Auxílio-acidente para designer com dor persistente no ombro

Designer com dor persistente no ombro pode ter direito ao auxílio-acidente quando essa dor decorre de acidente, doença ocupacional ou lesão relacionada ao trabalho, deixa sequela permanente e reduz sua capacidade para exercer a atividade habitual. A profissão de designer pode parecer predominantemente intelectual, mas envolve uso repetitivo de membros superiores, longas jornadas em computador, mouse, teclado, mesa digitalizadora, postura estática, tensão cervical e sobrecarga em ombros, braços, punhos e mãos. Por isso, quando a dor no ombro se torna crônica e limita a produção, a velocidade, a precisão, a resistência ou a permanência no trabalho, o caso pode justificar análise previdenciária.

Índice do artigo

O que é o auxílio-acidente

O auxílio-acidente é um benefício previdenciário de natureza indenizatória pago ao segurado que sofreu acidente de qualquer natureza ou doença equiparada e ficou com sequela permanente que reduziu sua capacidade para o trabalho habitual.

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Ele não exige incapacidade total. O trabalhador pode continuar exercendo atividade profissional e, ainda assim, receber o benefício, desde que tenha perdido parte da capacidade que possuía antes.

No caso do designer, isso é muito importante. O profissional pode continuar criando peças, editando imagens, usando softwares, atendendo clientes e entregando projetos, mas com dor, limitação, menor produtividade, necessidade de pausas frequentes ou dificuldade para manter a mesma jornada. Se essa redução for permanente e estiver comprovada, pode haver direito ao auxílio-acidente, desde que a categoria previdenciária permita.

Dor persistente no ombro pode gerar auxílio-acidente?

Pode, mas não de forma automática. A dor persistente no ombro pode gerar auxílio-acidente quando representa uma sequela permanente que reduz a capacidade para o trabalho habitual.

A dor precisa ter repercussão funcional. Isso significa que não basta sentir desconforto. É necessário demonstrar que a dor limita movimentos, reduz força, diminui resistência, prejudica o uso do mouse, dificulta desenho digital, impede longas horas de trabalho, exige pausas, causa perda de produtividade ou impede tarefas típicas da profissão.

O benefício não é concedido apenas pelo diagnóstico ou pelo CID. O ponto principal é a consequência prática da dor na atividade de designer.

A atividade de designer e o esforço repetitivo

A atividade de designer costuma envolver longos períodos de trabalho sentado, atenção visual intensa e uso repetitivo dos braços. O profissional pode passar horas manipulando mouse, caneta digital, teclado, trackpad, mesa digitalizadora ou outros dispositivos.

Esse padrão de trabalho exige controle fino dos movimentos, estabilidade do ombro, coordenação entre ombro, cotovelo, punho e mão, além de postura adequada. Quando o ombro está dolorido, todo esse conjunto pode ser comprometido.

A dor pode surgir ou piorar com movimentos repetitivos, elevação do braço, apoio inadequado, mesa em altura incorreta, cadeira inadequada, ausência de pausas, prazos intensos, jornadas prolongadas e pressão por produtividade.

Por que o ombro é importante para o designer

O ombro é responsável por posicionar o braço no espaço e dar suporte aos movimentos finos da mão. Mesmo quando o trabalho parece concentrado no punho ou nos dedos, o ombro participa da sustentação do membro superior.

Durante o uso do mouse, da mesa digitalizadora ou da caneta, o ombro pode permanecer contraído por longos períodos. Essa contração estática pode gerar dor, fadiga muscular e inflamação.

Quando há lesão no ombro, o designer pode ter dificuldade para manter o braço na posição de trabalho, movimentar o mouse com precisão, desenhar por longos períodos, apoiar o braço, alcançar objetos na mesa ou sustentar a postura durante a jornada.

Principais causas de dor persistente no ombro em designers

A dor persistente no ombro pode ter várias causas. Algumas são decorrentes de acidente, outras de esforço repetitivo ou postura inadequada.

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Entre as causas mais comuns estão:

Tendinopatia do manguito rotador

Bursite

Síndrome do impacto

Lesão do supraespinhal

Capsulite adesiva

Lesão labral

Dor miofascial

Cervicobraquialgia

Radiculopatia cervical

Contratura crônica

Lesão por esforço repetitivo

Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho

Sequela de queda ou trauma

Inflamação por sobrecarga repetitiva

Cada caso deve ser analisado individualmente, porque o diagnóstico sozinho não define o direito ao benefício.

