O uso da água e o ecoturismo: desenvolvimento econômico, sustentabilidade e preservação

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Resumo: O presente estudo teve por objetivo realizar uma revisão na literatura explorando os aspectos pertinentes ao uso da água e sua importância para a atividade do Ecoturismo no estado da Paraíba, evidenciando os impactos positivos e negativos desta modalidade de turismo. Para tanto, recorreu-se ao método analítico descritivo. Como estratégia metodológica, foi feito um levantamento bibliográfico de algumas publicações de maior relevância no que concerne ao tema e, a partir do mesmo, foi feita uma análise crítica, de modo a alcançar os objetivos propostos. No Brasil, o ecoturismo encontrou forte aceitação e alcança rápida expansão por todas as regiões, tendo em vista que é considerada uma modalidade de turismo que se apresenta como alternativa de desenvolvimento de localidades de forma sustentável. Em particular, no estado da Paraíba, a modalidade começa a ganhar novos praticantes, visto que temos uma vasta riqueza material e imaterial e características marcantes em relação aos recursos naturais. No cenário dessas paisagens, destacam-se um expressivo patrimônio natural composto por praias e falésias no litoral, formações geológicas contendo sítios arqueológicos, gravuras e pinturas rupestres, eventos turístico-culturais e um patrimônio arquitetônico de grande valor histórico e cultural, ainda pouco explorado.


Palavras-chave: Uso da água. Ecoturismo. Desenvolvimento Sustentável.


Abstract: This study aimed to review the literature exploring the aspects relevant to the use of water and its importance for the activity of Ecotourism in the state of Paraiba, highlighting the positive and negative impacts of this type of tourism. To this end, we used the descriptive analytical method. As a methodological strategy, was made a bibliographical survey of some of the most relevant publications regarding the topic and, from it, a review was made in order to achieve the objectives. In Brazil, ecotourism has found strong acceptance and achieves rapid expansion throughout all regions, since it is considered a form of tourism that is an alternative development of settlements in a sustainable manner. In particular, the state of Paraíba, the sport began to gain new players, since we have a vast wealth of material and immaterial, and salient features in relation to natural resources. In the backdrop of these landscapes, we highlight a significant natural heritage composed of cliffs on the coast, geological formations containing archaeological sites, engravings and paintings, as well as other tourist attractions consist of the historical and cultural heritage, still little explored.


Keywords: Water use. Ecotourism. Sustainable Development.


Sumário: 1. Introdução. 2. A relação ser humano e a água: uso, conservação e lazer. 3. O ecoturismo como alternativa sustentável de desenvolvimento econômico e social. 4. Turismo e desenvolvimento socioeconômico. 5. A realidade em comunidades do interior paraibano. 6. Qualidade da água e o ecoturismo. 7. Impactos do ecoturismo. 8. Benefícios x impactos. 9. Considerações finais. Referências bibliográficas.


1. Introdução


Atualmente, vivenciam-se transformações no setor econômico, o qual experimenta uma diversidade de possibilidades, buscando a dinamização do setor em questão. Assim sendo, o turismo se apresenta como uma alternativa para o incremento econômico da localidade onde este é praticado, apesar de não ser considerada uma atividade recente, haja vista que “a palavra turismo surgiu no séc. XX, porém a atividade estende suas raízes pela história” (FOURASTIÉ, 1979), esta vem ganhando uma maior visibilidade nas últimas décadas.


Ressalta-se que, apesar da atividade turística representar um ganho econômico, esta não atingia uma grande parcela da população, uma vez que “até recentemente, a participação no turismo estava restrita a uma elite que dispunha de tempo e dinheiro para realizar as suas viagens” (RUSCHMANN, 2008), ou seja, praticar o turismo era sinônimo de passeios longos e dispendiosos, não se concebia, neste caso, realização de atividades que envolvessem elementos locais, existindo uma desvalorização do patrimônio natural, histórico e cultural em detrimento da valorização da cultura do outro.


