Auxílio-acidente para professor com dor crônica após queda dentro da academia

O professor de academia com dor crônica após queda dentro da academia pode ter direito ao auxílio-acidente quando, depois do tratamento e da consolidação da lesão, permanece uma sequela definitiva que reduz sua capacidade para o trabalho habitual. O benefício não exige incapacidade total e não impede que o professor continue trabalhando. O ponto central é provar que a queda causou uma lesão, que essa lesão deixou limitação permanente e que essa limitação diminuiu sua capacidade de dar aulas, demonstrar exercícios, corrigir alunos, permanecer em pé, manipular equipamentos ou executar movimentos essenciais da profissão. O auxílio-acidente é indenizatório e é concedido quando, após acidente de qualquer natureza, resultam sequelas que reduzem a capacidade para o trabalho habitual.

Índice do artigo

O que é o auxílio-acidente

O auxílio-acidente é um benefício previdenciário pago pelo INSS ao segurado que sofreu acidente e ficou com sequela definitiva que diminui sua capacidade para o trabalho. Ele não é igual ao auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, porque não exige afastamento contínuo do trabalho. Também não é aposentadoria, porque não pressupõe incapacidade total e permanente.

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A lógica do auxílio-acidente é indenizatória. O trabalhador pode continuar trabalhando e, ainda assim, receber o benefício, desde que comprove que passou a exercer sua profissão com menor capacidade depois da sequela.

No caso do professor de academia, isso faz muita diferença. Muitas vezes, após uma queda, o profissional retorna ao trabalho por necessidade financeira, mas não volta como antes. Ele reduz aulas, evita demonstrar movimentos, sente dor ao final da jornada, deixa de ministrar turmas intensas ou passa a depender mais de orientação verbal do que de demonstração corporal.

Essa perda parcial pode ser juridicamente relevante.

A queda dentro da academia pode ser acidente de trabalho

Quando o professor cai dentro da academia durante o expediente, durante uma aula, ao circular pelo salão, ao ajustar equipamentos, ao orientar alunos ou ao executar tarefa relacionada ao serviço, o caso pode ser caracterizado como acidente de trabalho.

A queda pode ocorrer por piso molhado, equipamento mal posicionado, esteira defeituosa, anilha no caminho, degrau sem sinalização, colchonete solto, escada, plataforma, falha em equipamento, excesso de objetos no ambiente ou até durante a demonstração de um exercício.

Se a queda ocorreu em razão da atividade profissional ou no ambiente de trabalho, a prova desse contexto é muito importante. Ela pode influenciar não apenas o auxílio-acidente, mas também outros direitos trabalhistas, como estabilidade provisória em determinadas situações e eventual indenização contra a empresa se houver culpa.

O artigo 118 da Lei 8.213/1991 garante estabilidade de 12 meses após a cessação do auxílio-doença acidentário ao segurado que sofreu acidente do trabalho. Esse ponto é diferente do auxílio-acidente, mas pode aparecer no mesmo caso.

Dor crônica após queda não basta sozinha

A dor crônica é relevante, mas ela precisa ser comprovada e conectada a uma sequela. Para o auxílio-acidente, o INSS não deve analisar apenas se o professor sente dor. A análise correta envolve acidente, consolidação da lesão, sequela permanente e redução da capacidade para o trabalho habitual.

Isso significa que uma dor passageira depois da queda, com recuperação completa, normalmente não gera auxílio-acidente. Já uma dor persistente ligada a limitação de movimento, perda de força, instabilidade, rigidez, redução de resistência ou incapacidade de executar certas tarefas pode justificar a análise do benefício.

Exemplo: um professor cai dentro da academia, lesiona o ombro, faz tratamento e volta ao trabalho. Meses depois, continua com dor crônica e não consegue elevar o braço para demonstrar exercícios acima da cabeça. Nesse caso, a dor não está isolada. Ela aparece junto de uma limitação funcional.

Outro exemplo: uma professora sofre queda durante aula coletiva, machuca o joelho e, depois da recuperação, permanece com dor, instabilidade e dificuldade para saltos e agachamentos. Se essa limitação for permanente, pode haver redução da capacidade habitual.