Doença ocupacional no trabalho de designer

A doença ocupacional ocorre quando a atividade profissional causa, agrava ou contribui para determinada condição de saúde. No caso do designer, isso pode acontecer por repetição de movimentos, postura estática, ergonomia inadequada, uso prolongado de mouse, tensão muscular e jornadas excessivas.

Problemas no ombro podem ser reconhecidos como relacionados ao trabalho quando há compatibilidade entre a rotina profissional e o quadro clínico.

Nem sempre o trabalho é a única causa. Muitas vezes, ele atua como concausa, agravando uma predisposição ou lesão pré-existente. Isso pode ser suficiente para discutir direito previdenciário, desde que exista prova da relação entre trabalho, doença e redução funcional.

O que é concausa

Concausa é quando o trabalho não é o único motivo da doença, mas contribui para o agravamento, aceleração ou manifestação do problema.

Um designer pode já ter tendência a dor no ombro, alteração postural ou lesão leve. Porém, se longas jornadas em computador, uso contínuo de mouse e falta de ergonomia agravam o quadro e deixam limitação permanente, pode haver relação ocupacional.

A concausa é muito importante em doenças musculoesqueléticas, porque raramente existe uma única causa isolada.

Dor no ombro por acidente

Além da doença ocupacional, a dor persistente no ombro pode surgir após acidente. O designer pode sofrer queda, impacto, torção, acidente de trânsito, trauma durante deslocamento, acidente no ambiente de trabalho ou lesão ao carregar equipamentos.

Se o acidente deixa sequela permanente e reduz a capacidade para o trabalho, pode haver direito ao auxílio-acidente.

O acidente não precisa obrigatoriamente ser acidente de trabalho. O auxílio-acidente pode decorrer de acidente de qualquer natureza, desde que preenchidos os requisitos.

Dor no ombro por uso de mouse

O uso prolongado do mouse pode contribuir para dor no ombro quando há postura inadequada, braço sem apoio, mesa alta, cadeira mal ajustada ou movimentos repetitivos durante muitas horas.

O ombro pode permanecer tensionado, especialmente quando o profissional usa o mouse distante do corpo, eleva o braço ou trabalha sem pausas.

Com o tempo, essa sobrecarga pode gerar tendinopatia, dor miofascial, bursite ou síndrome do impacto. Se o quadro se torna permanente e reduz a capacidade laboral, pode haver discussão previdenciária.

Dor no ombro por mesa digitalizadora

Designers que usam mesa digitalizadora ou caneta digital podem fazer movimentos repetitivos e manter o braço em posição elevada ou estendida por longos períodos.

Embora esses dispositivos sejam fundamentais para ilustração, edição, animação e design gráfico, também podem exigir esforço contínuo do ombro. A dor pode piorar em trabalhos detalhados, longas sessões de desenho e projetos com prazo apertado.

Quando o profissional perde resistência para desenhar ou precisa interromper o trabalho frequentemente, há possível redução funcional.

Dor no ombro e postura estática

A postura estática é uma causa frequente de dor. Ficar muitas horas sentado, com pescoço projetado, ombros elevados ou braços sem apoio, pode gerar sobrecarga muscular.

O designer pode permanecer concentrado por horas, sem perceber tensão acumulada em trapézio, cervical, escápulas e ombros.

Com o tempo, isso pode causar dor persistente, limitação de movimento e redução da tolerância ao trabalho prolongado.

Dor cervical irradiada para o ombro

Nem toda dor no ombro vem da própria articulação do ombro. Às vezes, a origem está na coluna cervical.

Hérnias cervicais, protrusões, contraturas, radiculopatias e compressões nervosas podem causar dor irradiada para ombro, braço e mão. Também podem gerar formigamento, perda de força e dificuldade para movimentos finos.

Para o designer, isso pode ser muito limitante, pois afeta precisão, resistência e controle dos membros superiores.