Esta perspectiva da atividade turística vem se modificando ao longo dos anos, ao tempo que o turismo vem assumindo uma dinamicidade, comum a uma atividade econômica, incorporando dentro de suas atividades, diversas outras possibilidades não se restringindo tão somente a viagens ao exterior, por exemplo. Tal dinamicidade, vem possibilitando que um número maior de pessoas, assim como de classe sociais, participem desta atividade econômica, buscando, um sua maioria uma fuga do corre-corre cotidiano, comum aos centros urbanos e ao ritmo de vida da modernidade.


Por este motivo, os elementos naturais vêm sendo incorporados cada vez mais da execução de programas e/ou pacotes turísticos, pelo significado de calma, relaxamento e paz que este representa, através da contemplação do “verde”, ocasionado pelos elementos naturais que constituem a paisagem do lugar. De acordo com Bukart e Medlik (1986, p. 232): “As regiões costeiras, os campos, as montanhas, os lagos e rios, juntamente com o clima, constituem recursos naturais para a realização da experiência turística […]”, podendo este ser praticando no próprio local de origem, promovendo uma valorização do patrimônio local, quer seja o histórico o cultural ou o natural.


Nesse contexto, o ecoturismo constitui uma nova modalidade turística, deixando de ser visto como “uma atividade alternativa de aficionados por meio ambiente”, ganhando uma conotação diferenciada, passando a ser considerado por órgãos governamentais e promotores de eventos, como um segmento do turismo (AULICINO, 1997 apud PEREIRA e MELO, 2008).


Tomando como base os elementos naturais, que são fatores indispensáveis para realização do ecoturismo, um dos elementos que mais propiciam a prática do turismo natural ou ecológico é a água, podendo este ser desenvolvido, conforme Rebouças et. al. (2002 apud Tundisi, 2003) citado por Vasconcellos e Sette (2009), em rios e represas do interior do Brasil, pois o acesso é mais fácil e a logística é adequada. Ressalta-se que para a consolidação do turismo é necessário água de excelente qualidade, e entre os grandes problemas que afastam os turistas estão a eutrofização, a perda de qualidade estética e os problemas de saúde pública que podem ocorrer.


Desse modo, pode-se dizer que o Brasil é um país privilegiado em relação aos recursos naturais por ser detentor de grades reservas hídricas, o que favorece o exercício do Ecoturismo. Apesar do Estado da Paraíba estar localizado na Região Nordeste, e a maior parte do seu território estar localizado na região semi-árida, este apresenta grandes belezas naturais, a exemplo do litoral, bem como da região do Brejo Paraibano, que atraído cada vez mais visitantes a fim de conhecerem as belezas naturais da Paraíba.


Diante do exposto, presente artigo se caracteriza por ser um ensaio teórico, que objetiva apresentar, a luz da literatura existe, como o ecoturismo bem assistido pode auxiliar na preservação da biodiversidade local, podendo este ser um caminho para o desenvolvimento socioeconômico da região realizadora; elencar os locais com real potencial de aproveitamento ecoturístico (aquático) no Estado da Paraíba; bem como evidenciar os impactos ambientais negativos do turismo não assistido.


Para tanto, recorreu-se ao método analítico descritivo. Como estratégia metodológica, foi feito um levantamento bibliográfico de algumas publicações de maior relevância no que concerne ao tema e, a partir do mesmo, foi feita uma análise crítica, de modo a alcançar os objetivos propostos.


2. A relação Ser Humano e a água: uso, conservação e lazer


O termo água refere-se, regra geral, ao elemento natural em si mesmo, desvinculado de qualquer uso ou utilização. Por sua vez, o termo recurso hídrico é a consideração da água como um bem econômico, passível de utilização com tal fim (REBOUÇAS, 1999).