O que significa sequela permanente

Sequela permanente é a consequência duradoura deixada pela lesão depois que o tratamento principal já ocorreu. Não é o período inicial de dor, repouso, imobilização ou fisioterapia. É o resultado que permanece após a fase de recuperação.

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A sequela pode ser visível ou não. Pode aparecer como limitação de movimento, rigidez articular, perda de força, dor crônica pós-traumática, instabilidade, dificuldade para sustentar carga, alteração na marcha, restrição para agachar, limitação para elevar o braço, formigamento, perda de sensibilidade ou redução de resistência.

No professor de academia, a sequela deve ser analisada em relação à atividade profissional. Uma limitação pequena em outra profissão pode ser grande para quem depende do corpo para trabalhar.

Por isso, não basta dizer que há uma sequela. É preciso explicar o que ela impede ou dificulta no trabalho.

O benefício exige redução da capacidade para a atividade habitual

A redução da capacidade é o elemento que mais precisa ser bem provado. O auxílio-acidente não é concedido apenas porque houve queda. Também não é concedido apenas porque existe um exame alterado. Ele exige que a sequela reduza a capacidade para o trabalho que o segurado habitualmente exercia.

Para o professor de academia, a atividade habitual pode envolver:

demonstrar exercícios

corrigir postura dos alunos

manipular halteres, anilhas, barras, elásticos e cabos

ajustar equipamentos

permanecer em pé durante longos períodos

ministrar aulas coletivas

fazer agachamentos, saltos, avanços e deslocamentos

conduzir turmas de spinning, funcional, musculação, alongamento ou treinamento personalizado

acompanhar alunos em exercícios com risco de queda ou execução incorreta

Se a dor crônica após a queda reduziu essas capacidades, o caso precisa ser analisado com atenção.

O professor pode continuar trabalhando e receber auxílio-acidente

Sim. O professor pode continuar trabalhando e receber auxílio-acidente, desde que preencha os requisitos legais. Esse é um dos pontos mais importantes do tema.

Muitos professores não procuram o benefício porque pensam: “eu voltei ao trabalho, então não tenho direito”. Mas o auxílio-acidente não é benefício de substituição total da renda. Ele é indenização pela redução permanente da capacidade.

O professor pode continuar trabalhando, mas com limitação. Pode precisar reduzir aulas, evitar certos movimentos, mudar o tipo de turma, deixar de demonstrar exercícios, pedir ajuda para tarefas físicas ou trabalhar com dor constante.

O retorno ao trabalho não elimina automaticamente o direito. A pergunta correta é se o professor voltou ao mesmo nível de capacidade de antes.

Diferença entre auxílio-acidente e auxílio por incapacidade temporária

O auxílio por incapacidade temporária é pago quando o trabalhador está temporariamente incapaz para o trabalho. Ele é usado na fase em que o professor não consegue exercer a atividade por causa da lesão, cirurgia, crise dolorosa, imobilização ou tratamento.

O auxílio-acidente vem em outra lógica. Ele é analisado quando a lesão já consolidou e ficou uma sequela definitiva que reduziu a capacidade.

Exemplo: professor cai na academia, fratura o tornozelo e fica afastado por meses. Durante a recuperação, pode receber auxílio por incapacidade temporária. Depois da alta, se permanecer com rigidez, dor crônica e limitação para aulas em pé ou com deslocamento, pode surgir a discussão sobre auxílio-acidente.

O STJ já decidiu que, quando o auxílio-acidente decorre do auxílio-doença que lhe deu origem, o início deve ser no dia seguinte à cessação desse benefício anterior, observada a prescrição aplicável.

Quem pode receber auxílio-acidente

Nem todo segurado do INSS tem direito ao auxílio-acidente. O INSS informa que o benefício é devido a segurados filiados, na época do acidente, como empregado urbano ou rural, empregado doméstico em acidentes ocorridos a partir de 1º de junho de 2015, trabalhador avulso ou segurado especial. Também informa que, para esse benefício, não há necessidade de carência.

Esse ponto é muito importante para professores de academia, porque há diferentes formas de contratação. Alguns trabalham com carteira assinada. Outros atuam como autônomos, MEI, prestadores de serviço ou contribuintes individuais.

O professor empregado em academia tem caminho mais claro para discutir auxílio-acidente. Já o professor autônomo ou contribuinte individual precisa verificar com cuidado sua categoria, porque o INSS informa que o contribuinte individual e o facultativo não têm direito a esse benefício específico.