Quando a dor no ombro vira sequela

A dor no ombro pode ser considerada sequela quando permanece após tratamento e consolidação do quadro. Isso pode ocorrer mesmo depois de fisioterapia, medicação, infiltração, cirurgia, repouso ou adaptação ergonômica.

A sequela pode aparecer como dor crônica, limitação de amplitude, perda de força, redução de resistência, dificuldade de manter o braço elevado, rigidez ou piora com movimentos repetitivos.

Para o auxílio-acidente, essa sequela precisa reduzir a capacidade para o trabalho habitual.

Diferença entre dor temporária e dor permanente

A dor temporária é aquela que melhora com tratamento e não deixa limitação duradoura. Nesses casos, pode haver afastamento temporário, mas não necessariamente auxílio-acidente.

A dor permanente ou crônica é aquela que persiste, retorna com o esforço ou permanece após a consolidação da lesão. Se ela reduz a capacidade de trabalho, pode justificar auxílio-acidente.

Situação do designer Benefício mais provável Exemplo
Dor aguda em tratamento Benefício por incapacidade temporária Crise intensa com afastamento
Dor persistente com sequela Auxílio-acidente, se preenchidos os requisitos Limitação permanente para uso de mouse
Dor sem prova funcional Pode haver negativa Queixa isolada sem documentos
Incapacidade total para qualquer atividade Aposentadoria por incapacidade permanente Caso grave e irreversível
Designer MEI ou autônomo Auxílio-acidente tende a ser negado Pode analisar outros benefícios

Auxílio-acidente não exige incapacidade total

O designer não precisa estar totalmente impedido de trabalhar para receber auxílio-acidente. O benefício pode ser devido quando existe redução parcial da capacidade.

Isso é importante porque muitos designers continuam trabalhando mesmo com dor. Eles reduzem a carga, fazem pausas, diminuem a velocidade, recusam projetos, trocam equipamentos ou adaptam a rotina. Ainda assim, podem ter uma perda permanente de capacidade.

O benefício indeniza essa redução, desde que o segurado esteja em categoria com direito ao auxílio-acidente.

Quem pode receber auxílio-acidente

Em regra, podem receber auxílio-acidente o empregado, o empregado doméstico nas hipóteses aplicáveis, o trabalhador avulso e o segurado especial.

O contribuinte individual, o MEI e o segurado facultativo, em regra, não têm direito ao auxílio-acidente.

Esse ponto é muito importante para designers, porque muitos trabalham como freelancers, MEIs, autônomos ou prestadores de serviço. Esses profissionais podem ter direito a outros benefícios por incapacidade, mas normalmente não ao auxílio-acidente.

Designer empregado

O designer empregado, com carteira assinada, pode ter direito ao auxílio-acidente se comprovar que a dor persistente no ombro decorre de acidente ou doença ocupacional, deixou sequela permanente e reduziu sua capacidade para a função habitual.

Nesse caso, a relação com o trabalho pode ser demonstrada por ergonomia inadequada, jornada extensa, repetição de movimentos, falta de pausas, exigência de produtividade, uso intensivo de equipamentos e histórico de sintomas durante o vínculo.

A carteira assinada ajuda no enquadramento previdenciário, mas a prova médica e funcional continua indispensável.

Designer MEI, freelancer ou autônomo

O designer MEI, freelancer ou autônomo normalmente contribui como contribuinte individual. Em regra, essa categoria não tem direito ao auxílio-acidente.

Se a dor no ombro impede temporariamente o trabalho, pode haver direito ao benefício por incapacidade temporária, desde que cumpridos os requisitos. Se a incapacidade for total e permanente, pode ser analisada aposentadoria por incapacidade permanente.

O problema está na redução parcial permanente, que é justamente o campo do auxílio-acidente, mas não costuma ser coberta para contribuinte individual.

E se o designer é PJ, mas trabalha como empregado?

Algumas empresas contratam designers como PJ ou MEI, mas exigem rotina típica de emprego: horário fixo, subordinação, pessoalidade, exclusividade, metas, controle de jornada e integração à equipe.

Se houver vínculo de emprego disfarçado, pode ser possível discutir o reconhecimento trabalhista da relação. Esse reconhecimento pode ter reflexos previdenciários.

Nesses casos, a análise jurídica deve observar a realidade do trabalho, não apenas o contrato formal.

