O barbeiro com LER pode ter direito ao auxílio-acidente quando a lesão por esforço repetitivo deixa sequelas permanentes que reduzem sua capacidade de trabalho, mesmo que ele consiga continuar exercendo a profissão. Como a atividade exige movimentos repetidos das mãos, punhos, braços, ombros e coluna cervical, problemas como tendinite, tenossinovite, síndrome do túnel do carpo, bursite, epicondilite e dores crônicas podem comprometer diretamente a precisão, a força, a resistência e a mobilidade necessárias para cortar cabelo, fazer barba, manusear tesouras, máquinas, navalhas, escovas e secadores.
O que é auxílio-acidente
O auxílio-acidente é um benefício indenizatório pago pelo INSS ao segurado que sofre um acidente ou desenvolve uma doença ocupacional e, depois da consolidação das lesões, fica com redução permanente da capacidade para o trabalho habitual.
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Consultar jurimetria agora →No caso do barbeiro, isso significa que não é necessário estar totalmente incapacitado. O ponto central é demonstrar que a LER deixou limitações definitivas ou duradouras que tornam o trabalho mais difícil, doloroso, lento ou limitado.
Esse benefício tem natureza de indenização porque busca compensar a perda parcial da capacidade laboral. Por isso, ele pode ser pago mesmo quando o profissional volta ao trabalho.
O que é LER
LER significa Lesão por Esforço Repetitivo. O termo é usado para identificar um conjunto de doenças causadas ou agravadas por movimentos repetidos, esforço físico contínuo, posturas inadequadas, sobrecarga muscular, ausência de pausas e uso constante de determinadas articulações.
No caso dos barbeiros, a LER costuma afetar principalmente:
Mãos
Punhos
Dedos
Cotovelos
Ombros
Pescoço
Coluna cervical
Coluna lombar
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Essas regiões são intensamente exigidas durante a rotina profissional. Um barbeiro pode passar muitas horas em pé, com os braços elevados, fazendo movimentos finos, repetidos e precisos. Com o tempo, isso pode gerar inflamações, compressões nervosas, perda de força, formigamento, dormência, dor crônica e redução de mobilidade.
Por que o barbeiro está exposto à LER
A profissão de barbeiro exige repetição constante de movimentos. Cortar cabelo, aparar barba, fazer acabamento, usar navalha, manusear máquina, escovar, lavar cabelo, secar fios e permanecer em pé por longos períodos são atividades que exigem esforço físico contínuo.
Além disso, muitos barbeiros trabalham em jornadas extensas, especialmente em dias de maior movimento. É comum atender vários clientes seguidos, com poucas pausas entre um atendimento e outro. Essa rotina aumenta o risco de sobrecarga nos tendões, músculos, articulações e nervos.
Outro fator importante é a postura. O profissional pode inclinar o pescoço por muito tempo, levantar os braços repetidamente, torcer o tronco, apoiar peso de forma inadequada e usar força excessiva em determinados movimentos.
Com o passar dos anos, essas condições podem causar ou agravar doenças ocupacionais.
LER pode ser considerada doença ocupacional
Sim. A LER pode ser considerada doença ocupacional quando fica demonstrado que ela foi causada ou agravada pelo trabalho.
No caso do barbeiro, essa relação pode ser comprovada pela análise da rotina profissional, dos movimentos realizados, da frequência dos atendimentos, da jornada de trabalho, das ferramentas utilizadas e dos laudos médicos.
A doença ocupacional é equiparada ao acidente de trabalho. Isso é muito importante porque, quando a LER tem relação com a atividade profissional, o barbeiro pode ter direito a benefícios previdenciários e, em alguns casos, também a direitos trabalhistas e indenizatórios.
Diferença entre auxílio-doença e auxílio-acidente
O auxílio-doença, atualmente chamado benefício por incapacidade temporária, é pago quando o segurado está temporariamente incapaz de trabalhar.
Já o auxílio-acidente é pago quando a incapacidade temporária termina, mas ficam sequelas permanentes que reduzem a capacidade de trabalho.
No caso do barbeiro com LER, pode acontecer a seguinte situação: primeiro, ele se afasta pelo INSS por causa das dores, inflamações ou limitação funcional. Depois, mesmo recebendo alta, continua com perda de força, dor ao movimentar o punho, dormência nos dedos ou limitação no ombro. Nessa hipótese, pode surgir o direito ao auxílio-acidente.