Professor contratado como autônomo precisa de atenção

Muitos professores de academia trabalham na prática como empregados, mas formalmente aparecem como autônomos, MEI ou prestadores de serviço. Isso pode criar problemas no pedido de auxílio-acidente.

Se o professor é realmente contribuinte individual, a discussão sobre auxílio-acidente pode ser inviável pela regra previdenciária. Mas se havia relação típica de emprego, com subordinação, horários, controle, pessoalidade, habitualidade e remuneração, pode existir discussão trabalhista sobre reconhecimento de vínculo.

Esse ponto pode ser decisivo. Às vezes, antes de discutir o auxílio-acidente, é necessário entender a natureza real da relação com a academia.

Por isso, em casos de professor sem carteira assinada que caiu dentro da academia, a análise precisa ser cuidadosa. O enquadramento formal pode não contar toda a verdade da relação de trabalho.

A queda dentro da academia deve ser bem documentada

A prova do acidente é essencial. Se a queda aconteceu dentro da academia, o professor deve reunir o máximo de documentos possíveis.

Podem ajudar:

Comunicação de Acidente de Trabalho, quando cabível

registro interno da academia

prontuário de atendimento médico

relatório de pronto-socorro

atestados

exames feitos logo após a queda

fotos do local

vídeos de câmera de segurança

mensagens enviadas a superiores

testemunhas

escala de trabalho do dia

relatos de alunos que presenciaram

comprovante de afastamento

Quanto mais bem documentado o acidente, mais fácil será demonstrar que a dor crônica atual tem origem naquela queda.

O erro comum é tentar provar tudo meses depois, sem registro, sem testemunhas e sem documentos do dia do acidente.

A CAT é importante

Quando a queda ocorre no trabalho, a CAT é um documento muito relevante. Ela formaliza o acidente e ajuda a demonstrar que o evento ocorreu em contexto laboral.

A ausência de CAT não impede automaticamente o reconhecimento do acidente, mas pode dificultar a prova. Se a academia não emitiu CAT, o professor deve guardar outros elementos que demonstrem o ocorrido.

Em uma ação trabalhista ou previdenciária, a falta de CAT pode ser compensada por documentos médicos, testemunhas, mensagens, registros internos e demais provas.

O ideal, porém, é que o acidente seja registrado desde o início.

Dor crônica no joelho após queda

A queda dentro da academia pode causar lesões no joelho, como lesão meniscal, entorse, lesão ligamentar, condropatia pós-traumática, fratura, contusão importante ou instabilidade.

Para um professor de academia, o joelho é essencial. Ele participa de agachamentos, saltos, deslocamentos, avanço, corrida, aulas coletivas, funcional, spinning e demonstrações práticas.

A dor crônica no joelho pode reduzir a capacidade mesmo que o professor consiga andar. A questão não é apenas caminhar no dia a dia. A questão é suportar a rotina profissional.

Se a queda deixou dor permanente, instabilidade ou limitação para movimentos essenciais, o auxílio-acidente pode ser analisado.

Dor crônica no ombro após queda

A queda também pode causar lesão no ombro, como luxação, lesão do manguito rotador, lesão labral, síndrome dolorosa persistente, limitação de amplitude ou instabilidade.

Para o professor de academia, o ombro é usado constantemente. Ele demonstra exercícios, corrige movimentos, eleva os braços, manipula cargas, segura equipamentos e orienta alunos em movimentos técnicos.

Uma dor crônica no ombro pode impedir demonstrações acima da cabeça, exercícios de empurrar e puxar, uso de elásticos, barra, polias e apoio manual em alunos.

Se a sequela for permanente e reduzir a capacidade para a atividade habitual, o benefício pode ser discutido.

Dor crônica na coluna após queda

A coluna é outra região frequentemente afetada por quedas. O professor pode desenvolver dor lombar, cervicalgia, limitação de flexão, irradiação para membros, rigidez, agravamento de hérnia ou sequela pós-traumática.

Em uma profissão física, a coluna é muito exigida. O professor permanece em pé, inclina o tronco, demonstra exercícios, carrega equipamentos, corrige postura e se desloca pela academia.