Segundo dados quantitativos, produzidos por hidrólogos, 97,5% da água disponível na Terra são salgadas e 2,493% estão concentrados em geleiras ou regiões subterrâneas de difícil acesso; sobram, portanto, apenas 0,007% de água doce para o uso humano, disponível em rios, lagos e na atmosfera (SHIKLOMANOV, 1998). Com o crescimento acelerado da população e o desenvolvimento industrial e tecnológico, essas poucas fontes disponíveis de água doce estão comprometidas ou correndo risco (MACHADO, 2003). Sobre a disponibilidade de água no planeta, Waldman (2002, p. 2-3) acrescenta que:


“Apesar da importância inegável da água para a manutenção dos ciclos de vida das sociedades, apenas uma restrita fração da massa líquida do Planeta é própria para consumo humano. Embora difusamente presente na Terra, a ponto tal que poderíamos tranqüilamente e com muito mais justiça, rebatizá-la de Planeta Água, os recursos hídricos acessíveis ao consumo humano direto constituem uma fração mínima do capital hidrológico mundial. Uma fração pequena do suprimento mundial de água apresenta os pré-requisitos limnológicos considerados indissociáveis da potabilidade: a água como um líquido puro, insípido, inodoro, incolor.”


De acordo com Machado (op. cit.) a poluição dos mananciais, o desmatamento, o assoreamento dos rios, o uso inadequado de irrigação e a impermeabilização do solo, entre tantas outras ações do homem moderno, são responsáveis pela morte e contaminação da água. Atualmente, mais de 1,3 bilhões de pessoas carecem de água doce no mundo, e o consumo humano de água duplica a cada 25 anos, aproximadamente. Com base nesse cenário, a água doce adquire uma escassez progressiva e um valor cada vez maior, tornando-se um bem econômico propriamente dito.


Em que pese a situação privilegiada do Brasil, país que detém cerca de 12% daqueles 0,007% de toda a água doce disponível no planeta destinada ao consumo humano, irrigação e atividades industriais, graves problemas o afligem, relacionados à distribuição irregular dos recursos hídricos e o desperdício presente em todos os níveis da sociedade (AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS, 2002). Setenta por cento da água brasileira estão na região Norte, onde está situada a bacia amazônica e vivem apenas 7% da população; a região Sudeste, que tem a maior concentração populacional (42,63% do total brasileiro), dispõe de apenas 6% dos recursos hídricos, e a região Nordeste, que abriga 28,91% da população dispõe apenas de 3,3%. Portanto, apenas 30% dos recursos hídricos brasileiros estão disponíveis para 93% da população. Em média, entre 40% e 60% da água tratada são perdidos no percurso entre a captação e os domicílios, em função de tubulações antigas, vazamentos, desvios clandestinos e tecnologias obsoletas. Além disso, a água doce no Brasil está também ameaçada pelo crescimento da população e da ocupação desordenada do solo, do desenvolvimento industrial e tecnológico, que vêm acompanhados de poluição, erosão, desertificação e contaminação do lençol freático (MACHADO, op. cit.).


Deste modo, as águas doces, constituindo item indispensável da pauta de recursos ambientais básicos para a manutenção da vida, passaram a exigir maior clareza do poder público, da sociedade civil como um todo e de cada cidadão na elaboração de estratégicas e procedimentos passíveis de possibilitar uma real conservação da água. Além disso, a preocupação com os recursos hídricos decorre do seu novo papel enquanto agente do um promissor comércio de água potável, e, portanto, requisitando uma política de conservação (WALDMAN, 2002).  Tal preocupação também aparece na Política Nacional de Recursos Hídricos, quando esta discorre que “a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas (Lei 9.433, de 08 de janeiro de 1997, artigo 1º)”.


As colocações feitas por Waldman (op. cit.) incidem diretamente nas atividades econômicas que utilizam a água como base para realização das suas atividades, haja vista que para a prática do turismo ecológico – o Ecoturismo, em corpos aquáticos, estes devem estar com as suas propriedades físico-químicas bem conservadas, a fim de propiciar para o turista o lazer e a recreação que este busca.


