As oportunidades em Dubai para o gesso do Araripe em uma abordagem sobre a competitividade deste produto em nível internacional: vantagens e desvantagens

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Resumo: Nos últimos anos, Dubai vem passando por um momento de explosão no setor da construção civil, para acompanhar o ritmo em que o Emirado vem crescendo, investindo principalmente no setor do turismo. Diante desta demanda, o sistema construtivo em gesso do Araripe se apresenta como uma ótima opção, por desenvolver uma obra rápida, limpa e menos onerosa. Esta pesquisa, então, objetivou estudar as vantagens e desvantagens da inserção do setor gesseiro do Araripe no mercado de Dubai, avaliando o potencial dos produtos de gesso brasileiro diante de seus concorrentes no Emirado. Além disso, procurou-se demonstrar que é possível aproveitar-se do desenvolvimento da construção civil em Dubai para firmar-se no país, como potência exportadora de gesso, e por fim foi feita uma análise sobre se as vantagens serão maiores que as desvantagens para trabalhar essa relação internacional.  Utilizando-se o marco teórico da Vantagem Competitiva foi possível compreender quais os obstáculos serão provavelmente enfrentados por um produto novo ao ingressar num mercado estrangeiro, e ao mesmo tempo, utilizando-se a Teoria da Interdependência Complexa, observou-se que fica estabelecida uma relação a partir da qual as empresas buscarão aumentar seu mercado de atuação, e o governo de Dubai conseguirá erguer as construções faraônicas com a rapidez necessária para acompanhar o desenvolvimento da região. A metodologia utilizada foi a pesquisa descritiva e exploratória, por tratar-se de uma pesquisa mercadológica que serviu para se estudarem as vantagens e as desvantagens da entrada do gesso no mercado de Dubai, assim como o provável nível de aceitação do produto, e por buscar mostrar as oprtunidades de desenvolver uma boa pesquisa sobre o assunto em questão, fazendo-se uso do método indutivo. Como resultado, concluiu-se que é vantajoso, sim, investir nas exportações de gesso para Dubai, pois o pólo do Araripe tem produtos qualificados e pode alçar vôos em moldes competitivos como este.

Palavras-chave: Relações Internacionais, Gesso do Araripe, Comércio Exterior, Dubai, Construção Civil.

Abstract: In recent years, Dubai has experienced a moment of explosion in the construction sector, to keep pace of the Emirate´s growth, investing primarily in the tourism sector. Faced with this demand, the gypsum construction system of Araripe presents itself as a great option for developing faster, cleaner and less costly constructions. This research focused on studyng the advantages and disadvantages of entering the Araripe´s gypsum sector in the Dubai market, evaluating the potential of Brazilian gypsum products against their competitors in the Emirate. Besides that, attempts to demonstrate that is possible to take advantage of Dubai´s construction sector development to establish itself in the country, as gypsum potential exporter, and finally an analysis was made on whether the benefits are better than the disadvantages for working on this relationship internationally. Using the theoretical framework of Competitive Advantage turned possible to understand which obstacles are likely to be faced by a new product when entering in a foreign market, and at the same time, using the theory of Complex Interdependence, it was observed that a relationship is established from which companies seek to increase its market area, and the Dubai´s government will be able to direct the pharaonic buildings quickly enough to follow the development of the region. The methodology used was descriptive and exploratory research, because it is a market research that served to study the advantages and disadvantages of gypsum entrance at Dubai´s market, as well as the likely level of product acceptance, and for show the opportunities of developing a good research about the subject in question, using the inductive method. As a result, it was concluded that it is advantageous to invest in gypsum exports to Dubai, because the Araripe Pole has qualified products and is willing to achieve high levels in a competitive way.

Key-words: International Relations, Gypsum from Araripe, Foreign Trade,  Dubai,  Civil Construction

INTRODUÇÃO

Com esta pesquisa, procurou-se estudar as vantagens e desvantagens da inserção do setor gesseiro do Araripe no mercado de Dubai e verificar se as vantagens seriam maiores que as desvantagens para trabalhar essa relação internacional. Também se buscou demonstrar que é possível aproveitar-se do desenvolvimento da construção civil em Dubai para firmar-se no país, como potência exportadora de gesso. Além disso, foi importante avaliar o potencial dos produtos de gesso brasileiro diante de seus concorrentes no Emirado de Dubai.

Claro que abordar a inserção do gesso no mercado internacional é um tema interessante e relevante para o comércio exterior brasileiro, que vem aumentando a diversidade de produtos em sua pauta de exportação. Ao longo dos seus mais de 200 anos de relações comerciais com vários países, o Brasil conquistou mercado criando oportunidades para os produtos nacionais. Devido ao lugar de destaque que o gesso do Araripe vem ganhando no setor da construção civil brasileira, passou a ser cotado também para expandir seu potencial no mercado externo.

Os bons resultados alcançados nas exportações deste produto para países do continente americano, africano e europeu levaram ao interesse de se estudar também sua inserção no mercado do continente asiático, especificamente no conjunto dos Emirados Árabes Unidos e países Árabes localizados no Oriente Médio. Devido aos grandes investimentos no setor da construção civil na região, O Emirado de Dubai estrategicamente é o mais adequado para se escolher como porta de entrada no Oriente Médio para os produtos de gesso brasileiro. Desta forma, este tema se torna importante para incentivar o incremento das exportações dos produtos de gesso no meio internacional.

Desde 2004 Dubai vem passando por um momento de grande explosão econômica, momento a partir do qual a construção civil ganhou impulso e continua crescendo num ritmo acelerado. Este setor no Emirado vem recebendo incentivos financeiros, tanto pela questão da diminuição da necessidade de financiamento de extração de petróleo, devido à proximidade de sua escassez, como pelo aumento das atividades do setor de turismo na região. A procura por Dubai como destino turístico aumentou no mundo inteiro[1], levando a investimentos em infra-estrutura, modernização e criação de complexos hoteleiros de primeiro mundo. Todos esses esforços contribuem para que a cidade seja conhecida pela sua alta qualidade de vida e atmosfera cosmopolita (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO – MDIC, 2009).  

Diante desta demanda por obras faraônicas, o sistema construtivo em gesso se apresenta como uma ótima opção, tanto pela rapidez da obra se comparado ao tempo de construção de alvenaria convencional, como pelo fator custo através do melhor aproveitamento do material, diminuindo desta forma os desperdícios. Outro ponto favorável ao gesso se dá ao fator cultural do golfo pérsico, que preza por peças decorativas, colunas, tetos e sancas que demonstram a herança cultural através de sua arquitetura. Pôde-se perceber esta tendência na maioria das habitações, prédios comerciais e residenciais, hotéis e repartições públicas na cidade. Além disso, o produto gesso já é conhecido em Dubai devido ao seu vizinho Iran, grande produtor mundial de gesso. 

Além das vantagens analisadas, também procurou-se levantar as desvantagens da inserção do gesso do Araripe em Dubai, dando uma ênfase nos últimos acontecimentos em novembro de 2009 que provocaram um temor na comunidade internacional. Tais anúncios feitos pela Dubai World, holding administradora dos investimentos de Dubai, foram uma conseqüência da crise imobiliária americana iniciada em 2008, que desencadeou uma crise internacional de grande abrangência. Até mesmo Dubai, que estava crescendo num ritmo acelerado e otimista, sofreu conseqüências da crise e teve a reação de adiar o pagamento de dívidas, o que diante de um cenário de crise, sacudiu as bolsas de valores de vários países, como Estados Unidos da América, Reino Unido, Japão e China.

Nessa perspectiva, foi relevante realizar-se este estudo para diante da analise das vantagens e desvantagens, ser possível demonstrar que o gesso pode conquistar um espaço importante no setor da construção civil em Dubai, provando que o produto brasileiro tem potencial para competir no meio internacional, colaborando, dessa forma, para o superávit da balança comercial. Nesse sentido, além de promover as exportações brasileiras, a inserção do gesso no Oriente Médio trará benefícios para a região do Araripe que se beneficiará dos lucros e desenvolverá a economia da região.

O Emirado de Dubai é uma região politicamente estável, que favorece os negócios no setor privado e possui uma carga tributária favorável. Seus indicadores econômicos são fortes, e há tempos a economia deixou de ser movida apenas pelo petróleo. Devido a isso, se buscou uma diversificação na economia em setores como o turismo, comércio, transporte, construção dentre outros. Esse processo é considerado chave para tal crescimento econômico, e fez com que o PIB local superasse metas a cada ano, esperando-se que chegue a um PIB per capita de 44.000 dólares em 2015 (CÂMARA DE COMÉRCIO ÁRABE BRASILEIRA – CCAB, 2009).

Um dos investimentos no setor da construção civil em Dubai é a chamada Feira Internacional Expo Dubai – THE BIG 5 PMV, um evento que reúne anualmente  construtoras nacionais com potenciais investidores, empresas internacionais,  e todo o publico voltado para o desenvolvimento do setor. Essa reunião preenche a demanda por inovações na construção civil, e sinaliza o rumo do segmento a cada ano. A Feira internacional é uma ótima oportunidade para encontrar potenciais parceiros, e poderia ser uma porta de entrada para o gesso brasileiro mostrar seu potencial e despertar o interesse do público de Dubai (CCAB, 2009).

Quanto à logística para inserção de produtos internacionais, o Emirado oferece uma infraestrutura de primeira qualidade que facilita as importações. Dubai possui 4 portos, dentre eles o Jebel Ali é o que opera a rota Brasil – Dubai. Além de ser o maior porto do Oriente Médio, Jebel Ali é o maior porto artificial do mundo com 67 berços de atracação, o que favorece o controle logístico dos navios impedindo problemas de atraso na entrega das mercadorias (CCAB, 2009).

Considerando-se o tema que se levantou, a apresentação do problema e os objetivos propostos, trabalhou-se com a seguinte questão de pesquisa:

– A região do Araripe pode conquistar o mercado de Dubai, com gesso, de forma competitiva? Se pode, o que falta para que isso aconteça? Se ainda não pode, o que dificulta esse acesso?

e, nesse contexto apresentado, levando-se em conta o favorável crescimento econômico no Emirado, as oportunidades de acesso ao setor da construção civil local, e as facilidades logísticas para entrada de produtos internacionais, questionou-se a capacidade de o gesso do Araripe expandir sua atuação para o continente asiático, utilizando-se o Oriente Médio como ponto de partida nessa corrida de conquista de mercado. Afinal, pode o gesso do Araripe ter, provavelmente, um acesso exitoso em Dubai.

