CID G57 (neuropatia): como provar origem laboral?

A neuropatia enquadrada no CID G57 pode ter origem laboral quando a lesão ou compressão de nervos dos membros inferiores está relacionada às condições de trabalho, como esforço repetitivo, postura forçada, permanência prolongada em pé, agachamentos frequentes, vibração, movimentos repetidos, sobrecarga física, traumas, compressões, acidentes ou atividades que exigem uso intenso das pernas, quadris, joelhos, tornozelos e pés. Para provar a origem laboral, não basta apresentar o diagnóstico. É preciso demonstrar o nexo entre a doença e o trabalho, reunindo laudos médicos, exames, histórico ocupacional, descrição das atividades, documentos da empresa, CAT, prontuários, testemunhas e, quando necessário, perícia técnica ou judicial.

O que significa CID G57

O CID G57 se refere a mononeuropatias dos membros inferiores. Em linguagem simples, envolve alterações em nervos localizados nas pernas, coxas, joelhos, tornozelos ou pés. Essas alterações podem causar dor, formigamento, queimação, dormência, perda de força, alteração de sensibilidade, dificuldade para caminhar, sensação de choque, câimbras, limitação de movimento e perda de desempenho físico.

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A neuropatia pode ter diversas causas. Pode surgir por compressão nervosa, trauma, doenças metabólicas, alterações circulatórias, esforço físico, postura inadequada, movimentos repetitivos ou acidentes. Por isso, em um contexto previdenciário ou trabalhista, a grande questão não é apenas provar que a pessoa tem neuropatia, mas provar que o trabalho causou, contribuiu ou agravou o problema.

O que é neuropatia

Neuropatia é uma alteração nos nervos. Os nervos funcionam como vias de comunicação entre o cérebro, a medula e o restante do corpo. Quando um nervo é lesionado, comprimido ou inflamado, os sinais enviados ao corpo podem ser prejudicados.

Nos membros inferiores, isso pode comprometer atividades simples, como ficar em pé, caminhar, subir escadas, agachar, dirigir, carregar peso ou permanecer por muito tempo em determinada posição.

Em trabalhadores braçais, motoristas, operadores de máquinas, vigilantes, faxineiros, auxiliares de produção, profissionais da construção civil, entregadores, trabalhadores rurais, frentistas, operadores logísticos e outros profissionais que dependem intensamente dos membros inferiores, a neuropatia pode gerar grande impacto funcional.

O CID G57 gera direito automático a benefício?

Não. O CID G57, sozinho, não garante benefício do INSS nem indenização trabalhista. O código da doença ajuda a identificar o diagnóstico, mas não prova automaticamente incapacidade, sequela ou relação com o trabalho.

Para que haja direito a benefício, é necessário analisar os requisitos de cada caso. Se a neuropatia gera incapacidade temporária, pode haver direito ao auxílio por incapacidade temporária. Se deixa sequela permanente com redução da capacidade, pode haver direito ao auxílio-acidente. Se a incapacidade for total e permanente, pode haver discussão sobre aposentadoria por incapacidade permanente.

Quando a origem é laboral, também pode haver reconhecimento de doença ocupacional, estabilidade no emprego, emissão de CAT e indenização contra o empregador, se houver culpa, negligência ou descumprimento das normas de segurança.

O que é origem laboral

Origem laboral significa que a doença tem relação com o trabalho. Essa relação pode ocorrer de três formas principais.

A primeira é quando o trabalho causa diretamente a neuropatia. Por exemplo, um trabalhador sofre trauma no nervo após acidente com máquina.

A segunda é quando o trabalho contribui para o surgimento da doença. Por exemplo, um empregado submetido a posturas forçadas, agachamentos constantes e carga física intensa desenvolve compressão nervosa.

A terceira é quando o trabalho agrava uma condição já existente. Por exemplo, uma pessoa já tinha predisposição ou quadro leve, mas a atividade profissional piora significativamente os sintomas e acelera a incapacidade.

Em matéria previdenciária e trabalhista, o agravamento também pode ser relevante. O trabalhador não precisa provar que o trabalho foi a única causa. Em muitos casos, basta demonstrar que ele foi causa relevante, concausa ou fator de agravamento.