Quando o barbeiro com LER tem direito ao auxílio-acidente
O barbeiro com LER pode ter direito ao auxílio-acidente quando preencher três requisitos principais.
O primeiro requisito é ter qualidade de segurado do INSS. Isso significa estar contribuindo ou estar dentro do período em que ainda mantém proteção previdenciária.
O segundo requisito é comprovar a existência da doença ou lesão. Isso pode ser feito por meio de exames, relatórios médicos, prontuários, receitas, laudos de especialistas e histórico de tratamento.
O terceiro requisito é demonstrar que a LER deixou sequela permanente com redução da capacidade para o trabalho habitual.
A redução não precisa ser total. Basta que a sequela prejudique o desempenho profissional. Por exemplo, um barbeiro que perdeu parte da força na mão dominante, sente dor ao usar tesoura por muito tempo ou tem dormência ao manusear a máquina pode ter sua capacidade reduzida.
A sequela precisa ser permanente
Sim. Para o auxílio-acidente, é necessário que exista sequela permanente ou de longa duração, consolidada após o tratamento.
Isso não significa que a dor precisa ser insuportável todos os dias. Também não significa que o barbeiro precisa estar inválido. A exigência é que exista uma limitação funcional residual, ou seja, uma consequência da doença que permaneça mesmo depois do tratamento.
Em casos de LER, essas sequelas podem incluir:
Redução de força
Limitação de movimentos
Dor crônica
Dormência
Formigamento
Perda de sensibilidade
Dificuldade para segurar instrumentos
Dificuldade para movimentos repetitivos
Limitação para manter os braços elevados
Redução da resistência muscular
Essas sequelas podem afetar diretamente a produtividade e a qualidade do trabalho do barbeiro.
O barbeiro precisa parar de trabalhar para receber auxílio-acidente
Não necessariamente. O auxílio-acidente pode ser pago mesmo que o barbeiro continue trabalhando.
Essa é uma das principais características do benefício. Como ele tem natureza indenizatória, o objetivo não é substituir totalmente a renda do trabalhador, mas compensar a redução parcial da capacidade.
Assim, um barbeiro pode continuar atendendo clientes e, ao mesmo tempo, receber o auxílio-acidente, desde que fique comprovado que a LER deixou sequelas que reduzem sua capacidade profissional.
Exemplos de LER em barbeiros
A LER pode aparecer de diversas formas na rotina de um barbeiro. Alguns exemplos comuns são:
Tendinite no punho causada pelo uso constante de tesoura
Tenossinovite provocada por movimentos repetidos dos dedos
Síndrome do túnel do carpo por compressão do nervo mediano
Epicondilite causada por esforço repetitivo no cotovelo
Bursite no ombro por manter os braços elevados
Cervicalgia crônica por inclinação constante do pescoço
Dores lombares por permanecer muitas horas em pé
Essas doenças podem parecer simples no início, mas podem se tornar incapacitantes quando não tratadas adequadamente ou quando o profissional continua exposto à mesma rotina de esforço.
Tabela sobre LER e impactos na atividade do barbeiro
| Condição relacionada à LER | Região afetada | Impacto no trabalho do barbeiro |
|---|---|---|
| Tendinite | Punho, mão ou ombro | Dor ao manusear tesoura, máquina e navalha |
| Tenossinovite | Tendões das mãos e dedos | Dificuldade em movimentos finos e repetitivos |
| Síndrome do túnel do carpo | Punho e dedos | Dormência, formigamento e perda de força |
| Epicondilite | Cotovelo | Dor ao segurar instrumentos e fazer movimentos repetidos |
| Bursite | Ombro | Limitação para manter o braço elevado |
| Cervicalgia ocupacional | Pescoço e coluna cervical | Dor ao inclinar a cabeça durante os atendimentos |
| Lombalgia ocupacional | Coluna lombar | Dificuldade para ficar em pé por muitas horas |
Documentos importantes para pedir auxílio-acidente
Para aumentar as chances de reconhecimento do benefício, o barbeiro deve reunir documentos médicos e profissionais.
Entre os principais documentos estão:
Laudos médicos
Exames de imagem
Eletroneuromiografia, quando indicada
Relatórios de ortopedista, neurologista, reumatologista ou fisiatra
Receitas médicas
Atestados
Prontuários
Relatórios de fisioterapia
Comprovantes de afastamento
Carteira de trabalho, se houver vínculo empregatício
Comprovantes de contribuição ao INSS, se for autônomo
Descrição da rotina profissional
Fotos ou vídeos do ambiente de trabalho, quando úteis
Quanto melhor for a documentação, mais fácil será demonstrar a relação entre a doença, a atividade profissional e a redução da capacidade.
