Infração 616-50: deixar de dar preferência a pedestre ou veículo não motorizado atravessando a via transversal

A infração 616-50 ocorre quando o condutor deixa de dar preferência de passagem a pedestre ou a veículo não motorizado que esteja atravessando a via transversal para onde o veículo está se dirigindo. Ela está prevista no art. 214, V, do Código de Trânsito Brasileiro e, conforme o MBFT, é infração grave, com penalidade de multa e cinco pontos na CNH.

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Em termos práticos, é a situação em que o motorista vai virar à direita ou à esquerda para entrar em outra via e, nesse momento, há um pedestre, ciclista ou outro usuário não motorizado atravessando a via transversal. Se o condutor segue a manobra sem dar preferência, configura-se a infração.

Base legal da infração

O enquadramento 616-50 tem como base o art. 214, V, do CTB. Esse dispositivo trata da obrigação de dar preferência ao pedestre ou ao veículo não motorizado que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo.

A norma dialoga diretamente com o art. 36 do CTB, segundo o qual o condutor que vai ingressar em outra via deve dar preferência aos pedestres e aos veículos que por ela estejam transitando. Por isso, essa infração é muito comum em conversões à direita ou à esquerda.

Dados técnicos do enquadramento

Elemento Informação
Código de enquadramento 616-50
Conduta Deixar de dar preferência a pedestre ou veículo não motorizado atravessando a via transversal
Amparo legal Art. 214, V, do CTB
Natureza Grave
Penalidade Multa
Pontuação Cinco pontos
Valor da multa R$ 195,23
Infrator Condutor
Medida administrativa Não há
Constatação Possível sem abordagem

O que significa via transversal

Via transversal é a via para a qual o veículo se dirige ao realizar uma conversão. Se o motorista está em uma avenida e vira à direita para entrar em uma rua, essa rua passa a ser a via transversal em relação ao movimento original.

A infração 616-50 acontece exatamente nesse ponto de conflito: o veículo está ingressando na via transversal, enquanto um pedestre, ciclista ou outro veículo não motorizado está atravessando essa mesma via.

Quem deve receber preferência

A preferência deve ser dada ao pedestre e ao veículo não motorizado. Isso inclui, por exemplo, pedestres, ciclistas, usuários de patinetes, veículos de propulsão humana e outros modos de deslocamento não motorizados.

O ponto central é que esses usuários estejam atravessando a via transversal para onde o veículo pretende entrar. Não é necessário que haja colisão, susto ou acidente. A infração se caracteriza pela ausência de preferência.

Quando autuar no código 616-50

Deve-se autuar quando o veículo deixa de dar preferência a pedestre ou veículo não motorizado que está atravessando a via transversal para onde ele se dirige. O exemplo mais comum é o carro que faz uma conversão à direita e avança sobre a travessia, obrigando o pedestre a parar, recuar ou acelerar o passo.

Também pode ocorrer quando o condutor vira à esquerda em uma interseção e não respeita ciclista que atravessa a via transversal, especialmente quando há marcação rodocicloviária ou travessia sinalizada.

Outro exemplo é o veículo que entra em uma rua lateral e passa muito próximo de um pedestre que já iniciou a travessia, demonstrando que não houve concessão real da preferência.

A infração depende de faixa de pedestre

Não necessariamente. O código 616-50 não se limita à faixa de pedestre. O foco está no pedestre ou veículo não motorizado atravessando a via transversal para onde o veículo se dirige.

Quando o pedestre está sobre faixa a ele destinada, pode haver outro enquadramento mais específico, como o 612-20, previsto no art. 214, I. Já o 616-50 se refere ao caso da travessia da via transversal, normalmente associada à manobra de conversão.

Diferença entre 616-50 e 612-20

A infração 612-20 ocorre quando o condutor deixa de dar preferência a pedestre ou veículo não motorizado que se encontra na faixa a ele destinada. É uma infração gravíssima.

Já a infração 616-50 ocorre quando o pedestre ou veículo não motorizado atravessa a via transversal para onde o veículo está se dirigindo. Ela é grave. A diferença está no contexto da travessia: no 612-20, o elemento principal é a faixa; no 616-50, o elemento principal é a via transversal acessada pelo veículo.

Diferença entre 616-50 e 615-70

O código 615-70 trata de deixar de dar preferência a pedestre ou veículo não motorizado quando a travessia já foi iniciada, mesmo sem sinalização a ele destinada. Já o 616-50 é específico para a travessia da via transversal para onde o veículo se dirige.

Na prática, se o veículo está apenas seguindo em frente e não respeita pedestre que iniciou a travessia fora da faixa, pode-se analisar o 615-70. Se o veículo está convertendo para outra via e não respeita quem atravessa essa via transversal, o enquadramento tende a ser o 616-50.

Por que essa infração é importante

Essa infração protege um dos momentos mais sensíveis do trânsito: a conversão em interseções. Quando o veículo muda de direção, o condutor precisa dividir atenção entre outros carros, motos, ciclistas, pedestres, sinalização e geometria da via.

O pedestre, por outro lado, muitas vezes acredita que pode atravessar a via transversal porque o veículo ainda está em processo de conversão. Se o motorista não reduz, não para ou não aguarda, cria-se risco de atropelamento.

Por isso, o dever de preferência é essencial. Ele organiza a convivência entre veículos motorizados e usuários vulneráveis.

A infração exige abordagem

Não. A infração pode ser constatada sem abordagem, desde que o agente observe a conduta e consiga identificar o veículo. Isso significa que o motorista não precisa ser parado no local para que o auto seja lavrado.

A ausência de abordagem, sozinha, não invalida a multa. O que deve ser analisado é se o auto descreve corretamente a conduta, o local, a dinâmica da manobra e os elementos necessários do enquadramento.