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O que é nexo causal

Nexo causal é a ligação entre a doença e o trabalho. No caso do CID G57, o nexo causal busca responder se a neuropatia foi causada ou agravada pelas condições laborais.

Essa prova exige análise conjunta de vários elementos: diagnóstico médico, evolução dos sintomas, atividade exercida, tempo de exposição, riscos ocupacionais, ergonomia, acidentes, afastamentos, exames e histórico profissional.

Por exemplo, se um trabalhador começa a sentir dor, dormência e perda de força após anos exercendo atividade com esforço intenso, permanência prolongada em pé e movimentos repetitivos, pode haver indício de relação com o trabalho. Mas será necessário comprovar isso tecnicamente.

Diferença entre nexo causal e incapacidade

Nexo causal e incapacidade são coisas diferentes. O nexo causal discute a origem da doença. A incapacidade discute se a doença impede ou reduz a capacidade de trabalho.

Uma pessoa pode ter neuropatia de origem laboral, mas não estar incapaz no momento. Outra pode estar incapaz por neuropatia, mas sem conseguir provar que a causa foi o trabalho.

Para benefícios do INSS, geralmente é necessário demonstrar incapacidade ou sequela. Para reconhecimento de doença ocupacional e indenização trabalhista, é necessário demonstrar o nexo com o trabalho e o dano sofrido.

Principais sintomas da neuropatia nos membros inferiores

Os sintomas variam conforme o nervo atingido e a gravidade do caso. Entre os mais comuns estão dor irradiada, queimação, formigamento, dormência, sensação de choque, perda de força, dificuldade para caminhar, instabilidade, perda de reflexos, sensibilidade reduzida, dor ao permanecer em pé, câimbras, alteração da marcha e dificuldade para subir escadas.

Esses sintomas podem prejudicar atividades profissionais que exigem esforço físico, equilíbrio, deslocamento, permanência em pé ou movimentos repetidos.

Um vigilante que precisa caminhar longas distâncias pode ter dificuldade. Um motorista pode sofrer com dor e alteração de sensibilidade. Um trabalhador de limpeza pode ter limitação para agachar, subir escadas ou permanecer em pé. Um auxiliar de produção pode não suportar a jornada em posição fixa.

Atividades profissionais com maior risco

Algumas atividades podem apresentar maior risco de neuropatias nos membros inferiores, especialmente quando envolvem esforço, postura inadequada, vibração, compressão ou trauma.

Atividade profissional Possível fator de risco Impacto possível
Motorista profissional Vibração, longos períodos sentado, pressão na região lombar e membros inferiores Dor, formigamento, ciatalgia, compressão nervosa
Trabalhador da construção civil Carga física, quedas, agachamentos, uso de ferramentas e posturas forçadas Traumas, compressões, lesões nervosas
Auxiliar de produção Permanência em pé, movimentos repetitivos, ritmo intenso Dor, dormência, limitação para caminhar
Trabalhador rural Esforço físico, terrenos irregulares, carregamento de peso Lesões, compressões e agravamento de sintomas
Faxineira ou auxiliar de limpeza Agachamentos, escadas, esforço repetitivo, longos períodos em pé Dor, perda de força e dificuldade funcional
Operador de máquina Vibração, postura fixa, movimentos repetidos Compressão e irritação nervosa
Vigilante Longas caminhadas, permanência em pé, uso de botas inadequadas Dor, formigamento e limitação para deambular
Entregador Esforço, deslocamento constante, postura em moto ou bicicleta Dor, compressão e agravamento de neuropatias

CID G57 e acidente de trabalho

O CID G57 pode estar relacionado a acidente de trabalho quando a neuropatia surge após um evento específico ocorrido durante a atividade profissional. Isso pode acontecer em quedas, pancadas, esmagamentos, cortes profundos, torções, acidentes com máquinas, choques, aprisionamentos ou lesões traumáticas.

Nesses casos, a prova costuma ser construída com atendimento médico imediato, boletim de ocorrência, CAT, testemunhas, fotos, vídeos, prontuários, exames e documentos da empresa.

Quanto mais próximo o atendimento médico estiver da data do acidente, mais fácil será demonstrar a relação entre o evento e a lesão neurológica.

CID G57 como doença ocupacional

A neuropatia também pode ser reconhecida como doença ocupacional, especialmente quando surge de forma progressiva em razão das condições de trabalho.

