Infração 655-61: conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação

A infração de código 655-61 está relacionada à circulação irregular de bicicletas em áreas destinadas prioritariamente aos pedestres. Prevista no artigo 255 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), essa conduta ocorre quando o ciclista conduz a bicicleta em passeios públicos onde a circulação de bicicletas não é autorizada pela autoridade de trânsito competente. O objetivo da norma é garantir a segurança dos pedestres e organizar a convivência entre os diferentes usuários das vias públicas.

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Embora muitas pessoas acreditem que bicicletas possam circular livremente pelas calçadas, o CTB estabelece regras específicas para essa situação. O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) detalha as condições de enquadramento, as formas de fiscalização e as medidas administrativas aplicáveis. Trata-se de uma infração de natureza média, sujeita à aplicação de multa e remoção da bicicleta.

O que diz o artigo 255 do CTB

O artigo 255 do Código de Trânsito Brasileiro estabelece:

Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva.

A infração possui dois enquadramentos distintos:

  • 655-61 – Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida sua circulação;
  • 655-62 – Conduzir bicicleta de forma agressiva.

O presente artigo trata especificamente do enquadramento 655-61, que está relacionado à utilização indevida das calçadas e passeios por ciclistas.

Qual é a descrição da infração 655-61

Segundo o MBFT, o enquadramento 655-61 corresponde à seguinte conduta:

“Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta.”

O foco da fiscalização não está simplesmente no fato de o ciclista estar sobre uma calçada, mas sim na ausência de autorização específica para a circulação de bicicletas naquele local.

Em muitos municípios existem áreas compartilhadas ou trechos devidamente sinalizados que permitem o trânsito de bicicletas. Nesses casos, a infração não ocorre.

O que é considerado passeio segundo o CTB

Para compreender corretamente a infração, é necessário entender o conceito de passeio.

O Anexo I do CTB define passeio como a parte da calçada ou da via destinada exclusivamente à circulação de pedestres.

O passeio possui como finalidade principal:

  • Garantir a circulação segura dos pedestres;
  • Proteger pessoas com mobilidade reduzida;
  • Permitir o deslocamento de idosos;
  • Facilitar a locomoção de crianças;
  • Assegurar acessibilidade urbana.

Por esse motivo, o trânsito de bicicletas em tais áreas somente pode ocorrer quando houver autorização expressa da autoridade competente.

A bicicleta pode circular na calçada?

A resposta é: depende.

O artigo 59 do CTB prevê que a autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas nos passeios, desde que exista sinalização específica para isso.

Portanto, existem duas situações possíveis:

Circulação permitida

Quando houver:

  • Sinalização específica;
  • Determinação da autoridade de trânsito;
  • Área compartilhada devidamente regulamentada.

Nesses casos, a circulação é legal.

Circulação proibida

Quando não houver autorização formal nem sinalização permitindo o trânsito de bicicletas.

Nessa hipótese, a circulação do ciclista configura a infração 655-61.

Qual é a penalidade da infração

A infração possui natureza média.

As penalidades previstas pelo CTB são:

Característica Informação
Código 655-61
Artigo 255 do CTB
Natureza Média
Multa R$ 130,16
Medida administrativa Remoção da bicicleta
Infrator Ciclista

Como a infração é praticada por um ciclista, não há lançamento de pontos em CNH, salvo em situações específicas de conversão do registro conforme procedimentos administrativos aplicáveis.

Qual é a medida administrativa aplicada

Além da multa, o CTB prevê a remoção da bicicleta.

A legislação determina que a bicicleta poderá ser recolhida mediante recibo para posterior liberação após o cumprimento das formalidades previstas.

Essa medida busca impedir a continuidade da infração e preservar a segurança dos pedestres.

Por que a legislação restringe a circulação de bicicletas nos passeios

A justificativa está diretamente relacionada à proteção dos pedestres.

Mesmo sendo um veículo não motorizado, a bicicleta pode atingir velocidades capazes de causar acidentes significativos.

Entre os riscos mais comuns estão:

  • Atropelamento de idosos;
  • Colisões com crianças;
  • Quedas de pedestres;
  • Acidentes envolvendo pessoas com deficiência visual;
  • Lesões em usuários de cadeira de rodas;
  • Danos em áreas de circulação compartilhada.

O legislador entendeu que o espaço prioritário do passeio deve permanecer reservado aos pedestres.

Onde a bicicleta deve circular normalmente

O CTB estabelece regras específicas para a circulação de bicicletas.

A preferência deve ser dada aos seguintes espaços:

Ciclovias

São vias exclusivas para bicicletas.

Representam o ambiente mais seguro para o deslocamento dos ciclistas.

Ciclofaixas

São faixas delimitadas na via destinadas à circulação de bicicletas.

Também possuem prioridade para utilização.

Acostamentos

Quando inexistirem ciclovias ou ciclofaixas, os acostamentos podem ser utilizados pelos ciclistas.

Bordo da pista

Na ausência das alternativas anteriores, a bicicleta pode circular no bordo da pista de rolamento, observando o sentido regulamentado da via.

O que acontece quando não existe ciclovia

Essa é uma dúvida muito comum.

Muitos ciclistas acreditam que a ausência de ciclovia autoriza automaticamente o uso da calçada.

Isso não é correto.

O CTB determina que, na falta de infraestrutura cicloviária, o ciclista deve utilizar o bordo da pista de rolamento ou o acostamento, quando existente.