No capítulo 1, procurou-se, então, abordar o embasamento teórico para fundamentar este trabalho, explicando-se as características da Teoria da Vantagem Competitiva de Michael Porter, enfatizando as estratégias em nível internacional, fazendo uma análise estrutural das indústrias do Pólo Gesseiro, relacionando-as ao possível êxito diante de concorrentes. Também se fez o uso da Teoria da Interdependência Complexa, sendo aplicada no âmbito do comércio exterior.  Além disso, explanou-se, também nesse capítulo, o embasamento metodológico que direcionou a elaboração da pesquisa.

No capítulo 2, fez-se uma análise conceitual sobre os Arranjos Produtivos Locais do Nordeste, enquadrando o APL do Gesso nesta categoria, destacando sua importância para o desenvolvimento da região. Também foi exposto o apoio oferecido por instituições e sindicatos nesta evolução, com ênfase nas oportunidades proporcionadas pela Agência de Promoção às Exportações Brasileiras, onde através de uma retrospectiva histórica do Projeto foi possível esclarecer as necessidades que o setor carecia para se tornar apto a exportar, abordando as mudanças que foram priorizadas para se obter um melhor desempenho no mercado internacional, e os resultados alcançados em diversos países.

No capítulo 3, procurou-se abordar o cenário dos Emirados Árabes Unidos, em particular da cidade de Dubai, para se compreender as oportunidades que o local oferece para a inserção dos produtos de gesso brasileiro no Oriente Médio. Nesse sentido, fez-se uma explanação sobre o alcance das construções civis em Dubai, destacando as construções faraônicas levantadas a todo vapor na região. Também se detalhou o uso do gesso nessa região do mundo, os favoráveis eventos de construção civil e os centros de apoio aos produtos brasileiros.

No capítulo 4, abordou-se a questão da crise econômica que impactou todo o mundo, inclusive Dubai, ressaltando a polêmica sobre o adiamento do pagamento das dívidas da maior construtora do Emirado. Nas considerações finais, pretendeu-se ratificar o que se discutiu ao longo dos capítulos, relatando os prós e contras da inserção do gesso brasileiro no mercado de Dubai, fazendo uma conclusão baseada nos argumentos apresentados ao longo da monografia.

1.REFERENCIAL TEÓRICO E METODOLÓGICO

­Para embasar o tema proposto neste trabalho, a teoria que melhor se adaptou foi a da Vantagem Competitiva, de Michael Porter, que contesta as teorias clássicas, fazendo uma nova abordagem baseada na vantagem competitiva das nações. Antes de se explanar essa teoria no âmbito internacional, deve-se explicar a análise que Porter faz do comportamento das empresas no mercado e as estratégias que costumam adotar em busca da vantagem competitiva. Partindo disto, procurou-se expor a estratégia competitiva a nível internacional, destacando tanto as fontes como os obstáculos da vantagem competitiva global. Em seguida, abordou-se a vantagem competitiva das nações e a questão da produtividade, e por fim os fatores determinantes do êxito internacional de uma indústria segundo a Teoria da Vantagem Competitiva. Ao longo das explanações de caráter teórico, foram feitas associações com a realidade da indústria de gesso do Araripe em e suas oportunidades diante do mercado de Dubai.

1.1  ANÁLISE ESTRUTURAL DAS INDÚSTRIAS

Segundo Porter (1986), existem cinco forças competitivas reguladoras da estrutura industrial, que devem ser observadas por cada empresa: a ameaça de entrada no mercado, a rivalidade entre concorrentes pré-existentes, o papel dos fornecedores, dos compradores e a questão da pressão exercida pelos produtos substitutos. Em relação à ameaça de inserção frente a novos produtos, este fator varia bastante de acordo com os tipos de barreiras encontradas num processo. Grandes barreiras implicam em intensas retaliações dos concorrentes. Quando uma nova empresa ameaça entrar, provocará uma reação de aumento dos custos ou diminuição dos preços dos demais.

A segunda força competitiva é a questão da rivalidade entre concorrentes existentes. Para ganhar a concorrências, eles utilizam-se de artifícios como o forte investimento em publicidade e a garantia de maiores serviços para o cliente. Verificou-se haver uma rivalidade frente a indústrias estrangeiras, como no caso a ser enfrentado pelo gesso do Araripe na entrada em Dubai. Porter afirma que:

“Em muitas indústrias, os concorrentes estrangeiros, quer através das exportações, quer participando diretamente por meio de investimentos externos, desempenham um papel importante na concorrência. Estes concorrentes, embora possuindo algumas diferenças, devem ser tratados da mesma forma que os concorrentes nacionais para fins de análise estrutural”(1986, p. 35).

Neste contexto, fica compreendido que as empresas estrangeiras serão vistas como potenciais concorrentes e tratadas com barreiras e retaliações da mesma forma que as empresas nacionais.

A terceira força competitiva é o papel exercido pelos fornecedores. Estes, por sua vez, podem ameaçar a renda das indústrias quando diminuem a qualidade dos produtos e serviços ou aumentam os preços dos mesmos. A quarta força é exatamente a que faz frente à anterior: o papel dos compradores.   Estes, através do seu poder de negociação barganham por preços baixos, maior qualidade e serviços, já que possuem a ciência de que todos os fornecedores possuem o objetivo em comum de conquistá-lo; logo, põe os demais para lutarem entre si visando a serem escolhidos.

A quinta e última força competitiva consiste na pressão que os produtos substitutos fazem sobre a indústria. Segundo o autor, “Quanto mais atrativa a alternativa de preço-desempenho oferecida pelos produtos substitutos, mais firme será a pressão sobre os lucros da indústria” (PORTER, 1986). Levando para a prática do tema em estudo, pode-se dar o exemplo do gesso como produto substituto da alvenaria convencional.[2] O gesso não só diminui os lucros do cimento, como reduz a fonte de riqueza dessa indústria.

Conforme os pensamentos de Porter (1986), diante dessas cinco forças competitivas, uma empresa poderá escolher adotar uma das três estratégias genéricas para enfrentar a concorrência: liderança em custo, diferenciação e estoque. A primeira, refere-se à atitude de otimizar os custos dentro da indústria para ganhar mercado. A empresa buscará cortar recursos de algumas áreas que podem ser eficazes mesmo que enxutas. Um exemplo prático seria diminuir gastos com publicidade, trocar anúncios em outdoors de produtos de gesso por anúncios em backbus[3].  O consumidor final continuaria sendo atingido com o anúncio, porém de uma forma mais econômica para a empresa.

Já a estratégia de diferenciação, consiste em criar a imagem de um produto especial para o comprador, para que este possa sentir que está adquirindo um item único em relação aos demais.  Uma das formas de se atingir o público é através do emprego de uma tecnologia diferenciada, como é o caso da tecnologia do sistema construtivo em gesso totalmente diferente das construções comuns em alvenaria convencional. O fato de se construir em menos tempo e com menos resíduos faz do gesso um produto diferenciado.

Por último, a estratégia do enfoque consiste em competir num ramo estreito da indústria, elegendo um grupo específico de consumidores finais ou um mercado geográfico definido, e adotar uma das duas estratégias anteriores. No caso deste estudo foi utilizada a estratégia de enfoque, pois foi feita a escolha específica do mercado de Dubai, e dentro desta delimitação foram definidas estratégias de diferenciação do produto para capacitá-lo a competir dentro deste país.

1.2.ESTRATÉGIA COMPETITIVA INTERNACIONAL

Diante do fenômeno crescente da globalização, as indústrias cada vez mais precisam deixar de encarar a concorrência internacional como uma possibilidade, e passar a vê-la como algo real e inerente ao desenvolvimento das empresas. Apesar de diferentes custos, recursos, metas e governos, as indústrias internas e as indústrias globais[4] apresentam os mesmos fatores estruturais e forças de mercado operantes. Isto quer dizer que apesar da análise estrutural nas indústrias globais envolver maior número de concorrentes e produtos substitutos, deve-se levar em conta as mesmas cinco forças competitivas que foram expostas anteriormente para se definir a melhor estratégia de atuação (PORTER, 1986).

Segundo Porter (1986), para entrar em um mercado geográfico específico, as empresas utilizam atividades internacionais como licenças, exportações e investimentos no exterior. As duas primeiras opções são mais indicadas para empresas iniciantes no comércio internacional, para adquirirem experiência antes de investirem.

O gesso iniciou seu trabalho através de participações em eventos e exportações testes, e com isso foi aumentando sua área internacional de atuação. O crescente fluxo de exportações é um bom sinal de que esta indústria tem condições de competir a nível global.

1.2.1. Fontes da Vantagem Competitiva Global

Existem diversas fontes que proporcionam uma vantagem competitiva a nível global. Dentre elas, podemos destacar duas que são relacionadas com o produto gesso do Araripe: A vantagem comparativa e a mobilidade de serviços. Em relação à primeira delas, Porter defende que:

“A existência da vantagem comparativa é um determinante clássico da concorrência global. Quando um país ou países possuem vantagens significativas quanto ao fator custo e ao fator qualidade empregados na fabricação de um produto, estes países são os locais de produção e as exportações fluem daí para outras partes do mundo. Nestas industrias, a posição estratégica da empresa global nos países com uma vantagem comparativa é crucial para a sua posição a nível mundial”(PORTER, 1986, pág 260).

O gesso brasileiro possui essa vantagem, pois uma das reservas de gipsita mais puras do mundo se encontra no pólo do Araripe, proporcionando um produto de alta qualidade e solicitado em nível internacional.

A segunda fonte de vantagem competitiva seria a mobilidade de serviços, que é notada no caso deste produto. O sistema construtivo em gesso detém uma tecnologia diferenciada, e para isso uma equipe de engenheiros e técnicos é treinada para difundir este conhecimento nas obras. No caso das exportações, quando um país compra esta tecnologia uma equipe de consultores e engenheiros poderá ser contratada para viajar até o país onde acontecerão as obras, e capacitar os trabalhadores para fazerem o uso dos produtos de gesso na construção civil.

1.2.2  Obstáculos à Concorrência Global

Vários são os obstáculos que se opõem as tentativas das indústrias em se tornarem globais, e podemos agrupá-los em obstáculos econômicos, gerenciais ou institucionais. Dentre os obstáculos econômicos, destacamos os custos de transporte e armazenamento e também a sensibilidade a tempos de espera. O frete marítimo do Brasil para Dubai não é dos mais baratos, já que a rota é longa. Além disso, os produtos em gesso precisam ficar armazenados em ambiente protegido longe de umidade, não podendo ficar expostos a chuvas. Em relação ao tempo de espera, devido a distancia entre os dois países o tempo de resposta das atividades de marketing, compra e chegada efetiva do produto sofre um atraso, que se dá pela distancia, e não pela operacionalização nos portos em Dubai os quais operaram com muita eficiência.

