir peças.

Seguindo essas orientações, o risco de autuação torna-se praticamente inexistente.

A importância da homologação dos equipamentos veiculares

A homologação garante que determinado componente foi submetido a testes e atende aos requisitos de segurança.

Quando o proprietário instala equipamentos sem certificação adequada, surgem diversos riscos:

  • Falhas de funcionamento;
  • Incompatibilidade elétrica;
  • Problemas de segurança;
  • Descumprimento das normas de trânsito.

A buzina, apesar de simples, integra o conjunto de dispositivos obrigatórios do veículo.

Por isso, sua conformidade técnica é fundamental.

É possível recorrer da multa?

Sim.

Assim como qualquer autuação de trânsito, a penalidade pode ser contestada administrativamente.

O processo normalmente ocorre em três etapas.

Defesa prévia

Nessa fase são analisados erros formais do auto de infração.

Recurso à JARI

Permite discutir aspectos relacionados à autuação e à caracterização da irregularidade.

Recurso em segunda instância

Caso o recurso inicial seja indeferido, ainda existe a possibilidade de nova análise pelo órgão competente.

Cada situação deve ser avaliada individualmente, observando os elementos registrados no auto de infração e as circunstâncias da fiscalização.

Erros comuns cometidos pelos proprietários

Diversas autuações poderiam ser evitadas com medidas simples.

Entre os erros mais frequentes estão:

  • Comprar buzinas sem certificação;
  • Instalar equipamentos encontrados em marketplaces sem verificar homologação;
  • Utilizar buzinas musicais por diversão;
  • Adaptar sistemas pneumáticos inadequados;
  • Realizar modificações elétricas sem orientação técnica;
  • Presumir que qualquer buzina disponível para venda é automaticamente permitida.

Essas práticas aumentam significativamente o risco de fiscalização e penalização.

A relação entre a infração e a segurança viária

Embora muitas pessoas associem a buzina apenas ao conforto ou à personalização do veículo, a legislação a trata como um item diretamente relacionado à segurança.

A padronização sonora permite que todos os usuários das vias reconheçam rapidamente um alerta de perigo.

Quando essa uniformidade é quebrada, a eficiência da comunicação entre os usuários do trânsito pode ser comprometida.

Por isso, a regulamentação não busca apenas limitar modificações, mas preservar a função essencial da buzina como instrumento de prevenção de acidentes.

Conclusão

A infração de código 652-10 ocorre quando o veículo utiliza buzina em desacordo com os padrões e frequências estabelecidos pelo CONTRAN. Prevista no artigo 227, inciso V, do Código de Trânsito Brasileiro, trata-se de uma infração leve, punida com multa, 3 pontos na CNH e retenção do veículo para regularização.

O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito orienta os agentes quanto à caracterização da infração e reforça a importância da conformidade técnica dos equipamentos veiculares. Buzinas musicais, pneumáticas inadequadas, sistemas sonoros alterados e equipamentos não homologados estão entre as principais causas de autuação.

Mais do que evitar multas, manter a buzina dentro dos padrões regulamentares contribui para a segurança viária, assegurando que esse importante dispositivo de advertência cumpra sua função de forma eficiente, previsível e compatível com as exigências do trânsito brasileiro.

Perguntas e respostas sobre a infração 652-10

A buzina musical é permitida?

Em regra, buzinas musicais não atendem aos padrões exigidos para advertência veicular e podem gerar autuação.

Posso trocar a buzina original do veículo?

Sim, desde que o equipamento substituto seja homologado e esteja em conformidade com as normas do CONTRAN.

A infração gera quantos pontos na CNH?

São registrados 3 pontos, pois a infração possui natureza leve.

O veículo pode ser retido?

Sim. A legislação prevê retenção para regularização da irregularidade constatada.

Caminhões podem usar buzina pneumática?

Desde que o equipamento esteja em conformidade com a regulamentação aplicável ao veículo e às normas técnicas vigentes.

Posso recorrer da multa?

Sim. O proprietário possui direito à defesa prévia, recurso à JARI e recurso em segunda instância.

A fiscalização exige equipamento de medição?

Não necessariamente. Dependendo da situação, a irregularidade pode ser constatada diretamente pelo agente de trânsito.

Uma buzina muito alta pode gerar autuação?

Sim. Se estiver fora dos padrões estabelecidos pelo CONTRAN, poderá configurar a infração 652-10.

Instalar som de sirene em veículo particular é permitido?

Não. Dispositivos sonoros típicos de veículos de emergência possuem regulamentação específica.

Como evitar essa infração?

Mantendo a buzina original ou utilizando apenas equipamentos homologados e compatíveis com as normas brasileiras de trânsito.

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