CID J45 (asma): quando passa a ser incapacitante
Publicado em · Atualizado em
O CID J45 identifica a asma, mas não concede afastamento, aposentadoria ou BPC automaticamente. Para benefício por incapacidade, é necessário demonstrar a limitação para o trabalho e cumprir os requisitos previdenciários; no BPC, os critérios são assistenciais e próprios.
Crises, exames e tratamentos são elementos da avaliação, não uma lista cumulativa de condições obrigatórias. O relatório deve explicar como a asma limita as tarefas ou a participação social, conforme o benefício pretendido.
Benefício temporário, aposentadoria, auxílio-acidente e BPC têm requisitos diferentes, detalhados a seguir; nenhum decorre apenas do CID J45.
O que significa CID J45
O CID J45 corresponde à asma. Trata-se de uma doença respiratória crônica caracterizada por inflamação das vias aéreas, episódios de falta de ar, chiado no peito, tosse, aperto torácico e limitação ao fluxo de ar.
A asma apresenta intensidade e evolução variáveis. O PCDT do Ministério da Saúde de 2026 distingue controle dos sintomas de gravidade da doença: sintomas ocasionais não dispensam acompanhamento e uma doença grave pode exigir tratamento contínuo para permanecer controlada. Isso não equivale a incapacidade laboral automática.
No contexto previdenciário, essa diferença é essencial. O INSS não concede benefício apenas porque o segurado tem CID J45 no laudo. É preciso demonstrar como a doença afeta a capacidade laboral.
Nesta página
Ter asma dá direito automático a benefício do INSS?
Não. O diagnóstico e o uso de medicamentos, isoladamente, não demonstram direito ao benefício. A avaliação deve relacionar a condição clínica às tarefas reais, à duração da limitação e à cobertura previdenciária.
Uma mesma pessoa pode estar apta para determinada função e ter restrições em outra, especialmente quando há exposição relevante a irritantes ou sensibilizantes. O cargo, sozinho, também não prova incapacidade: devem ser descritos os agentes, as tarefas e o efeito funcional no caso concreto.
Quando a asma passa a ser incapacitante
A asma passa a ser incapacitante quando provoca limitação respiratória relevante e impede o segurado de exercer sua atividade habitual com segurança e regularidade.
Isso pode ocorrer quando há crises frequentes, falta de ar aos mínimos esforços, necessidade de afastamentos repetidos, internações, uso de oxigênio, risco de crise grave no ambiente de trabalho ou necessidade de evitar agentes que fazem parte da rotina profissional.
Por exemplo, um trabalhador de limpeza que usa produtos fortes e apresenta crises sempre que manuseia desinfetantes, cloro ou solventes pode estar incapacitado para aquela atividade. Um trabalhador rural que entra em crise com poeira, mofo, defensivos agrícolas ou fumaça também pode ter incapacidade laboral.
A incapacidade não depende apenas da gravidade médica em abstrato. Depende do impacto concreto na profissão.
Asma leve, moderada e grave no olhar previdenciário
A classificação clínica ajuda a orientar o cuidado, mas não é uma tabela de concessão de benefícios. O PCDT de 2026 avalia controle e riscos futuros separadamente da gravidade. O quadro abaixo apresenta situações ilustrativas; em todas elas, a conclusão previdenciária depende de avaliação funcional e dos requisitos legais.