  

Entre os obstáculos gerenciais, não se pode deixar de fazer menção às tarefas de marketing em outros países. Devido às diferenças de natureza dos canais de distribuição e dos veículos de marketing, uma empresa pode encontrar dificuldade para atingir o consumidor final por falta de conhecimento sobre o marketing local. Por último, em relação aos obstáculos institucionais podemos destacar os governamentais, que procuram proteger as empresas locais através de leis protecionistas, fiscais, políticas trabalhistas entre outras medidas (PORTER, 1986).

1.3 VANTAGEM COMPETITIVA DAS NAÇÕES E A QUESTÃO DA PRODUTIVIDADE

Para explicar como as indústrias atingem o sucesso em nível internacional, Porter (1989) defende que é através da criação da vantagem competitiva das nações que as empresas desenvolvem tecnologia e economias de escalas, apresentam produtos diferenciados e tornam-se capazes de competir no meio internacional. Conforme o autor (1999), a criação desta vantagem está diretamente ligada ao conceito de produtividade, que por sua vez é a principal determinante do padrão de vida de um país.  Se as empresas de uma nação atingem altos níveis de produtividade, significa que essas empresas possuem competitividade à nível nacional. Como as nações não podem ser 100% competitivas, dependendo de capital, recursos naturais e humanos, as mesmas necessitam de integração comercial com outros países para aumentarem a sua produtividade.

Segundo Porter (1989), “o comércio internacional permite ao país aumentar sua produtividade, eliminando a necessidade de produzir todos os bens e serviços dentro do próprio país. (..). As importações, portanto, bem como as exportações são parte integrante do crescimento da produtividade”. Portanto, uma nação deve buscar exportar produtos fabricados com alta produtividade para trazer maior padrão de vida e adquirir vantagem competitiva. Uma alta renda per capta proporcionará inovações na economia, novas abordagens de marketing, enfim, novas formas de tornar a nação competitiva no meio internacional.

Para não perder, então, essa vantagem competitiva é necessário aprimorá-la com freqüência, através de mudanças de estratégia, treinamento de trabalhadores, acompanhamento do cliente, serviço de pós-venda, etc., ampliando em muito o leque de vantagens (PORTER, 1999).

Considerando esses argumentos de Porter, é essencial para o comércio exterior brasileiro manter a vantagem competitiva nacional através do investimento nos setores industriais de grande porte, capazes de concorrer a nível internacional. Desta forma aumentará a produtividade nacional, e intensificará o comércio com outros países, gerando o aumento da renda per capta do país. O setor gesseiro do Araripe pode ser caracterizado como um desses ramos industriais que produzem com alta produtividade e que possuem competitividade nacional, estando apto a competir a nível internacional obedecendo aos padrões de qualidade para tal.   

1.4. FATORES DETERMINANTES DO ÊXITO INTERNACIONAL DE UMA INDÚSTRIA SEGUNDO A TEORIA DA VANTAGEM COMPETITIVA

A Teoria de Porter (1999) busca relatar os fatores determinantes para uma indústria alcançar a vantagem competitiva, dando ênfase ao incentivo que uma nação deve exercer sobre as indústrias, para que busquem a inovação. Esta última é a chave para empresas bem sucedidas se manterem bem posicionadas no mercado. Para se chegar ao sucesso internacional, o autor defende o sistema do “Diamante Nacional” para explicar os quatro pilares que levam a este êxito, como se observa na Figura 1, à qual se fez uma adaptação para melhor explicação do problema objeto desta pesquisa.

 

O primeiro deles seria a condição dos fatores, que consiste na posição do país em relação aos seus fatores de produção, como mão-de-obra e infra-estrutura. O segundo pilar seria a condição de demanda, ou seja, a natureza da demanda interna para produtos e serviços do setor. O terceiro determinante seria a presença ou ausência de setores fornecedores e de correlatos, que consigam competir a nível internacional. Por último, o quarto pilar consiste na estratégia, estrutura e rivalidade das empresas.

Os pilares do Diamante Nacional determinam em conjunto a vantagem competitiva, e desta forma as empresas aprendem a competir. No que se refere à condição de fatores, eles podem ser herdados naturalmente do país, ou criados. Porter acredita que a criação destes é a melhor forma de se atingir a vantagem competitiva no meio internacional, pois a capacidade de inovação é o que amplia a vantagem ao longo do tempo.  Já em relação à condição de demanda, o autor defende que atender as necessidades dos consumidores locais é uma forma de se aprimorar antecipadamente os produtos e deixá-los mais qualificados para o comércio internacional (1989).

Sobre o terceiro pilar do Diamante, podemos destacar a presença de fornecedores de insumos que são competitivos internacionalmente. O abastecimento dentro do prazo e de boa qualidade beneficia toda a cadeia de produção. Por fim, o último determinante abrange a forma como as empresas são criadas e dirigidas, assim como a rivalidade interna entre empresas de um mesmo setor (1999). Podemos usar o exemplo da concorrência que motiva as várias empresas do setor gesseiro a melhorarem sua infra-estrutura, organização, prazos de entrega, pois estando desenvolvidas no mercado nacional conseqüentemente terão maior competitividade no mercado internacional.   Como foi exposto, a Teoria de Porter serviu de base para a análise da vantagem competitiva do gesso do Araripe no mercado de Dubai, possibilitando identificar as melhores estratégias de atuação para a inserção exitosa no país.

1.5 A TEORIA DA INTERDEPENDÊNCIA COMPLEXA E SEUS REFLEXOS SOBRE O COMÉRCIO EXTERIOR

Segundo o entendimento de Keohane e Nye (apud SARFATI, 2005, p. 164), a “… interdependência é uma situação caracterizada por efeitos recíprocos entre os países ou entre os atores de diferentes países ou simplesmente o estado de mútua dependência”, embora isso não signifique, evidentemente, que em uma relação de negócio internacional haja sempre um estado dependendo de outro, em proporções semelhantes, porque existem outros aspectos que implicam nessas situações. “As relações de interdependência não necessariamente implicam benefícios mútuos, porque pode haver grandes custos envolvidos nessas relações” (SARFATI, 2005, p. 164).

Muitas vezes, os atores se aproveitam nas ocasiões de interdependência assimétrica, para adquirirem poder de barganha sobre o outro. Quando numa relação bilateral, um ator depende bem menos do outro do que este dele, pode se utilizar deste artifício para exercer poder sobre o mesmo. O mais fraco, por depender em maior proporção do seu parceiro, acaba por ceder sob pressão.

Quando um país mais poderoso opera mudanças grandes e custosas aos demais, a reação destes vai variar de acordo com sua sensibilidade e vulnerabilidade. A sensibilidade irá depender ao grau de resposta a uma política, e a vulnerabilidade dependerá do quão exposto esses atores se encontram em relação à medida adotada, dependendo das suas alternativas disponíveis (SARFATI, 2005). 

Adaptando esta teoria à temática em estudo, a interdependência complexa pode ser identificada na relação das Empresas Transnacionais Exportadoras de Gesso com o país onde se busca a inserção de mercado, Dubai, pois o país do Oriente Médio se tornará cada vez mais sensível em relação à abertura desses canais informais de relacionamento internacional com atores transnacionais importantes, devido à sua vulnerabilidade momentânea no que diz respeito ao setor da construção civil. Através desses canais, poderá discutir uma agenda internacional abrindo espaço para assuntos comerciais, estabelecendo uma relação de poder diferenciada da militar, baseada na força das multinacionais.  O Governo do Emirado poderá atrair o capital produtivo para o país ao passar a comercializar os produtos de gesso, pois para atender uma grande demanda será de interesse das empresas gesseiras em investir num ponto de estoque estratégico no país. Desta forma, fica estabelecida uma relação de interdependência complexa, onde as empresas buscarão aumentar seu mercado de atuação, e o governo de Dubai conseguirá erguer as construções faraônicas com a rapidez necessária para acompanhar o desenvolvimento da região.

1.6 A METODOLOGIA UTILIZADA

1.6.1Finalidade da Pesquisa

Quanto à sua finalidade, a pesquisa pode ser classificada como aplicada, já que busca atender as necessidades do mundo globalizado e encontrar soluções práticas para os problemas concretos (ANDRADE, 2001).

1.6.2 Natureza da Pesquisa

Em relação à sua natureza, a pesquisa se classifica como resumo do assunto, pois apesar de não ser original, manteve o rigor científico durante a interpretação dos fatos e a exposição do tema (ANDRADE, 2001).

1.6.3 A Pesquisa quanto aos Objetivos

Quanto aos objetivos, este trabalho foi de caráter descritivo e exploratório. Descritivo, por constituir-se numa pesquisa mercadológica que serviu para estudar-se sobre as vantagens e as desvantagens da entrada do gesso no mercado de Dubai, assim como o provável nível de aceitação do produto. Exploratório, por buscar mostrar as chances de desenvolver uma boa pesquisa sobre o assunto em questão (ANDRADE, 2001).

1.6.4 A Pesquisa quanto aos Procedimentos

Devido a impossibilidade de se viajar a Dubai e realizar uma coleta de dados, esta pesquisa se baseou em “fontes de papel”, ou seja, em alguns momentos se fez o uso de fontes secundárias como livros, artigos, sites de internet e revistas, e em outros foram usadas fontes primárias, como os dados oficiais fornecidos por ministérios e os dados estatísticos de câmaras de comércio (ANDRADE, 2001).

1.6.5 O Método Científico e os Dados da Pesquisa

Segundo Lakatos, (2007): “O método é o conjunto das atualidades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros – traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista”. Considerando isto, é imprescindível eleger o método mais adequado, para traçar um caminho objetivo e seguro, a fim de desenvolver bem a pesquisa.

1.6.5.1 Método indutivo e o levantamento de dados

O método indutivo, o qual parte da análise de fatos particulares para então se chegar às leis e teorias, foi o escolhido para esta pesquisa. Isto se deu primeiro através da observação das particularidades do gesso do Araripe, seguida da observação do atual mercado de Dubai e suas possibilidades de entrada. Num segundo momento, o gesso foi comparado às demais alternativas construtivas em Dubai, para ao final ser feita uma generalização sobre as reais oportunidades do produto no Oriente Médio (ANDRADE, 2001).

Enquanto o método é um procedimento geral no processo de pesquisa, o levantamento de dados é um procedimento específico. Neste trabalho, foi feito um estudo através de documentação indireta, ou seja, tanto através do levantamento de fontes secundárias como também de fontes primárias, ambos anteriormente exemplificados.

1.6.5.2 A Organização dos dados da pesquisa

Após coletar e organizar os dados, o assunto em questão foi estudado para que seja possível compreender o atual cenário do mercado de Dubai, assim como as características do produto gesso no ramo da construção civil, visando o comércio internacional.

