Vencendo o ciúme

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Ciúme na dose certa é bom, mas em excesso pode arruinar com um relacionamento. Quem convive com um ciumento sabe bem disso e, geralmente, desaprova a sua reação. Esta é uma situação de sofrimento duplo. De um lado, o ciumento sofre com sua angústia e dor e, de outro lado, vive uma pessoa sufocada com as fiscalizações, desconfianças, ameaças e restrições constantes do amado.


O bom é que na maioria das vezes o próprio ciumento não gosta da forma que age no relacionamento. Ele tenta mudar, mas simplesmente não consegue porque não conheceu, até o momento, outra maneira de vivenciar uma relação. É preciso que o ciumento reaprenda a vivenciar o amor. A seguir, menciono algumas atitudes que podem contribuir para o ciumento vencer seu ciúme e começar a aprender uma nova forma de se relacionar e viver mais feliz:


1) Trabalhe a sua insegurança, o seu medo da perda e o sentimento de posse em relação a sua parceira. Tente sempre se lembrar disso: “O foco da sua vida deve ser a sua vida. A sua felicidade deve vir de você e não de outra pessoa”. Isso parece ser uma constatação óbvia, mas é muito comum que o ciumento coloque o centro de sua vida na outra pessoa e que a sua felicidade seja possível somente com o outro. Portanto, diante disso, é visível que está havendo uma dificuldade por parte do ciumento em se tornar uma pessoa independente emocionalmente e que isso precisa ser trabalhado.


2) Reveja o conceito de “amor”. Pessoas muito ciumentas, geralmente, são muito românticas e idealistas. Pergunte-se: “O que espera receber de sua parceira no relacionamento?”; “O que você tem para oferecer em troca para ela?”; “Será que ela corresponde à sua figura ideal que sempre buscou ou é apenas um “quebra-galho”?; “Qual é o seu nível atual de satisfação ou insatisfação nessa relação?”;“Eu consigo conversar com ela de forma franca e aberta?”; “Como anda a vida sexual de vocês?”; “Quais as semelhanças e as diferenças entre a sua parceira atual e as que já se relacionou anteriormente?”; etc .


3) Trabalhe a sua auto-estima e o seu perfeccionismo. É comum que os ciumentos estejam com sua auto-estima baixa e sofram muito com o alto nível que buscam de perfeccionismo em suas vidas.


Vale ainda comentar sobre as possíveis conseqüências que poderão acontecer para cada um na relação amorosa se o ciúme excessivo não for trabalhado:


a) Para o ciumento: 1) Há uma grande chance de perder seu amor e 2) O ciúme pode se transformar em uma doença chamada ciúme patológico. Leia mais sobre isso no artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria entitulado “O ciúme enquanto sintoma do transtorno obsessivo-compulsivo”. Abaixo cito a referência completa do artigo.


b) Para aquele que convive com o ciumento: O nível de estresse causado por esse relacionamento será alto e isso poderá atrapalhar as outras áreas de sua vida como a produtividade e concentração em seu trabalho, o afastamento dos amigos e familiares, etc.


c) Consequências para ambos: O nível de satisfação no relacionamento que poderão alcançar na vida será baixo. Em casos mais sérios, poderá iniciar um ciclo progressivo de agressões verbais e físicas no casal. Isso poderá levá-los a necessidade da intervenção da Justiça e, em casos extremamente comprometidos e gravíssimos, acabar em morte.


Portanto, ciúme é um sentimento que deve ser equilibrado. Se você é ciumento e não consegue fazer tudo o que está escrito acima sozinho, busque ajuda especializada nesta área. Invista em uma psicoterapia com um psicólogo clínico, pois esta é uma boa forma de trabalhar todas as questões acima.


 


Referências Bibliográficas:

Ferreira-Santos, Eduardo. “Ciúme – O medo da Perda”. São Paulo: Claridade, 2003.

Torres, Albina Rodrigues; Ramos-Cerqueira, Ana Teresa de Abreu; Dias, Rodrigo da Silva. “O ciúme enquanto sintoma do transtorno obsessivo-compulsivo”. Revista Brasileira de Psiquiatria. Vol. 21, nº 3:165-73. São Paulo, Julho-Setembro. 1999.

Informações Sobre o Autor

Viviane Sampaio

Psicóloga Clínica, Mediadora de Conflitos e Advogada. Psicoterapeuta Cognitiva de adolescentes, adultos, casais e famílias. Estrangeiros (Psicoterapia em inglês) e Concursandos (Psicoterapia dirigida para Concursos Jurídicos).


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