O que o INSS avalia

O INSS avalia se há qualidade de segurado, categoria com direito ao benefício, acidente ou doença equiparada, sequela permanente e redução da capacidade para o trabalho habitual.

Na perícia, o médico perito deve verificar se a dor no ombro é compatível com os documentos apresentados e se há limitação funcional.

Para designer, é essencial demonstrar que a dor interfere na função, e não apenas em atividades físicas pesadas.

Como provar que a dor reduz a capacidade do designer

A prova deve mostrar que a dor no ombro prejudica tarefas típicas da profissão. Isso pode incluir:

Uso prolongado de mouse

Desenho em mesa digitalizadora

Edição de imagens

Ilustração

Animação

Diagramação

Modelagem

Uso de teclado e atalhos

Reuniões longas em computador

Produção sob prazo

Manutenção da postura sentada

Controle fino de movimentos

A redução da capacidade pode aparecer como queda de produtividade, necessidade de pausas, dor ao final da jornada, limitação para projetos longos ou impossibilidade de trabalhar a mesma quantidade de horas.

Exames que ajudam

Os exames ajudam a demonstrar a lesão. Dependendo do caso, podem ser úteis:

Ultrassonografia do ombro

Ressonância magnética

Raio-x

Tomografia

Eletroneuromiografia

Exames da coluna cervical

Avaliação ortopédica

Avaliação funcional

Relatório de fisioterapia

Exames de força e amplitude

O exame deve ser analisado junto com sintomas e função profissional.

Exame alterado garante benefício?

Não. Um exame alterado não garante auxílio-acidente. Muitas pessoas têm alterações em exames sem limitação funcional significativa.

O benefício depende da redução da capacidade para o trabalho habitual.

Por isso, um laudo de tendinopatia, bursite ou lesão parcial precisa ser acompanhado de relatório que explique como isso afeta a atividade do designer.

Dor sem exame alterado pode gerar direito?

Pode ser mais difícil, mas não é impossível. Algumas dores musculares, miofasciais ou posturais podem ter poucos achados em exames de imagem.

Nesses casos, a prova clínica e funcional ganha importância. Relatórios médicos detalhados, fisioterapia, histórico de tratamento, ergonomia, afastamentos e readaptação podem ajudar.

Mesmo assim, quanto mais objetiva for a documentação, maior a chance de reconhecimento.

Relatório médico ideal

O relatório médico deve indicar o diagnóstico, histórico do quadro, relação com a atividade, tratamentos realizados, exames analisados e limitações funcionais.

Para o designer, é importante que o médico descreva restrições para uso prolongado de mouse, movimentos repetitivos, permanência em postura estática, elevação do braço, esforço com membro superior e necessidade de pausas.

Também deve indicar se a sequela é permanente ou se ainda há possibilidade de recuperação.

Relatório fisioterapêutico

O relatório fisioterapêutico pode ser muito útil. Ele pode descrever limitação de amplitude, dor ao movimento, perda de força, fadiga muscular, pontos de tensão, alterações posturais e dificuldade para movimentos repetitivos.

Também pode registrar evolução do tratamento e persistência da limitação.

Esse documento complementa o relatório médico e ajuda a demonstrar a funcionalidade.

Prova da rotina de trabalho

Para o auxílio-acidente, é importante provar a rotina do designer. Podem ser usados:

Carteira de trabalho

Contrato

Holerites

Descrição de cargo

Declaração da empresa

Registros de jornada

Prints de projetos

Provas de uso de softwares

Comunicações internas

Laudos ergonômicos

Relatórios de saúde ocupacional

Documentos de afastamento

Documentos de readaptação

A prova da rotina mostra que a dor no ombro afeta diretamente a atividade habitual.

Ergonomia e ambiente de trabalho

A ergonomia pode ser um ponto central. Cadeira inadequada, mesa muito alta, monitor mal posicionado, mouse distante, ausência de apoio para braços e falta de pausas podem contribuir para dor no ombro.

Quando a empresa não adota medidas ergonômicas adequadas, pode haver discussão sobre doença ocupacional e eventual responsabilidade trabalhista.

Para o benefício previdenciário, a ergonomia ajuda a demonstrar o nexo entre trabalho e lesão.