O que deve constar no auto de infração

O auto deve indicar, de forma coerente, que o veículo deixou de dar preferência a pedestre ou veículo não motorizado durante a travessia da via transversal. Uma descrição adequada poderia ser: “condutor, ao converter à direita, deixou de dar preferência a pedestre que atravessava a via transversal”.

Outra possibilidade: “veículo, ao ingressar na via transversal, não deu preferência a ciclista que realizava a travessia”.

Quanto mais clara for a descrição, melhor. Se o auto apenas repetir o texto do enquadramento, sem demonstrar a dinâmica observada, pode haver margem para questionamento, principalmente se houver dúvida sobre a existência da conversão ou da travessia.

Exemplos práticos da infração

Um veículo está em uma avenida e vai virar à direita em uma rua. Um pedestre começa a atravessar essa rua lateral. O condutor faz a curva sem parar e obriga o pedestre a interromper a travessia. Essa situação caracteriza o código 616-50.

Outro exemplo: um automóvel faz conversão à esquerda para entrar em uma via transversal, enquanto um ciclista atravessa essa mesma via. Se o condutor avança e não dá preferência, pode ser autuado.

Também ocorre quando o motorista sai de uma rotatória ou de uma via principal e entra em uma transversal onde há pedestre atravessando. Ainda que não exista semáforo ou faixa claramente marcada, a preferência deve ser respeitada quando a situação se encaixa no art. 214, V.

A preferência exige parada total

Nem sempre a preferência exige parada total, mas exige comportamento seguro e inequívoco. O condutor deve reduzir, aguardar ou parar quando necessário, permitindo que o pedestre ou veículo não motorizado conclua a travessia com segurança.

Se o motorista passa antes, corta a trajetória, aproxima-se de forma intimidatória ou força o pedestre a alterar seu deslocamento, não houve preferência real. A preferência não é apenas “não encostar”; é permitir a travessia de modo seguro.

Relação com ciclistas

O código 616-50 também protege veículos não motorizados, como bicicletas. Em muitas cidades, as interseções têm ciclofaixas, ciclovias ou marcações rodocicloviárias. Quando o veículo vai converter e o ciclista atravessa a via transversal, o condutor deve respeitar a preferência.

Esse ponto é muito importante porque muitos motoristas só associam o art. 214 a pedestres. No entanto, a própria tipificação inclui veículos não motorizados.

Competência para fiscalização

A fiscalização dessa infração pode ser realizada por órgãos ou entidades de trânsito com circunscrição sobre a via, especialmente órgãos municipais e estaduais, conforme o local da ocorrência.

Em vias urbanas, a fiscalização costuma ser municipal. Em rodovias ou trechos sob gestão estadual, pode haver atuação do órgão rodoviário ou estadual competente. Em eventual defesa, é sempre importante verificar se o órgão autuador tinha competência sobre o local.

Possíveis argumentos de defesa

Uma defesa deve analisar os elementos concretos do auto. O primeiro ponto é verificar se havia, de fato, pedestre ou veículo não motorizado atravessando a via transversal.

O segundo ponto é confirmar se o veículo autuado realmente se dirigia para essa via. Se não houve conversão ou ingresso na via transversal, o enquadramento pode estar incorreto.

O terceiro ponto é analisar se houve ausência de preferência. Se o pedestre ainda não havia iniciado a travessia, se estava em local diverso, ou se o condutor aguardou a passagem com segurança, pode haver discussão.

Também é relevante verificar se o auto descreve a situação observada de forma suficiente. A simples indicação genérica do código pode não demonstrar, por si só, todos os elementos da infração.

Erros comuns de enquadramento

Um erro comum é aplicar o 616-50 quando o caso envolve pedestre sobre faixa própria, hipótese que pode atrair o código 612-20. Outro erro é utilizar o 616-50 quando não houve conversão nem via transversal.

Também pode haver confusão com o 615-70, que trata da travessia iniciada sem sinalização destinada ao pedestre ou veículo não motorizado.

Por isso, o MBFT é essencial: ele orienta o agente a escolher o enquadramento adequado conforme o detalhe da conduta observada.

Perguntas e respostas

A infração 616-50 é gravíssima

Não. A infração 616-50 é grave. Ela gera multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.

Precisa existir faixa de pedestre

Não obrigatoriamente. O ponto principal é que o pedestre ou veículo não motorizado esteja atravessando a via transversal para onde o veículo se dirige.

A multa pode ser aplicada sem abordagem

Sim. A constatação pode ocorrer sem abordagem, desde que o agente identifique o veículo e registre adequadamente a conduta.

Ciclista também está protegido por esse enquadramento

Sim. A tipificação fala em pedestre ou veículo não motorizado, o que inclui bicicleta e outros veículos de propulsão humana.

A multa suspende a CNH automaticamente

Não. A infração gera cinco pontos, mas não é autossuspensiva. Ela pode contribuir para suspensão por acúmulo de pontos, conforme o histórico do condutor.

Conclusão

A infração 616-50 pune o condutor que deixa de dar preferência a pedestre ou veículo não motorizado atravessando a via transversal para onde o veículo se dirige. É uma infração grave, prevista no art. 214, V, do CTB, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.

O detalhe central é a relação entre a manobra do veículo e a travessia. O condutor está ingressando em outra via, e justamente nessa via há pedestre, ciclista ou outro veículo não motorizado atravessando. Nessa situação, a preferência deve ser respeitada.

Para a fiscalização, é essencial enquadrar corretamente a conduta. Para a defesa, é importante verificar se havia via transversal, se houve conversão, se o usuário vulnerável estava realmente atravessando e se o auto descreve a situação de forma suficiente.

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