Barbeiro empregado e barbeiro autônomo
O barbeiro empregado, com carteira assinada, normalmente já contribui para o INSS por meio do empregador. Nesse caso, a qualidade de segurado costuma ser mais fácil de comprovar.
Já o barbeiro autônomo precisa estar contribuindo como contribuinte individual. Muitos profissionais trabalham por conta própria, alugam cadeira em barbearia, atendem em domicílio ou têm seu próprio espaço. Nesses casos, é essencial manter as contribuições previdenciárias em dia.
Se o barbeiro autônomo não contribui para o INSS, pode ter dificuldade para acessar benefícios previdenciários. Por isso, a regularidade das contribuições é um ponto fundamental.
LER causada pelo trabalho e nexo ocupacional
Para o auxílio-acidente, é importante demonstrar que a doença tem relação com o trabalho. Esse vínculo é chamado de nexo causal ou nexo ocupacional.
No caso do barbeiro, o nexo pode ser demonstrado pela repetição diária dos movimentos, pela postura exigida, pelo tempo de atividade na profissão, pelo histórico de sintomas e pelos relatórios médicos que indiquem a relação entre a doença e a função exercida.
Mesmo quando a doença não foi causada exclusivamente pelo trabalho, pode haver direito se a atividade profissional contribuiu para o agravamento do quadro.
Por exemplo, um barbeiro pode ter predisposição a problemas no punho, mas a rotina intensa de cortes e barbas pode acelerar ou agravar a lesão. Nessa situação, ainda pode haver discussão sobre o direito ao benefício.
A importância da perícia médica do INSS
A perícia médica é uma etapa central na análise do auxílio-acidente. O perito avaliará os documentos apresentados, examinará o segurado e verificará se existe sequela com redução da capacidade de trabalho.
Por isso, o barbeiro deve comparecer à perícia com todos os documentos médicos organizados. Também deve explicar com clareza como a LER afeta sua rotina profissional.
É importante relatar, por exemplo:
Se sente dor ao usar tesoura
Se perde força ao segurar a máquina
Se tem dormência nos dedos
Se precisa fazer pausas frequentes
Se reduziu o número de atendimentos
Se evita determinados serviços
Se sente piora após jornadas longas
Se já precisou se afastar do trabalho
A perícia não deve avaliar apenas o diagnóstico, mas também o impacto funcional da doença na profissão habitual.
O INSS pode negar o benefício
Sim. O INSS pode negar o auxílio-acidente por vários motivos. Entre os mais comuns estão:
Entender que não há sequela permanente
Entender que não houve redução da capacidade
Não reconhecer relação entre a LER e o trabalho
Considerar a documentação insuficiente
Avaliar que a doença é degenerativa e não ocupacional
Concluir que o segurado está apto sem restrições
A negativa administrativa não significa que o barbeiro não tenha direito. Muitas vezes, o benefício é negado no INSS, mas reconhecido posteriormente na Justiça, principalmente quando há prova médica mais completa.
O que fazer se o auxílio-acidente for negado
Se o benefício for negado, o barbeiro pode apresentar recurso administrativo ou buscar o Poder Judiciário.
Na via judicial, normalmente será realizada uma nova perícia médica, conduzida por perito nomeado pelo juiz. Essa perícia pode analisar com mais profundidade a relação entre a LER e a atividade profissional.
É importante que o barbeiro reúna todos os documentos e explique detalhadamente as limitações que enfrenta no trabalho. A atuação de um advogado previdenciário pode ajudar na organização das provas, na formulação dos pedidos e no acompanhamento da perícia.
Valor do auxílio-acidente
O auxílio-acidente corresponde a um percentual calculado conforme as regras previdenciárias aplicáveis ao caso. Em geral, ele funciona como uma indenização mensal paga ao segurado que ficou com redução parcial da capacidade laboral.
O valor pode variar conforme o histórico contributivo do segurado, a data do acidente ou da doença ocupacional e os critérios legais aplicáveis.
Como a legislação previdenciária passou por alterações ao longo do tempo, é importante analisar cada caso individualmente para verificar a regra correta de cálculo.
O auxílio-acidente pode ser acumulado com salário
Sim. O auxílio-acidente pode ser acumulado com salário ou renda do trabalho.