Diferentemente do acidente típico, a doença ocupacional nem sempre tem uma data exata de início. O trabalhador começa com sintomas leves, sente piora gradual, tenta continuar trabalhando, faz tratamentos, recebe atestados e só depois descobre a neuropatia.

Nesses casos, a prova do nexo laboral exige histórico mais detalhado. É preciso demonstrar a exposição habitual a fatores de risco e a evolução compatível da doença.

O que é concausa

Concausa ocorre quando o trabalho não é a única causa da doença, mas contribui para seu surgimento, agravamento ou aceleração.

Isso é muito importante nos casos de neuropatia. Um trabalhador pode ter fatores pessoais, idade, predisposição genética, diabetes, obesidade ou alterações na coluna. Ainda assim, se o trabalho agravou o quadro, pode haver reconhecimento de origem laboral parcial.

O empregador ou o INSS podem alegar que a doença é degenerativa ou pessoal. Mas essa alegação não afasta automaticamente o direito. O ponto decisivo é saber se o trabalho teve participação relevante na evolução da doença.

Como provar a origem laboral da neuropatia

Para provar a origem laboral do CID G57, é necessário reunir provas médicas e provas ocupacionais. A prova médica demonstra a existência da doença, a gravidade, a evolução e as limitações. A prova ocupacional demonstra as condições de trabalho e os riscos aos quais o empregado estava exposto.

As duas provas precisam conversar entre si. Um laudo médico que apenas informa o CID pode ser insuficiente. Da mesma forma, uma descrição de trabalho pesado sem exame médico também pode não bastar.

O ideal é construir uma narrativa coerente: qual era a função, quais movimentos eram realizados, quando os sintomas começaram, como evoluíram, quais tratamentos foram feitos, quais exames confirmam o diagnóstico e como a doença afeta o trabalho.

Documentos médicos importantes

Os documentos médicos são fundamentais para comprovar a neuropatia. Entre os principais estão laudos de neurologista, ortopedista, fisiatra, médico do trabalho ou especialista relacionado ao caso.

Exames como eletroneuromiografia podem ser muito relevantes, pois avaliam a condução nervosa e ajudam a identificar alterações nos nervos. Ressonância magnética, ultrassonografia, radiografias, exames laboratoriais e prontuários também podem ajudar, dependendo da suspeita clínica.

Relatórios de fisioterapia, receitas, atestados, prontuários de pronto atendimento e histórico de afastamentos completam o conjunto probatório.

O que deve constar no laudo médico

Um bom laudo médico deve informar o diagnóstico, o CID, os sintomas, a evolução da doença, os exames analisados, as limitações funcionais, os tratamentos realizados e a relação possível com a atividade profissional.

Também é importante que o médico descreva o impacto prático da doença. Por exemplo, dificuldade para caminhar, subir escadas, permanecer em pé, dirigir, agachar, carregar peso ou realizar jornadas longas.

Laudos genéricos, com apenas uma frase, costumam ser frágeis. Quanto mais detalhado for o documento, maior sua utilidade em pedido ao INSS ou ação judicial.

Eletroneuromiografia

A eletroneuromiografia é um exame frequentemente usado para investigar neuropatias. Ela avalia a função dos nervos e músculos, podendo identificar compressões, lesões, alterações de condução e comprometimento neurológico.

Embora nem todo caso dependa exclusivamente desse exame, ele pode ser decisivo quando há suspeita de lesão nervosa periférica.

No contexto trabalhista e previdenciário, a eletroneuromiografia ajuda a dar objetividade ao diagnóstico. Porém, o exame deve ser interpretado junto com a clínica do paciente e as exigências da função.

Provas ocupacionais

As provas ocupacionais demonstram como era o trabalho. Elas podem incluir descrição de cargo, contrato de trabalho, carteira assinada, holerites, PPP, LTCAT, PGR, PCMSO, ASO, ordens de serviço, análise ergonômica, registros de acidente, comunicações internas, escalas, fotos do ambiente, vídeos, mensagens e testemunhas.

Em muitos casos, o trabalhador não tem acesso a todos esses documentos. Ainda assim, pode reunir provas alternativas, como mensagens com supervisores, fotos do local, comprovantes de função, depoimentos de colegas e registros de atendimento médico ocupacional.

