Infração 614-90: deixar de dar preferência de passagem a criança, idoso, gestante ou pessoa com deficiência na travessia da via

A infração de código 614-90 ocorre quando o condutor deixa de dar preferência de passagem a criança, pessoa idosa, gestante, pessoa com deficiência ou pessoa com mobilidade reduzida que esteja realizando a travessia da via, ainda que o local não possua faixa de pedestres ou outra sinalização específica.

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O enquadramento está previsto no artigo 214, inciso III, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e recebe tratamento especial justamente porque protege usuários mais vulneráveis do trânsito. O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) detalha os critérios para a caracterização dessa infração e orienta a atuação dos agentes de fiscalização.

A finalidade da norma é preservar a integridade física das pessoas que, por suas condições pessoais, podem necessitar de maior tempo para atravessar a via ou apresentar mobilidade reduzida.

Base legal da infração

O enquadramento 614-90 possui fundamento no artigo 214, inciso III, do Código de Trânsito Brasileiro.

O dispositivo determina que constitui infração deixar de dar preferência de passagem a criança, pessoa idosa, gestante, pessoa com deficiência ou pessoa com mobilidade reduzida durante a travessia da via.

O MBFT complementa a norma ao esclarecer em quais situações a autuação deve ocorrer, evitando interpretações divergentes entre os órgãos fiscalizadores.

Natureza da infração

Trata-se de uma infração gravíssima.

As penalidades previstas são:

  • multa;
  • registro de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação;
  • responsabilidade atribuída ao condutor.

Não existe medida administrativa específica prevista para esse enquadramento, mas isso não diminui sua gravidade, pois a infração protege diretamente a vida e a integridade física dos pedestres mais vulneráveis.

Quem possui preferência de passagem

O artigo 214, inciso III, não protege apenas pedestres em geral.

Ele concede proteção especial para:

  • crianças;
  • pessoas idosas;
  • gestantes;
  • pessoas com deficiência;
  • pessoas com mobilidade reduzida.

Esses grupos podem apresentar maior dificuldade para realizar a travessia com rapidez ou segurança, motivo pelo qual o legislador lhes conferiu prioridade reforçada.

Na prática, o motorista deve agir com cautela redobrada sempre que identificar qualquer dessas pessoas iniciando ou realizando a travessia.

A preferência existe mesmo sem faixa de pedestres

Sim.

Esse é justamente um dos aspectos mais importantes da infração 614-90.

Muitos motoristas acreditam que somente existe obrigação de parar quando há faixa de pedestres pintada na via.

Entretanto, o inciso III do artigo 214 protege essas pessoas mesmo em locais sem sinalização específica.

O MBFT inclusive orienta que, quando a situação envolver criança, idoso, gestante ou pessoa com deficiência em local sem faixa de pedestres, deve ser utilizado exatamente o enquadramento 614-90.

Diferença entre os diversos incisos do artigo 214

O artigo 214 possui cinco hipóteses distintas.

Cada uma possui código próprio no MBFT.

O código 612-20 trata do pedestre que já está sobre a faixa.

O código 613-00 refere-se ao pedestre que ainda não concluiu a travessia em cruzamentos semaforizados.

O código 614-90 protege especificamente criança, idoso, gestante, pessoa com deficiência e pessoa com mobilidade reduzida.

O código 615-70 refere-se ao pedestre que iniciou a travessia em local sem sinalização.

Já o código 616-50 trata do pedestre que atravessa a via transversal para onde o veículo pretende ingressar.

Essa divisão evita enquadramentos incorretos durante a fiscalização.

Como o MBFT caracteriza a infração

Segundo o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, a autuação ocorre quando o veículo deixa de conceder preferência a essas pessoas durante a travessia da via em local não sinalizado com faixa de pedestres.

A fiscalização não exige que ocorra atropelamento ou risco extremo.

A simples negativa da preferência já configura a infração administrativa.

Essa característica reforça o caráter preventivo da legislação de trânsito.

O que significa dar preferência

Dar preferência significa permitir que o pedestre conclua a travessia com segurança.

Na prática, o motorista deve reduzir a velocidade e, quando necessário, parar completamente o veículo.

Não basta diminuir parcialmente a velocidade e obrigar o pedestre a acelerar seus passos.

Também não é permitido passar muito próximo da pessoa, criando situação de insegurança.

Exemplos práticos da infração

Imagine uma pessoa idosa atravessando lentamente uma rua residencial.

Mesmo sem existir faixa de pedestres, o motorista deve permitir que ela conclua a travessia.

Outro exemplo ocorre quando uma gestante inicia a travessia em frente a um hospital.