Ressalta-se que o turismo vem se tornando parte integrante do estilo de vida para um número cada vez mais crescente de pessoas em todo o mundo, ou seja, este está sendo relacionado como sinônimo para a obtenção de uma boa qualidade de vida, ao tempo que se reverte em ganho econômico para aqueles que a desenvolvem, bem como na conservação do meio ambiente, uma vez que, conforme relacionado anteriormente, para execução de atividades que envolvam os elementos naturais, estes necessitam, estar, impreterivelmente em bom estado de conservação, de modo a atrair visitantes para o local, como pode ser observado nos dizeres de Seabra (1999, p. 5):


“O Turismo como qualquer outra atividade econômica, deve estar inserido numa proposta mais ampla de planejamento, que considere os demais setores ligados à economia e ao ambiente. Na estruturação do turismo, a natureza deve ser compreendida como suporte das ações humanas; um recurso de valor inestimável e que, por ser esgotável, exige um tratamento voltado para a sua sustentabilidade. Nessa perspectiva, o enfoque da paisagem deve ter sempre como referencial uma determinada população ou grupo social que vive num determinado território, onde as atividades são desenvolvidas segundo maior ou menor grau de complexidade em função dos vínculos internos e externos mantidos no plano cultural.”


3. O Ecoturismo como alternativa sustentável de desenvolvimento econômico e social


Para muitas localidades e regiões, a atividade turística passou a substituir a atividade industrial como paradigma de desenvolvimento econômico, devido ao alto valor de capital investido para a geração de empregos industriais e a constante diminuição na oferta de empregos neste setor, principalmente pelo grande investimento em novas tecnologias na busca contínua de maior produtividade em mercados atuais cada vez mais competitivos. Por outro lado, o modelo de industrialização implantado na maioria dos países, causou destruição dos recursos naturais, levando a altos níveis de poluição do ar, das águas e do solo. Apesar dos controles ambientais existentes na época realizados nas indústrias mais antigas e das exigências do processo de licenciamento ambiental das novas, que tenta minimizar, prevenir ou compensar os seus impactos ambientais negativos, a indústria ainda é vista como grande responsável pela degradação e poluição do planeta. Neste sentido, a atividade turística apresenta-se como alternativa à geração de emprego, renda e desenvolvimento das comunidades locais, sem a contaminação proporcionada pelos processos industriais (Stigliano e Ribeiro) apud (Phillip Jr.; Ruschmann, 2010).


A atividade turística, enquanto atividade econômica e social encontra-se em processo de larga expansão. Diversas modalidades de turismo alternativo, que impactam de forma mais racional o meio ambiente, vêm ganhando mais espaço e se desenvolvendo de forma mais firme. Por turismo alternativo, compreende-se aquela modalidade de atividade turística que se apresenta na contra mão do turismo convencional, ou de massa (Stigliano, 2004). Portanto, vale salientar que se trata de uma nomeclatura adotada por diversos autores da área tais como: Cohen (1997); Gartner (1996); Fennel (2002); Boullón (2000); e Tulik (2003).


A expressão turismo alternativo suscita muita polêmica, devido a inúmeras conotações e ambigüidades. Em termos gerais, evoca a busca pela minimização dos impactos ambientais provocados ao meio ambiente das localidades. Esta discussão também remete à questão da sustentabilidade, norteada pelos princípios da pequena escala, o que, teoricamente, não leva ao processo de degradação ambiental, fato que se verifica em algumas localidades na prática (Tulik, 2003).


Cada uma destas modalidades é focada para públicos específicos e com características diferenciadas. As áreas rurais são, por excelência, os espaços geográficos aonde se desenvolve o turismo alternativo. Portanto, o que diferencia o turismo alternativo do turismo convencional é, sobretudo, a motivação dos viajantes.