Readaptação do designer

A readaptação pode ocorrer quando o designer é transferido para função com menor exigência de produção gráfica, menos uso de mouse ou mais atividades de planejamento e supervisão.

Também pode ocorrer com redução de jornada, pausas obrigatórias, troca de equipamento ou alteração da rotina.

A readaptação é um forte indício de redução da capacidade, mas deve estar documentada.

Home office e dor no ombro

Muitos designers trabalham em home office. Isso pode dificultar a prova do ambiente de trabalho, mas não elimina a possibilidade de doença ocupacional.

No home office, o profissional pode trabalhar em mesa inadequada, cadeira comum, notebook sem suporte, sem pausas e com jornada prolongada.

Se houver vínculo de emprego e relação entre atividade e dor no ombro, o caso pode ser analisado previdenciária e trabalhista.

Benefício por incapacidade temporária

Se a dor no ombro impede o designer de trabalhar por determinado período, o benefício adequado pode ser o benefício por incapacidade temporária.

Esse benefício exige incapacidade atual para o trabalho e afastamento. Ele é diferente do auxílio-acidente, que pressupõe sequela permanente e redução parcial.

O designer pode receber benefício temporário durante a crise ou tratamento e, depois, se restar sequela, discutir auxílio-acidente.

Aposentadoria por incapacidade permanente

Em casos mais graves, quando a dor e a limitação impedem qualquer atividade laboral e não há possibilidade de reabilitação, pode ser analisada aposentadoria por incapacidade permanente.

Esse benefício exige incapacidade total e permanente, o que é mais severo do que a redução parcial exigida para o auxílio-acidente.

A perícia do INSS

Na perícia, o designer deve explicar sua rotina de trabalho com clareza. Deve informar quantas horas usa computador, quais equipamentos utiliza, se usa mesa digitalizadora, se sente dor ao usar mouse, se precisa pausar, se perdeu produtividade e se houve alteração de função.

Também deve levar documentos médicos e provas da atividade profissional.

O perito precisa entender que o ombro é essencial para sustentar o braço durante tarefas repetitivas e prolongadas.

O que o perito avalia

O perito avalia dor, força, amplitude de movimento, limitação funcional, compatibilidade com exames, histórico de tratamento, permanência da sequela e impacto na atividade habitual.

No ombro, pode avaliar elevação do braço, rotação, força, dor ao movimento, estabilidade e capacidade de repetição.

Também deve considerar se a dor tem origem cervical, muscular ou articular.

Quando o INSS costuma negar

O INSS pode negar quando entende que a dor é leve, temporária, sem sequela, sem nexo com o trabalho ou sem redução da capacidade.

Também pode negar quando o designer é MEI ou autônomo, por categoria previdenciária.

Outra negativa comum ocorre quando os documentos médicos são genéricos e não explicam o impacto funcional da dor na atividade de design.

Recurso administrativo

Se o INSS negar, é possível apresentar recurso administrativo. O recurso deve explicar a relação entre dor no ombro, rotina profissional e redução da capacidade.

Também deve juntar documentos mais completos, como laudo médico atual, fisioterapia, descrição de função e provas de ergonomia ou readaptação.

Ação judicial

Na ação judicial, normalmente há perícia médica. A ação deve demonstrar que a dor no ombro é sequela permanente e que reduz a capacidade para o trabalho habitual.

É importante apresentar provas de que a profissão exige uso contínuo dos membros superiores, postura estática e movimentos repetitivos.

Possíveis direitos trabalhistas

Se a dor no ombro tem relação com o trabalho, pode haver discussão trabalhista. Dependendo do caso, podem ser analisados estabilidade, indenização por danos morais, danos materiais, responsabilidade da empresa, falha ergonômica, ausência de pausas e doença ocupacional.

O auxílio-acidente é um benefício previdenciário. A indenização trabalhista é uma discussão diferente, relacionada à responsabilidade do empregador.

Exemplo prático de designer empregado

Imagine um designer empregado que trabalha oito horas por dia usando mouse e mesa digitalizadora. Após anos de atividade repetitiva e postura inadequada, desenvolve dor persistente no ombro, tendinopatia e perda de resistência. Mesmo após tratamento, não consegue manter longas jornadas de criação sem pausas frequentes.