CAT

A Comunicação de Acidente de Trabalho é um documento importante quando há suspeita de acidente ou doença ocupacional. A empresa deve emitir a CAT quando houver acidente de trabalho ou doença relacionada ao trabalho.

Se a empresa não emitir, isso não impede o reconhecimento do direito. A CAT pode ser emitida por outros legitimados, e a relação com o trabalho pode ser demonstrada por outros meios.

A ausência de CAT é comum em doenças ocupacionais, especialmente quando a empresa discorda do nexo. Por isso, o trabalhador deve guardar outros documentos que ajudem a comprovar a origem laboral.

ASO e exames ocupacionais

O ASO, Atestado de Saúde Ocupacional, pode ajudar a mostrar a evolução do quadro. Exames admissionais, periódicos, de retorno ao trabalho e demissionais podem indicar se o trabalhador entrou saudável, quando começaram as queixas e se houve restrições.

Se o exame admissional não registrava problemas e, após anos de trabalho, surgem restrições nos membros inferiores, isso pode reforçar a tese de relação laboral, especialmente quando combinado com outras provas.

Por outro lado, se já havia doença prévia, ainda pode haver discussão sobre agravamento pelo trabalho.

PPP, LTCAT, PGR e PCMSO

O PPP e o LTCAT são documentos frequentemente usados para comprovar exposição a agentes nocivos, mas também podem ajudar a entender o ambiente de trabalho. O PGR e o PCMSO tratam da gestão de riscos ocupacionais e saúde do trabalhador.

Esses documentos podem revelar riscos ergonômicos, físicos, mecânicos ou organizacionais. Podem demonstrar vibração, esforço físico, postura inadequada, levantamento de peso, risco de queda, trabalho em altura ou uso de máquinas.

Quando a empresa afirma que não havia risco, mas seus próprios documentos apontam fatores nocivos, isso pode fortalecer a prova do trabalhador.

Testemunhas

Testemunhas podem ser decisivas, principalmente quando a empresa não fornece documentos ou quando o trabalho era informal.

Colegas podem confirmar que o trabalhador permanecia em pé por longos períodos, carregava peso, subia escadas, operava máquinas vibratórias, fazia movimentos repetitivos, sofreu acidente ou reclamava de dores durante a jornada.

A testemunha não substitui a prova médica, mas ajuda a comprovar as condições reais de trabalho.

Histórico dos sintomas

O histórico dos sintomas é importante para demonstrar coerência temporal. É preciso mostrar quando a dor começou, se houve piora com a atividade, se melhorava com repouso, se houve afastamentos, se o trabalhador procurou atendimento médico e se os sintomas evoluíram durante o contrato.

Um histórico bem documentado ajuda a ligar a doença ao trabalho. Por exemplo, sintomas iniciados após mudança de função, aumento de carga, acidente, troca de posto, uso de máquina vibratória ou intensificação da jornada podem ser indícios relevantes.

Importância da função real exercida

O nome do cargo nem sempre revela a realidade. Dois trabalhadores com o mesmo cargo podem exercer tarefas diferentes. Por isso, é essencial descrever a função real.

Um auxiliar de produção pode apenas embalar produtos leves ou pode carregar peso, permanecer em pé e operar máquinas. Um motorista pode dirigir poucas horas ou passar o dia inteiro em veículo com vibração intensa. Um vigilante pode trabalhar sentado em portaria ou caminhar longas distâncias.

A prova da origem laboral depende da atividade real, não apenas do cargo registrado.

Como o INSS analisa o caso

O INSS analisa se o segurado possui qualidade de segurado, se há incapacidade ou sequela e se existe relação com acidente ou doença ocupacional, quando essa informação é relevante para o tipo de benefício.

Em muitos casos, a perícia do INSS foca na incapacidade atual e não aprofunda o nexo laboral. Por isso, o segurado precisa apresentar documentos claros e objetivos.

Se o pedido for de benefício por incapacidade acidentário, auxílio-acidente ou reconhecimento de doença ocupacional, a prova do nexo ganha maior importância.

Auxílio por incapacidade temporária

O auxílio por incapacidade temporária pode ser devido quando a neuropatia impede o trabalhador de exercer sua atividade por determinado período.