Ainda que não exista sinalização horizontal, o veículo deve aguardar.

Da mesma forma, uma criança atravessando próximo a uma escola merece prioridade absoluta.

O mesmo raciocínio vale para uma pessoa em cadeira de rodas, utilizando muletas, andador ou outro equipamento de mobilidade.

Por que essa infração é considerada gravíssima

O trânsito representa um ambiente especialmente perigoso para pedestres vulneráveis.

Uma colisão em baixa velocidade já pode causar consequências extremamente graves para crianças, idosos ou pessoas com deficiência.

Além disso, esses grupos frequentemente possuem menor capacidade de reação, equilíbrio ou deslocamento rápido.

Por esse motivo, a legislação adotou tratamento mais rigoroso.

O objetivo principal não é punir o motorista, mas prevenir acidentes.

Competência para fiscalização

A fiscalização pode ser realizada pelos órgãos executivos de trânsito municipais, estaduais e rodoviários, conforme a circunscrição da via.

O MBFT também informa que essa infração pode ser constatada sem abordagem.

Isso significa que o agente pode registrar a infração mediante observação direta da conduta, sem necessidade de parar imediatamente o veículo.

A imagem ilustrativa da infração

A imagem utilizada pelo MBFT normalmente representa um veículo deixando de aguardar a travessia de pessoa pertencente aos grupos protegidos.

Ela facilita a identificação da situação típica prevista no enquadramento.

Além disso, evidencia que a preocupação da legislação é garantir tempo suficiente para que a travessia ocorra de maneira segura.

Diferença entre preferência e cortesia

Alguns motoristas acreditam que parar para um pedestre é apenas um gesto de educação.

Na realidade, trata-se de obrigação legal.

No caso da infração 614-90, não existe faculdade do condutor.

Sempre que houver criança, pessoa idosa, gestante, pessoa com deficiência ou pessoa com mobilidade reduzida atravessando a via, a preferência é obrigatória.

Possíveis erros de enquadramento

Em alguns casos, pode haver aplicação incorreta do código.

Por exemplo, se o local possuía faixa de pedestres e o pedestre já estava sobre ela, talvez o enquadramento correto seja outro inciso do artigo 214.

Também pode haver discussão quando não pertence ao grupo protegido ou quando sequer havia travessia em andamento.

A correta identificação da situação concreta é indispensável para a validade da autuação.

Como recorrer da multa

Toda defesa deve ser construída com base nas circunstâncias específicas do caso.

Entre os aspectos normalmente analisados estão:

  • correta identificação do local;
  • existência ou não de faixa de pedestres;
  • descrição da conduta no auto de infração;
  • identificação do pedestre;
  • coerência entre os fatos e o enquadramento aplicado;
  • preenchimento correto dos requisitos formais do auto.

Quando houver imagens, vídeos ou outras provas, esses elementos também podem ser utilizados para confirmar ou contestar a autuação.

Como evitar essa infração

Evitar a infração é relativamente simples.

Sempre que identificar criança, idoso, gestante, pessoa com deficiência ou pessoa com mobilidade reduzida iniciando ou realizando travessia, reduza imediatamente a velocidade.

Caso exista qualquer possibilidade de conflito entre o veículo e o pedestre, pare completamente.

Também é importante manter atenção redobrada em frente a escolas, hospitais, clínicas, centros de reabilitação, igrejas, parques e áreas com grande circulação de idosos.

Uma direção preventiva reduz significativamente o risco de acidentes.

A importância da direção defensiva

Os princípios da direção defensiva recomendam antecipar situações de risco.

Ao perceber pessoas vulneráveis próximas ao bordo da via, o condutor deve imaginar que poderão iniciar a travessia a qualquer momento.

Essa postura preventiva permite reduzir a velocidade antecipadamente e evitar frenagens bruscas.

Além de cumprir a legislação, esse comportamento demonstra respeito à vida.

Conclusão

A infração de código 614-90 representa uma das mais importantes normas de proteção aos pedestres vulneráveis previstas no Código de Trânsito Brasileiro.

Seu objetivo é assegurar que crianças, pessoas idosas, gestantes, pessoas com deficiência e pessoas com mobilidade reduzida consigam atravessar as vias públicas com segurança, mesmo quando não exista faixa de pedestres.

O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito padroniza a aplicação desse enquadramento e deixa claro que a preferência deve ser respeitada independentemente da existência de sinalização horizontal.

Mais do que evitar uma multa gravíssima e sete pontos na CNH, cumprir essa regra demonstra compromisso com a preservação da vida, princípio fundamental do sistema de trânsito brasileiro.

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