| Situação clínica | Possível impacto no trabalho | Possível consequência previdenciária |
|---|---|---|
| Asma leve e controlada | Pouca ou nenhuma limitação | Geralmente não gera benefício |
| Asma moderada com crises ocasionais | Pode limitar esforço físico e exposição a irritantes | Pode justificar afastamento em fases de crise |
| Asma grave com crises frequentes | Pode impedir atividades com esforço ou exposição ambiental | Pode justificar auxílio por incapacidade temporária |
| Asma grave não controlada | Limitação persistente, risco de internação e crises recorrentes | Avaliar duração da incapacidade e reabilitação; gravidade clínica isolada não define aposentadoria. |
| Asma ocupacional | Crises relacionadas ao ambiente de trabalho | Investigar nexo e requisitos do benefício acidentário e da estabilidade; não são automáticos. |
| Asma com sequela respiratória permanente | Redução funcional duradoura | Auxílio-acidente somente nas hipóteses legais, com sequela consolidada, redução habitual e categoria coberta. |
Auxílio por incapacidade temporária em caso de asma
O auxílio por incapacidade temporária exige incapacidade para o trabalho ou atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos, além da qualidade de segurado e da carência quando exigida. A duração é a da incapacidade, não simplesmente o tempo desde o diagnóstico de asma.
Exemplo hipotético: uma empregada recebe recomendação médica de afastamento por 30 dias após uma crise. O atestado é uma prova relevante, mas ainda é necessário demonstrar a incapacidade e conferir a cobertura e os demais requisitos; os 30 dias não garantem concessão. Para empregado de empresa, os primeiros 15 dias de afastamento são de responsabilidade do empregador, observadas as regras aplicáveis.
O pedido é iniciado pelo serviço oficial de benefício por incapacidade, no Meu INSS. A forma de análise documental ou pericial depende do procedimento e das condições do pedido; siga as orientações exibidas e use a Central 135 se precisar de atendimento.
Aposentadoria por incapacidade permanente por asma
A aposentadoria por incapacidade permanente depende de incapacidade que impeça atividade capaz de garantir a subsistência e de impossibilidade de reabilitação, além dos demais requisitos do RGPS. Não basta o laudo registrar asma grave ou a pessoa precisar de medicamentos.
A análise considera limitações persistentes, prognóstico e possibilidades reais de reabilitação. Se a limitação for temporária ou houver possibilidade de outra atividade compatível, o enquadramento pode ser diferente. Não há um número de crises ou internações que, sozinho, determine aposentadoria.
Auxílio-acidente por asma é possível?
O auxílio-acidente é uma indenização por sequela consolidada que reduza a capacidade para o trabalho habitual, decorrente de acidente de qualquer natureza ou de doença legalmente equiparada a acidente do trabalho. Não se confunde com incapacidade temporária nem decorre de qualquer diagnóstico de asma.
Em asma relacionada ao trabalho, precisam ser demonstrados o nexo, a consolidação e a redução funcional permanente. A simples exposição a produtos ou a persistência de sintomas não resolve esses requisitos.
O benefício abrange empregado, inclusive doméstico nas hipóteses legais, trabalhador avulso e segurado especial; contribuinte individual e facultativo não estão abrangidos. Confira o serviço e os requisitos oficiais do auxílio-acidente. É possível continuar trabalhando, observadas as regras próprias do benefício.
Asma ocupacional: quando a doença tem relação com o trabalho
É importante distinguir asma causada pelo trabalho de asma preexistente agravada por exposições profissionais. Ambas exigem investigação clínica e ocupacional; estar empregado ou apresentar uma crise no expediente não prova, por si só, o nexo.
Farinha, poeiras, tintas, produtos de limpeza, látex e outros agentes podem ser relevantes conforme a exposição concreta. Descreva produtos e tarefas, ventilação, duração, início dos sintomas e evolução nos períodos de trabalho e afastamento. O nexo ou a concausa dependem de avaliação técnica.
A CAT comunica o evento e auxilia a documentação, mas não concede benefício automaticamente. Doença profissional ou do trabalho reconhecida pode dispensar a carência dos benefícios por incapacidade, sem dispensar a prova dos demais requisitos.
Para o contrato de emprego, a Lei 8.213/1991, art. 118, prevê estabilidade mínima de 12 meses após a cessação do auxílio por incapacidade acidentário, quando presentes os requisitos. A Lei 8.036/1990, art. 15, § 5º, prevê FGTS no afastamento por acidente do trabalho. Indenização civil depende de apuração própria; nexo não significa condenação automática da empresa.