Abaixo estão listadas algumas das principais modalidades do turismo alternativo, destacando-se o turismo ecológico, ou ecoturismo, que atualmente é uma das mais difundidas:


– Turismo ecológico ou ecoturismo – modalidade que segundo a EMBRATUR/IBAMA é: “um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, além de incentivar sua conservação e busca de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem estar das comunidades envolvidas (Embratur, 1999). Este tipo de modalidade, geralmente é realizado em parques, reservas naturais ou qualquer outra área de interesse ambiental. De tal forma que, procura sempre desenvolver atividades com o mínimo de impacto ambiental e visitas a lugares com relevância ecológica, geralmente integradas a alguma atividade de educação ambiental;


–  Turismo de aventura – em alguns casos se confunde com a modalidade do ecoturismo, pois geralmente é praticada em áreas consideradas mais preservadas. No entanto, as atividades desenvolvidas estão diretamente ligadas às práticas de esportes “radicais”, como canoagem, saltos, escaladas, vôos livres, dentre outras;


– Turismo de contemplação da natureza que está mais voltado para o público de terceira idade;


– Turismo de negócios, eventos, convenções;


– Turismo Cultural – dentre todas as modalidades é considerada a mais antiga, mais persiste ainda hoje, pois movimenta grandes fluxos turísticos relacionados à vivência que formam o conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico-cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura local. Abrange desde visitas a prédios de relevante valor histórico, eventos religiosos, gastronomia, a outras inúmeras modalidades;


– Turismo “anti-estresse” – é uma modalidade específica do turismo que é destinada a prática do relaxamento e desenvolvimento da camaradagem entre os executivos, ou mesmo colaboradores de empresas. Assemelha-se ao turismo ecológico, às vezes ao de aventura, geralmente é supervisionado por profissionais das áreas de psicologia, fisioterapia, educação física que desenvolvem trabalhos específicos com os participantes após as atividades diárias;


– Turismo de lazer e diversão, sobretudo, para os parques temáticos e festas comemorativas;


– Turismo rural em hotéis-fazenda, pesque-pagues, estações de águas, estações de montanhas, visitas a parentes que residem no campo, dentre outros. Como foco principail estão as atividades de comunidades tradicionais com base na agropecuária semicamponesa e num artesanato manual;


– Turismo para o litoral, que também é o local do turismo de massa por excelência;


– Turismo educacional ou estudantil que visa a formação e capacitação de jovens profissionais para o mercado de trabalho (Stigliano e Ribeiro) apud (Phillip Jr.; Ruschmann, 2010).


Um ponto importante a ser destacado é que estas modalidades de turismo se voltam para diversos públicos e faixas etárias. Existem programas e atividades específicas para todas as idades, bem como para diferentes níveis econômicos e sociais.


4. Turismo e Desenvolvimento Socioeconômico


O turismo gera emprego renda, emprega milhões de pessoas em todo o mundo. É fator importante na balança comercial de muitos países, como Espanha, França e Estados Unidos. Quando planejado provoca crescimento e desenvolvimento econômico sustentável de uma localidade. O setor abrange mais de 50 segmentos econômicos, entre eles: turismo de lazer, cultural, ecológico, saúde, negócios, pesca, receptivo, rural, etc. E movimenta no mundo cerca de US$ 3,4 trilhões e emprega 204 milhões de pessoas, de acordo com a Organização Mundial de Turismo (OMT, 2003).


Investimentos do poder público em restauração de construções históricas, parques ecológicos, criação de museus, estâncias turísticas, eventos e feiras de negócios nacionais e internacionais atraem o turista e o interesse de empreendedores. Promove a criação de empregos diretos e indiretos e a captação de recursos, através da arrecadação de impostos, que podem ser aplicados em infra-estrutura, como saneamento, segurança, construção de estradas, aeroportos, entre outros, além de propiciar direta e indiretamente a valorização da cultura e do patrimônio histórico local. Proporcionando melhor qualidade de vida social para os habitantes de uma localidade. Os cinco principais países emissores de turistas para o Brasil são: Argentina, Estados Unidos, Alemanha, Uruguai e Paraguai (Sousa, 2004a).