Se houver sequela permanente e redução da capacidade para a função, pode haver direito ao auxílio-acidente.

Exemplo prático de designer MEI

Imagine um designer MEI que trabalha como freelancer e desenvolve dor persistente no ombro. Ele tem limitação para trabalhar longas horas, mas contribui como contribuinte individual.

Nesse caso, o auxílio-acidente tende a ser negado pela categoria previdenciária. Porém, se estiver temporariamente incapaz, pode analisar benefício por incapacidade temporária.

Exemplo de acidente fora do trabalho

Imagine um designer empregado que sofre queda fora do expediente, lesiona o ombro e, após tratamento, permanece com limitação para usar mouse e desenhar por longos períodos.

Mesmo sendo acidente fora do trabalho, pode haver direito ao auxílio-acidente se houver sequela permanente e redução da capacidade, pois o benefício pode decorrer de acidente de qualquer natureza.

Como fortalecer o pedido

Para fortalecer o pedido, o designer deve reunir documentos médicos, exames, relatórios fisioterapêuticos, provas da rotina profissional, descrição das tarefas e documentos de readaptação.

Também é importante demonstrar a evolução do quadro: início da dor, tratamentos, persistência da limitação e impacto na produtividade.

O pedido deve deixar claro que a dor no ombro reduz a capacidade para a atividade habitual.

Perguntas e respostas

Designer com dor persistente no ombro pode receber auxílio-acidente?

Pode, se houver sequela permanente e redução da capacidade para o trabalho habitual, além de categoria previdenciária com direito ao benefício.

Dor no ombro basta para o benefício?

Não. A dor precisa estar comprovada e causar limitação funcional permanente.

Designer MEI tem direito ao auxílio-acidente?

Em regra, não. O MEI normalmente contribui como contribuinte individual, categoria que não costuma receber auxílio-acidente.

Designer empregado pode ter direito?

Sim, se comprovar sequela permanente, redução da capacidade e relação com acidente ou doença equiparada.

Uso de mouse pode causar doença ocupacional?

Pode contribuir para doença ocupacional, especialmente quando há repetição, postura inadequada, falta de pausas e ergonomia deficiente.

Precisa parar de trabalhar?

Não para o auxílio-acidente. O benefício pode ser recebido com o segurado trabalhando.

Exame alterado garante o benefício?

Não. É preciso demonstrar impacto funcional na atividade de designer.

Dor sem exame alterado pode ser reconhecida?

Pode ser mais difícil, mas pode ser analisada com relatórios clínicos, fisioterapia, histórico de tratamento e prova funcional.

O que levar para a perícia?

Relatórios médicos, exames, fisioterapia, documentos da função, descrição da rotina, provas de uso intensivo de computador e documentos de readaptação.

Se o INSS negar, posso entrar na Justiça?

Sim. A negativa pode ser discutida por recurso administrativo ou ação judicial.

Conclusão

O auxílio-acidente para designer com dor persistente no ombro pode ser reconhecido quando a dor decorre de acidente, doença ocupacional ou lesão equiparada, deixa sequela permanente e reduz a capacidade para a atividade habitual. Embora o design seja muitas vezes visto como uma profissão intelectual, o trabalho exige uso contínuo dos membros superiores, postura estática, precisão manual, resistência muscular e longas jornadas em computador.

A dor no ombro pode comprometer o uso de mouse, mesa digitalizadora, teclado, caneta digital, softwares de criação e tarefas repetitivas. Quando essa limitação permanece após tratamento e reduz a produtividade ou a capacidade de manter a rotina profissional, o caso merece análise previdenciária.

O benefício não exige incapacidade total e pode ser recebido com o trabalhador em atividade. Porém, é indispensável comprovar a sequela, a redução funcional e a categoria previdenciária adequada. Designers empregados podem ter direito ao auxílio-acidente, enquanto MEIs e autônomos, em regra, enfrentam impedimento para esse benefício específico.

Relatórios médicos detalhados, exames, fisioterapia, provas da rotina de trabalho, documentos ergonômicos e eventual readaptação são essenciais para fortalecer o pedido. Quando bem demonstrada, a dor persistente no ombro pode deixar de ser vista como simples desconforto e ser reconhecida como uma limitação funcional capaz de justificar o auxílio-acidente.

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