Diferença entre asma comum e asma relacionada ao trabalho
A asma comum pode existir independentemente da profissão. Já a asma relacionada ao trabalho tem ligação com o ambiente laboral.
A diferença pode estar na causa ou no agravamento. Mesmo que a pessoa já tenha predisposição, se o trabalho piora o quadro de forma relevante, o nexo ocupacional pode ser reconhecido.
Um sinal importante é a melhora fora do ambiente de trabalho. Se o segurado piora durante a jornada, melhora nos fins de semana, férias ou afastamentos, e volta a piorar ao retornar, isso pode indicar relação ocupacional.
Outro sinal é a presença de colegas com sintomas semelhantes ou ambiente sem ventilação adequada, uso frequente de produtos irritantes e ausência de equipamentos de proteção eficientes.
Profissões com maior risco de incapacidade por asma
Algumas profissões tendem a gerar mais risco para pessoas com asma, principalmente quando envolvem esforço físico ou exposição respiratória.
Entre elas estão trabalhadores de limpeza, pintores, soldadores, padeiros, trabalhadores rurais, marceneiros, trabalhadores de indústria química, operadores de produção, profissionais da construção civil, trabalhadores de frigorífico, cabeleireiros, manicures expostas a produtos químicos, motoristas expostos à poluição e profissionais que lidam com poeira ou mofo.
Isso não significa que todo trabalhador dessas áreas terá direito a benefício. Significa que o impacto da asma deve ser avaliado com mais atenção, porque a atividade pode agravar crises ou impedir o controle da doença.
A importância da função exercida
A perícia do INSS deve considerar a função real do segurado. Não basta registrar “asma” e concluir que a pessoa pode trabalhar.
Um trabalhador de escritório com asma controlada pode ter pouca limitação. Já uma faxineira que manipula produtos de limpeza fortes diariamente pode estar incapacitada para a função. Um pedreiro exposto a cimento, poeira e esforço físico também pode enfrentar risco maior.
Por isso, o laudo médico deve explicar a profissão. O ideal é informar não apenas o cargo, mas as tarefas realizadas: carregar peso, varrer poeira, usar produtos químicos, trabalhar em local frio, subir escadas, correr, dirigir por longos períodos ou permanecer em ambiente com fumaça.
Documentos importantes para comprovar incapacidade por asma
Organize os documentos disponíveis que demonstrem a evolução clínica e a repercussão funcional. A lista a seguir não é uma exigência universal de todos os exames: cabe ao profissional de saúde indicar os exames pertinentes e interpretar os resultados, considerando idade, condições de realização e quadro clínico.
Entre os documentos úteis estão laudos de pneumologista, espirometria, exames de função pulmonar, prontuários de pronto-socorro, relatórios de internação, receitas de medicamentos contínuos, atestados de afastamento, relatórios de crises, exames de imagem quando houver complicações, comprovantes de uso de bombinhas, corticoides e broncodilatadores, além de relatórios sobre limitação ao esforço.
Em caso de suspeita ocupacional, também ajudam CAT, PPP, LTCAT, fichas de entrega de EPI, descrição do ambiente de trabalho, fotos, testemunhas e documentos que demonstrem exposição a agentes irritantes.
O que o laudo médico deve dizer
Um laudo forte para fins previdenciários deve ir além do CID J45. Ele deve explicar a situação funcional do segurado.
O ideal é que o médico informe o tipo de asma, frequência das crises, tratamentos realizados, medicamentos em uso, necessidade de afastamento, limitações ao esforço, riscos de exposição, histórico de internações e relação com a atividade profissional.
Um laudo genérico como “paciente com asma, necessita afastamento” pode ser insuficiente.
Não copie um diagnóstico ou uma recomendação pronta.
O relatório deve ser emitido pelo profissional responsável e descrever apenas fatos clínicos verdadeiros, com data, identificação profissional, limitações observadas e período estimado de afastamento quando indicado. Um exemplo de informação útil é a descrição das tarefas e das exposições efetivamente relatadas e avaliadas.