Isso significa que o barbeiro pode continuar trabalhando em uma barbearia, atuar como autônomo ou manter seu próprio negócio e, ao mesmo tempo, receber o benefício.
A lógica é simples: o benefício indeniza a redução da capacidade, não substitui totalmente a renda do trabalhador.
O auxílio-acidente pode ser acumulado com aposentadoria
Em regra, o auxílio-acidente não é acumulado com aposentadoria. Quando o segurado se aposenta, o pagamento do auxílio-acidente tende a cessar, conforme as regras previdenciárias aplicáveis.
Por isso, é importante analisar o momento correto de pedir o benefício e verificar se existem valores atrasados a receber.
Auxílio-acidente e valores atrasados
Quando o INSS nega indevidamente o benefício ou deixa de concedê-lo no momento correto, o barbeiro pode ter direito a receber valores atrasados.
Esses atrasados podem corresponder ao período entre a data em que o benefício deveria ter começado e a data da concessão administrativa ou judicial.
Em muitos casos, a discussão envolve a data da cessação do auxílio-doença, a data da consolidação das lesões ou a data do requerimento administrativo.
A LER precisa ter começado após um acidente específico
Não. A LER nem sempre surge de um acidente único. Muitas vezes, ela se desenvolve lentamente, ao longo dos anos, em razão da repetição dos movimentos e da sobrecarga física.
Isso não impede o reconhecimento do direito. A doença ocupacional pode ser equiparada ao acidente de trabalho quando demonstrada a relação com a atividade profissional.
Portanto, o barbeiro não precisa provar que sofreu um acidente específico, como uma queda ou corte. Ele precisa demonstrar que a doença tem relação com o trabalho e que deixou sequela com redução da capacidade.
Barbeiro MEI pode ter direito ao auxílio-acidente
O barbeiro que atua como MEI pode ter direito a benefícios previdenciários, desde que esteja contribuindo corretamente e cumpra os requisitos exigidos.
No entanto, o enquadramento previdenciário do MEI possui particularidades. Por isso, é importante verificar se as contribuições foram feitas corretamente e se existe qualidade de segurado na data em que a incapacidade ou a sequela foi constatada.
O simples fato de ser MEI não elimina o direito ao benefício, mas a análise das contribuições é essencial.
Como a LER afeta a capacidade profissional do barbeiro
A capacidade profissional do barbeiro depende de precisão, coordenação motora, resistência, força e controle dos movimentos.
Mesmo uma limitação parcial pode causar grande impacto. Um profissional com dor no punho pode até conseguir cortar cabelo, mas talvez precise trabalhar mais devagar. Outro pode conseguir atender poucos clientes por dia, mas não suportar uma jornada completa. Há ainda quem consiga fazer cortes simples, mas tenha dificuldade com acabamentos detalhados, barba com navalha ou escova.
Essas limitações demonstram que a capacidade não desapareceu totalmente, mas foi reduzida. É justamente esse tipo de situação que pode justificar o auxílio-acidente.
Prova da redução da capacidade
A prova da redução da capacidade deve mostrar não apenas a existência da doença, mas o impacto dela na profissão.
Um laudo que apenas diga “tendinite” pode ser insuficiente. O ideal é que o relatório médico descreva as limitações funcionais, como perda de força, dor ao esforço repetitivo, limitação de movimento, necessidade de pausas e dificuldade para exercer atividades manuais.
Também é útil demonstrar mudanças na rotina profissional, como:
Redução do número de clientes atendidos
Diminuição da jornada
Abandono de determinados serviços
Necessidade de contratar ajuda
Aumento das pausas
Troca de instrumentos por modelos mais leves
Dificuldade para manter produtividade
Esses elementos ajudam a demonstrar a redução real da capacidade laboral.
Diferença entre dor comum e sequela indenizável
Nem toda dor gera direito ao auxílio-acidente. Para que o benefício seja concedido, é necessário que a dor esteja associada a uma sequela permanente ou a uma limitação funcional que reduza a capacidade de trabalho.
Uma dor passageira, uma inflamação temporária ou um quadro que melhora completamente com tratamento podem justificar afastamento temporário, mas não necessariamente auxílio-acidente.
Por outro lado, se mesmo após tratamento o barbeiro continua com dor crônica, perda de força, dormência ou limitação de movimentos, a situação pode ser diferente.
A importância do histórico médico
O histórico médico é muito importante em casos de LER, porque essas doenças costumam se desenvolver progressivamente.