Por exemplo, um trabalhador com dor intensa, perda de força e dificuldade para caminhar pode ficar temporariamente incapaz para atividade que exige esforço físico. Nesse caso, laudos e exames devem demonstrar a incapacidade e o tempo estimado de afastamento.

Se a neuropatia tiver origem laboral, o benefício pode ter natureza acidentária, o que pode gerar reflexos trabalhistas.

Auxílio-acidente

O auxílio-acidente pode ser devido quando, após tratamento e consolidação do quadro, a neuropatia deixa sequela permanente que reduz a capacidade para o trabalho habitual.

Esse benefício não exige incapacidade total. O trabalhador pode voltar ao trabalho, mas com limitação. Por exemplo, pode não conseguir caminhar longas distâncias, permanecer em pé por muitas horas, subir escadas ou carregar peso como antes.

Nesses casos, a prova deve demonstrar a sequela e a redução funcional. A origem laboral pode reforçar o caráter acidentário do benefício.

Aposentadoria por incapacidade permanente

A aposentadoria por incapacidade permanente pode ser discutida quando a neuropatia torna o segurado totalmente incapaz para o trabalho e sem possibilidade de reabilitação.

Essa análise considera não apenas a doença, mas idade, escolaridade, profissão, experiência e possibilidade real de exercer outra atividade.

Em casos graves, com dor crônica intensa, perda importante de força, dificuldade de marcha ou comprometimento neurológico severo, pode haver discussão sobre incapacidade permanente.

Estabilidade no emprego

Quando a neuropatia é reconhecida como doença ocupacional e o trabalhador recebe benefício acidentário, pode surgir direito à estabilidade provisória após o retorno ao trabalho.

Essa estabilidade impede a dispensa sem justa causa durante determinado período, desde que preenchidos os requisitos legais.

Mesmo quando o INSS não reconhece inicialmente a natureza ocupacional, o trabalhador pode buscar esse reconhecimento na Justiça, se houver provas suficientes.

Indenização contra a empresa

Além do benefício previdenciário, a neuropatia de origem laboral pode gerar indenização contra a empresa se ficar demonstrado que houve culpa, negligência ou descumprimento das normas de segurança.

A indenização pode abranger danos morais, materiais, estéticos e pensão mensal, dependendo das consequências da doença.

Por exemplo, se a empresa expunha o trabalhador a jornadas exaustivas em pé, ausência de pausas, esforço excessivo, máquinas vibratórias ou ergonomia inadequada, pode haver responsabilidade.

O que fazer se o INSS negar o benefício

Se o INSS negar o benefício, o segurado deve verificar o motivo da negativa. Pode ter sido por ausência de incapacidade, falta de qualidade de segurado, ausência de nexo, documentação insuficiente ou conclusão pericial desfavorável.

Após isso, é possível apresentar recurso administrativo, fazer novo pedido com documentos mais fortes ou entrar com ação judicial.

Em casos de neuropatia, a ação judicial pode ser importante porque permite nova perícia médica e, em alguns casos, produção de prova testemunhal ou técnica sobre as condições de trabalho.

Como se preparar para a perícia

Para a perícia, o trabalhador deve levar documentos médicos organizados e explicar claramente suas limitações. Deve descrever o que sente, há quanto tempo sente, quais movimentos pioram os sintomas e como a doença afeta sua função.

Não basta dizer que sente dor. É importante explicar que não consegue permanecer em pé por mais de determinado tempo, que tem dificuldade para caminhar, que perde força, que sente dormência, que tropeça, que não consegue subir escadas ou que não suporta a mesma carga de trabalho.

Também deve explicar as atividades exercidas no trabalho, pois o perito precisa entender a relação entre a doença e a profissão.

Erros comuns na tentativa de provar origem laboral

Um erro comum é apresentar apenas o CID, sem laudo detalhado. O CID identifica a doença, mas não prova nexo causal.

Outro erro é não descrever a atividade real. Se o perito não entende o esforço exigido pelo trabalho, pode concluir que a doença não tem relação laboral.

Também é comum deixar de reunir documentos da empresa, não guardar exames antigos, não registrar acidente, não procurar médico logo no início dos sintomas ou aceitar a ausência de CAT sem buscar outras provas.