Uma dor crônica na coluna pode não impedir todas as atividades da vida diária, mas impedir a rotina intensa da academia.

Por isso, a perícia deve considerar a função real. Um professor com dor lombar crônica após queda pode não conseguir mais demonstrar movimentos, permanecer em pé por horas ou orientar aulas coletivas.

Lesões em punho, mão e cotovelo após queda

Ao cair, muitas pessoas apoiam a mão no chão para tentar se proteger. Isso pode causar fraturas, torções, lesões ligamentares, tendinites traumáticas, dor crônica no punho, cotovelo ou mão.

Para professor de academia, mãos e punhos são importantes para ajustar equipamentos, segurar acessórios, demonstrar exercícios, manipular cargas e auxiliar alunos.

Uma perda de força de pegada, dor ao apoiar ou limitação de movimento pode reduzir a capacidade habitual.

Mesmo que a lesão pareça pequena, ela deve ser avaliada conforme a profissão. O que é pequeno para outra função pode ser relevante para quem trabalha com movimento e equipamentos.

A dor crônica precisa ser traduzida em limitação funcional

Esse é um ponto essencial. Na perícia, dizer apenas “tenho dor” costuma ser pouco. O professor precisa mostrar como a dor mudou sua capacidade de trabalho.

Exemplos de limitações funcionais:

não consegue demonstrar agachamento

não consegue fazer saltos

não consegue subir e descer da bike de spinning com segurança

não consegue elevar o braço acima da cabeça

não consegue manipular cargas

não consegue permanecer em pé por longos períodos

não consegue fazer correção manual de alunos

não consegue dar aulas coletivas intensas

precisa reduzir número de aulas

precisa evitar certos alunos ou modalidades

precisa trabalhar apenas com orientação verbal

Essa tradução da dor em função é o que dá força ao pedido.

Prova médica necessária

A prova médica deve mostrar a lesão inicial, o tratamento, a consolidação e a sequela.

Documentos importantes incluem:

relatório médico atualizado

exames de imagem

prontuário de atendimento no dia da queda

atestados

receitas

relatórios de fisioterapia

laudo cirúrgico, se houver

relatório de alta

avaliação funcional

encaminhamentos para especialista

O relatório médico mais útil é aquele que descreve limitações funcionais. Ele deve explicar, por exemplo, que o professor tem restrição para carga, limitação de movimento, dor aos esforços, redução de força, instabilidade ou impossibilidade de executar determinados movimentos.

Um laudo que apenas diz “dor crônica” pode ser fraco. Um laudo que explica como a dor limita o trabalho é muito melhor.

Prova profissional necessária

Além da prova médica, é essencial provar a profissão e a rotina de trabalho.

Podem ajudar:

CTPS

contrato de trabalho

holerites

declaração da academia

escala de aulas

agenda de alunos

descrição da função

fotos ou vídeos da atividade

comprovantes de substituição de aulas

mensagens sobre redução de turmas

testemunhas

documentos de mudança de função

registros de afastamento

Esses documentos mostram que a sequela afeta uma atividade concreta. O objetivo é demonstrar que o professor não perdeu uma capacidade abstrata, mas uma capacidade usada diariamente no trabalho.

Tabela prática sobre queda, sequela e impacto profissional

Lesão após queda Possível sequela Impacto no trabalho do professor
Entorse de joelho Dor, instabilidade, limitação para agachar Dificuldade em aulas funcionais, musculação e coletivas
Lesão de ombro Perda de força, limitação de elevação Dificuldade para demonstrar exercícios e manipular cargas
Trauma lombar Dor crônica, rigidez, limitação de flexão Dificuldade para permanecer em pé e corrigir movimentos
Fratura de punho Perda de mobilidade ou força de pegada Dificuldade para segurar equipamentos e ajustar máquinas
Lesão de tornozelo Dor ao apoio, instabilidade Dificuldade para deslocamentos e aulas dinâmicas
Queda com trauma cervical Dor, limitação de rotação, irradiação Dificuldade em aulas prolongadas e correções posturais
Contusão sem sequela Recuperação completa Em regra, não gera auxílio-acidente

Essa tabela mostra exemplos. Cada caso depende de prova médica, profissão, categoria de segurado e redução da capacidade.