Perícia do INSS em caso de asma
Na perícia, o médico deve avaliar se a asma impede o trabalho. Ele pode observar exames, laudos, histórico clínico, medicações, internações, frequência das crises e profissão.
Como os sintomas podem variar ao longo do tempo, estar sem crise no dia da avaliação não resume todo o histórico. Leve registros datados de atendimento, exames e relatórios que descrevam a frequência dos episódios e a repercussão nas tarefas, sem presumir de antemão que a perícia será inadequada.
Por isso, é importante levar documentos que mostrem o histórico, não apenas o estado daquele dia. Prontuários de pronto atendimento e relatórios de internações costumam ter grande relevância.
Crises frequentes e incapacidade laboral
Crises frequentes podem indicar incapacidade, principalmente quando são imprevisíveis, intensas ou exigem atendimento médico.
Uma pessoa que falta ao trabalho várias vezes por falta de ar, precisa sair da jornada para usar medicação, vai repetidamente ao pronto-socorro ou não consegue concluir atividades por cansaço respiratório pode ter incapacidade temporária.
O INSS deve avaliar a regularidade do trabalho. Não basta perguntar se a pessoa consegue executar uma tarefa por alguns minutos. É preciso saber se consegue manter jornada, produtividade e segurança.
Asma grave e risco de morte
Uma crise respiratória grave é uma questão de assistência à saúde, não um motivo para aguardar perícia ou reunir documentos antes de buscar atendimento. Em situação de urgência ou emergência, procure assistência imediata; o SAMU 192 orienta e atende essas ocorrências.
Fora da urgência, as restrições de exposição e a necessidade de afastamento devem ser indicadas pela equipe de saúde conforme a avaliação individual. Este texto não orienta iniciar, suspender ou ajustar medicamentos.
Asma e trabalho em ambiente insalubre
Muitos trabalhadores asmáticos atuam em ambientes com poeira, fumaça, vapores, mofo, baixa ventilação, frio intenso ou produtos irritantes. Esses fatores podem piorar a doença.
O adicional de insalubridade, quando existente, não substitui benefício previdenciário. Uma coisa é a remuneração por exposição a agente nocivo. Outra é a incapacidade para trabalhar.
Se a exposição agrava a asma e impede a continuidade na função, pode haver direito a afastamento, readaptação, reabilitação ou discussão de doença ocupacional.
Readaptação e reabilitação profissional
Nem todo caso de asma incapacitante leva à aposentadoria. Muitas vezes, o segurado não pode continuar na função habitual, mas pode trabalhar em ambiente controlado.
Nesses casos, a reabilitação profissional pode ser indicada. O trabalhador pode ser reabilitado para função sem exposição a agentes respiratórios, sem esforço físico intenso e em ambiente ventilado.
Exemplo: um trabalhador de indústria química com asma agravada por vapores pode não conseguir continuar na produção, mas talvez possa exercer atividade administrativa, almoxarifado sem exposição ou controle de estoque, se tiver condições reais para isso.
A reabilitação deve considerar as limitações funcionais e as condições pessoais e profissionais relevantes. A possibilidade precisa ser avaliada no caso concreto; a mera sugestão de um cargo diferente não demonstra, sozinha, que a pessoa pode exercê-lo.
BPC/LOAS para pessoa com asma
O BPC é assistencial e não exige contribuição prévia. Há dois caminhos distintos: pessoa idosa com 65 anos ou mais, ou pessoa com deficiência de qualquer idade, além dos requisitos socioeconômicos e cadastrais. O idoso não precisa comprovar deficiência para o BPC por idade.
Para a pessoa com asma que pede BPC por deficiência, deve ser demonstrado impedimento de longo prazo que, em interação com barreiras, possa obstruir a participação plena e efetiva na sociedade. A LOAS considera longo prazo os efeitos por pelo menos dois anos; não é exigência de ter esperado dois anos para requerer quando a duração estiver demonstrada.
