A infração de código 577-02 ocorre quando o condutor deixa de dar passagem a veículo de socorro de incêndio ou salvamento que esteja em serviço de urgência e devidamente identificado por dispositivos regulamentados de alarme sonoro e iluminação intermitente.
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Em termos práticos, é a situação em que um veículo do Corpo de Bombeiros, de salvamento ou de socorro de incêndio precisa se deslocar com prioridade, mas outro condutor não facilita sua passagem. O problema não é apenas “não sair da frente”; também pode ser permanecer parado bloqueando a via, não reduzir, não deslocar o veículo com segurança, disputar espaço ou dificultar a passagem do veículo de emergência.
De acordo com o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, a tipificação resumida do código 577-02 é “Deixar de dar passagem a veículo de socorro de incêndio/salvamento em serviço de urgência devidamente identificado”. O amparo legal é o art. 189 do Código de Trânsito Brasileiro. A infração é gravíssima e tem penalidade de multa. O art. 189 do CTB trata dos veículos precedidos de batedores, de socorro de incêndio e salvamento, de polícia, de operação e fiscalização de trânsito e ambulâncias em serviço de urgência.
Índice do artigo
ToggleBase legal da infração
O enquadramento 577-02 está fundamentado no art. 189 do CTB, que pune o condutor que deixa de dar passagem aos veículos de socorro de incêndio e salvamento, entre outros veículos prioritários, quando estejam em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentados de alarme sonoro e iluminação intermitente.
Esse artigo existe porque alguns veículos precisam de prioridade real de deslocamento. Em uma ocorrência de incêndio, resgate, desabamento, acidente com vítimas, salvamento em altura, enchente, vazamento de produto perigoso ou atendimento de emergência, cada minuto pode ser decisivo. Por isso, o CTB impõe aos demais condutores o dever de facilitar a passagem.
No caso específico do código 577-02, o foco não é qualquer veículo de emergência, mas os veículos de socorro de incêndio e salvamento. Outros veículos prioritários possuem desdobramentos próprios dentro do mesmo art. 189, como veículos precedidos de batedores, polícia, operação e fiscalização de trânsito e ambulância.
Natureza da infração, pontuação e penalidade
A infração 577-02 é de natureza gravíssima. Isso significa que gera multa e 7 pontos na CNH do condutor.
O CTB prevê penalidade de multa para a conduta de deixar de dar passagem a veículo em serviço de urgência. Não se trata de infração leve ou meramente formal. A gravidade decorre do risco social criado pela demora no atendimento emergencial.
Diferentemente de algumas infrações gravíssimas que possuem fator multiplicador, o art. 189 prevê multa gravíssima simples. Ainda assim, o impacto administrativo é relevante, especialmente para quem já possui pontuação acumulada ou está em período de permissão para dirigir.
Quem é o infrator
O infrator é o condutor. A conduta depende do comportamento de quem está dirigindo o veículo no momento da passagem do veículo de emergência.
Mesmo que o veículo pertença a outra pessoa, a responsabilidade pela pontuação deve recair sobre quem conduzia no momento da infração, quando houver identificação do condutor ou indicação válida. Como a infração pode ser constatada por agente ou por elementos externos, a notificação normalmente chega ao proprietário, que poderá indicar o real condutor, se não era ele quem dirigia.
O que significa estar em serviço de urgência
Para que o enquadramento 577-02 seja aplicado corretamente, o veículo de socorro de incêndio ou salvamento deve estar em serviço de urgência. Isso significa que ele está em deslocamento para atender ocorrência emergencial ou retornando/atuando em situação que justifique prioridade de passagem.
Não basta o veículo ser do Corpo de Bombeiros ou ter identificação visual institucional. A prioridade depende da condição de urgência e da utilização dos dispositivos regulamentares. O simples fato de ser um caminhão de bombeiros, por si só, não autoriza concluir automaticamente que havia prioridade se ele não estava em serviço urgente devidamente sinalizado.
Por isso, a ficha do MBFT e o art. 189 exigem dois elementos principais: serviço de urgência e identificação por alarme sonoro e iluminação intermitente.
A importância do alarme sonoro e da iluminação intermitente
O veículo de socorro precisa estar devidamente identificado por dispositivos regulamentados de alarme sonoro e iluminação intermitente. Essa exigência é essencial porque os demais condutores precisam perceber a situação de emergência.