1.6.5.3 Análise e aplicação dos dados da pesquisa na elaboração da monografia

O próximo passo foi realizar uma análise do que foi apresentado na pesquisa, a fim de responder à questão de pesquisa. Os dados coletados foram usados para provar a relevância do tema escolhido, e suprir a questão de pesquisa, e elaborar o presente trabalho.

 

2. TRAJETÓRIA DAS ESTRATÉGIAS DAS EMPRESAS DO ARARIPE EM BUSCA DA VANTAGEM COMPETITIVA

2.1  ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS E SUA IMPORTÂNCIA

Antes de abordar o potencial do gesso do Araripe no mercado externo, é relevante verificar como ele demonstrou seu potencial e ganhou espaço no setor da construção civil brasileira, através de estratégias adotadas em busca da conquista de um bom posicionamento no mercado. Para isto, faz-se necessário entender o conceito de Arranjo Produtivo Local – APL, que consiste em um grupo de empresas atuantes num ramo em comum, situadas num determinado espaço geográfico, independente de serem de pequeno, médio ou grande porte, e que contam com o apoio de instituições locais como o governo, instituições de crédito, agências de desenvolvimento regional, etc. (GTP AP, 2006).

Considerando este conceito, pode-se reconhecer a existência de um arranjo produtivo local a partir de um grupo de variáveis. Dentre estas, primeiramente podemos destacar a concentração setorial de empresas em um território podendo ser em um município, parte dele ou um conjunto de municípios, localizados em um só estado ou na junção de dois ou mais estados.  Uma segunda variável seria a quantidade de pessoas que estão exercendo atividades relacionadas ao setor do APL em questão. Outro fator imprescindível para identificação de um APL seria a cooperação entre os atores participantes em busca de maior competitividade e sustentabilidade do arranjo produtivo, sejam eles produtores, associações de classes, instituições de pesquisa e ensino, empresas comerciais, entre outros. Por último, podemos destacar a existência do mecanismo de governança, onde exista uma liderança capaz de organizar ações do grupo visando o interesse comum do setor, e promover o avanço e disseminação do conhecimento dentro do APL (GTP AP, 2006).

Analisando as variáveis em questão, podem-se identificar as empresas mineradoras, beneficiadoras e comercializadoras de produtos em pó e pré-moldados como formadores do APL do Gesso, juntamente com os demais participantes da cadeia produtiva (indústrias de maquinas, empresas do setor da construção civil, transportadoras, etc) e instituições envolvidas no desenvolvimento da região (prefeituras, Sindicato das Indústrias de Gesso – Sindusgesso[5], Centros Tecnológicos, entre outros). O Nordeste do Brasil representa o território que abriga importantes produtores de gipsita, gesso e seus derivados, englobando os municípios do interior de Pernambuco (Araripina, Trindade, Ipubi, Ouricuri, Bodoco, Morais, Granito, Santa Filomena, Santa Cruz e Exu), além de municípios no Ceará e Piauí, formando juntos a Chapada do Araripe. São mais de 300 fábricas de pré-moldados, 100 calcinadoras, e 37 minas envolvidas na região que, juntamente com a liderança do SINDUSGESSO e apoio de órgãos regionais como SEBRAE[6] e SENAI[7], buscam cooperar entre si para arrecadar investimentos no setor para capacitação de mão-de-obra e disseminação do conhecimento. Por serem empresas em sua maioria de pequeno e médio porte, muitas vezes necessitam atender demandas numerosas em conjunto, o que motiva ainda mais o fortalecimento do associativismo por saberem que juntas aumentam sua competitividade, garantindo o fornecimento dos produtos para o restante do país. (PERES, 2008).

 

No que se refere aos possíveis entraves ao desenvolvimento do APL do Gesso, pode-se relatar a questão levantada durante o V Seminário Nacional de APL de Base Mineral sediado em Recife-PE, em setembro de 2008. Nele se alertou sobre o consumo da lenha nos fornos de calcinação de gipsita, incentivando a busca por outras matrizes energéticas, que sejam renováveis, de baixo custo e de alta eficiência para continuar aquecendo os fornos e produzindo gesso de forma competitiva. Diante deste alerta, diversas entidades se movimentaram para encontrar alternativas energéticas para o Pólo.

Em junho de 2009, o SENAI, a FIEPE[8] e o CNI[9], em parceria, viabilizaram a contratação de uma consultoria para fazer um diagnóstico energético para o APL do Gesso. Por sua vez o SEBRAE, apoiou as empresas associadas do SINDUSGESSO a promoverem um estudo sobre redução do consumo de lenha, chegando a resultados com até 30% de diminuição. O Instituto de Tecnologia de Pernambuco também colaborou, promovendo uma pesquisa para o desenvolvimento de um combustor movido à energia de biomassa. (VI Seminário de APL de Base Mineral, 2009).

Uma vez explicadas as variáveis de identificação de um APL, e relacioná-las no caso prático do APL do Gesso, faz-se relevante explicar o porquê do uso da política de promoção de empresas em APL. A escolha pela atuação em APL se dá pelo fato de as políticas de incentivo a pequenas e medias empresas serem mais eficazes quando realizadas em grupos de empresas ao invés de empresas separadas. Assim, o porte das empresas fica em segundo plano, pois o grupo como todo se torna mais competitivo ao cooperar entre si, atingindo aprendizado coletivo e trazendo ganhos para todos. Além disso, dessa atuação se faz perceber a correlação entre a melhoria da produção e o crescimento econômico (GTP AP, 2006).

Os APLs podem ser considerados, então, fontes de vantagens competitivas, sobretudo quando essas fontes são oriundas da capacidade de inovação e produção e da ascensão de capital social proveniente da união dos atores regionais. A política de APL ainda contribui para o aumento do número de empregos diretos em micro, pequenas e médias empresas, além dos empregos indiretos na região. Portanto, faz-se importante adotar medidas integradas para os APLs através da promoção da sustentabilidade e competitividade, buscando assim o desenvolvimento econômico, a inovação tecnológica, a expansão e modernização da base produtiva, o aumento da capacitação, entre outras medidas sustentáveis (GTP AP, 2006).

2.2 O GESSO E SEU ALCANCE MUNDIAL

Internacionamente o Pólo do Araripe é conhecido como uma região detentora de uma oferta significativa de gipsita, chamando a atenção até mesmo dos países líderes em produção e consumo de gesso. Dentre essas potências, os EUA possuem a liderança mundial, produzindo, consumindo e importando gesso e seus derivados, sendo as chapas de gesso acartonado seu grande forte nas construções comerciais e residenciais. Nessa escala, a Espanha e o Irã também se destacam pela sua capacidade produtiva no ramo do gesso, sendo o primeiro o maior produtor e exportador da Europa. (MINERAL COMMODITY SUMMARIES, 2008).

Dentre as reservas de gipsita brasileiras, a Bacia do Araripe é a região que concentra as mais proveitosas economicamente. Esta notoriedade das reservas do Pólo acaba proporcionando à região do Araripe uma vantagem competitiva em nível internacional, diante das grandes potências produtoras e consumidoras dos produtos de gesso e seus derivados. Apesar de sua abundância, fazem-se necessários investimentos na área logística, infra-estrutura, ações de promoção dos produtos, e estratégias de mercado para que o gesso brasileiro alcance um lugar de destaque mundialmente (MINERAL COMMODITY SUMMARIES, 2008).

Abaixo é possível observar as reservas mundiais versus os volumes de produção.

 

2.3 MECANISMOS DE INSERCAO DO GESSO BRASILEIRO NO MERCADO INTERNACIONAL

Como já foi apresentado anteriormente, o gesso brasileiro tem grande potencial para expandir-se e explorar seu desempenho no mercado internacional, contudo, existem diversos pontos que precisam ser trabalhados para se alcançar este objetivo. Cada ano, as empresas da região produzem e transformam cerca de 2,5 milhões de toneladas de gipsita com previsão de crescimento de cerca de 20% nos próximos anos. Apesar da dinamização da economia dessa região, o Pólo apresenta algumas deficiências devido à atuação historicamente focada no mercado interno, o qual é menos rígido se comparado aos padrões internacionais. Alguns exemplos que limitam a expansão do setor são a falta de profissionalização em inúmeras fábricas de pré-moldados, onde muitas delas ainda carecem de infra-estrutura; a precariedade de transportes e a falta de investimento em embalagens. Essas deficiências vieram à tona quando os esforços para exportação demonstraram a necessidade urgente de transformação do processo produtivo, para que se adequassem ao padrão internacional (CADEIA PRODUTIVA E O PSI, 2008).

Já existem diversos programas de governo e projetos privados oriundos de empresários locais interessados em contribuir com o desenvolvimento sócio-econômico regional. A classificação do Pólo Gesseiro à condição de APL Nacional, dentre os 11 grandes APLs considerados pelo MDIC[10] em 2004, a criação do Núcleo Tecnológico do Gesso (localizado no ITEP – Recife), a construção do Centro Tecnológico de Educação Profissional (localizado em Araripina – PE) e a consolidação das atividades do SENAI através do Centro de Treinamento em Araripina, vêm proporcionar o crescimento sustentável e a expansão com qualidade do setor gesseiro na região.

Contudo, visando ao desenvolvimento especifico do Pólo Gesseiro no ramo do comércio Exterior, o SINDUSGESSO, em parceria com o SEBRAE, buscou o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) para investir em tecnologias no Pólo do Araripe e promover à exportação dos produtos de gesso (PROJETO SETORIAL INTEGRADO BRAZILIAN GYPSUM – PSI, 2007).

A APEX-Brasil é um Serviço Social Autônomo ligado ao MDIC, que após ser reestruturada em 2003 pelo governo Lula, passou a responder no Governo Federal pela política de promoção do país.  Tem como principal meta a inserção de novas empresas no mercado internacional, para através delas diversificar a pauta de exportações brasileiras, aumentar o volume de vendas e trabalhar a abertura e consolidação de mercados. Suas ações voltadas para o comércio exterior acabam por beneficiar também o mercado nacional, através da geração de renda e empregos diretos nas áreas beneficiadas. As empresas exportadoras que contam com o apoio da APEX, são identificadas através de mais de 60 entidades representantes de seis setores da indústria e serviços: Agronegócio, Casa e Construção Civil, Tecnologia e Saúde, Entretenimento e Serviços, Máquinas e Equipamentos, e Moda (APEX-Brasil, 2009).

