A dominação econômica dos Estados Unidos a partir do século XX

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Não foi só através do militarismo que os Estados Unidos chegaram a este patamar sem precedentes de dominação no mundo. O carro-chefe da hegemonia norte-americana foi a difusão de um conceito pelo bloco capitalista durante a Guerra Fria, o conceito do eixo democracia liberal/ economia capitalista de mercado/ direitos humanos que, com o fim da bipolaridade EUA/ URSS, pode alcançar as antigas repúblicas soviéticas.


Com novos mercados conquistados, os Estados Unidos puderam convencer o mundo de que o seu estilo de vida era melhor que qualquer outro. O american way of life se espalhou pelo mundo através do mais poderoso aparato de propaganda já visto, a combinação entre meios de comunicação e indústria do entretenimento. Com todo esse aparto econômico, informativo e de divertimento alcançando os quatro cantos do globo, os norte-americanos conseguiram uma generalização de estilos musicais, cinematográficos, de moda, de beleza, etc. O estímulo ao consumo é outra estratégia muito utilizada pelos EUA. Este estímulo fica evidente até nos esportes mais praticados por lá: o futebol americano, o beisebol e o hóquei, esportes em que, para praticá-los, é necessária a aquisição de equipamentos caros. Os indivíduos devem comprar cada vez mais, muitas vezes sem a mínima necessidade, seguindo o conceito de estilo de vida dos norte-americanos onde o que importa não é o que a pessoa é, mas sim o que ela tem. McDonald’s, Hollywood, Nike, jeans, Coca-Cola, CNN, Microsoft são símbolos da “universalidade” do american way of life e do seu sucesso mundial.


Foi então que surgiu a idéia de globalização, muito comentada nos dias atuais. Os Estados Unidos sempre foram ferrenhos defensores da globalização, pois através dela conseguiram alcançar o mundo todo com seus ideais. Mas existem algumas contradições neste ponto. Mesmo sendo a favor da criação de blocos econômicos párea livre comércio entre as nações, os norte-americanos sempre tiveram uma fortíssima política subsidiária e protecionista para todas áreas de sua economia. Ou seja, eles querem que seus produtos alcancem o mundo todo, porém não poupam esforços para que os produtos de outros países entrem em seu território. Esta é uma receita simples que dá muito certo, mas difícil de ser implantada, pois não é qualquer país que tem o poder dos Estados Unidos nas relações internacionais.


Outro “segredo” da hegemonia norte-americana é o investimento em tecnologia. Enquanto países como o Brasil exportam produtos primários (carne bovina, soja, laranja, café), os EUA exportam produtos eletrônicos e automóveis, muitas vezes com matérias-primas destes mesmos países como o nosso. Ou seja, os norte-americanos compram o produto de países de terceiro mundo, agregam valores e o vendem, ficando, assim, com uma lucratividade maior. Quando não exportam produtos, as empresas dos Estados Unidos optam por instalar fábricas em outros países, as famosas multinacionais, onde, novamente, quem mais lucra são os norte-americanos.


Sem dúvida, o grande mérito dos Estados Unidos foi o american way of life, pois muitos países adotaram, e ainda dotam, políticas de protecionismo e subsidiária e investimento em tecnologia, mas nenhum percebeu que o grande segredo é vender um estilo de vida, pois assim conquistam mercados mais rapidamente. Existem muitos países, principalmente asiáticos, que conseguiram entrar no mercado norte-americano, mas apenas com alguns produtos.


Toda essa dominação parece ser irreversível, ao menos nos dias atuais, pois não há país no globo que tenha maior poderio militar ou econômico que os norte-americanos. A única maneira de mudar isso é usar dos mesmos métodos utilizados pela Casa Branca para conseguir essa hegemonia, mudar os conceitos, a maneira de se viver.


Existem pequenos focos de resistência à dominação norte-americana, porém muito fiéis aos seus valores, como o Iraque. É em nações assim que os EUA acabam tendo que apelar para a força. Criando um ódio que acaba resultando no terrorismo, condenado por todos. 


Há quem diga que, nos últimos anos, a dominação está um pouco abalada, o que até pode ser verdade. Mas atualmente não existe nenhuma nação que seja forte o suficiente para um novo enfrentamento com os norte-americanos, como a URSS. Futuramente, a China talvez possa ser uma ameaça, pois sua economia vem crescendo rapidamente.


 


Referências:

CARVALHO, Lejeune Mato Grosso Xavier de. Iraque: O Vietnã de George Bush [on line]. Disponível na Internet. URL: http://www.galizacig.com/index.html. Acesso em: 21 outubro 2005.

HISTORIADORES fazem avaliação positiva do governo Clinton [on line]. Disponível na Internet. URL: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u16871.shl. Acesso em: 23 outubro 2005.

HUXLEY, Aldoux. Admirável Mundo Novo. Tradução de Lino Vallandro e Vidal Serrano. 2 ed. São Paulo: Globo, 2003.

Informações Sobre o Autor

Vinícius Ongaratto

Acadêmico de Direito na FURG/RS


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