A referência legal de renda é até um quarto do salário mínimo por pessoa do grupo familiar, observadas as regras de composição, exclusões e demais provas de vulnerabilidade admitidas. Despesas não geram abatimento irrestrito nem aprovação automática. A avaliação social e médica segue o procedimento próprio do BPC.
Confira CPF, CadÚnico atualizado há menos de dois anos e as exigências de registro biométrico e representação aplicáveis. O serviço oficial de BPC à pessoa com deficiência informa como requerer. O benefício não paga 13º nem deixa pensão por morte.
Criança com CID J45 pode receber benefício?
Uma criança com asma pode ser avaliada para o BPC por deficiência quando cumprir os requisitos. Não se exige provar incapacidade para uma profissão que ela não exerce: avaliam-se impedimento e barreiras na participação e nas atividades compatíveis com a idade.
Relatórios de acompanhamento, registros de crises e atendimentos, informações escolares e necessidade real de apoio podem ajudar a demonstrar o impacto. Internações ou uso de remédios não são uma lista obrigatória cumulativa. A renda e os demais requisitos do grupo familiar também devem ser analisados.
Asma e deficiência respiratória
Nem toda pessoa com asma é pessoa com deficiência. A Lei Brasileira de Inclusão relaciona impedimento de longo prazo à interação com barreiras e à participação social, com avaliação biopsicossocial quando necessária. O CID ou a dificuldade para uma tarefa isolada não resolve essa classificação.
Deficiência, incapacidade para o trabalho e nexo ocupacional são questões diferentes. Uma conclusão em uma delas não substitui automaticamente a avaliação exigida para outro direito.
Asma, carência e qualidade de segurado
Nos benefícios previdenciários por incapacidade, verifique a qualidade de segurado na data relevante e a carência. A regra geral é de 12 contribuições mensais; acidente de qualquer natureza, doença profissional ou do trabalho e outras hipóteses legais podem dispensá-la. O CID J45, por si só, não dispensa carência.
A cobertura pode ser mantida durante o período de graça, segundo a categoria e as condições da Lei 8.213/1991, art. 15. Havendo perda e nova filiação, também é preciso conferir as regras de aproveitamento das contribuições anteriores; não basta contar pagamentos sem examinar as datas.
Compare CNIS, vínculos, recolhimentos e a data de início da incapacidade. Para segurado especial e outras situações específicas, consulte as regras próprias de comprovação. Mesmo com dispensa de carência, ainda é necessário demonstrar a incapacidade e os demais requisitos aplicáveis.
Doença preexistente e agravamento
A data do diagnóstico não deve ser confundida com a data de início da incapacidade. Os arts. 42, § 2º, e 59, § 1º, da Lei 8.213/1991 tratam da doença ou lesão já existente na filiação e da exceção em que a incapacidade decorre de progressão ou agravamento.
Por isso, asma anterior à filiação não deve receber resposta automática de concessão ou negativa. Reúna documentos sobre o quadro anterior, o trabalho realizado, a evolução posterior e a data em que surgiu a limitação incapacitante. A análise não se limita a saber se a pessoa já tinha crises na infância.
Como contestar negativa do INSS por CID J45
Leia o motivo exato da negativa: incapacidade, carência, cobertura e documentação exigem respostas diferentes. Guarde a comunicação e a data em que tomou ciência.
O recurso ordinário administrativo pode ser apresentado em até 30 dias após o conhecimento da decisão, conforme o serviço oficial. Explique o ponto contestado e junte documentos pertinentes, sem presumir que novo pedido substitua o recurso.
Prorrogação, novo requerimento e ação judicial têm finalidades e condições diferentes. Avalie a via adequada ao benefício e ao momento do caso; não há garantia de resultado ou de que uma perícia judicial será necessariamente mais detalhada.
Erros comuns em pedidos de benefício por asma
Documentação desconectada da função: apresentar apenas o CID ou uma lista de medicamentos pode não explicar a incapacidade. Relacione os fatos clínicos às tarefas, ao período de limitação e às exposições reais.