Além de sua principal meta já exposta, dentre as principais atividades da Agência estão à realização de eventos no exterior, como feiras, rodadas de negócios e missões comerciais; a promoção da imagem brasileira através de ações de marketing, e da adequação dos produtos brasileiros ao mercado internacional; a realização de acordos de cooperação com redes internacionais, o fortalecimento das entidades de classe e a identificação de vocações produtivas regionais. Só entre 2003 e 2007, a APEX levou empresários para negociar em mais de 60 países no exterior, o que aumentou consideravelmente a notoriedade dos produtos brasileiros no meio internacional. No ano de 2009, observou-se, de acordo com esta pesquisa, a evolução da Agência, que se declarou responsável por mais de 760 ações de promoção comercial, realizadas anualmente em 90 países, envolvendo empresas de aproximadamente 70 setores da economia (COMÉRCIO EXTERIOR INFORME BB, 2009).

2.4 PROJETO SETORIAL INTEGRADO – PSI DO GESSO

Foi no ano de 2000 que a APEX-Brasil aprovou o primeiro Projeto Setorial Integrado de Promoção das Exportações para o Segmento de Gipsita e Gesso da Região Nordeste do Brasil (PSI Gesso), compreendendo a região do Araripe dos Estados de Pernambuco e Ceará, e Estado do Maranhão. O PSI Gesso marcou um novo tempo por ter sido o primeiro Projeto Setorial Integrado do Estado de Pernambuco. Entre as motivações da aprovação do projeto, está o fato de o gesso envolver uma cadeia produtiva na região semi-árida de grande importância para o Estado, abrangendo um número significativo de micro e pequenas empresas, as quais são o grupo alvo da APEX (PSI, 2007).

A primeira fase do projeto (2000-2002) promoveu a motivação, sensibilização e capacitação necessárias e indispensáveis à mobilização do primeiro conjunto de empresas do PSI em direção ao mercado externo. Foram diagnosticadas, mais de 250 empresas onde se fez a seleção das 16 potenciais exportadoras a serem qualificadas. Com isso, se iniciou a adequação dos processos e produtos, onde se profissionalizou a técnica das embalagens que passaram a ser paletizadas.[11] Também nesta fase ocorreu a criação e disseminação a nível nacional e internacional da marca “Brazilian Gypsum” – sendo possível mostrar unidade de ação das empresas do PSI do Gesso do Nordeste e demonstrar a existência de uma estrutura organizada do setor. Esta marca vem sendo utilizada como símbolo do selo de qualidade dos produtos abrigados pelo PSI de Exportação de Gesso do Nordeste – Brazilian Gypsum. O escritório da Brazilian Gypsum foi criado e estabelecido em Recife-PE, onde se montou uma estrutura de comercialização dos produtos para o exterior, composta por uma equipe de exportação e logística (PSI, 2007).

A segunda fase do projeto (2002-2003) mostrou que há um mercado externo esperando que sejam ofertados os produtos e possibilitou a percepção, por parte das empresas e parceiros, que o Pólo Gesseiro e o grupo de empresas integrantes do PSI – Brazilian Gypsum, reúnem condições, qualidade e capacidade para responder à demanda destes mercados. Nesta fase as exportações começaram a acontecer para os Estados Unidos, Caribe, Islândia, Portugal e França, quando também o SINDUSGESSO conseguiu realizar o primeiro grande evento nacional do gesso – Gypsum Fair – Recife 2003, com a presença de quatro empresas internacionais atraídas pelo Projeto Comprador da APEX-Brasil, dos quais três delas tornaram-se clientes (PSI, 2007).

O período compreendido entre 2003 e 2005 caracterizou-se como o período das prospecções, missões comerciais, participação em eventos, exposição dos produtos e promoção através de workshops nos mercados externos. No quesito publicidade, foram produzidos folders, catálogos e cd´s em 3 idiomas, publicou-se anúncios em revistas e jornais internacionais e criou-se o website oficial da Brazilian Gypsum. Visando a divulgação dos produtos, foram enviadas amostras para Jordânia, China, EUA, Espanha, França, Reino Unido, Islândia, Itália, Angola e Portugal. Ocorreram 4 missões comerciais para Europa, 1 para Angola, 1 aos Países Nórdicos[12] e 4 para os Estados Unidos. As Feiras Internacionais também foram uma forma de prospecção, ocorrendo 1 na Índia, 1 em Angola, 1 na Espanha, 3 em Portugal, 2 na França e 3 nos Estados Unidos, entre elas em agosto de 2005 a Miami Gypsum Fair (PSI, 2007).

A fase entre 2006 e 2007 iniciou com a abertura do Centro de Distribuição APEX em Miami – EUA, para atender a demanda pelos produtos de gesso brasileiro. Com este apoio os clientes americanos passaram a ter um show room permanente e adquirir os produtos com maior facilidade, não precisando mais estar suscetíveis à espera dos contêineres. O fortalecimento da relação com o mercado americano foi tão grande que no início de 2007 foi criada a empresa Brazilian Gypsum INC, estabelecida também na cidade de Miami. Nesta fase também se procurou adequar, certificar e homologar os produtos nos mercados-alvo, e focar a comunicação no grupo alvo: construtores, arquitetos, aplicadores, distribuidores e varejistas (PSI, 2007).

A fase de 2008 foi marcada pelo aumento considerável das exportações, intensificando e expandindo as vendas para Angola, Nigéria, França, Nicarágua, Venezuela, Aruba, Bonaire, Curaçao e Argentina. Neste ano, também ocorreu diversas participações em feiras como a Batimat Expovivienda, em Buenos Aires-Argentina; a Africa Build, na África do Sul; a Feira Sil, em Portugal e a Feira Builders & Techome Show, nos EUA. Também ocorreu um Projeto Imagem com a revista Global Gypsum Magazine, onde se recebeu um jornalista inglês que visitou o Pólo do Araripe e escreveu uma matéria de peso na revista. No que se refere a contratos, foram firmados dois importantes: Um de representação no Chile, e um de distribuição da Argentina.

No ano de 2009, o PSI passou pelo processo de prestação de contas e formulação do novo projeto para renovação de convênio, que está atualmente sendo avaliado para possível renovação. Porém, os investimentos no Pólo Gesseiro continuaram neste ano por conta das empresas da região, sendo que duas delas (Ingenor e Trevo Industrial) fizeram um grande investimento na área de inovação tecnológica, adquirindo novas plantas de gesso para aumentar o profissionalismo e a capacidade produtiva em suas respectivas empresas. A Ingenor adquiriu uma máquina de Carrossel de Placas de Gesso, vinda da Espanha, e a Trevo Industrial adquiriu uma Planta de Gesso Acartonado, vinda da Tailândia. Ambas são de alto nível tecnológico, e aumentarão consideravelmente as exportações de placas de teto no mercado externo a partir de 2010, por produzirem placas de alto padrão de qualidade internacional.

Como se pôde verificar, nesta pesquisa, as empresas do Pólo Gesseiro do Araripe, durante o atual processo de reorganização e mudança para inserção competitiva no ambiente de exportação, continuam dando respostas satisfatórias, em termos de articulação e realização de negócios com o mercado externo. Essas estratégicas podem garantir a permanência e o crescimento do conjunto de empresas do Pólo no mercado externo, sendo importante que os apoios viabilizados tenham continuidade, para consolidar e dar sustentabilidade ao processo de inserção e ampliação das exportações de gesso do Nordeste do Brasil. Em um futuro não muito distante, o Pólo Gesseiro de Pernambuco terá o retorno de que precisa para se firmar internacionalmente e garantir uma presença mais constante no próprio Oriente Médio, como é do interesse dos produtores de gipsita do sertão do Araripe.

3. PERFIL DE DUBAI E O GESSO DE PERNAMBUCO

3.1 PERFIL DOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

Os Emirados Árabes Unidos (E.A.U.), bastante conhecidos por seu território desértico e seus oásis, estão localizados no Oriente Médio, na costa ocidental do Golfo Pérsico, fazendo fronteira com a Arábia Saudita e Omã. O país é formado por sete emirados: Abu Dhabi, Ajman, Al Fujayrah, Sharjah, Dubai, Ra´s AL Khaymah e Umm al Qaywayn, todos eles possuindo capitais de mesmo nome, sendo Abu Dhabi a capital do país. Cada um dos emirados possui um Xeque que governa internamente, contudo todos fazem parte do Conselho Supremo da Federação, onde ocorrem as decisões políticas do país. Deste, também fazem parte o presidente dos Emirados Árabes Unidos, o Xeque Khalifa Bin Zayed Al-Nahyan, e o vice-presidente e primeiro ministro do país, o Xeque Mohammed Bin Rashid Al-Maktoum, além dos poderes legislativo e judiciário (MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES –MRE, 2009).

 

De acordo com a Central Intelligency Agency ─ CIA [13] estadunidense, os Emirados ocupam um território de 83.600 km², abrigando uma população estimada em 4.798,491 milhões de habitantes. No ano de 2009, o país chegou ao topo da lista dos países com maior taxa de crescimento populacional, atingindo o percentual de 3,69%. Desta população, a maioria (96%) é de religião islâmica, restando uma minoria cristã, hindu, entre outras. Em relação aos idiomas falados, embora o árabe seja a língua oficial, o inglês é bastante utilizado nas transações comerciais.

Partindo para o ponto de vista econômico, o país possui uma abertura de mercado, com uma renda per capita elevada e um superávit comercial anual considerável. Apesar de ter o controle de 9% das reservas mundiais de petróleo, busca diversificar a economia desenvolvendo outros setores, como o turismo. Esse trabalho bem sucedido reduziu para 25% a porcentagem do PIB baseada no petróleo e na produção de gás. Desde a descoberta do petróleo a mais de trinta anos nos E.A.U., o país passou por uma transformação profunda onde deixou de ser uma simples região de pequenos principados no deserto, para se tornar um estado moderno com alto padrão de vida. O governo investiu na geração de empregos e na expansão da infra-estrutura, aumentando o envolvimento do setor privado (CIA WORLD FACTBOOK, 2009).

No quesito comércio exterior, os Emirados Árabes Unidos exportaram no ano de 2008 U$239,2 bilhões de dólares, entre os quais U$592,73 milhões foram para o Brasil. Seus principais produtos exportados são os petróleos crus, gás natural, re-exportações e peixes secos, tendo como fortes parceiros comerciais o Japão (23%), Coréia do Sul (9,4%), Índia (7,9%), Irã (6,5% e Tailândia (5,3%). Já nas importações, o valor atingido no mesmo ano foi de U$176,3 bilhões, entre os quais U$1,32 bilhão veio do Brasil. Em sua maioria, os produtos adquiridos de diversos países foram máquinas e equipamentos de transporte, produtos químicos e alimentos. Dentre os principais fornecedores dessas mercadorias, estão China (13,2%), Índia (10,4%), EUA (8,8%), Alemanha (6,5%), Japão (6,1%), Turquia (4,5%) e Itália (4,3%) (CIA WORLD FACTBOOK, 2009).