O papel da perícia do INSS

O INSS informa que, para solicitar auxílio-acidente, são necessários documentos para provar a diminuição da capacidade para o trabalho e que, se for preciso, haverá perícia médica.

Na perícia, o professor precisa apresentar documentos organizados e explicar o impacto da sequela na rotina profissional.

É importante relatar o acidente com clareza: onde caiu, como caiu, que parte do corpo machucou, qual atendimento recebeu, quais tratamentos fez e quais limitações permaneceram.

Também é importante explicar o trabalho habitual. O perito precisa entender que professor de academia não é apenas um orientador verbal, mas alguém que usa o corpo intensamente.

Quando o INSS pode negar

O INSS pode negar o auxílio-acidente por vários motivos. Pode entender que não há sequela definitiva, que a dor não reduz a capacidade de trabalho, que a lesão não tem relação com a queda, que a documentação é insuficiente, que o professor não tinha qualidade de segurado ou que sua categoria previdenciária não permite o benefício.

A negativa também pode ocorrer quando o professor leva apenas documentos médicos genéricos, sem descrição de limitação funcional.

Por isso, a prova precisa ser completa. O pedido deve mostrar acidente, lesão, tratamento, sequela, redução da capacidade e vínculo previdenciário.

Se o INSS negar, ainda é possível discutir

A negativa do INSS não significa necessariamente que o professor não tem direito. Pode significar que a prova foi insuficiente ou que a análise administrativa não reconheceu a redução funcional.

Dependendo do caso, pode caber recurso administrativo ou ação judicial. Na Justiça, pode haver perícia judicial para avaliar a sequela e a redução da capacidade com mais profundidade.

Em ações desse tipo, é importante formular bem os quesitos, explicar a profissão, juntar documentos médicos e demonstrar que a dor crônica não é uma queixa isolada, mas uma limitação permanente decorrente da queda.

Diferença entre auxílio-acidente e indenização contra a academia

O auxílio-acidente é pago pelo INSS, desde que preenchidos os requisitos previdenciários. Já a indenização contra a academia depende de outra análise: a responsabilidade da empresa pelo acidente.

Se a queda ocorreu por culpa da academia, como piso escorregadio sem sinalização, falta de manutenção, equipamento mal posicionado, ambiente inseguro ou negligência, pode haver discussão sobre danos morais, materiais, estéticos ou pensionamento.

São discussões diferentes. O auxílio-acidente olha para a sequela e a redução da capacidade. A indenização trabalhista olha para a culpa ou responsabilidade do empregador e os danos causados.

Em alguns casos, os dois caminhos podem existir ao mesmo tempo.

Estabilidade após acidente de trabalho

Se a queda dentro da academia gerou afastamento acidentário pelo INSS, o professor empregado pode ter direito à estabilidade provisória de 12 meses após a cessação do auxílio-doença acidentário. Esse direito está previsto no artigo 118 da Lei 8.213/1991.

Essa estabilidade não é a mesma coisa que auxílio-acidente. O professor pode ter uma discussão sobre estabilidade no emprego e outra sobre benefício indenizatório.

Além disso, o próprio artigo 118 indica que a estabilidade existe independentemente da percepção de auxílio-acidente. Ou seja, são direitos que podem se relacionar, mas não se confundem.

Exemplos práticos

Imagine uma professora de academia que escorrega em piso molhado no salão de musculação, cai sobre o joelho e desenvolve lesão meniscal. Após tratamento, volta ao trabalho, mas fica com dor crônica e não consegue mais demonstrar agachamentos, avanços e saltos. Se houver sequela permanente e redução da capacidade, pode haver direito ao auxílio-acidente.

Outro exemplo: um professor cai ao ajustar uma bike de spinning, lesiona o ombro e, depois de meses de fisioterapia, permanece com limitação para elevar o braço. Ele continua trabalhando, mas não consegue demonstrar exercícios acima da cabeça. O caso também pode ser analisado.

Mais um exemplo: professor tropeça em equipamento deixado fora do lugar, cai e fratura o punho. Depois da recuperação, permanece com perda de força de pegada. Essa sequela pode reduzir sua capacidade de manipular equipamentos e corrigir alunos.

Erros comuns do professor após a queda

O primeiro erro é não registrar o acidente.

O segundo é não procurar atendimento médico no mesmo dia ou logo depois.