Histórico incompleto: preserve comprovantes datados e o acompanhamento disponível. Registre também dificuldades de acesso ao tratamento. Não é necessário demonstrar crises que não ocorreram nem produzir um relato padronizado para obter benefício.
Confundir cuidado com concessão: o tratamento deve ser decidido com a equipe de saúde, e não alterado para influenciar o pedido. A necessidade de medicação ou uma barreira de acesso não prova, isoladamente, incapacidade ou falta de direito.
Exemplo prático de asma incapacitante
Imagine uma trabalhadora de limpeza em escola. Ela usa desinfetantes, cloro, removedores e outros produtos todos os dias. Começa a ter tosse, chiado e falta de ar durante a jornada. Vai várias vezes ao pronto-socorro e o pneumologista registra asma persistente com piora por exposição química.
Nesse caso, mesmo que ela esteja bem em casa, pode estar incapaz para a função habitual. O benefício pode ser discutido, e também pode haver análise de nexo com o trabalho.
Agora imagine um trabalhador administrativo com asma leve, sem crises há meses, usando medicação de controle e trabalhando em ambiente adequado. Nesse cenário, pode não haver incapacidade previdenciária.
A diferença não está apenas no CID, mas no impacto real da doença.
Perguntas e respostas
CID J45 dá direito a auxílio-doença?
Não automaticamente. É preciso demonstrar incapacidade temporária para a atividade habitual por mais de 15 dias, qualidade de segurado e carência quando exigida. O atestado deve ser analisado com os demais elementos do caso.
Asma grave pode aposentar?
Pode haver direito quando estiverem preenchidos os requisitos de incapacidade permanente e impossibilidade de reabilitação, além da cobertura previdenciária. O rótulo de asma grave, sozinho, não determina aposentadoria.
Quem tem asma pode receber BPC?
Pode, se cumprir os requisitos do BPC: impedimento de longo prazo em interação com barreiras, no pedido por deficiência, e critérios socioeconômicos e cadastrais. Pessoas com 65 anos ou mais têm caminho próprio por idade.
Asma ocupacional dá direito a benefício acidentário?
O nexo ou a concausa precisa ser reconhecido e os requisitos do benefício, cumpridos. CAT, benefício acidentário, estabilidade e indenização não são a mesma coisa nem surgem automaticamente por um documento com CID J45.
Preciso de espirometria para provar asma?
A espirometria é importante na investigação e no acompanhamento conforme o PCDT, mas não substitui história e avaliação clínica. A indicação e a viabilidade, inclusive em crianças, cabem ao profissional; não se exige que todo pedido tenha todos os exames listados no artigo.
O INSS pode negar benefício mesmo com CID J45?
Sim. A negativa pode decorrer de incapacidade não comprovada ou de outro requisito. Leia a fundamentação e a data de ciência; o recurso administrativo tem prazo próprio, e documentação pertinente deve responder ao motivo concreto.
Crise de asma isolada gera benefício?
Uma crise pode justificar atendimento e afastamento clínico. Para benefício temporário do INSS, é preciso demonstrar incapacidade por mais de 15 dias e os demais requisitos; não é obrigatório somar várias crises para haver direito.
Asma controlada gera incapacidade?
Não automaticamente. Controle atual não é sinônimo de ausência de risco futuro, mas também não prova incapacidade. A conclusão depende das tarefas e das limitações documentadas, sem estigma sobre quem tem asma.
Quem trabalha com produtos químicos e tem asma deve ser afastado?
A exposição deve ser investigada pela equipe de saúde e pela saúde ocupacional. A necessidade de afastar, restringir exposições ou adaptar a função é individual; não existe ordem genérica de afastamento apenas por asma e contato com produtos químicos.
Criança com asma pode receber auxílio-doença?
Para criança sem filiação previdenciária, o caminho assistencial eventualmente cabível é o BPC, conforme seus requisitos. Não confunda essa situação com a de adolescente trabalhador ou aprendiz segurado, que exige análise previdenciária própria.