Segue abaixo tabela onde se pode observar o comportamento das importações de produtos brasileiros no início do ano de 2009:

 

3.2 O EMIRADO DE DUBAI

Dubai ocupa um lugar de destaque nos Emirados Árabes. É a segunda maior cidade entre os sete emirados, possuindo uma tendência cosmopolita enquanto nas outras prevalecem as tradições antigas. Esta flexibilidade cultural se dá ao fato que entre os 1,2 bilhões de habitantes, 85% são estrangeiros vindos de mais de 185 países distintos. A cidade se tornou um dos lugares mais atrativos para o turismo, e é considerada com um dos lugares com o mais alto nível de qualidade de vida do planeta. Além do turismo, Dubai é hoje muito procurado por pessoas do mundo inteiro para viver e trabalhar. Estrategicamente localizada no entroncamento Leste e Oeste, também se encontra num local privilegiado de acesso para o Oriente Médio, Paises do Norte, África do Sul e Índia (REVISTA VEJA, 2007).

A história recente prova que até o século passado Dubai era apenas um entreposto comercial sobrevivendo da pesca e da coleta de pérolas. A extração do petróleo só começou em 1966. Conhecedor, porém, de que as reservas logo se esgotariam, conta a mitologia nacional bastante repetida, que a família Al Maktoum, a qual se mantém no poder há quase dois séculos, foi capaz de perceber a necessidade da criação de novas fontes de riqueza. Diante disto, em 1979 o Xeique da família Al Maktoum construiu um porto artificial em Dubai, que está entre os dez portos mais movimentados do mundo. Para livrar-se da dependência do óleo, foi criada uma Zona Franca vizinha ao porto, onde se iniciou a tradição de incentivos fiscais que caracteriza o emirado. A atitude empreendedora do Xeique tornou Dubai um lugar único. A filosofia dos Al Maktoum sempre foi: Construa e eles virão (REVISTA VEJA, 2007).  

 

Nesse sentido, Dubai ganhou sua reputação como um centro comercial proeminente, com uma cultura empresarial inovadora e dinâmica. O país mergulhou no consumismo e liberalismo capitalista que os radicais islâmicos consideram característicos do ocidente. Pode-se dizer que a modernidade de Dubai poderá servir de caminho para tirar o Oriente Médio de seu estado de convulsão permanente, embora este pensamento seja um tanto arriscado.  Entretanto, os contrastes entre a paisagem árida do deserto em comparação com a cidade moderna e arquitetônica de Dubai, servem de base para essa afirmação (REVISTA VEJA, 2007).

 

Com um governo autoritário, mas responsável e de visão a longo prazo, Dubai é politicamente estável e sempre a favor de bons negócios, mantendo-se altamente comprometida com o setor privado.  Com uma carga tributária favorável, indicadores econômicos fortes, relativo baixo custo de mão de obra, relações amigáveis entre empresários e alfândega, conseguiu atrair investimentos do mundo inteiro em praticamente toda sua atividade econômica. 

Dubai não é um dos emirados mais contemplados com o petróleo, que deverá se exaurir brevemente. A saída estratégica para preservar seu alto padrão, sugere o capitalismo. A modernização é intensa e visível a olhos nus. Dubai triplicou seu tamanho nos últimos 20 anos e deve continuar crescendo a todo vapor. Conta com um aeroporto dos mais modernos do mundo que conecta 13,5 milhões de passageiros por ano para mais de 140 destinos e um porto para navios de grande calado. Com a economia diversificada e uma ótima infra-estrutura, Dubai se transformou no terceiro centro mundial de re-exportação, servindo também seu volumoso mercado regional. Dubai ostenta a linha aérea mais premiada do mundo (Emirados Linhas Aéreas) e o primeiro hotel sete estrelas no mundo, o Burj al Arab (REVISTA VEJA, 2007).

Dentre esses exemplos de modernização, está o Burj Dubai, o maior edifício do mundo que foi inaugurado no dia 04 de janeiro de 2010. A obra arquitetônica esbanja mais de 800 metros de altura, possuindo 160 andares.

 

3.3 DUBAI E A CONSTRUÇÃO CIVIL

Dubai hoje se caracteriza pelas grandes oportunidades de negócios em todos os segmentos, e como não poderia deixar de ser, a construção civil também se torna um dos setores que mais refletem esse desenvolvimento. Apesar do óleo ainda ser o maior responsável pelo crescimento nominal do PIB nos Emirados, o setor da construção civil vem ganhando espaço, em grande parte sendo impulsionado pelo setor do turismo, que exige investimentos em infra-estrutura para atender uma forte e crescente demanda procurada pelo mundo inteiro. Grandes investimentos nesse setor estão sendo injetados na construção de verdadeiras obras faraônicas (CCAB, 2009).

Dentre essas construções de grande porte, o que mais chama a atenção na cidade são as construções feitas às margens do Golfo Pérsico e do Rio Creek, e também as construções que ficam literalmente dentro d’água, que demandam toneladas e toneladas de aterro. Um dos exemplos é o projeto “Dubai Promenade”, que consiste numa comunidade costeira construída numa área de 1.060.000m2, que engloba um complexo hoteleiro, condomínios residenciais e áreas sofisticadas de lazer. A idéia é que nessa região seja possível morar, trabalhar, e se divertir sem precisar sair para outros locais.  De acordo com a revista “Construction Week” (publicação Jan-2008), a localização estratégica entre as margens do Rio Creek e as grandes vias arteriais que cruzam o rio nas proximidades do empreendimento com certeza respaldarão o sucesso do projeto. Ali Bin Damithan, gerente geral sênior do projeto “Dubai Promenade” incluiu na criatividade do projeto um hotel com a forma espetacular de uma roda.

No que se refere às construções dentro d água mencionadas, um exemplo seria a cidade marítima conhecida como “The Palm Island”, formada por três ilhas artificiais em forma de palmeira acrescentando cerca de 90 km à costa litorânea. A construção dessas ilhas se iniciou em 2001 com a criação de Palmeira Jumeirah, que já está pronta abrigando moradores, investidores e turistas. As outras duas ilhas Palmeira Jebel Ali e Palmeira Deira, ainda estão em construção, estimando-se que fiquem prontas em 15 anos. Como uma verdadeira obra de arte, a cidade funcionará como um núcleo para as empresas marítimas. Visionada pelo xeique Mohammad Bin Rashid Al Maktoum, terá uma característica integrada com um moderno conjunto de instalações fornecendo todos os instrumentos de infra-estrutura.

 

A cidade terá halls, docas secas, museu marinho, academia para investigação oceanográfica, fornecimento de manutenção e reparação naval. Serão incluídos no complexo exposições, feiras, seminários internacionais, mostras de navios dentre outros. A principal atração será o turismo, o investimento em centros comerciais de luxo, e as residências milionárias para a alta sociedade não só de Dubai, mas de todo o mundo (THE PALM TRILOGY, 2010).

No meio deste crescimento a todo vapor, Dubai acaba enfrentando as conseqüências deste ritmo acelerado em relação à classe trabalhadora. Como a falta de mão de obra e o acontecimento de greves por questões de segurança social, os patrões começaram a substituir suas equipes por trabalhadores da Ásia, vindo em sua maioria da Índia, Bangladesh, Paquistão, Sri-Lanka e China. Em geral, foram recrutados por agências de trabalho ou imigraram ilegalmente para os Emirados.  Visando corrigir a situação, em 2006 o governo lançou uma campanha de regularização de operários e ofereceu autorização de residência para ficarem ou um bilhete de avião para regressarem aos seus países de origem. Devido à oferta de trabalho no ramo da construção, a maioria deles optou por ficar em Dubai. (EMBAIXADA DOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS, 2009).

3.4 OPORTUNIDADES PARA O GESSO BRASILEIRO

Diante da explanação anterior de alguns dos grandes projetos de construção civil em Dubai, podemos notar o potencial que a cidade apresenta para a inserção do sistema construtivo em gesso brasileiro, pois ela possui uma demanda por construções rápidas e de excelente qualidade, considerando o alto nível de seus investidores.

 

Conhecido no mundo há bastante tempo, o gesso sempre foi utilizado em diversas aplicações, mas principalmente nas construções, cuja intervenção humana foi marco muito importante para sua evolução. O gesso na sua forma mais primária, é na verdade obtido através da calcinação da pedra gipsita a baixa temperatura e depois re-hidratado com água natural.  Ainda nos dias de hoje a fabricação do gesso é bastante artesanal em alguns países do Oriente Médio como, Síria, Iran e Kuwait. Devido a esta familiaridade histórica, Dubai já conhece o alcance deste mineral.

Dentre os vizinhos do Emirado, o Irã é o maior produtor, possuindo inclusive um preço bastante competitivo, afastando diversas empresas estrangeiras de se instalarem no país. Entretanto, segundo informações colhidas no mercado consumidor de gesso de Dubai pela CCAB, a qualidade do gesso Iraniano é baixa, tanto no quesito pureza quanto na grande variabilidade em suas características físico-químicas. Pode-se dizer que a carência de empresas locais nesse setor gera uma boa possibilidade para os produtos do Araripe ingressarem nesse mercado, pois nos quesitos mencionados o gesso brasileiro apresenta grande vantagem.

Se compararmos o sistema construtivo em gesso com a forma de construção através da alvenaria convencional, encontraremos vantagens tanto em relação ao tempo de construção, quanto ao número de trabalhadores, economia de material e características especiais. Quanto ao tempo da obra, devido aos tamanhos dos blocos e suas dimensões precisas, as paredes podem ser subidas de forma rápida e simples, com o mínimo de ferramentas, e conseqüentemente menos trabalhadores. Além disso, as sobras dos blocos e dos produtos auxiliares (gesso cola, gesso fundição, etc), podem ser reaproveitadas, tornando a obra bastante limpa e menos custosa.

Outro ponto favorável é em relação às superfícies dos blocos, que por serem lisas permitem aplicar diretamente pinturas, papéis de parede, ou qualquer outro revestimento. Em relação às suas características especiais, os blocos de gesso protegem contra incêndio, possuem um melhor isolamento térmico e acústico se comparado ao tijolo, e ainda possuem melhor resistência nos testes de balística, sendo mais seguros. De uma maneira geral, a construção em gesso chega a ser 30% mais barata, e executada em um terço do tempo (COSTA E INOJOSA, 2007).