O alarme sonoro, como sirene, alerta os usuários da via mesmo quando o veículo ainda não está visível. A iluminação intermitente reforça a identificação visual, principalmente em cruzamentos, congestionamentos, túneis, períodos noturnos ou vias de maior movimento.
Se o veículo de emergência não estiver usando os dispositivos obrigatórios, pode haver dificuldade para caracterizar a infração, pois o condutor comum talvez não tivesse como saber que deveria dar passagem prioritária. Em eventual defesa, esse ponto pode ser relevante.
O dever dos demais condutores
Ao perceber veículo de socorro de incêndio ou salvamento em serviço de urgência, o condutor deve facilitar a passagem com segurança. Isso pode envolver reduzir a velocidade, deslocar-se para a direita quando possível, liberar a faixa, evitar manobras bruscas, não disputar espaço e não bloquear cruzamentos.
O dever não significa agir de qualquer forma ou criar outro risco. O condutor deve dar passagem dentro das condições reais da via. Em congestionamento, por exemplo, pode ser necessário abrir corredor aos poucos. Em uma via estreita, pode ser necessário avançar apenas o suficiente para liberar espaço. Em um cruzamento, pode ser necessário aguardar ou se posicionar de forma segura.
A conduta punida é a omissão injustificada ou a resistência em liberar a passagem quando havia possibilidade de fazê-lo com segurança.
Quando o agente deve autuar
O agente deve autuar quando constatar que o condutor deixou de dar passagem a veículo de socorro de incêndio ou salvamento em serviço de urgência, devidamente identificado por sirene e iluminação intermitente.
Exemplos comuns incluem o veículo que permanece parado obstruindo a passagem de caminhão de bombeiros, o condutor que não se desloca mesmo tendo espaço, o motorista que continua trafegando na frente do veículo de emergência sem liberar a faixa ou o condutor que acelera para não permitir a passagem.
Também pode ocorrer em congestionamentos, quando vários veículos tentam abrir caminho, mas um condutor permanece bloqueando o corredor de passagem sem justificativa.
Quando não se deve autuar pelo código 577-02
O código 577-02 não deve ser usado para qualquer veículo prioritário. Ele é específico para veículo de socorro de incêndio ou salvamento. Se o veículo for ambulância, o enquadramento correspondente é o 577-05. Se for veículo de polícia em serviço de urgência, o código é o 577-03. Se for veículo de operação e fiscalização de trânsito, o desdobramento é o 577-04. Se a situação envolver veículo precedido de batedores, utiliza-se o 577-01.
Também não se deve autuar se o veículo de socorro não estava em serviço de urgência ou não estava devidamente identificado por dispositivos de alarme sonoro e iluminação intermitente.
Outra hipótese que exige cuidado é quando o condutor não tinha condição segura ou material de dar passagem. Se a via estava completamente bloqueada, se havia risco de colisão, se o motorista estava impedido por outros veículos ou se qualquer manobra criaria perigo imediato, a autuação pode ser questionável.
Diferença entre 577-02 e 578-90
A infração 577-02 não deve ser confundida com a infração 578-90.
O código 577-02 pune quem deixa de dar passagem a veículo de socorro de incêndio ou salvamento em serviço de urgência. Já o código 578-90, previsto no art. 190 do CTB, pune quem segue veículo em serviço de urgência que está com prioridade de passagem devidamente identificada por alarme sonoro e iluminação intermitente.
A diferença é clara. No 577-02, o condutor atrapalha a passagem. No 578-90, o condutor se aproveita da passagem aberta pelo veículo de emergência, seguindo logo atrás dele para ganhar tempo no trânsito. As duas condutas são perigosas, mas são diferentes.
Diferença entre deixar de dar passagem e não ouvir a sirene
Uma dúvida comum é: e se o condutor não ouviu a sirene? A análise depende do caso concreto.
O trânsito exige atenção constante. Se o veículo de emergência estava com sirene e iluminação intermitente, presume-se que o condutor deveria perceber a aproximação e agir de modo compatível. Porém, existem situações em que a percepção pode ser prejudicada, como ruído intenso, veículos grandes ao redor, música alta, isolamento acústico do carro ou curvas que dificultam a visualização.