Somente quando houver autorização específica da autoridade de trânsito poderá utilizar o passeio.

O ciclista desmontado pode utilizar a calçada?

Sim.

Essa é uma situação completamente diferente.

O CTB equipara o ciclista desmontado que empurra a bicicleta ao pedestre.

Assim, quando o ciclista desce da bicicleta e passa a conduzi-la manualmente:

  • Pode utilizar a calçada;
  • Não comete a infração 655-61;
  • Passa a possuir os mesmos direitos e deveres dos pedestres.

Essa é a alternativa recomendada em locais de grande circulação de pessoas.

Como ocorre a fiscalização da infração

A fiscalização geralmente ocorre mediante observação direta do agente de trânsito.

Ao verificar que o ciclista está transitando sobre passeio não autorizado, o agente poderá lavrar o auto de infração.

A constatação normalmente leva em consideração:

  • Existência ou não de sinalização autorizando bicicletas;
  • Características do local;
  • Fluxo de pedestres;
  • Conduta observada;
  • Situação de risco criada pelo ciclista.

Exemplos práticos da infração

Algumas situações ajudam a compreender melhor o enquadramento.

Bicicleta em calçada comercial

Um ciclista percorre uma calçada movimentada de área comercial sem qualquer autorização de trânsito compartilhado.

A infração fica caracterizada.

Passeio em frente a escolas

O ciclista trafega entre pedestres em área escolar sem sinalização permitindo circulação de bicicletas.

Também ocorre a infração.

Calçadão exclusivo para pedestres

Mesmo que o local seja amplo, se não houver autorização para bicicletas, a circulação permanece irregular.

Quando não ocorre a infração

Nem toda circulação em passeio caracteriza infração.

Alguns exemplos de situações regulares incluem:

Área compartilhada sinalizada

O município autoriza e sinaliza o compartilhamento entre ciclistas e pedestres.

Nesse caso, a circulação é permitida.

Ciclista desmontado

Quando empurra a bicicleta, o usuário é considerado pedestre.

Travessia momentânea

Atravessar uma calçada para acessar imóvel, garagem ou bicicletário normalmente não caracteriza a infração, desde que não haja circulação efetiva ao longo do passeio.

A segurança dos pedestres como prioridade

Um dos princípios centrais do CTB é a proteção dos usuários mais vulneráveis da via.

Na hierarquia de proteção do trânsito:

  • Pedestres possuem prioridade máxima;
  • Ciclistas possuem prioridade sobre veículos motorizados;
  • Veículos maiores possuem maior responsabilidade sobre os menores.

Essa lógica explica por que a legislação restringe a circulação de bicicletas em áreas destinadas exclusivamente aos pedestres.

Diferença entre a infração 655-61 e a condução agressiva

O artigo 255 prevê duas condutas distintas.

Código 655-61

Refere-se ao local onde a bicicleta está circulando.

O problema é utilizar um passeio sem autorização.

Código 655-62

Refere-se ao comportamento do ciclista.

Mesmo em local permitido, a condução agressiva pode gerar autuação própria.

Portanto, trata-se de infrações diferentes e independentes.

Possibilidades de defesa administrativa

Como qualquer auto de infração, a autuação pode ser contestada quando houver elementos que justifiquem a revisão do ato administrativo.

Entre os pontos eventualmente analisados estão:

  • Existência de sinalização autorizando bicicletas;
  • Erro de enquadramento;
  • Falhas formais no auto de infração;
  • Identificação incorreta do local;
  • Ausência de elementos suficientes para caracterização da conduta.

Cada caso deve ser avaliado individualmente com base nos dados constantes do auto de infração.

Como evitar a infração

Algumas medidas simples são suficientes para evitar autuações.

Entre elas:

  • Utilizar ciclovias sempre que existirem;
  • Priorizar ciclofaixas;
  • Circular pelo bordo da pista quando permitido;
  • Observar a sinalização local;
  • Desmontar da bicicleta ao utilizar áreas exclusivas de pedestres;
  • Respeitar espaços compartilhados;
  • Redobrar a atenção em locais de grande fluxo de pessoas.

A observância dessas regras contribui para um trânsito mais seguro e organizado.

A importância da convivência entre ciclistas e pedestres

O crescimento do uso da bicicleta trouxe benefícios importantes para a mobilidade urbana, mas também aumentou a necessidade de organização dos espaços públicos.

O passeio continua sendo um ambiente prioritariamente destinado aos pedestres. Ao respeitar essa regra, o ciclista contribui para:

  • Redução de acidentes;
  • Maior segurança urbana;
  • Melhor convivência entre modais;
  • Respeito às normas de trânsito;
  • Mobilidade mais eficiente.

A educação para o trânsito desempenha papel fundamental nesse processo.

Conclusão

A infração 655-61, prevista no artigo 255 do Código de Trânsito Brasileiro, ocorre quando o ciclista conduz a bicicleta em passeios onde não existe autorização para sua circulação. Segundo o CTB e o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, a conduta constitui infração de natureza média, sujeita à multa e à remoção da bicicleta. A regra busca proteger os pedestres, considerados os usuários mais vulneráveis do sistema viário. Embora existam situações em que a circulação de bicicletas em passeios seja autorizada, isso depende de regulamentação e sinalização específicas da autoridade de trânsito. Conhecer essas normas é essencial para garantir uma convivência segura e harmoniosa entre ciclistas e pedestres, contribuindo para um trânsito mais organizado e respeitoso.

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