Além das vantagens físico-químicas e da relação favorável custo-benefício, do ponto de vista artístico podemos fazer uma análise curiosa na utilização do gesso no Brasil em relação à Dubai e outros países Árabes. Existe uma semelhança nas aplicações do gesso e nos arabescos utilizados na construção civil que se confundem com os Persas, na forma de tetos falsos, linhas de rodas nos tetos, sancas, etc., que dão um tom artístico muito brasileiro, ou ao contrário, dão ao Brasil um toque Árabe. Este mercado é abundante não só em Dubai, mas praticamente em todo golfo pérsico, pois em toda habitação, prédio residencial ou comercial, hotéis e edificações públicas, fazem-se presente os arabescos em gesso, tetos e colunas falsas. Podemos verificar a semelhança nas imagens abaixo:

 

Além das oportunidades de mercado apresentadas, existem outros fatores determinantes que colaboram para o sucesso da entrada dos produtos de gesso brasileiro em Dubai, como as bases de apoio existentes na cidade, assim como os eventos realizados no setor da construção civil que proporcionam o fechamento de grandes negócios. Em relação às estruturas de apoio, os produtos brasileiros poderão contar com o Centro de Negócios Apex Dubai, que consiste numa estrutura localizada na zona franca de Jebel Ali que serve de plataforma de acesso ao mercado local, oferecendo serviços como mapeamento de produtos concorrentes, realização de eventos de promoção, exposição em feiras e eventos, armazenagem de mercadorias, e escritório com apoio administrativo local, entre outras vantagens.

Esse apoio anteriormente mencionado diminui consideravelmente os custos de entrada e os riscos para as empresas brasileiras, suprindo as necessidades das empresas exportadoras. Para um primeiro momento, além de deixar o produto com um preço competitivo devido a redução de custos, também evita os possíveis problemas de atraso de entrega dos produtos devido ao longo tempo de viagem do Porto de Suape-PE, para o porto de Dubai, passando por diversos pontos de transbordo marítimo (COMÉRCIO EXTERIOR INFORME BB, 2009).

Outros apoios de extrema importância no momento de entrada serão os bancos brasileiros presentes em Dubai, em especial o Banco do Brasil (BB). O BB está em Dubai desde maio de 2008, consolidando a tendência de parcerias e exportações na área de serviços entre os dois países. O foco consiste em apoiar as transações realizadas pelas empresas entre Brasil e Dubai. O Itaú também está em Dubai desde setembro de 2008, focando mais nas relações com os investidores na região. Contar com o apoio de um banco brasileiro para resolver possíveis problemas de transações cambiais é, sem dúvida, uma vantagem que fortalece as exportações brasileiras em Dubai (CAMARA ÁRABE NOTÍCIAS- n14, 2009).

No que se refere aos eventos do setor da construção civil e Dubai, o de maior destaque e retorno é a Feira Internacional Expo Dubai – THE BIG 5 PMV, tendo sua última edição realizada no mês de Novembro de 2009. O evento é conhecido como a maior feira da construção civil dos Países Árabes, os quais possuem projetos da ordem de U$1,3 trilhão. A feira abriga 3 mil expositores de mais de 50 países, e nesta última edição contou com a participação da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, sendo de grande benefício para os produto de gesso, pois os arquitetos brasileiros trabalham bastante com gesso e abrirão portas ao fecharem projetos no Emirado de Dubai (CAMARA ÁRABE NOTÍCIAS- n14, 2009).

Considerando as oportunidades apresentadas, o gesso do Araripe se depara com o desafio de introduzir e consolidar todo o conjunto de seus produtos no mercado dos Emirados Árabes Unidos, onde Dubai certamente se constitui como a principal porta de entrada desse mercado.

4. A CRISE INTERNACIONAL E SUAS CONSEQUENCIAS EM DUBAI

4.1 A CRISE IMOBILIÁRIA AMERICANA E SEU IMPACTO GLOBAL

A origem da crise americana vem desde os atentados terroristas ocorridos em 2001, que devido ao seu impacto afetaram a economia dos Estados Unidos. Na época, George W. Bush se focou em criar incentivos e medidas para aumentar o consumismo e aquecer novamente o mercado imobiliário no país, contudo tais medidas só tiveram sucesso momentaneamente. O mercado imobiliário dos Estados Unidos, até então conservador em relação à financiamentos fáceis, deu inicio a uma verdadeira busca por novos clientes. Tudo era possível, desde obter financiamentos imobiliários de pessoas com crédito extra no mercado, até oferecer financiamentos para famílias caracterizadas como subprime[14]. O alto risco dessas ações foi acobertado pelos principais bancos imobiliários dos Estados Unidos, que, por sua vez, venderam parte das dividas compradas para outras instituições financeiras (PLANO DE MEDIDAS, 2009).

Quando o governo americano previu uma queda no orçamento público gerado novamente pela desaceleração econômica e pela diminuição dos investimentos internacionais no país, o presidente Bush quis lançar novas metas. O presidente solicitou ao Banco Central americano que aumentasse a taxa de juros do país, visando tornar o mercado de investimentos dos Estados Unidos novamente atrativo aos investidores estrangeiros. Porém, o plano não deu certo. Os nortes americanos se viram muito endividados por conta do aumento da taxa de juros estipulado pelo FED, e por causa do desaquecimento da economia dos Estados Unidos, desencadeou uma onda de desemprego. Assim, sem emprego e com dívidas, as pessoas frearam o consumo, gerando um reflexo na economia mundial. Os bancos que assumiram a dívida começaram a cobrar o pagamento aos bancos imobiliários, que por sua vez, também não haviam recebido dos americanos. Muitos bancos, como o IndyMac, decretaram falência.

Os países emergentes de certa forma foram menos atingidos, passando por uma desaceleração mais branda na economia. Prova desses movimentos foi a queda da inflação e a redução de preços dos produtos comercializados nos mercados internacionais, inclusive do petróleo. Visando o reaquecimento da economia, os governos dos países têm buscado adotar políticas, programas de apoio a instituições financeiras, diminuição dos juros e ampliação das despesas públicas (PLANO DE MEDIDAS, 2009).

As expectativas foram diminuindo muito nos últimos meses e, juntamente com o processo de diminuição de carteira de papéis, despencaram os preços dos ativos financeiros e o crédito. As previsões são no sentido de que os juros caiam ainda mais neste ano, e talvez ainda não seja suficiente para retomar os investimentos, e acabar de vez com a recessão. De fato, essa crise está encaixada como algo doméstico, interno, e que não deveria afetar outros países. Entretanto, como os EUA são a maior economia mundial, seu poderio afeta os demais Estados.

4.2 OS IMPACTOS DA CRISE NO EMIRADO DE DUBAI

Assim como grande parte dos países que sofreram impactos da crise que se alastrou em nível mundial, Dubai em pleno crescimento acelerado também foi afetado pelas conseqüências da crise. Tomando como base de análise o crescimento econômico, a estimativa do crescimento do PIB para 2009 foi de -1,4% devido ao impacto que a crise financeira internacional teve no setor de construção, redução da produção de petróleo (baixa demanda internacional), e baixa em investimentos no país. O quadro deve, provavelmente, melhorar a partir de 2010, quando a estimativa de crescimento será de 4,2%. Em relação à inflação, para 2009 estava estimada em 4,5% devido à baixa demanda no setor imobiliário e a redução nos preços de commodities e alimentos, além de um crescimento econômico reduzido devido à crise financeira internacional. Para 2010, aumentando a demanda doméstica, a inflação pode subir para 6% (DESENVOLVIMENTO DE MERCADO – CCAB, 2009).

Apesar de a economia de Dubai ter desacelerado um pouco, de acordo com o Presidente da Câmara Árabe, “A palavra crise quase sempre traz, do outro lado, o termo oportunidade”. Portanto, esse homem de negócios vê na relação entre Brasil e Emirados Árabes uma oportunidade para se avançar no âmbito comercial, cultural e do turismo, devido ao bom relacionamento entre ambos. Para Salim Taufic Shahin (apud CÂMARA ÁRABE NOTÍCIAS – no 14, 2009) no momento de crise atual vingam os projetos que foram bem estruturados, com boa taxa de retorno e segurança. Outra declaração otimista do ponto de vista do Presidente no que se refere ao comércio exterior, diz respeito à negociação entre ambos países para encontrarem melhores soluções logísticas para estreitar a rota entre Brasil e E.A.U. Uma oportunidade em meio à crise seria o aproveitamento da queda dos preços das mercadorias, para conquista de mercado por iniciantes, enquanto muitos estão retraídos para investir neste momento.

4.3 AS EXTRAVAGÂNCIAS EM MEIO À CRISE

Ainda que os temores da crise tenham deixado receosos diversos países quanto a gastarem suas economias, esse efeito pareceu não ter englobado Dubai em algumas ocasiões. A primeira delas foi no ano de 2008, quando no mês de novembro ocorreu a cerimônia de inauguração do luxuoso Hotel Atlantis, em cujo evento a construtora Emaar gastou 24 milhões de dólares. A segunda e mais recente ocasião, foi a inauguração do edifício Burj Dubai no dia 04 e janeiro de 2010, que foi rebatizado pelo Xeique de Burj Khalifa. Apesar de este evento ter sido adiado algumas vezes, a construção da torre mais alta do mundo avaliada em 1,5 bilhão, foi inaugurada nesta última data, tendo-se celebrado a estréia da construção que tardou 5 anos.

Esta inauguração foi adiada diante do cenário atual instável que se encontra o Emirado, por conta da dívida pública acumulada de 100 mil milhões de dólares pela Dubai World. Por conta da crise mundial que também atingiu o emirado, no dia 25 de novembro de 2009 Dubai World anunciou o adiamento do pagamento da dívida, tendo que .ser ajudado pelo seu vizinho, Abu Dhabi com a quantia de 10 bilhões de dólares no dia 14 de dezembro (BBC BRASIL, 2010).

A estratégia de construções em rito acelerado resultou numa enorme bolha imobiliária, alimentada pela especulação e por crédito fácil junto de bancos estrangeiros. “Há menos de um ano ninguém no Dubai olhava para um projeto com uma promessa de taxa de retorno inferior a 30%”, conta Carlos Costa. Com ganhos constantes – antes da crise do subprime – não se ouviram perguntas sobre a capacidade de pagar as dívidas, nem sobre a viabilidade dos projetos. Logo após a declarção, vários mercados internacionais fecharam em baixa com medo de que a inadimplência afetasse bancos que estavam expostos àquela região. Porém, de acordo com o governo de Dubai, o pedido de moratória do pagamento da dívida da estatal Dubai World é necessário para “encarar o fardo da dívida”, mas não deve ser motivo de tensão, muito menos de receio de calote. Como solução do problema, o fundo Dubai World apresentará em 2010 uma oferta de pagamento a seus credores, como parte do programa de reestruturação de sua dívida de aproximadamente US$ 22 bilhões, segundo fontes envolvidas nas negociações. Mesmo com o empréstimo de US$ 10 bilhões concedido por Abu Dhabi, o fundo talvez necessite vender alguns ativos para atingir a liquidez necessária (BBC BRASIL, 2010).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi abordado no Capítulo 1 que, para entrar no mercado de Dubai, o gesso do Araripe enfrentará a rivalidade que costuma ser aplicada aos produtos estrangeiros, por representarem uma ameaça aos concorrentes do mercado local. Da mesma forma que as empresas nacionais passam por barreiras e retaliações, o gesso brasileiro também estaria sujeito a este tratamento. Por conta disto, para ganhar a concorrência será necessário investir em promoção comercial em nível internacional, estratégia com que o gesso do Araripe já tem experiência em outros mercados alvo, através da participação em feiras e eventos, além da prática de exportações teste.