Mesmo assim, a alegação de que “não ouviu” não costuma ser suficiente sozinha. Em uma defesa, seria necessário demonstrar circunstâncias concretas que indiquem ausência de possibilidade real de percepção ou impossibilidade de liberar passagem com segurança.
Como o condutor deve agir na prática
Ao notar a aproximação de veículo de socorro de incêndio ou salvamento, o condutor deve manter a calma. A primeira atitude é identificar de onde vem o som e a luz. Em seguida, deve reduzir gradualmente a velocidade e liberar espaço de forma segura.
Em vias com mais de uma faixa, a tendência é abrir passagem, deslocando-se para a faixa mais adequada conforme a posição do veículo de emergência. Em muitos casos, os veículos da esquerda se deslocam para a esquerda e os da direita para a direita, criando um corredor central. Em outros locais, a liberação ocorre pelo bordo direito da pista.
O mais importante é não fazer manobras bruscas. Dar passagem não significa avançar sinal vermelho sem cautela, subir calçada, entrar na contramão ou colocar pedestres em risco. A prioridade do veículo de emergência não elimina o dever de segurança dos demais condutores.
Situação em cruzamentos e semáforos
Em cruzamentos, o cuidado deve ser redobrado. Se um veículo de bombeiros ou salvamento se aproxima com sirene e luzes, os condutores devem evitar bloquear a interseção e facilitar a passagem.
Se o condutor está parado no semáforo, pode ser necessário avançar ligeiramente ou deslocar o veículo, mas sempre observando pedestres, outros veículos e o risco de colisão. Se não houver espaço seguro para manobra, o condutor deve evitar criar uma situação ainda mais perigosa.
A infração ocorre quando havia possibilidade de liberar passagem e o condutor, mesmo assim, não o fez. A análise da segurança da manobra é importante.
Situação em congestionamentos
Em congestionamentos, o comportamento coletivo é essencial. Um único veículo mal posicionado pode impedir a passagem de uma viatura de bombeiros ou salvamento.
O condutor deve observar os retrovisores, manter distância mínima possível para pequenas manobras e acompanhar o movimento dos demais veículos para formar corredor. Quando todos se deslocam de maneira coordenada, a emergência consegue avançar. Quando um condutor permanece bloqueando o caminho sem motivo, pode caracterizar a infração.
Essa conduta tem enorme relevância prática. Em incêndios e salvamentos, minutos perdidos podem significar maior dano material, agravamento de lesões ou perda de vidas.
Veículos abrangidos pelo código 577-02
O código 577-02 abrange veículos de socorro de incêndio e salvamento em serviço de urgência. O exemplo mais comum é o caminhão do Corpo de Bombeiros. Também podem ser abrangidos veículos de resgate e salvamento vinculados ao atendimento de ocorrências emergenciais dessa natureza.
O importante é que o veículo esteja em serviço de urgência e devidamente identificado pelos dispositivos regulamentares. Não é o porte ou o tamanho do veículo que define a prioridade, mas sua função emergencial e sua identificação no momento do deslocamento.
O campo de observações do auto de infração
O campo de observações é muito importante nessa infração. O ideal é que o auto indique a situação concreta: o veículo autuado não se deslocou para liberar passagem, permaneceu obstruindo a via, impediu o avanço de viatura de bombeiros ou dificultou passagem de veículo de salvamento em serviço de urgência.
Também é útil que conste que o veículo de emergência estava com alarme sonoro e iluminação intermitente acionados. Essa informação ajuda a demonstrar que os requisitos do art. 189 estavam presentes.
Um auto de infração muito genérico pode gerar questionamentos, especialmente se não indicar como a passagem foi dificultada ou se não houver menção aos dispositivos de identificação do veículo de emergência.
A infração pode ser constatada sem abordagem
Sim. Esse tipo de infração pode ser constatado sem abordagem, especialmente porque abordar o infrator naquele momento poderia atrapalhar ainda mais o atendimento de emergência.
A constatação pode ocorrer por agente de trânsito presente no local, por imagens, por relato operacional ou por fiscalização em situações específicas. A ausência de abordagem, por si só, não invalida a autuação.