Consultas antigas, exames repetidos, fisioterapia, uso de medicamentos, afastamentos e relatórios sucessivos ajudam a mostrar que o problema não é recente nem isolado.
Esse histórico também pode demonstrar que a doença persistiu mesmo após tentativas de tratamento, fortalecendo a tese de sequela permanente.
Tratamentos comuns para LER em barbeiros
O tratamento da LER pode variar conforme o diagnóstico. Entre as medidas mais comuns estão:
Repouso relativo
Fisioterapia
Uso de anti-inflamatórios
Imobilização temporária
Infiltrações
Exercícios de fortalecimento
Ergonomia
Redução da jornada
Cirurgia, em alguns casos
Mesmo com tratamento, alguns profissionais permanecem com limitações. Quando isso ocorre, pode haver direito ao auxílio-acidente.
O papel da ergonomia na barbearia
A ergonomia é fundamental para prevenir e reduzir os efeitos da LER. Cadeiras ajustáveis, altura correta do cliente, instrumentos leves, pausas programadas e postura adequada podem diminuir a sobrecarga física.
No entanto, a adoção de medidas ergonômicas depois do surgimento da lesão nem sempre elimina as sequelas já instaladas.
Por isso, mesmo que o barbeiro adapte sua rotina, ainda pode ter direito ao benefício se a redução da capacidade permanecer.
Barbeiro pode receber auxílio-acidente sem CAT
A Comunicação de Acidente de Trabalho, conhecida como CAT, é importante nos casos de acidente ou doença ocupacional, mas a ausência dela não impede automaticamente o reconhecimento do direito.
Muitos barbeiros autônomos não têm CAT emitida. Mesmo trabalhadores empregados podem enfrentar resistência do empregador na emissão do documento.
Nesses casos, a relação entre a doença e o trabalho pode ser comprovada por outros meios, como laudos médicos, perícia, testemunhas, documentos profissionais e histórico de atividade.
A doença degenerativa impede o benefício
Não necessariamente. O INSS muitas vezes nega benefícios alegando que a doença é degenerativa. Porém, mesmo doenças degenerativas podem ser agravadas pelo trabalho.
Se a atividade de barbeiro contribuiu para o agravamento da lesão ou para a redução da capacidade, o caso pode ser discutido.
O ponto central é verificar se existe relação entre o trabalho e a limitação funcional apresentada.
Auxílio-acidente para barbeiro com síndrome do túnel do carpo
A síndrome do túnel do carpo é uma das condições mais relevantes para barbeiros. Ela ocorre pela compressão do nervo mediano no punho e pode causar dormência, formigamento, dor e perda de força na mão.
Para um barbeiro, esses sintomas podem comprometer o uso da tesoura, da máquina, da navalha e de outros instrumentos manuais.
Quando a síndrome deixa sequela permanente e reduz a capacidade para a atividade habitual, pode justificar o auxílio-acidente.
Auxílio-acidente para barbeiro com tendinite
A tendinite é a inflamação de tendões e pode atingir punhos, mãos, cotovelos e ombros. No barbeiro, ela pode surgir pelo uso repetitivo de instrumentos e pela manutenção de posturas forçadas.
Quando a tendinite se torna crônica e limita a capacidade de trabalho, pode haver direito ao auxílio-acidente.
O diagnóstico isolado não basta. É preciso demonstrar que a doença deixou sequela funcional.
Auxílio-acidente para barbeiro com bursite no ombro
A bursite no ombro pode prejudicar a elevação dos braços, movimento muito comum na rotina do barbeiro. Cortar cabelo, aparar laterais, escovar e secar fios podem exigir braços elevados por vários minutos.
Se a bursite se torna crônica e gera limitação permanente, o barbeiro pode ter redução da capacidade profissional.
Nesses casos, a perícia deve avaliar a amplitude de movimento, a dor ao esforço e o impacto na atividade habitual.
Auxílio-acidente para barbeiro com epicondilite
A epicondilite, conhecida popularmente como cotovelo de tenista, pode afetar profissionais que realizam movimentos repetitivos com o braço e o punho.
No barbeiro, essa condição pode dificultar o uso contínuo de tesouras, máquinas e escovas. Quando há dor persistente, perda de força ou limitação funcional, pode haver discussão sobre o auxílio-acidente.
O barbeiro precisa de advogado para pedir o benefício
O pedido administrativo pode ser feito diretamente ao INSS. No entanto, em casos de LER, a análise costuma ser mais complexa, porque envolve nexo ocupacional, perícia médica e comprovação da redução da capacidade.