Já no Capítulo 2, foi levantado que, apesar do enorme potencial do gesso do Araripe expandir sua atuação para o mercado internacional, seria necessário melhorar diversos pontos em defasagem por conta da atuação historicamente focada no mercado interno, menos rígido em seus padrões se comparado ao mercado externo. Para tal, buscou-se o apoio da Apex-Brasil para investir, dentre outros, no aprimoramento do processo produtivo, tornando os produtos e embalagens adequados aos padrões internacionais. Desta forma se promoveu a exportação dos produtos de gesso para o mercado externo, estando aptos inclusive para chegar a.o mercado de Dubai.

Por sua vez no Capítulo 3, foi colocado que o gesso já não era novidade em Dubai que tem no Irã, Kuwait e Síria alguns dos seus fornecedores, embora não seja o seu produto algo atrativo em termos de qualidade. Claro que em termos de preço, o valor desperta toda a atenção dos compradores, entretanto o gesso do Araripe pode encontrar uma vaga naquele mercado, por conta de requisitos como pureza e variabilidade físico-química que influi no fator durabilidade. Estas propriedades aliadas à demanda por obras rápidas e de alto nível na região, oferecem ao gesso brasileiro um excelente cenário. Deve-se supor que uma boa negociação poderá levar o gesso do Araripe ao Oriente Médio e que, a partir daí, outras muitas acontecerão, por fortalecer a qualidade das obras feitas pelo setor da construção civil de Dubai.

Por último, no Capítulo 4 foram demonstrados os efeitos da crise internacional sob o Emirado de Dubai, espalhando o temor da diminuição do ritmo das obras faraônicas. Como foi exposto pelo presidente da Câmara Árabe, Dubai assim como o resto do mundo está tentando fazer o máximo para superar a crise, e o momento serve para solidificar relações bilaterais de confiança, como a estabelecida entre Brasil e Emirados Árabes, devido à grande retração de alguns países. Como solução para a dívida adiada pela Dubai World, além do empréstimo cedido por Abu Dhabi, já está sendo elaborado um plano de reestruturação para pagamento de seus credores, que será anunciado neste ano de 2010. 

Diante dos argumentos apresentados ao longo dos capítulos, pode-se concluir que é vantajoso sim para os empresários do Pólo Gesseiro do Araripe buscarem a inserção dos produtos de gesso no mercado de Dubai, como porta de entrada para o Oriente Médio. O fato de os Emirados Árabes Unidos terem uma pauta diversificada de importações, e já serem familiarizados com os produtos de gesso, tanto nas construções rápidas como o uso do gesso para acabamentos artísticos e decorativos, facilita a aceitação do produto no mercado. A este fato pode-se adicionar a demanda por soluções rápidas e práticas de construção civil, devido ao andamento de obras faraônicas nos complexos hoteleiros na região costeira de Dubai. O investimento em construções hoteleiras, e centros comerciais e de lazer, demonstram as formas que o gesso pode ser aplicado na cidade.

Por se tratar de um sistema construtivo mais prático, mais barato e com melhor desempenho técnico comparado à Alvenaria Convencional, o Sistema Construtivo em Gesso reúne todos os requisitos para alcançar rápida inserção no mercado árabe e sua aceitação por esse mesmo mercado. Esta afirmativa decorre do fato já mencionado anteriormente de que o mercado dos Emirados é tradicional e historicamente familiarizado com o uso de gesso, além de se caracterizar como um mercado abertos a novas tecnologias que contribuam com a redução de custos de construção, uso de mão-de-obra sem sofisticação e maior rapidez para conclusão das obras.

As diversas características vantajosas apresentadas neste trabalho, em relação aos produtos de gesso, provam que o sistema construtivo consiste numa solução mais adequada para acompanhar o ritmo de Dubai. Como ponto de apoio para a inserção desses produtos, vale lembrar o apoio oferecido pelo Centro de Negócios Apex Brasil, que facilita a promoção comercial e o marketing necessários para envolver o mercado consumidor acerca dos produtos brasileiros.  A consolidação de marcas nos Emirados pode constituir uma excelente estratégia para expansão na região e até mesmo em nível global.

Além das vantagens levantadas, também foram analisadas as desvantagens deste processo, dando ênfase para os possíveis entraves logísticos devido à distância entre os países, assim como a presença dos países vizinhos do Oriente Médio, que a despeito de produzirem um gesso de qualidade inferior, possuem a vantagem da proximidade atrelada ao preço mais competitivo. Além disso, também foi dada ênfase à questão dos impactos da crise financeira, e o recente temor quanto ao pagamento das dívidas da Dubai World.

Pode-se concluir que devido à tensão mundial provocada pela crise americana, os países já se encontravam em estado de alerta, e qualquer sinal de instabilidade provoca uma reação mais negativa, devido ao medo. Claro que não se pode ignorar o aviso de adiamento da dívida de Dubai, porém o Emirado que vem desenvolvendo e crescendo a ritmo acelerado, tem condições de enfrentar e superar uma crise. Existem diversos projetos envolvendo a cidade, que não foram cancelados e continuam em frente.

O aviso de moratória em Dubai pode ser encarado de uma forma positiva, se considerar que o governo pode aproveitar para diversificar seus investimentos, explorando outros setores além do turismo. Também pode-se admitir que o governo passe a ter uma tolerância quanto aos gastos extravagantes, priorizando a diversidade de setores, abrindo, assim, um espaço para a chegada do gesso da região do Araripe, que efetivamente pode competir com outros fornecedores.

Diante deste cenário, finaliza-se este trabalhando com a defesa de que o gesso do Araripe tem capacidade de competir no mercado de Dubai e proporcionar ao Nordeste, em especial ao Pólo Gesseiro, uma notoriedade em nível internacional, de forma exitosa.

 

Referências
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Notas:
[1] Quando se diz mundo inteiro, considerar países que possuam uma classe econômica com o costume de efetuar viagens turísticas no período de férias, como Estados Unidos, Canadá, o próprio Brasil, Espanha, etc.
[2] Toda vez que for citado alvenaria convencional, considerar o sistema de construção baseado em tijolo e cimento.
[3] Outdoors e backbus são formas de anúncios publicitários. Outdoors são painéis expostos em pontos fixos de visão para todos os passam por eles nas ruas; backbus seria a publicidade circulante, dinâmica, posta na janela traseira dos ônibus coletivos que circulam pelas cidades para serem vistos por todos: é o anúncio indo ao encontro dos consumidores.
[4] Indústria Global é aquela que seu posicionamento no meio internacional afeta as estratégias de seus concorrentes.
[5] O SINDUSGESSO – Sindicato das Indústrias de Extração e Beneficiamento dos Derivados de Gesso de Pernambuco – representa e defende os interesses das empresas do setor gesseiro, fortalecendo o associativismo e promovendo o desenvolvimento econômico e sócio-ambiental de forma sustentável.
[6] O SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – é uma entidade privada de interesse publico que promove a competitividade e o desenvolvimento auto-sustentável dos pequenos negócios. O SEBRAE de Pernambuco realiza diversas ações no Pólo do Araripe, como rodadas de negócios, projetos de capacitação, financiamento para participações em feiras nacionais, entre outros.
[7] O SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – é uma instituição de educação profissional que, sendo parte da Federação das Indústrias, promove a criação e difusão do conhecimento aplicado ao desenvolvimento industrial. Atua no Pólo do Araripe tanto capacitando recursos humanos como prestando serviços de assistência técnica, laboratorial, pesquisa aplicada e informação tecnológica.
[8] A FIEPE – Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco – é uma entidade representativa do setor produtivo, formada por 38 sindicatos de segmentos industriais variados, que busca promover o processo de desenvolvimento da indústria em Pernambuco.
[9] A CNI – Confederação Nacional da Indústria –  é uma das quatro entidades que fazem parte do Sistema Indústria, e atua ativamente na defesa dos interesses do setor produtivo.  Tem como função fortalecer a atuação articulada das quatro entidades.
[10] O MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior –  responde por diversos assuntos, como a política de desenvolvimento da indústria, comércio e serviços, políticas de comércio exterior, entre outros.
[11] Quando as cargas são paletizadas facilitam a descarga dos caminhões, a movimentação interna nos terminais de armazenagem e o embarque das cargas nos contêineres. A paletização permite o manuseio de maiores volumes e o uso de empilhadeiras em cada movimento realizado, o que oferece uma maior proteção às mercadorias no momento dos embarques e desembarques.
[12] Segundo a Folha Online, “o uso e o significado do termo fora da Escandinávia é um tanto ambíguo: Finlândia e Islândia algumas vezes são contadas como partes da Escandinávia. Em uma visão alemã, Noruega, Suécia e Finlândia são geralmente incluídas, mas a Dinamarca não. Já na visão britânica, Noruega, Suécia e Dinamarca são geralmente incluídas, freqüentemente com o acréscimo da Islândia e da Finlândia.
Porém esses significados alternativos são vistos como incorretos na Escandinávia e, ocasionalmente, podem ser considerados ofensivos na região. Já o termo “países nórdicos” é usado de forma não ambígua com relação aos reinos escandinavos da Noruega, Suécia, Dinamarca e as repúblicas da Finlândia e Islândia.” (2009?)
[13] A CIA publica anualmente o The World Factbook, que consiste num documento com informações, em estilo almanaque, sobre todos os países e territórios reconhecidos diplomaticamente pelos EUA. O livro fornece um resumo da demografia, localização govero, idústrial, capacidade militar, características culturais, entre outras. 
[14] No caso da crise americana, Subprime é um crédito de risco, conhecido como crédito hipotecário, concedido a tomadores de empréstimos que representam maior risco. Esse crédito imobiliário tem como garantia a residência do tomador. Os operadores financeiros acostumados a ganhar com investimentos especulativos em época de crescimento econômico, têm se atirado em riscos inseguros e de alto risco, a exemplo dos financiamentos imobiliários subprime 

Informações Sobre os Autores

Ana Beatriz Veiga Mascarenhas Santos

Bacharela em Relações Internacionais pela Faculdade Integrada do Recife

Eliezer Queiroz de Souto

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