Bioética e Saúde

0

A concepção do processo de saúde-doença pela sociedade influencia, fortemente, a forma de organização dos sistemas de saúde. A percepção da saúde em dimensões bio-psico-social, superando o entendimento do conceito anterior de ausência de doença, possibilita a abordagem integral dos indivíduos e a ampliação do cuidado em saúde nos diferentes níveis de atenção, com vistas ao atendimento de necessidades individuais e coletivas.

Esta nova forma de pensar a saúde requer modificações no funcionamento dos serviços de saúde que, em sua maioria, têm sido organizados de forma a privilegiar o modelo curativo em detrimento das práticas de prevenção de doenças e promoção da saúde. Trata-se de um cenário de aumento progressivo dos custos assistenciais, de regulação por mecanismos de mercado, de utilização inadequada dos serviços oferecidos, de abuso tecnológico e alta especialização, dentre outras características.

A busca pela melhoria da qualidade da atenção à saúde e da reorganização da utilização de recursos impulsiona para a disponibilização de tecnologias apropriadas, em sentido amplo, para as necessidades de saúde da população. A saúde passa a ser influenciada por um conjunto de fatores como estilo de vida, meio ambiente, redes de cuidado, co-responsabilidade do usuário, acesso orientado aos serviços, decisões baseadas em evidências, ações intersetoriais e outros.

Essas influências provocam mudanças na atuação dos diferentes profissionais cujo foco de trabalho é a saúde.  A interferência humana em questões que envolvem os seres vivos e o meio ambiente suscita a necessidade de ampliarmos a nossa forma de interagir e agir no campo da saúde, buscando atender às múltiplas necessidades dos indivíduos, sem perder de vista a dignidade e autonomia da pessoa humana.

Mudanças na atenção à saúde exigem novas posturas e atitudes dos profissionais. O enfoque na coletividade transcende o foco no individual e torna-se necessário ampliar os espaços de conversação de forma a incentivar o diálogo interdisciplinar. A compreensão da realidade deve considerar a complexidade da mesma e a busca por respostas e escolhas mais responsáveis, diante das questões quotidianas, torna-se preocupação crescente a partir das repercussões apresentadas pelos avanços científicos e da necessidade de reconhecimento do paciente como agente do processo de melhoria das condições de saúde e vida.

Trata-se de ampliar a participação das pessoas no processo de evolução da humanidade, considerando a preocupação com o conhecimento biológico e com os valores humanos. A Bioética, entendida como ética da vida, é campo fértil para as discussões desta natureza e, por conseguinte, deve ser amplamente difundida.

É nossa responsabilidade preparar as pessoas para serem capazes de perceber a situação presente e as necessidades do futuro, de forma que seja possível realizar escolhas mais responsáveis. É preciso estimular a visão crítica e socialmente responsável.


Informações Sobre o Autor

Viviane Gonçalves Barroso

Enfermeira, Especialista em Gestão de Saúde pelo Instituto de Educação Continuada – IEC da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Professora do curso de Especialização em Bioética da Universidade Federal de Lavras e do IEC.


Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você está ok com isso, mas você pode cancelar se desejar. Aceitar Leia Mais Aceitar Leia mais