O setor movimenta no país cerca de US$ 3,1 bilhões e pretende alcançar US$ 8 bilhões até o final do Plano Nacional de Turismo; com expectativa de gerar 1,2 milhões de empregos. O turismo é responsável por um em cada nove empregos no mundo, segundo dados da OMT (Sousa, 2004b). Há uma seqüência lógica que justifica a necessidade de investimento estatal na manutenção e melhoria do setor turístico em seus vários níveis e modalidades. Quando o poder público investe em melhorias de acesso e infra-estrutura, conseqüentemente atrai turistas, bem como grupos empresarias com motivação para investem na localidade, gerando emprego, renda e desenvolvimento regional com injeções de capital (Nascimento, 2004).


5. A Realidade em Comunidades do Interior Paraibano


Sobre a prática do turismo ecológico no espaço do território paraibano, Conti (1997, p. 25) explica que: “estas áreas, pelo seu valor paisagístico, já são alvo do interesse da atividade turística”. Além disso, hoje, o ecoturismo se enquadra nas estratégias de desenvolvimento alternativo ao interesse do grande capital e pode ser exercida de forma plena, bastando para isso, que o município ou região disponha de aptidões e que haja por parte da comunidade local, um movimento endógeno, no sentido de difundi-lo e reverter seus benefícios em prol de sua população (BUARQUE, 1999) apud (PEREIRA e MELO, 2008).


Infelizmente, muitos locais paraibanos com potencial para o turismo ambiental e histórico-cultural não são valorizados e o descaso do poder público inviabilizam essa alternativa para a região, como ocorre nos municípios de São João do Tigre na região do Cariri e Ingá na região do Agreste.


Tanto o município de Ingá quanto o de São João do Tigre constituem apenas dois exemplos de situações recorrentes e inúmeras no estado da Paraiba, onde, muitas vezes o descaso e a falta de iniciativa acabam por minar o potencial ecoturístico da região.


Além da geração de emprego e renda e do fluxo de capital, uma atividade turística bem assistida é capaz de proporcionar a conservação da biodiversidade local, uma vez que a degradação dos ambientes não interessa ao (Eco)turismo, pois este tem o espaço como principal objeto de consumo (Vasconcelos e Sette, 2008). A degradação dos ambientes causada pelo turismo contraria a lógica de reprodução da atividade (Cruz, 2003).


A degradação dos ambientes, não interessa ao Ecoturismo, pois este tem o espaço como principal objeto de consumo. A degradação dos ambientes causada pelo turismo contraria a lógica de reprodução da atividade (Vasconcelos e Sette, 2008; Soffiati, 2004). A cidade de Foz do Iguaçu é o principal exemplo do sucesso desse tipo de iniciativa.


Beneficiada pelo Parque Nacional do Iguaçu, onde há as Cataratas, vários parques de faunas e floras, além da Usina Hidrelétrica de Itaipu (a maior do mundo, com um complexo turístico que compreende o Ecomuseu, o Circuito Museográfico, entre outros), Foz do Iguaçu, no Paraná é um exemplo de investimentos no turismo ecológico. Desde 1994, a prefeitura municipal investe em programas e projetos de conscientização turística e de educação ambiental junto à população. Situada na divisa com a Argentina e o Paraguai, a cidade tem cerca de 300 mil habitantes (IBGE-2010) e recebe anualmente mais de 700 mil visitantes. Em 2001, Foz do Iguaçu foi o quarto destino brasileiro mais visitado por turistas estrangeiros (Embratur, 2004).