Conclusão
O CID J45 identifica a asma, mas o pedido previdenciário ou assistencial exige demonstrar os requisitos específicos do direito pretendido.
Na análise de incapacidade laboral, o ponto é o impedimento concreto para as tarefas e sua duração; crises, exames e internações ajudam a documentar o caso, mas não substituem essa conclusão.
O INSS não deve analisar apenas o diagnóstico. Deve considerar a profissão, os gatilhos, a gravidade, o tratamento, os exames e a capacidade real de manter uma jornada de trabalho com segurança.
Não existe benefício único para toda pessoa com asma. Benefício temporário, aposentadoria, auxílio-acidente e BPC têm pressupostos diferentes. Documente a limitação, confira as datas e a cobertura e escolha o requerimento adequado, sem tratar a gravidade clínica como promessa de concessão.
O segurado deve reunir provas completas, buscar relatórios médicos detalhados e demonstrar a relação entre a asma e o trabalho. Quando o INSS nega o pedido sem avaliar adequadamente esses elementos, a decisão pode ser contestada administrativamente ou judicialmente.
Como organizar as provas sem confundir os requisitos
- Diagnóstico e evolução: relatório datado do profissional responsável, exames disponíveis e registros de atendimento, sem inventar sintomas ou copiar modelos.
- Trabalho: descrição das tarefas, produtos e exposições, escalas e limitações efetivas, com informações ocupacionais quando pertinentes.
- Previdência: CNIS, vínculos e recolhimentos, datas de filiação e de início da incapacidade, além da decisão que se pretende contestar.
- BPC: documentos familiares, renda, cadastro e elementos sobre impedimento, barreiras e apoio necessário, conforme a idade e o caso.
Para entender a diferença entre uma condição de saúde e o benefício devido, compare também a análise de incapacidade e sequela nos casos de placa e pino: as doenças são diferentes, mas também nesse exemplo não há concessão automática apenas pelo diagnóstico ou pelo material implantado.
Fontes oficiais consultadas
- Ministério da Saúde — PCDT da Asma: Portaria Conjunta 43, de 24/03/2026, e anexo atualizado em 04/09/2026, para diagnóstico, controle, gravidade e exposições.
- Lei 8.213/1991 compilada: arts. 15, 20–22, 25–27-A, 42, 59–62, 86 e 118, para cobertura, incapacidade, nexo e reabilitação.
- LOAS, art. 20, e Lei Brasileira de Inclusão, art. 2º: BPC, impedimento, barreiras e avaliação própria.
- Lei do FGTS, art. 15, § 5º: depósito no afastamento por acidente do trabalho.
Este conteúdo é informativo. Não substitui avaliação médica ou jurídica individual.
Continue a leitura sobre este tema
Mais em Direito Previdenciário
BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA: UMA ANÁLISE SOBRE FLEXIBILIZAÇÃO DO CRITÉRIO DE MISERABILIDADE
Publicado em
Autores: Sarah Batista da Silva 1 Valber Cruz Cereza 2 RESUMO O presente trabalho analisa o Benefício de Prestação Continuada (BPC), sob a ótica da flexibilização do critério de miserabilidade. A temática…
O segurado especial diante da expansão econômica rural: Proteção Social e Desafios Jurídicos
Publicado em
Autores: Lucas Bonadiman Verzola1 Valber Cruz Cereza2 INTRODUÇÃO O presente trabalho analisa a condição do segurado especial diante da expansão econômica rural no Brasil. A pesquisa parte da constatação de que as…
A INSUFICIÊNCIA DO CRITÉRIO DE MISERABILIDADE NO BPC E SUA FLEXIBILIZAÇÃO JUDICIAL
Publicado em
RESUMO O presente trabalho analisa a insuficiência do critério de miserabilidade previsto no art. 20, §3º, da Lei nº 8.742/1993 (Lei Orgânica da Assistência Social) para a concessão do Benefício de Prestação…