O que deve existir é um conjunto mínimo de informações que permita compreender a conduta: veículo de emergência em serviço de urgência, devidamente identificado, e condutor que deixou de dar passagem.
Possíveis argumentos de defesa
Uma defesa contra a infração 577-02 pode avaliar se o veículo de socorro estava realmente em serviço de urgência e se utilizava os dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação intermitente.
Também pode ser analisado se o condutor tinha condições reais e seguras de dar passagem. Em algumas situações, o motorista pode estar bloqueado por outros veículos, por barreira física, por sinalização, por pedestres, por obras ou por configuração da via que impossibilita a manobra.
Outro ponto possível é verificar se o enquadramento correto era mesmo o 577-02. Se o veículo prioritário era ambulância, polícia, fiscalização de trânsito ou batedor, existe desdobramento próprio. Erro no desdobramento pode ser relevante para a defesa.
Além disso, deve-se verificar a consistência do auto de infração: local, horário, descrição da conduta, identificação do veículo autuado, competência do órgão e elementos que demonstrem a infração.
Exemplos práticos da infração
Um condutor trafega à frente de um caminhão de bombeiros com sirene e luzes acionadas, mas permanece na mesma faixa, mesmo havendo espaço seguro para deslocamento. Nesse caso, pode haver enquadramento no 577-02.
Outro exemplo: em uma via congestionada, os carros começam a abrir passagem para uma viatura de salvamento, mas um veículo permanece parado no corredor, impedindo o avanço da equipe.
Também pode ocorrer quando o condutor acelera para não permitir que o veículo de emergência passe, ou quando tenta disputar espaço com ele. Essa conduta é ainda mais reprovável porque demonstra resistência ativa à prioridade da emergência.
Tabela resumo da infração 577-02
| Elemento | Informação |
|---|---|
| Código | 577-02 |
| Conduta | Deixar de dar passagem a veículo de socorro de incêndio ou salvamento em serviço de urgência |
| Amparo legal | Art. 189 do CTB |
| Natureza | Gravíssima |
| Pontuação | 7 pontos |
| Penalidade | Multa |
| Infrator | Condutor |
| Requisito essencial | Veículo de emergência em serviço de urgência |
| Identificação necessária | Alarme sonoro e iluminação intermitente |
| Enquadramentos próximos | 577-01, 577-03, 577-04, 577-05 e 578-90 |
Perguntas e respostas
A infração 577-02 é gravíssima?
Sim. A infração é de natureza gravíssima e gera 7 pontos na CNH.
Qual é a penalidade?
A penalidade é multa, conforme o art. 189 do CTB.
O veículo de bombeiros precisa estar com sirene ligada?
Sim. Para a prioridade de passagem, o veículo deve estar em serviço de urgência e devidamente identificado por alarme sonoro e iluminação intermitente.
Se eu não tinha espaço para dar passagem, posso ser multado?
A autuação pode ser questionada se ficar demonstrado que não havia condição material ou segura de liberar a passagem. O dever existe quando é possível agir com segurança.
Essa infração vale para ambulância?
A conduta é parecida, mas o código específico para ambulância é o 577-05. O 577-02 é voltado a veículo de socorro de incêndio e salvamento.
Seguir atrás do bombeiro para aproveitar o caminho é a mesma infração?
Não. Seguir veículo em serviço de urgência é outra infração, prevista no art. 190 do CTB, com enquadramento 578-90.
A ausência de abordagem invalida a multa?
Não necessariamente. A infração pode ser constatada sem abordagem, desde que o auto contenha elementos suficientes para demonstrar a conduta.
Conclusão
A infração 577-02 pune o condutor que deixa de dar passagem a veículo de socorro de incêndio ou salvamento em serviço de urgência, devidamente identificado por sirene e iluminação intermitente. É uma infração gravíssima, com multa e 7 pontos na CNH.
O objetivo da regra é proteger a vida, a segurança e a eficiência do atendimento emergencial. Quando um veículo de bombeiros ou salvamento precisa passar, os demais condutores devem colaborar de forma rápida, segura e consciente.
Para a fiscalização, é essencial verificar se o veículo prioritário estava em serviço de urgência e devidamente identificado. Para o condutor, a regra prática é simples: percebeu sirene e luzes de veículo de socorro, reduza, observe o entorno e facilite a passagem com segurança.