6. Qualidade da água e o Ecoturismo


Além de depreciar a fauna e flora aquática, a poluição dos recursos hídricos pode acarretar inúmeros problemas à saúde humana, pois a água é empregada como veículo pelos agentes patogênicos na disseminação de doenças. As doenças de veiculação hídrica são originadas principalmente por microrganismos patogênicos de origem entérica, animal ou humana, transmitidas principalmente pela rota fecal-oral, ou seja, são excretados nas fezes de indivíduos infectados e ingeridos na forma de água ou alimento contaminado por água com poluição fecal, (GRABOW, 1996 apud GREGHI, 2005).


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (O.M.S), atualmente cerca de 85% das doenças conhecidas são de veiculação hídrica, ou seja, estão relacionadas à água. As principais doenças que infectam a população são a gastrenterite, cólera, febre tifóide, hepatite A e E, poliomielite, leptospirose, giardíase, entre outras. A contaminação dos corpos hídricos, sobretudo com esgoto sanitário, aumenta muito o risco de transmissão de doenças, ainda mais quando esses locais são utilizados pela população para a prática de ecoturismo, que exige a ocorrência de um contato primário com a água.


Segundo Lindberg et al. (1999), praticar o ecoturismo é realizar uma visita responsável a locais que contenham áreas naturais, as quais não sofreram muitas mudanças em suas condições originais, visando preservar de forma sustentável o meio ambiente e também promover o bem-estar da população local. A busca do aproveitamento dos recursos naturais de maneira sustentável pela prática do ecoturismo muitas vezes não é atingida, já que usufruir da natureza de forma a não degradá-la é tarefa árdua, necessitando-se de grandes mudanças na forma de explorar os recursos naturais. A contaminação dos recursos hídricos é um exemplo claro da não capacidade dos homens em conseguir associar a prática de ecoturismo com a preservação do meio ambiente.


O conceito utilizado para medir o risco de contaminação das águas é a balneabilidade do corpo hídrico, definida como “a medida das condições sanitárias das águas destinadas à recreação de contato primário, sendo este entendido como um contato direto e prolongado com a água (natação, mergulho, esqui-aquático, etc.) no qual, a possibilidade do banhista ingerir quantidades apreciáveis de água é elevada. Para a sua avaliação é necessário o estabelecimento de critérios objetivos. Esses critérios devem estar baseados em indicadores a serem monitorados e seus valores confrontados com padrões pré-estabelecidos, para que se possam identificar as condições de balneabilidade em um determinado local” (SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE – SEMA-MT, 2006).


7. Impactos do Ecoturismo


Os impactos negativos e positivos que poderão advir da atividade de Ecoturismo estão, a princípio, relacionados a danos potenciais ao meio ambiente e à comunidade e, por outro lado, aos benefícios sócio-econômicos e ambientais, esperados a níveis regional e nacional.


Com efeito, a fragilidade dos ecossistemas naturais, muitas vezes, não comporta um número elevado de visitantes e, menos ainda, suporta o tráfego excessivo de veículos pesados. Por outro lado, a infra-estrutura necessária, se não atendidas normas pré-estabelecidas, pode comprometer de maneira acentuada o meio ambiente, com alterações na paisagem, na topografia, no sistema hídrico e na conservação dos recursos naturais florísticos e faunísticos.


O alijamento das populações locais se configura, também, como outro risco, pois a presença de operadores, quase sempre sem nenhuma relação orgânica com a região, pode gerar novos valores incompatíveis com os comportamentos locais, ocasionando conflitos de ordem cultural e de outras ordens.


Em contrapartida aos riscos ambientais e comunitários, o Ecoturismo apresenta significativos benefícios econômicos, sociais e ambientais, tais como:


– diversificação da economia regional, através da indução do estabelecimento de micros e pequenos negócios;


– geração local de empregos;


– fixação da população no interior;


 – melhoramento das infra-estruturas de transporte, comunicações e saneamento;


– criação de alternativas de arrecadação para as Unidades de Conservação;


– diminuição do impacto sobre o patrimônio natural e cultural;


 – diminuição do impacto no plano estético-paisagístico;


–  melhoria nos equipamentos das áreas protegidas.