Por isso, a orientação de um advogado pode ser importante, especialmente quando o benefício é negado ou quando os documentos precisam ser organizados de forma técnica.
Como fazer o pedido no INSS
O pedido deve ser feito pelos canais oficiais do INSS. O segurado deve apresentar documentos pessoais, comprovantes de contribuição, exames, laudos e relatórios médicos.
É importante descrever corretamente o benefício pretendido e demonstrar que houve redução da capacidade após a consolidação das lesões.
Se o barbeiro já recebeu auxílio-doença antes, essa informação deve ser considerada, pois o auxílio-acidente muitas vezes é devido após a cessação do benefício temporário.
Erros comuns ao pedir auxílio-acidente
Entre os erros mais comuns estão:
Apresentar poucos documentos médicos
Não explicar a rotina profissional
Focar apenas na dor, sem demonstrar limitação funcional
Não comprovar contribuições ao INSS
Não relacionar a LER com o trabalho
Comparecer à perícia sem exames atualizados
Não contestar uma negativa indevida
Esses erros podem prejudicar a análise do benefício.
Perguntas e respostas sobre auxílio-acidente para barbeiro com LER
Barbeiro com LER sempre tem direito ao auxílio-acidente?
Não. O direito depende da existência de sequela permanente que reduza a capacidade para o trabalho habitual. O diagnóstico de LER, sozinho, não garante o benefício.
Posso receber auxílio-acidente e continuar trabalhando como barbeiro?
Sim. O auxílio-acidente pode ser recebido junto com a renda do trabalho, pois tem natureza indenizatória.
A LER precisa ter sido causada exclusivamente pelo trabalho?
Não necessariamente. Se o trabalho contribuiu para o surgimento, agravamento ou aceleração da doença, o direito pode ser discutido.
Barbeiro autônomo pode receber auxílio-acidente?
Pode, desde que tenha qualidade de segurado e contribuições previdenciárias adequadas, além de cumprir os demais requisitos.
MEI barbeiro pode pedir auxílio-acidente?
Sim, desde que esteja regular perante o INSS e comprove a sequela com redução da capacidade.
O INSS negou meu pedido. Isso encerra o caso?
Não. A negativa do INSS pode ser contestada por recurso administrativo ou ação judicial.
Quais exames ajudam a comprovar LER?
Exames de imagem, eletroneuromiografia, relatórios médicos, laudos ortopédicos, neurológicos, fisiátricos e documentos de fisioterapia podem ajudar.
Dor no punho dá direito ao auxílio-acidente?
Depende. A dor precisa estar relacionada a uma sequela permanente que reduza a capacidade de trabalho.
Tendinite crônica pode gerar auxílio-acidente?
Sim, quando deixa limitação funcional permanente e reduz a capacidade do barbeiro para exercer sua profissão.
Preciso ter recebido auxílio-doença antes?
Nem sempre, mas em muitos casos o auxílio-acidente surge após a cessação do auxílio-doença. Cada situação deve ser analisada individualmente.
Conclusão
O auxílio-acidente para barbeiro com LER é um direito possível quando a lesão por esforço repetitivo deixa sequelas permanentes que reduzem a capacidade para o exercício da profissão. A atividade de barbeiro exige movimentos repetitivos, precisão manual, força, resistência, postura adequada e uso contínuo de mãos, punhos, braços, ombros e coluna. Por isso, doenças como tendinite, síndrome do túnel do carpo, bursite, epicondilite e dores crônicas podem comprometer diretamente o desempenho profissional.
O mais importante é entender que o barbeiro não precisa estar totalmente incapaz para ter direito ao benefício. A redução parcial da capacidade já pode ser suficiente, desde que comprovada por documentos médicos, perícia e análise da rotina de trabalho.
Também é essencial comprovar a qualidade de segurado, a existência da doença, a relação com a atividade profissional e a sequela permanente. Se o INSS negar o pedido, ainda pode ser possível buscar a revisão administrativa ou judicial.
Em casos de LER, cada detalhe importa: a função exercida, o tempo de profissão, os movimentos repetidos, os sintomas, os tratamentos realizados e as limitações que permaneceram. Quando esses elementos são bem demonstrados, o barbeiro com LER pode ter reconhecido o direito ao auxílio-acidente como forma de compensação pela perda parcial de sua capacidade laboral.