Exemplo prático

Imagine um trabalhador que atua como operador de máquina em indústria. Ele permanece em pé durante toda a jornada, opera equipamento com vibração e faz movimentos repetitivos com membros inferiores. Depois de anos, começa a sentir dormência, dor e perda de força na perna. A eletroneuromiografia aponta neuropatia. O médico informa limitação para permanecer em pé e operar máquinas.

Nesse caso, para provar origem laboral, será importante reunir exames, laudos, descrição da atividade, documentos de segurança da empresa, testemunhas, ASO, eventuais afastamentos e prova da exposição à vibração ou postura forçada.

Outro exemplo prático

Uma auxiliar de limpeza trabalha diariamente subindo escadas, agachando, carregando baldes e permanecendo em pé por longos períodos. Desenvolve dor intensa, formigamento e dificuldade para caminhar. Após avaliação médica, recebe diagnóstico relacionado ao CID G57.

Se os sintomas surgiram durante o contrato e pioravam com as atividades, pode haver discussão sobre doença ocupacional ou agravamento pelo trabalho. Para isso, será essencial demonstrar a rotina real e o impacto da função na evolução do quadro.

Perguntas e respostas sobre CID G57 e origem laboral

CID G57 dá direito a benefício do INSS?

Pode dar, mas não automaticamente. É necessário comprovar incapacidade temporária, sequela permanente ou incapacidade total, conforme o benefício pretendido.

Neuropatia pode ser doença ocupacional?

Sim. A neuropatia pode ser considerada doença ocupacional quando causada, agravada ou acelerada pelas condições de trabalho.

Como provar que a neuropatia veio do trabalho?

É necessário reunir laudos médicos, exames, histórico ocupacional, documentos da empresa, CAT, ASO, PPP, testemunhas e provas da rotina de trabalho.

A empresa precisa emitir CAT?

Sim, quando houver suspeita de relação com o trabalho. Se a empresa não emitir, o trabalhador pode buscar outros meios de prova.

Eletroneuromiografia é obrigatória?

Não é obrigatória em todos os casos, mas costuma ser um exame muito importante para comprovar alterações nos nervos.

Se eu já tinha problema antes, ainda posso ter direito?

Pode. Se o trabalho agravou ou acelerou a doença, pode haver reconhecimento de concausa.

O INSS negou. Posso entrar na Justiça?

Sim. A negativa pode ser discutida judicialmente, especialmente quando há documentos médicos e provas do trabalho.

CID G57 pode gerar auxílio-acidente?

Pode, se a neuropatia deixar sequela permanente com redução da capacidade para o trabalho habitual.

Neuropatia pode gerar aposentadoria por incapacidade?

Pode, em casos graves, quando houver incapacidade total e permanente sem possibilidade de reabilitação.

Posso pedir indenização da empresa?

Pode, se ficar comprovado que a neuropatia tem relação com o trabalho e que houve culpa, negligência ou descumprimento das normas de segurança.

Conclusão

Provar a origem laboral da neuropatia enquadrada no CID G57 exige mais do que apresentar um diagnóstico. O trabalhador precisa demonstrar a ligação entre a doença e as condições concretas de trabalho, reunindo provas médicas e ocupacionais que mostrem como a atividade causou, contribuiu ou agravou o quadro.

Laudos detalhados, eletroneuromiografia, exames, prontuários, ASO, CAT, PPP, documentos internos da empresa, testemunhas e descrição da função real são elementos fundamentais. A prova deve mostrar não apenas que existe neuropatia, mas que ela interfere na capacidade de trabalhar e tem relação com a atividade exercida.

Quando bem comprovada, a neuropatia de origem laboral pode gerar direito a benefício do INSS, como auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente ou aposentadoria por incapacidade permanente. Também pode gerar estabilidade no emprego e indenização contra a empresa, conforme a gravidade do caso e a responsabilidade patronal.

Por isso, o trabalhador diagnosticado com CID G57 deve organizar cuidadosamente seus documentos, registrar a evolução dos sintomas e buscar demonstrar a realidade do ambiente de trabalho. A origem laboral pode ser reconhecida quando há coerência entre a doença, os exames, a função exercida e os riscos presentes na atividade profissional.

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