O terceiro é não pedir CAT quando o acidente ocorreu no trabalho.

O quarto é guardar apenas exames e não buscar relatório funcional.

O quinto é continuar trabalhando com dor e não documentar a limitação.

O sexto é não explicar a profissão na perícia.

O sétimo é achar que, por ter voltado ao trabalho, perdeu o direito.

O oitavo é confundir dor temporária com sequela permanente.

O nono é não verificar a categoria previdenciária.

O décimo é aceitar a negativa do INSS sem analisar o motivo.

Como fortalecer o pedido

Para fortalecer o pedido, o professor deve organizar todos os documentos desde o acidente. Deve reunir prova da queda, documentos médicos, laudos, exames, relatórios de fisioterapia e prova da rotina profissional.

Também deve pedir ao médico que descreva as limitações funcionais. Um bom relatório deve responder: qual lesão ocorreu, qual tratamento foi feito, qual sequela permaneceu, quais movimentos estão limitados e como isso afeta a atividade profissional.

Na parte profissional, deve provar que sua função exige corpo ativo, demonstração, correção de alunos, movimentos repetitivos e esforço físico.

Quanto mais clara for a relação entre queda, dor crônica, sequela e redução da capacidade, mais forte será o caso.

Perguntas e respostas

Professor com dor crônica após queda dentro da academia tem direito ao auxílio-acidente?

Pode ter, se a queda deixou sequela permanente e reduziu sua capacidade para o trabalho habitual.

Dor crônica basta para receber o benefício?

Não. A dor precisa estar ligada a uma sequela definitiva e gerar redução da capacidade laboral.

Preciso estar afastado do trabalho?

Não necessariamente. O auxílio-acidente pode ser pago mesmo com o professor trabalhando, porque tem natureza indenizatória.

A queda dentro da academia é acidente de trabalho?

Pode ser, se ocorreu durante a atividade profissional, no ambiente de trabalho ou em razão do serviço.

Preciso de CAT?

A CAT é muito importante quando a queda ocorre no trabalho, mas sua ausência não impede automaticamente a discussão se houver outras provas.

Professor autônomo pode receber auxílio-acidente?

É preciso cuidado. O INSS informa que contribuinte individual e facultativo não têm direito ao auxílio-acidente. A categoria do professor na data do acidente deve ser analisada.

Posso trabalhar e receber o benefício?

Sim, se o auxílio-acidente for concedido. O benefício indeniza a redução da capacidade e pode ser recebido junto com o trabalho.

Se o INSS negar, posso entrar na Justiça?

Sim. Dependendo do motivo da negativa e das provas disponíveis, pode caber ação judicial com perícia.

Também posso processar a academia?

Pode, se houver elementos de culpa ou responsabilidade da academia pela queda, como piso molhado, falta de manutenção, desorganização do ambiente ou ausência de segurança.

Quais documentos são mais importantes?

Documentos do acidente, CAT, prontuários, exames, relatórios médicos, fisioterapia, CTPS, contrato, escala de aulas, declaração da academia e provas da redução da capacidade.

Conclusão

O auxílio-acidente para professor com dor crônica após queda dentro da academia pode ser devido quando a dor representa uma sequela definitiva e reduz a capacidade para a atividade habitual. O benefício não exige que o professor pare totalmente de trabalhar. Ele existe justamente para indenizar quem voltou ao trabalho, mas voltou com menor capacidade física.

A profissão de professor de academia exige movimento, demonstração, força, postura, correção de alunos e permanência em atividade física constante. Por isso, sequelas em joelho, ombro, coluna, punho, tornozelo ou outras regiões podem ter impacto profissional importante.

O ponto decisivo é a prova. O professor precisa demonstrar a queda, a lesão, o tratamento, a consolidação do quadro, a sequela permanente e a redução da capacidade laboral. Quando a queda ocorreu dentro da academia, também é importante avaliar acidente de trabalho, CAT, estabilidade e eventual responsabilidade da empresa.

Dor crônica não deve ser ignorada, mas também precisa ser bem documentada. Quando ela é consequência de uma queda e limita de forma permanente a atividade profissional, o auxílio-acidente pode ser uma proteção importante para compensar a perda de capacidade de quem depende do próprio corpo para trabalhar.

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