Dessa forma, a compatibilidade do Ecoturismo com o dimensionamento do número de visitantes e do fluxo de transporte, a adoção de parâmetros para implantação da infra-estrutura, o respeito e valorização da cultura local são condições básicas e imprescindíveis para o desenvolvimento harmônico da atividade no Brasil.


8.   Benefícios x Impactos


Atualmente considera-se o termo “impacto” como qualquer alteração nas propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia, decorrentes das atividades antrópicas (humanas), que direta ou indiretamente prejudiquem: a saúde; a segurança e o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos naturais.


Abaixo apresentamos os principais impactos e benefícios do ecoturismo em nível local e regional, lembrando que os impactos podem ser minimizados e os benefícios potencializados, desde que suas atividades sejam corretamente planejadas:


a) Impactos Socioculturais: perda de valores culturais tradicionais; e conflitos entre usuários da comunidade e visitantes.


b) Benefícios Socioculturais: investimentos na infra-estrutura viária, de abastecimento, equipamentos médicos e sanitários; e estímulo ao artesanato local e às manifestações culturais tradicionais.


c) Impactos Econômicos: sobrevalorização de terras e imóveis; aumento do custo de vida; e  pressões para a super-exploração de áreas turísticas.


d) Benefícios Econômicos: geração de emprego; e melhor distribuição de renda.


e)   Impactos sobre o Meio Físico: descaracterização da paisagem; e  poluição da água, do solo, sonora e do ar.


f) Benefícios sobre o Meio Físico: manutenção da paisagem; controle da poluição.


g) Impactos sobre a Vida Silvestre: alterações na reprodução, comportamento e hábitos alimentares da biota; coleta e comércio ilegal de espécies silvestres; erosão e desmatamento em trilhas; estradas inadequadas; e meios de transporte poluentes.


h) Benefícios sobre a Vida Silvestre: auxílio na conservação de áreas naturais; e conscientização sobre o equilíbrio do meio ambiente.


A tabela 1, a seguir apresenta os efeitos e impactos negativos potenciais do ecoturismo:


 


9. Considerações  finais


A crise ambiental da atualidade leva à construção de um novo paradigma ou a uma nova atitude diante da natureza. Praias, rios e lagoas não são apenas as bordas do mar ou as margens que canalizam um curso d’água ou que encerram uma porção dela.


Os ecossistemas aquáticos marinhos e continentais são finitos e devem ser respeitados na sua singularidade. Eles não são depósito de lixo e esgoto. Habitam-no plantas, animais e outros organismos indispensáveis à sua saúde.


Diante de nós, vislumbramos dois horizontes: Um deles com praias poluídas e rios e lagoas contaminados e secos. O outro consiste no esforço de mudanças culturais, de proteção aos ecossistemas aquáticos e de restauração dos que foram degradados por um turismo consumista e predatório.


 


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Informações Sobre os Autores

Danilo de Oliveira Aleixo

Doutorando em Recursos Naturais (2010) na Universidade Federal de Campina Grande – PB (UFCG), Mestre em Recursos Naturais (2009) pela Universidade Federal de Campina Grande – PB (UFCG), Especialista em Marketing (2002) pela Universidade Estadual da Paraíba – (UEPB), Graduado em Administração de Empresas (2000) pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB.

Tercio De Sousa Mota

José Aécio Alves Barbosa

Biólogo, Mestre em Recursos Naturais da Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Tecnologia e Recursos Naturais/ UFCG. Membro do Grupo de Pesquisas em História, Meio Ambiente e Questões Étnicas da UFCG

Suellen Silva Pereira

Possui graduação em Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Estadual da Paraíba (2005). É Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, com Área de Concentração em Gerenciamento Ambiental e Sub-Área de Pesquisa em Tecnologia Ambiental pelo Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA UEPB/UFPB (2009). Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e do Programa de Pós-Graduação em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


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